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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

"Vamos investir mais de 30 milhões de euros aqui no distrito de Bragança"

 Nesta grande entrevista ao Mensageiro de Bragança, Jacques e Cristina Bigand explicam as razões do regresso, apresentam os investimentos que estão a desenvolver e deixam uma visão crítica sobre a evolução económica, a arquitetura, o espaço público e o futuro de Bragança.


Mensageiro de Bragança
: Quem são o Jacques e a Cristina Bigand?

Jacques Bigand: Somos um casal franco-português, ou luso-francês. Durante mais de 20 anos, desenvolvemos em França, na Bélgica, no Luxemburgo e no Canadá uma atividade na área da informática e das soluções técnicas para o setor imobiliário. A empresa cresceu e alcançou algum sucesso, acabando por ser vendida. Integrámos o grupo que a adquiriu e, alguns anos mais tarde, esse grupo foi também vendido. Nessa altura, orientámo-nos para outras atividades e começámos a perguntar-nos o que faríamos a seguir.

Decidimos regressar ao país de origem de Cristina, mais concretamente a Bragança, no Norte de Portugal. Há mais de 20 anos que vínhamos regularmente a Portugal e a esta região, mas apenas de férias ou para passar algum tempo com a família. Desta vez, decidimos regressar para investir e trabalhar em Bragança.

MB.: Esse regresso foi motivado mais pelo prazer do que pelos negócios?

Cristina Bigand: Sim, sobretudo pelo prazer. Não propriamente com a ideia de fazer negócios.

Jacques Bigand: Não regressámos apenas para fazer negócios, mas também não queríamos ficar inativos, como se estivéssemos permanentemente de férias. Perguntámo-nos o que poderíamos fazer e começámos a interessar-nos por áreas diferentes da tecnologia, da informática e do imobiliário em que tínhamos trabalhado.

Quisemos regressar a valores essenciais: cultivar a terra e construir para habitar. Existem outros valores fundamentais, como cuidar, ensinar ou proporcionar entretenimento, mas concentrámo-nos nos dois primeiros. Por isso, temos projetos agrícolas ligados à oliveira, ao vinho e, sobretudo, à produção de azeite e de vinho. No imobiliário, desenvolvemos projetos de pequena, média e grande dimensão, desde a recuperação de edifícios históricos e de construções atualmente sem grande interesse até loteamentos e intervenções mais ambiciosas em edifícios emblemáticos, como é o caso do Chave D’Ouro ou do Solar dos Calaínhos.

É um projeto que conduzimos em conjunto, procurando aplicar critérios de qualidade a tudo o que fazemos, independentemente da sua dimensão.

MB.: Sentem que estão também a devolver algo à terra de origem da família?

Jacques Bigand: Tivemos a sorte e a oportunidade de alcançar algum sucesso ao longo da vida e parece-nos natural devolver uma parte daquilo que recebemos. Queremos fazê-lo de forma concreta. Por isso, decidimos regressar às origens, a uma terra onde, há duas ou três gerações, muitas pessoas tiveram vidas extremamente difíceis, e dar o nosso contributo à região.

Esse é um ponto muito importante para nós. 

O segundo é que esta não é apenas a região da família de Cristina: é também uma região com futuro, com grande potencial. Quando aqui vim pela primeira vez, há mais de 20 anos, fiquei impressionado com a sua beleza. Percebi também que Bragança tinha um enorme potencial devido à localização no Nordeste de Portugal, à disponibilidade de terrenos para novos projetos, aos acessos rodoviários e ao aeródromo. 

Acredito que Bragança pode tornar-se uma cidade importante no espaço ibérico, particularmente no Nordeste português, e também uma cidade relevante no contexto da União Europeia.

MB.: Que projetos estão atualmente a desenvolver em Bragança?

Cristina Bigand: Estamos a avançar com a recuperação do edifício do antigo Chave D’Ouro, no centro da cidade, para o transformar num hotel de cinco estrelas.

Temos, igualmente, um projeto no Solar dos Pimentéis, em Castelo Branco (Mogadouro), que passará também pela reabilitação histórica do edifício e pela sua transformação numa unidade hoteleira.

Comprámos ainda uma quinta com o objetivo de criar um alojamento local e desenvolver atividades de enoturismo.

MB.: O Solar dos Calaínhos poderá funcionar como extensão do hotel do Chave D’Ouro?

Cristina Bigand: Essa é uma possibilidade que já equacionámos. O hotel do Chave D’Ouro terá apenas dez quartos, sendo, por isso, uma unidade pequena. Gostaríamos de preservar o edifício do Solar dos Calaínhos tal como existe e aproveitar os seus espaços para salas de receção e restauração, mantendo também o bar e o jardim. Na parte posterior poderia ser construída uma extensão da unidade hoteleira. Contudo, esse projeto ainda não foi iniciado, ainda aguardamos autorizações.

MB.: A burocracia tem dificultado o avanço dos investimentos?

Cristinea Bigand: Sim, até agora tem sido um problema, embora comecemos a notar algumas mudanças. No início também existiu alguma desconfiança. Atualmente, trabalhamos melhor com a Câmara Municipal. Penso que foi necessário construir uma relação de confiança e que percebessem quais eram, realmente, as nossas intenções.

MB.: A agricultura é outra das áreas de investimento?

Cristina Bigand: Sim. Estabelecemos uma parceria com um casal Cristiano Pires e Rute Gonçalves que inicio a exploração da vinha há mais de 10 anos em zona de Mogadouro, em Castelo Branco, com vários terrenos de vinha, e adquirimos outra propriedade em Lodões, perto de Vila Flor, já na região vitivinícola do Douro. Pretendemos construir uma adega em Mogadouro e criar condições para o envelhecimento do vinho.

Temos também um projeto para plantar vinha destinada exclusivamente à produção de espumante em Carocedo (aldeia da minha mãe), a cerca de vinte minutos de Bragança. Adquirimos aí terrenos antigos que serão reconvertidos.

Queremos ainda recuperar e plantar olivais, produzir azeite e comercializá-lo internacionalmente. 

Os nossos investimentos concentram-se essencialmente no imobiliário, na hotelaria, no turismo e na agricultura.

MB.: O olival surge como uma das paixões de Jacques?

Cristina Bigand: Sim. O olival é uma paixão antiga. Quando tinha cerca de 20 anos, o Jacques já dizia à sua mãe, apesar de não vir de uma família de agricultores, que um dia queria ter oliveiras. Também sempre gostou da restauração e da cozinha italiana. A compra do restaurante Gôndola, em Bragança, surgiu igualmente dessa vontade. Foi o primeiro restaurante onde ele almoçou em Bragança e de que gostou muito. Eu conhecia o anterior proprietário desde pequena, porque era amigo dos meus pais, e acabou por surgir a oportunidade.

MB.: Os vossos investimentos ficarão limitados a Bragança?

Cristina Bigand: Ficarão em Trás-os-Montes e em zonas próximas, num raio inferior a 100 quilómetros de Bragança. Poderia existir maior rentabilidade económica no Algarve, em Lisboa ou no Porto, mas a nossa intenção é investir na minha região.

MB.: Estão também a desenvolver projetos de habitação?

Cristina Bigand: Sim, temos vários projetos na cidade, incluindo na zona histórica, onde pretendemos criar apartamentos. Existe ainda um projeto de loteamento na zona das Quintas da Seara, que prevê a construção de cerca de 40 casas.

MB.: O que distinguirá esse loteamento?

Cristina Bigand: Queremos construir habitações responsáveis do ponto de vista ambiental, com qualidade e respeito pela arquitetura local. As cores são muito importantes. Atualmente, constroem-se casas sem respeitar suficientemente a arquitetura da região e nem sempre são utilizados os materiais mais adequados.

Queremos fazer algo diferente, mas simultaneamente muito respeitador da identidade local e da natureza. O terreno possui muitos olivais e pretendemos preservá-los.

MB.: Quando esperam ter todos estes projetos concluídos?

Jacques Bigand: Temos trabalho para cerca de dez anos.

Cristina Bigand: Talvez 15.

Jacques Bigand: Se cada licença de construção demorar dois anos e meio, poderemos precisar de 25 anos.

(Artigo completo disponível para assinantes ou na edição impressa)

António G. Rodrigues

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