Na nota, a Misericórdia repudiou as alegações que o canal iria transmitir no dia seguinte e rejeitou qualquer acusação e insinuação.
O sindicato diz que a atitude foi uma tentativa de “condicionamento do exercício do jornalismo” e que a ética e deontologia do jornalista e da RPT foram colocadas em causa. Já o provedor da Misericórdia, Duarte Fernandes, diz que o comunicado apenas foi lançado antes da transmissão porque a reportagem já estava a ser anunciada há alguns dias. “A divulgação de que o programa ia acontecer esteve a decorrer durante a semana toda, presumo eu, e só me deu o trabalho de ver com atenção a reportagem passada, possivelmente quase dois dias. E repare que durante a reportagem aparece constantemente abusos sexuais em Bragança na Santa Casa, maus-tratos na Santa Casa da Misericórdia. É isso que vende? É essa imagem que se quer transmitir ao país que assistiu àquele programa?”, questionou.
O provedor lamenta que tenham sido utilizadas imagens que foram captadas para outra reportagem, há três anos, que não correspondem à realidade atual. “E a maior parte das imagens, aquelas imagens com mau aspecto, degradantes, de uma casa de banho que servia de arquivo ou de arrumação, que já não existe, as imagens que aparecem do exterior e do interior foram captadas há 3 anos, salvo erro. Mas as pessoas que viram ficaram com aquelas imagens na cabeça. Então não tenho motivo para estar triste e indignado”, apontou.
No comunicado da Misericórdia também é referido que a reportagem saiu “apressadamente” em véspera de apresentação das contas da instituição relativas a 2025 e numa altura em que está aberto um concurso público, no valor de um milhão e meio de euros, para a realização de obras no Centro de Educação Especial. Duarte Fernandes prefere não acreditar que esses motivos estiveram na origem do período escolhido para a transmissão. “É uma história que já tem 3 anos, não é? E retomar de forma depreciativa um assunto com 3 anos para voltar a fazer uma reportagem sobre o mesmo assunto com 3 anos e não procurar saber o que de bom ali se fez e o que se melhorou, sentimento de tristeza e de indignação, sobretudo por causa dos funcionários que ali trabalham, isto digo.”
O Sindicato dos Jornalistas diz que a reportagem “foi construída com base numa denúncia feita ao Ministério Público, que abriu uma investigação, bem como em documentos oficiais, nomeadamente relatórios de inspeções da Segurança Social”. Assume ainda que o jornalismo sério e rigoroso se faz com factos e não com “alegações infundadas” como a Misericórdia diz que aconteceu. Já a Santa Casa, que emitiu um novo comunicado, diz que a queixa apresentada foi arquivada, não tendo sido apurada qualquer prática que sustente as alegações. A Misericórdia refere ainda que a abordagem tomada pelo jornalista afasta-se “do rigor, da isenção e da imparcialidade” exigidos.

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