Por: Paula Freire
(Colaboradora do Memórias...e outras coisas...)
Hoje, há qualquer coisa de profundamente só no teu olhar.
Uma ausência que se repete como os dias adormecidos nos braços dolentes das marés grandes.
Há um gosto de tarde que te chora no ninho do peito.
Porque foram leves as horas onde te fizeste sorriso
e um amor a falar alto todos os restos de promessas e finais felizes.
Qualquer coisa de profundamente só no teu olhar…
Talvez uma dor serena de tudo o que foste, esperaste e não veio, dos pedaços tristes de chão
que a memória te ensinou a contar, como quem segreda os passos de uma despedida.
Ou ainda uma saudade antiga
guardada no intervalo do tempo onde couberam todas as palavras que nunca disseste
e a morada dos lugares que te desabitaram. E já não és…
…
Mas hoje,
mesmo que tudo pareça nada e o silêncio te dispa a voz
como os pássaros que partiram no céu branco e a alma de quem já esperou demais,
ainda és livre de sonhar-te
num abraço das marés onde todos os barcos são regresso
quando guardam neles a ternura de um sentir maior
a chamar-te pelo nome.
E, por isso, hoje,
talvez tenhas sido só o último respirar de sol antes da noite.
Uma esperança frágil e teimosa,
uma pausa de cansaço e de recomeço na curva discreta do destino.
E a solidão seja apenas o ventre de um novo recomeço,
à espera de te acordar,
nos dedos delicados de um piano que escuta a nota de uma primavera mais linda.
Ainda te ouço a luz de um murmúrio e um sonho de fogo que sabe entender a música da espera do tudo o que o respirar ainda não tocou.
Porque hoje, eu vi.
Há qualquer coisa de profundamente…
Só Teu.
… no teu olhar.
mesmo que tudo pareça nada e o silêncio te dispa a voz
como os pássaros que partiram no céu branco e a alma de quem já esperou demais,
ainda és livre de sonhar-te
num abraço das marés onde todos os barcos são regresso
quando guardam neles a ternura de um sentir maior
a chamar-te pelo nome.
E, por isso, hoje,
talvez tenhas sido só o último respirar de sol antes da noite.
Uma esperança frágil e teimosa,
uma pausa de cansaço e de recomeço na curva discreta do destino.
E a solidão seja apenas o ventre de um novo recomeço,
à espera de te acordar,
nos dedos delicados de um piano que escuta a nota de uma primavera mais linda.
Ainda te ouço a luz de um murmúrio e um sonho de fogo que sabe entender a música da espera do tudo o que o respirar ainda não tocou.
Porque hoje, eu vi.
Há qualquer coisa de profundamente…
Só Teu.
… no teu olhar.
Paula Freire. Tem curiosidade pelo que se mostra sem intenção: o comportamento que revela mistérios, intimidades. Observa-o enquanto desenha pessoas e fotografa o mundo. As palavras nascem-lhe da escuta atenta do Homem, dos silêncios que deixam vestígios. Escreve a partir de múltiplos lugares. Alguns com rosto, outros sem nome.
Acredita que a vida não dá certezas absolutas nem tem respostas fáceis. E que a sensibilidade humana nunca deve ser confundida com fragilidade.
É psicóloga e psicoterapeuta. Publicou “Lírio: Flor-de-Lis” e “As Dúvidas da Existência: Na Heteronímia de Nós”. Este último (em coautoria), assinado pelo seu heterónimo Lázaro Rios, a sua forma de liberdade mais pura e crua.
Gosta de viver sem ruídos desnecessários e inteira dentro da sua escrita. Tudo o resto são só excessos.

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