Nuno Rodrigues, responsável pela empresa DNMAT, dedicada à comercialização de artigos de bricolage e materiais de construção, sublinha que o combustível representa uma fatia considerável das despesas mensais. “Gastamos entre 24 a 25 mil litros de gasóleo por mês. Um aumento de 40 a 50 cêntimos por litro que se traduz num acréscimo de oito a nove mil euros”, explica. Apesar de eventuais medidas de alívio fiscal, garante que o impacto é inevitável.
Para além do custo direto com o combustível, o empresário alerta para um efeito indireto que se faz sentir nos preços dos materiais. “Grande parte da matéria-prima deriva do petróleo, como os isolamentos ou as telas e coberturas de construção, o que faz subir significativamente os preços”, refere, acrescentando que também os fornecedores enfrentam custos logísticos mais elevados, que acabam por ser repercutidos ao longo da cadeia.
Nuno Rodrigues recorda que o setor já enfrentou um cenário semelhante aquando do início da guerra na Ucrânia, embora com impacto mais alargado a matérias-primas como o aço e a madeira. Agora, ainda que o aumento esteja mais concentrado nos combustíveis, acredita que acabará por se refletir em todo o setor da construção. Perante este contexto, admite que a empresa terá de ajustar gradualmente os preços. “Não conseguimos suportar estes custos continuamente. Temos cerca de 25 mil referências e será necessário fazer ajustes progressivos”, explica.
Também a Reconco, empresa especializada em comércio, logística e produção de materiais de construção, enfrenta desafios semelhantes. Luís Rio, diretor comercial e de logística, descreve o impacto como “imediato e muito significativo”. “Nós gastamos 45 mil litros por semana em média de gasóleo, que dá uma média de, em imediato com estes dois aumentos seguidos, de 12 a 15 mil euros por semana de aumento, só em combustível”, partilha.
Com operações que abrangem todo o território nacional e ainda mercados internacionais como Madrid e Lyon, a empresa depende fortemente do transporte rodoviário. “É um custo que não conseguimos repercutir nos clientes com a mesma rapidez com que nos é imposto”, explica. Segundo o responsável, muitos clientes já têm obras em curso e preços previamente acordados, o que dificulta a introdução de atualizações.
A situação é agravada pela rapidez com que os preços dos combustíveis sobem. “Temos de reagir com cuidado, rever tabelas e comunicar aos clientes, mas nem sempre conseguimos acompanhar o ritmo dos aumentos”, afirma. Durante várias semanas, a empresa foi obrigada a suportar parte dos custos antes de conseguir atualiza-los nas encomendas. Contudo, o clima de incerteza tem levado a um aumento da procura. “O cliente assusta-se e quer comprar rápido, porque pensa que os custos vão aumentar ainda mais. Temos muitas encomendas em carteira, até atrasadas, que é normal porque os preços estão altos, mas há de facto cada vez mais encomendas”, conclui.

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