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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 1 de agosto de 2026

“Ficar ou partir?


 A questão da fixação dos jovens no interior do país tem sido central no debate sobre desenvolvimento regional e coesão territorial. Num país marcado por fortes assimetrias entre o litoral densamente povoado e o interior progressivamente despovoado, os jovens enfrentam o dilema constante entre ficar na sua terra, contribuindo para a sua vitalidade, ou partir em busca de oportunidades que acreditam ser mais viáveis em centros urbanos maiores. O caso de Bragança é um exemplo paradigmático desta realidade. Uma região com potencial, recursos e qualidade de vida acima da média, mas com desafios estruturais no domínio do emprego, da diversificação económica e da atração de investimento.

Um dos elementos mais determinantes no processo de decisão prende-se com as oportunidades de emprego. Embora Bragança tenha registado alguns pequenos avanços nos últimos anos, graças ao crescimento de setores como as tecnologias da informação, o agro-alimentar e o turismo rural, a verdade é que o mercado de trabalho permanece muito limitado. Muitos jovens com formação superior enfrentam o risco de subemprego ou de ausência de vagas compatíveis com as suas áreas de estudo. Acresce ainda a perceção de que, no litoral ou no estrangeiro, poderão encontrar salários mais competitivos, trajetórias profissionais mais rápidas e empresas com maior escala e dinâmica.

Contudo, importa reconhecer que a região apresenta nichos de oportunidade, sobretudo para quem esteja disposto a empreender ou integrar setores emergentes. Parques empresariais, incubadoras e programas municipais de apoio às startups podem vir a ser fundamentais e relevantes. Ainda assim, o grande desafio reside em transformar estes esforços numa massa crítica capaz de garantir continuidade e estabilidade, fatores essenciais para a fixação juvenil.

A, agora, Universidade Politécnica de Bragança (UPB) tem desempenhado uma função decisiva no combate à desertificação do nosso território. Reconhecida pela qualidade do ensino, pela forte internacionalização e pela ligação às empresas, a UPB atrai milhares de estudantes de vários pontos do país e do mundo. Para muitos jovens locais, a universidade politécnica representa a possibilidade de estudar próximo de casa, reduzindo os custos e mantendo uma ligação à comunidade.

Ainda assim, a permanência dos estudantes após a conclusão do curso não é uma inevitabilidade. Muitos acabam por deixar a região devido à escassez de oportunidades na sua área de formação. É neste ponto que a articulação entre UPB, tecido empresarial e autarquias se revela fundamental. É necessário criar uma ligação forte entre a formação e o emprego, estágios qualificados, programas de fixação e incentivos à contratação.

Se no campo económico Bragança enfrenta obstáculos, no que toca à qualidade de vida apresenta vantagens frequentemente reconhecidas. Ambiente seguro, contacto com a natureza, custo de vida acessível, acessibilidade crescente e uma comunidade que valoriza o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Muitos jovens que partem acabam por reconhecer, mais tarde, estas características como diferenciadoras, especialmente quando confrontados com o stress e o custo elevado das grandes cidades.

Além disso, a região oferece um conjunto de experiências culturais únicas, tradição gastronómica, proximidade à natureza e um sentido de pertença difícil de replicar noutros contextos. A questão central está em transformar esta qualidade de vida numa componente integrada da estratégia de desenvolvimento regional, comunicá-la, potenciá-la e associá-la a oportunidades concretas.

A decisão de ficar ou partir é, em grande medida, moldada pelas expectativas sobre o futuro. Os jovens procuram estabilidade, progressão, reconhecimento e possibilidade de construir uma vida plena. Se a região não lhes garante isto, ou se não o comunica de forma eficaz, a tendência continuará a ser a saída para centros urbanos mais competitivos.

Para inverter o ciclo, não basta criar empregos temporários ou iniciativas pontuais. É preciso identificar setores estratégicos, investir em inovação, reforçar infraestruturas, captar empresas e fomentar políticas públicas que incentivem a fixação, como sendo a habitação acessível, os transportes eficazes, mobilidade internacional, cultura e serviços modernos.

Bragança tem potencial para se afirmar como um polo de inovação rural, conciliando tradição com modernidade. As transições digital, energética e agroecológica abrem portas para novos modelos económicos onde a região pode liderar, desde que exista visão de longo prazo e políticas articuladas.

 “Ficar ou partir?” nunca será uma pergunta com resposta única ou simples. Cada jovem avalia o seu percurso, ambições e prioridades de forma individual. No entanto, é responsabilidade coletiva, das instituições, empresas, autarquias e comunidade, criar condições para que “ficar” seja uma escolha viável, digna e valorizada.

Bragança encontra-se num ponto crucial entre a continuidade das tendências demográficas negativas, e/ou a construção de um futuro em que os jovens vejam o interior, não como um ponto de partida para outros destinos, mas como um lugar onde podem crescer, prosperar e contribuir para o desenvolvimento de uma região que tem tanto para oferecer.

Ouso dizer que quase basta querer! É “cá” e só “cá” que podem receber o beijo dos Avós, que já cansados, não os podem acompanhar… fica o corpo dos mais velhos mas os que partem levam, com eles, a alma e a alegria dos que, sem opção, ficam...

HM
1 de Agosto de 2026

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