Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 1 de agosto de 2026

Sete organizações pedem lei específica para proteger os carvalhais portugueses

 Têm um papel essencial mas hoje os carvalhais autóctones ocupam apenas 2,5% da floresta portuguesa. No Dia Nacional da Conservação da Natureza, a coligação C7 pede a criação de um regime jurídico específico para os proteger porque a legislação atual, alegam, não é suficiente.

Mata da Albergaria. Foto: Pedro Nuno Caetano/WikiCommons

O apelo da C7 – que reúne Fapas, GEOTA, LPN, Quercus, SPEA, ZERO e WWF Portugal – junta-se às posições já assumidas pela Aliança pela Floresta Autóctone e pela Ordem dos Biólogos, que têm vindo a defender uma proteção legal específica para estas espécies.

Segundo a C7, os carvalhais autóctones têm um papel essencial na conservação da biodiversidade. “Criam condições de sombra, humidade, alimento e abrigo que sustentam centenas ou milhares de espécies de plantas, animais, fungos e microrganismos”, escreve a coligação em comunicado enviado hoje à Wilder. Além disso, sequestram e armazenam carbono, combatendo as alterações climáticas, protegem os solos, regulam o ciclo da água e reduzem a severidade dos incêndios.

Mas a área ocupada por estes carvalhais está em regressão e hoje estes ocupam apenas cerca de 2,5% da área florestal nacional, o que corresponde a cerca de 81,7 mil hectares.

“Entre os habitats mais vulneráveis estão os carvalhais galaico‑portugueses de carvalho-alvarinho (Quercus robur) e de carvalho-negral (Quercus pyrenaica), como os que encontramos na Mata da Albergaria no Parque Nacional da Peneda-Gerês, refúgio e reduto para inúmeras espécies”, refere a C7. “Entre as espécies em situação de maior vulnerabilidade está o carvalho‑de‑Monchique (Quercus canariensis), criticamente ameaçado de extinção, entre outros carvalhos nativos em regressão, como o carvalho‑negral e o carvalho‑cerquinho (Quercus faginea).”

Para estas organizações, esta redução resulta de décadas de fragmentação dos habitats, da substituição por monoculturas florestais e da ausência de instrumentos legais eficazes para assegurar a sua conservação.

“As manchas de carvalhais foram sendo substituídas por espécies exóticas destinadas à indústria da celulose, como o eucalipto”, salienta a C7. Além disso, as organizações apontam o dedo ao corte indiscriminado de carvalhos, à intensificação do uso do solo e à crescente pressão sobre os sistemas naturais que empobrece a paisagem e compromete a regeneração natural.

Restauro da Natureza é uma oportunidade

Segundo a coligação, este é um momento particularmente importante para definir novas medidas de proteção, uma vez que Portugal deverá apresentar à Comissão Europeia, em setembro, o Plano Nacional de Restauro da Natureza, que decorre do Regulamento Europeu do Restauro da Natureza. Esta é “uma oportunidade única para inverter o cenário de degradação dos carvalhais autóctones e fomentar a sua recuperação”.

As organizações defendem que os carvalhais devem ser assumidos como um dos alvos prioritários das políticas públicas de restauro ecológico e consideram que uma legislação específica permitiria proteger não apenas árvores isoladas, mas também bosques, corredores ecológicos e outros habitats associados.

Além da criação de um regime jurídico próprio, a C7 propõe o reforço dos instrumentos de gestão do território, a criação de incentivos económicos para proprietários que conservem floresta autóctone, o apoio a atividades económicas sustentáveis associadas aos carvalhais — como o turismo de natureza ou a recolha de produtos florestais não lenhosos, como os cogumelos, os frutos silvestres ou plantas aromáticas — e um investimento na literacia ambiental que envolva escolas, universidades e centros de investigação.

“Os benefícios que os carvalhais proporcionam à sociedade ultrapassam largamente o seu valor económico imediato, justificando a adopção de medidas específicas que garantam a sua proteção, recuperação e valorização.”

Sem comentários:

Enviar um comentário