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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Precisa-se de matéria prima para construir um País

Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25/08/2007), teve a lucidez de nos deixar esta reflexão, sobre nós todos ...
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizemos que Sócrates não serve.
E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo.
Nós como matéria prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal
E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa,como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país:
-Onde a falta de pontualidade é um hábito;
-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
-Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós,
ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa ?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror ?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados !
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.
AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.
E você, o que pensa ?... MEDITE !

quarta-feira, 9 de março de 2011

Aniversário da Cidade de Bragança

As Cunhas

QUALQUER SEMELHANÇA COM A REALIDADE
NÃO É "PURA" COINCIDÊNCIA.


Empresário: Bom dia Sr. Eng., há quanto tempo ??!!!

Ministro: Olha, olha, está tudo bem?!

Empresário: Eh pá, mais ou menos, tenho o meu filho desempregado tu é que eras homem para me desenrascar o miúdo.

Ministro: E que habilitações ele tem?!

Empresário: Tem o 12.º completo.

Ministro: O que ele sabe fazer?!

Empresário: Nada, sabe ir para a Discoteca e deitar-se às tantas da manhã!

Ministro: Posso arranjar-lhe um lugar como Assessor, fica a ganhar cerca de 4000, agrada-te?!

Empresário: Isso é muito dinheiro, com a cabeça que ele tem era uma desgraça não arranjas algo com um ordenado mais baixo?!

Ministro: Sim, um lugar de Secretario já se ganha 3000 !...

Empresário: Ainda é muito dinheiro, não tens nada por volta dos 600/700 ???

Ministro: Eh pá, isso não, para esse ordenado tem de ser Licenciado, falar Inglês , dominar Informática e tem de ir a concurso!!!...

À Descoberta das Antigas Minas

Um pouco da história e do que está a ser feito para reabilitar as explorações de Ervedosa, Agrochão e Murçós.
Foto: Ana Teixeira
 Longe vão os tempos em que a exploração mineira vivia momentos áureos. Temos de recuar a meados do século XIX, em que a recuperação de minério conheceu um forte impulso, na época das duas Guerras Mundiais, em que Portugal fornecia os dois lados da batalha. Mas mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e, neste momento, são poucas as minas que ainda se encontram em funcionamento. O Mensageiro partiu à descoberta daquelas que contam uma história passada, aquelas que já não mais colocam em rodopio as terras que, querendo ou não, distavam a poucos metros. As Minas de Ervedosa e de Agrochão, situadas no concelho de Vinhais, e as Minas de Murçós, já no concelho de Macedo de Cavaleiros, foram as escolhidas, numa viagem colectiva, com peritos e curiosos que quiseram conhecer as especificidades e as características singulares de uma região tão rica, como a transmontana. Num roteiro científico organizado à “medida de todos”, conheceu-se um pouco da história que fizeram destas minas uma referência para as localidades próximas. A Mina de Ervedosa, situada na freguesia com o mesmo nome, é acompanhada pela passagem do rio Tuela. Para atravessar de uma ponta à outra, só quem não tiver problemas de coração ou vertigens. Uma ponte suspensa, de madeira, sobre o rio obriga a uma cautelosa passagem. O grupo estava ansioso por querer explorar a mina, tal como o Mensageiro, mas o ajuntamento de água tornou impossível tal exploração. Gorado o primeiro objectivo, partiu-se para o cimo do monte, ao pé de uma das cortas. O percurso a pé cansa, mesmo o mais treinado, mas a paisagem de que se pode desfrutar compensa o esforço, sobrepondo-se até à tristeza de ver uma zona à beira da desertificação.

“Área mineira desactivada”: o passado...

As Minas de Ervedosa começaram a ser exploradas por volta de 1908, ano em que uma empresa belga começou com um “misto de subterrâneo e a céu aberto”, onde se construiu uma lavaria, na zona direita do rio. No entanto, nove anos volvidos, a exploração fora abandonada, sendo retomada em 1920 por uma empresa inglesa. Os trabalhos recomeçaram com a construção de uma outra lavaria, na margem esquerda, sendo, logo de seguida, novamente encerrada. Só a partir de 1928 que a exploração mineira conheceu novo fôlego, com o seu reinício através de antigos funcionários. Entre 1938 e 1965, as Minas de Ervedosa conheceram outro auge, tendo sido retirados, de acordo com a docente da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Elisa Preto Gomes, cerca de “seis mil toneladas de estanho e idêntica quantidade de óxido de arsénio”. “Esta mina de Ervedosa é uma mina onde se explorou o estanho e o arsénio, e onde existe uma mineralogia muito específica, como sejam o zinco, o cobre e o ferro. Desde 1969 que a mina está encerrada. “As explorações subterrâneas acarretam muitos mais custos e problemas, por isso começou-se a entrar numa fase de falência quase técnica, à qual a gestão financeira não ajudou”, avançou o geólogo, Nuno Figueiredo. Percorridos mais alguns quilómetros, entre poeira e estradas esburacadas, visitaram-se as Minas de Monte Agrochão e de Murçós. Com presença maioritária de estanho e volfrâmio, a primeira mina, de acordo com documentação existente, situa-se na encosta Sul do monte, abençoado com a presença do santuário do Senhor da Piedade que, por coincidência ou não, está também em “situação de abandono”. “Aqui, há várias antigas minas, com uma minerologia complexa, desde minerais portadores de volfrâmio, que tiveram picos de exploração associados à guerra”, esclareceu a também responsável pela acção, Elisa Preto Gomes. Já a segunda mina, a de Murçós, possui uma beleza fora do comum, com três lagoas com água, cuja cor verde capta, num segundo, a atenção dos visitantes. “Existem ainda pequenas zonas que já estão camufladas na paisagem, como a antiga lavaria ou a zona oeste das cortas”, reforçou a docente.

... o presente

Actualmente, as antigas minas estão a ser alvo de uma “campanha de prospecção e pesquisa”, desde 27 de Maio de 2007. A empresa americana Mining Technology Investiments (MTI) é a responsável pelos “trabalhos de projecção mineira”, cujo objectivo centra-se na sua reactivação. “Dentro do grupo existem duas empresas. A MTI Mineira de Vinhais é a que detém a concessão Rebordelo-Murçós”, adiantou o geólogo responsável, Nuno Figueiredo. O estado em que se encontravam os acessos às minas foi um entrave ao início dos trabalhos. “Quando chegámos estava tudo abandonado, pelo que tivemos de reabilitar caminhos e determinar entradas a todas as cortas”, sustentou. A empresa concessionária começou por, numa primeira instância, fazer uma “leitura bibliográfica” de todas as obras e documentos sobre o assunto para, depois, poder avançar com os trabalhos. “Prosseguimos com uma campanha de geoquímica táctica, em que cobrimos toda a zona com uma malha de solos para sabermos quais os elementos que existem.” Assim que a equipa tiver a certeza que consegue implementar o projecto a longo prazo, para que se evitem cenários como os do passado, a empresa avançará para a sua reactivação. Nuno Figueiredo frisou, no entanto, que este tipo de trabalho “vive de ciclos que duram entre dez a 15 anos”. A quantidade de arsénio presente nas minas poderá também ser um entrave. “É proibido utilizar este produto, pelo que, se começarmos a explorar, vamos ter alguns problemas, mas nada que não se resolva com cuidado ambiental”, realçou. “Os antigos exploradores não tiveram essa preocupação, pois colocaram as escombreiras a drenar directamente para as linhas de água.” Agora, os trabalhos estão em “stand-by”, mas está prevista a realização de “galerias técnicas” para determinar a “mineralização e os teores”.

Exploração: boa ou má?

A vontade do grupo de trabalho é “reactivar a mina”, porque acreditam que trará “mais-valias”. “Queremos explorá-la, dar um pouco de desenvolvimento a uma região que está tão esquecida, aborrecida e envelhecida.” Também a professora da UTAD vê com bons olhos a sua possível reabertura. “Numa zona com poucos recursos e despovoada, como são as do Interior, qualquer exploração mineira seria uma mais-valia, em termos de emprego e rendimento. E hoje, com as regras ambientais, a exploração deve garantir o mínimo de impacto ambiental.” Nuno Figueiredo não ignora “alguns problemas” que ainda estão associados às minas, nem a conotação negativa patente na sociedade. “Não se pode ignorar as pessoas que morreram com problemas relacionados com a mina. Muitos padeceram de silicose e outros por causa de explosões ou abatimentos.” Mas o geólogo asseverou ainda que o chamado “bairro das minas”, apesar de incluído na aldeia de Nuzedo de Baixo, “foi construído graças às minas”. “Estas não são assim tão más quanto isso, basta também relembrar que esta foi a primeira população a ter energia eléctrica e água canalizada num raio de bastantes quilómetros. As minas também trazem desenvolvimento, embora também tragam alguns problemas, mas estes têm que ser e serão todos minimizados.”

Actividades de Verão:

Numa organização da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica – Ciência Viva -, estas iniciativas apresentam-se como uma alternativa pedagógica e de lazer, para todos os públicos. “A Ciência Viva lança o repto às instituições universitárias para organizar as visitas e, neste caso, escolhemos este percurso para mostrar os diferentes tipos de minas, para realçar a importância que tiveram no passado e o que está a ser feito no presente”, avançou a docente Elisa Preto Gomes. Com uma adesão de cerca duas dezenas de pessoas, este evento tem cativado o interesse, porque a “maioria das visitas tem esgotado pouco tempo depois de abertas as inscrições”.

Por: Ana Teixeira:

Os Arquivos Nacionais Ingleses divulgam informação das discussões na Hause of Lords sobre os OVNIs


Os Arquivos Nacionais Ingleses (http://www.nationalarchives.gov.uk/) estão a divulgar mais de 8.500 páginas sobre OVNIs nomeadamente sobre os seus avistamentos, discussões e relatórios, mostrando como os OVNIs foram discutidos pelos governos de todo o mundo.
Os ficheiros, com documentos, são de possível "descarregamento" (http://ufos.nationalarchives.gov.uk/ ) desde hoje até Abril deste ano e cobrem documentos e questões colocadas pelo Parlamento inglês de 2000 a 2005, pois é interessante verificar como um boato foi tratado em 1978 como uma ameaça à segurança do Reino Unido.
Segundo a Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Objeto_voador_n%C3%A3o_identificadoos) OVNIs são muito comuns no quotidiano de quem trabalha com aviação civil e militar. Na análise de especialistas em aviação, os OVNIs são frequentemente confundidos com aves, aviões, satélites artificiais e balões meteorológicos. OVNIs também podem ser interpretados como um dos vários fenómenos provocados pelo sol, humidade e atmosfera. Em certas épocas do ano planetas como Mercúrio, Vénus, Júpiter, Marte e Saturno são visíveis a olho nu – é muito comum pilotos de avião se depararem com algo de estranho no céu quando se trata se uma reflexão de um planeta ou satélite.
À noite o tema é mais controverso pois como não há luz do sol incidindo e provocando fenómenos naturais típicos, os avistamentos são difíceis de explicar. Há que se considerar sempre a presença de aviões e principalmente militares que fazem exercícios de rotina e treinamento.
Em localidades rurais onde não há muita luz como numa cidade, é comum o avistamento de estrelas cadentes e meteoritos. Certas condições naturais como o acumular de grande quantidade de material orgânico decompondo-se e a temperatura podem ocasionar fenómenos raros como a combustão de gases no ar e provocar fogo, as chamadas "bolas de fogo" no alto de montanhas e encostas de lagoas.
Tratando-se já de matéria histórica que marcou os anos 70 do século passado, a divulgação destes ficheiros poderá ser de interesse para investigadores e curiosos da matéria.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Homens da Luta na Final da Eurovisão

A canção 'A luta é alegria' venceu a 47.ª edição do Festival RTP da Canção, que se realizou sábado no Teatro Camões, em Lisboa, com a votação do público a mostrar-se decisivo no resultado final. VEJA O VÍDEO com a música vencedora.
A canção vencedora tem letra de Jel e música de Vasco Duarte e foi interpretada pelos Homens da Luta que vão representar a RTP no Festival da Eurovisão 2011 na cidade de Dusseldorf, na Alemanha, em maio.

De acordo com a votação das 20 equipas de jurados (18 distritos e Açores e Madeira) a canção 'São os barcos de Lisboa', com letra e música de Carlos Massa e interpretada por Nuno Norte, era a vencedora.

domingo, 6 de março de 2011

Viver Entre Muralhas

Se em momentos de maior silêncio o pequeno núcleo de cerca de sessenta habitantes parece deserto, basta procurar os recantos soalheiros. É por aí que se reúnem os mais idosos à conversa. Elas quase sempre de rendas no regaço, eles com algum cão aos pés, deitando um olho às traquinices dos netos que acabaram de chegar da escola.

sexta-feira, 4 de março de 2011

quinta-feira, 3 de março de 2011

Para todos os que são contra o Novo Acordo Ortográfico:

Ainda vamos a tempo de tentar impedir o Acordo na Assembleia dentro de dois meses!
Só necessitam de visitar a página: Sou Contra o Novo Acordo Ortográfico (clica aqui)
Esta página descoberta explica-nos o que devemos fazer para evitar a aplicação do novo Acordo Ortográfico em Portugal.
O problema é que este Acordo não foi feito a pensar em Portugal e apesar de não ter efeito no Brasil, afecta muito a variante de Portugal e dizer sim a este, será dizer sim aos próximos que virão. Este é o primeiro de muitos acordos e é considerado "insignificante", os próximos serão piores e mais agressivos.
Baptismo sem "P" seria lido como "Bâtismo" (como na palavra "Batida"). Excepto sem "P", entre muitos outros factores que para os Brasileiros não farão diferença mas que a nós nos afecta, porque a nossa fonética e regras são muito diferentes, faz parte da riqueza da nossa variante.
E quem gostará de ver "direto", "atualização" e um dia vermos "abitação" ou "oje" nos futuros acordos?
E o acabar a distinção entre Português-PT e -BR fará com que todos os softwares venham já com uma só variante. Seremos forçados a ver nos sistemas operativos, fóruns, softwares, "enquete" para votação, "deletar" para apagar, e muitas outras coisas sem possibilidade de escolha. O Google Translator já traduz as palavras para o Português-BR e não para o -PT.
Os manuais escolares virão com o novo Acordo e não é opcional, após o período de transição estaremos a escrever de forma considerada errada pelo Acordo. Somos mesmo obrigados a escrever como no Acordo, a história da "dupla grafia" é temporária, a história de "só escreve com o Acordo quem quer" é falsa!
Se forem contra o Acordo Ortográfico, tentem agir e ajudar a nossa língua materna!
Só terão de ir ao site acima, ler tudo, e por favor enviem a todos os vossos contactos o site por email, temos só dois meses para fazer algo.
Os que sejam pró-Acordo que nos perdoem a colocação deste post mas achamos que os que são contra teriam o direito a se manifestar.
Não quer este post assim gerar polémica, nem causar distúrbios nem confusão, nem ofender ninguém. Desejamos apenas dar a conhecer a todos que podemos ainda tentar algo para defender o nosso actual Português.
Este fórum já serviu para muitas coisas no passado, e sabemos que hoje em dia não é a mesma coisa.
Mas a Comunidade que nele nasceu, pode não ter nascido em vão, e pode ter escolha e poder na defesa de questões tão importantes ao nosso país como a nossa própria Língua, afinal não somos assim tão poucos. Assim, esta Comunidade pode ter realmente efeito na nossa cultura e actualidade.
Só temos de fazer algo para defender o que é nosso. Temos de agir e defender aquilo em que acreditamos.
E assim esta Comunidade poderá ter um papel decisivo no nosso país.
Obrigado a todos os que ajudarem a esta causa de terceiros que vários de nós decidimos abraçar também.
Este movimento NÃO TEM quaisquer ligações políticas, trata-se de um grupo de cidadãos a querer impedir um Acordo que afectará o povo Português mais do que pensamos.
Não iremos enviar mais pedidos, quem quiser que se inscreva na mailing list do site e eles que nos/vos dêem novidades futuras só a quem queira.
O Acordo se seguir em frente, será apenas por inércia dos Portugueses que o permitirão.
Um resto de bom ano a todos! E cumprimentos aos Brasileiros também, isto não é nada de pessoal. É uma questão cultural.
"Nuno"

quarta-feira, 2 de março de 2011

Resolução - isenção de portagens na A4

Resolução tomada pela Câmara Municipal , por unanimidade, em reunião realizada no dia 28 de Fevereiro de 2011, no sentido de ser garantida a isenção de portagens na A4 / Auto-Estrada Transmontana.
Convida-se V. Ex.ª a também fazer o que estiver ao seu alcance na prossecução deste desiderato, nomeadamente subscrever e promover a respectiva subscrição da petição.


TRANSMONTANO, se apoia esta iniciativa, não deixe de subscrever esta Petição!

Bebés vão passar a nascer com n.º de contribuinte, decretou o governo.

Soubemos ainda que com a introdução da medida, o uso do preservativo será considerado fuga ao fisco.

Que descanses em Paz...!

Mais um amigo que partiu e que não voltaremos a ver.

Restam as eternas saudades, das cervejas que bebemos juntos,das jantaradas e petiscadas, das gargalhadas, das noites mal dormidas em que, quase, tudo nos era permitido.

Até um dia destes… Jorge.
Que descanses em paz!

Parabéns Antero Luís

Ao amigo e conterrâneo desejo e, se me permitem, em nome de todos os Bragançanos, os maiores éxitos profissionais, nesta tua nova missão.

Antero Luís
O novo secretário-geral do Sistema de Segurança Interna e responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança (GCS), Antero Luís, não está preocupado com o orçamento do gabinete, mas foi dizendo que é necessário continuar a investir nas novas tecnologias.
O juiz, que veio do cargo de director do Sistema de Informações de Segurança (SIS) - substituído por Horácio Pinto - acredita que a nova plataforma de interoperabilidade dos sistemas de informação vai, garantiu ao i, ser importante para mudar as mentalidades e, de alguma forma, resolver a velha questão da partilha de informações entre as polícias. O novo secretário- geral disse ainda que vai reunir com todos os directores das forças de segurança e considerou prematuro fazer qualquer comentário a possíveis convulsões sociais que o antigo secretário-geral, Mário Mendes, referiu recentemente.
Mário Mendes disse ao i que a situação de convulsão social continua latente "sobretudo em zonas urbanas sensíveis", como foi o caso recente do Bairro da Arrentela, na Margem Sul, onde jovens incendiaram um autocarro na sequência de confrontos com a PSP. Para o antigo secretário-geral do GCS, que regressa ao Supremo Tribunal de Justiça, há o perigo de surgirem franjas autónomas no interior dos movimentos organizados de contestação sindical, que podem vir a potenciar conflitos sociais. Pode suceder, referiu Mário Mendes, que os sindicatos tenham que, de alguma forma, não deixar que essas franjas se aproveitem dos movimentos de contestação.
Para Mário Mendes, o caso da Arrentela pode ser ou não uma face visível dessa latente conflitualidade social. Em França, recordou, foram acontecimentos como esse que originaram o clima de violência que se veio a verificar. Todavia, conclui que, no que diz respeito à segurança, Portugal está preparado para conter este tipo de ondas de violência.
Na tomada de posse do juiz desembargador Antero Luís, estiveram o ministro Rui Pereira e o secretário de Estado da Justiça. Augusto Freitas de Sousa

terça-feira, 1 de março de 2011

Mogadouro na Rota das Amendoeiras em Flor

Produtos de excelência em exposição e diversas actividades promocionais durante os próximos fins-de-semana
O município de Mogadouro promove a XVIII edição da Feira Franca de Produtos da Terra, uma iniciativa que decorre de 5 e 20 de Março e visa a dinamização turística local, integrada no programa Amendoeiras em Flor 2011.
O certame decorre aos fins-de-semana e apresenta um variado programa de animação cultural e desportivo, para dar a conhecer o tradicional espólio etnográfico e folclórico de Mogadouro, bem como as potencialidades turísticas daquele concelho do Planalto.
Durante o certame, cerca de 30 expositores promovem os produtos típicos da região.
Em simultâneo e aproveitando o fluxo de visitantes que se deslocam a Mogadouro nesta época do ano, a autarquia promove, de 5 a 8 de Março, o V Festival Gastronómico “Sabores de Mogadouro – Bulho com Cascas”, um evento que destaca um dos mais apreciados condimentados pratos típicos do concelho: enchidos acompanhado com cascas (vagens de feijão seco).
Para o vice-presidente da Câmara Municipal de Mogadouro, João Henriques, trata-se de um evento que tem como objectivo “preservar, valorizar e divulgar os produtos agrícolas, ao mesmo tempo que se procura dar a conhecer o município enquanto destino de turismo gastronómico”.
A Feira Franca é uma verdadeira a montra dos produtos da terra e vai ser animada pela Banda de Música dos Bombeiros Voluntários de Mogadouro. Na edição deste ano do certame, que abre as portas no próximo dia 5, os expositores apresentam ao público os mais genuínos produtos regionais, nomeadamente azeite, fumeiro, pão tradicional, graduras (feijão seco com casca), mel e folar, entre outras iguarias típicas.
Passeios pelos trilhos do município de Mogadouro e muita animação na Freira Franca
A par das propostas gastronómicas, estarão também presentes na mostra alguns artesãos, que mostrarão ao vivo o segredo das suas artes ancestrais, tais como a olaria e a cestaria, artesanato em madeira e objectos pintados à mão.
No dia seguinte, inicia-se a IX Prova do Circuito Nacional de Montanha “Trilhos de Mogadouro – Amendoeiras em Flor 2011”, com partida da freguesia de Valverde. A tarde de domingo está reservada à animação musical, com a realização do III Festival de Folclore das Amendoeiras.
As festividades regressam no fim-de-semana seguinte e os desportistas e apreciadores do BTT podem participar na terceira edição do “BTT das Amendoeiras”, que percorrerá alguns dos mais belos trilhos naturais de Mogadouro. Destaque, ainda, para a apresentação do livro “Bruçó, as Memórias Paroquiais de 1747 e 1758 – Notas Históricas e Etnográficas”, da autoria de Antero Neto. A noite vai ser animada com a actuação da banda Tall. No domingo, realiza-se um passeio mototurístico pelo município.
O último fim-de-semana da feira reserva o VI Encontro de Pauliteiros do Concelho de Mogadouro, com a actuação de grupos de Valcerto, Bemposta, Saldanha, Sanhoane e Mogadouro, seguindo-se, à noite, um concerto com a “Orquestra Profetas”, na Avenida Nossa Senhora do Caminho.
Por: Francisco Pinto

14 de Maio de 2010!

 Esta data diz algo, a alguém? E 2 de Dezembro de 2010? Sim? Não? Bom, não admira!
Não admira que esta sociedade não saiba, não queira saber e se esteja perfeitamente nas tintas para os dias em que desapareceram duas figuras de prôa, de luxo e de respeito na nossa "sociedade". Prof. Saldanha Sanches.Prof. Ernani Lopes. E que lhe fez a sociedade?!?!?
Pouca coisa, uma ou duas notícias nos jornais rádios e televisões. Perderam-se dois faróis da democracia, fiscalidade e economia e nada...
Entretanto, algures num quarto de hotel em Nova Iorque, também em 2010, um jovem de 21 anos enche-se de coragem e num acesso de raiva, mata e mutila um velho panasca de 65 anos. Alguém que era "conhecido" por dizer cobras e lagartos de uns e de outros... e que faz a sociedade?!?!?
Não... não... não irão erguer uma estátua ou dar o nome de uma rua, ou sequer apoiar publicamente um jovem de 21 anos, que arrastado para um meio chulo e prostituinte que é o da moda e do mediatismo, não aguentou a pressão de um panasca que o queria apalpar e sodomizar e o castrou... não... antes pelo contrário!
Esqueçam-se Saldanha Sanches, José Torres, Hernani Lopes,  Carlos Pinto Coelho, Mariana Rey Monteiro, Rosa Lobato Faria, Matilde Rosa Araújo, Mário Bettencourt Resende, Virgílio Teixeira. TODOS desaparecidos em 2010.
E claro, não me posso esquecer, nem nunca o farei. Esse senhor do entretenimento, com inteligência, que foi António Feio. O país chorou esse homem, esse actor, esse lutador que desapareceu em 2010.
Que lhe fizemos? Nada, esquecer...Agora querem dar o nome de rua a um parasita que "escrevia umas crónicas" e levava no pacote...Triste Portugal, ao que chegámos!

Curso Europeu de Primeiros Socorros com DAE (Desfibrilhador Automático Externo)

A Delegação de Bragança da Cruz Vermelha Portuguesa vai realizar um Curso Europeu de Primeiros Socorros com DAE (Desfibrilhador Automático Externo) nos dias 12 e 13 de Março 2011 (fim-de-semana), no seguinte horário:
- Dia 12 (Sábado) das 19h00 às 23h00;
- Dia 13 (Domingo)das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.

Preço:
- 105€ sócios;
- 120€ não sócios;
- 100€ colaboradores de IPSS, quando enviados pelas mesmas.

Inscrição até dia 7 de Março de 2011
Pagamento de 50% no Acto da Inscrição.

Contactos:
Delegação de Bragança da CVP
Rua 1º de Maio nº2
5300-236 Bragança
tel: 273 324 420
tll: 936 792 773
Fax: 272 324 431
e-mail: cvpbraganca@sapo.pt

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Aqui Mando Eu


UM CERTO COMANDANTE DA PSP ACHANDO QUE OS SEUS SUBORDINADOS NÃO ESTAVAM A RESPEITAR SUA LIDERANÇA,  RESOLVEU COLOCAR A SEGUINTE PLACA NA PORTA DO SEU GABINETE, LOGO QUE CHEGOU PELA MANHÃ:

"AQUI QUEM MANDA SOU EU".

AO VOLTAR DE UMA REUNIÃO, ENCONTROU O SEGUINTE BILHETE JUNTO À PLACA:

"A SUA ESPOSA LIGOU E DISSE PARA O SENHOR LEVAR A PLACA DELA DE VOLTA PARA CASA"

Feira da Alheira de Mirandela, Turismo e Azeite

A Associação Comercial e Industrial de Mirandela, com a colaboração do Município de Mirandela, vai organizar a Feira da Alheira de Mirandela, Turismo e Azeite nos dias 26 e 27 de Fevereiro e 5 e 6 de Março de 2011.
O cartaz é vasto e, além das actividades permanentes, serão desenvolvidas outras ligadas ao Turismo e à Caça e decorrerão no Parque de Exposições da Reginorde.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A Tracção Animal - Baçal - Varge - Bragança

Foto: Manuel Teles
Em algumas aldeias transmontanas ainda se faz o uso regular dos carros de bois na lavoura Desde o neolítico até ao fim do século XX os carros de bois eram usados como meio de transporte para cargas pesadas, nesta terra. O feno, as batatas, o pão e todas as colheitas vinham para as aldeias ao som característico que tornava os agricultores Não sabemos quando começaram a ser utilizados nesta faixa de terra. Mas, desde que vimos os filmes sobre Júlio César, sabemos que os Romanos usavam carros de bois, para transportar cargas mais pesadas. Em Trás-os-Montes, lugar resistente às grandes revoluções, o tractores só no fim do passado milénio terão substituído por cavalos de tracção a força dos animais domesticados pelo homem. Durante mais de dois mil anos as colheitas tinham o ressoar de uma carga transportada com esforço. Era costume, em certas terras, apertar o eixo, pouco antes de chegar à aldeia, para fazer chiar o carro. Assim demonstrava-se a todos que era grande a colheita, bom o agricultor, enorme a carrada e a fome havia de ficar só para os “laratos” (nome dado aos preguiçosos) durante o Inverno. A fricção, de demasiado apertada, ou prolongada, podia fazer incendiar toda a carga. Era um risco que corriam, calculado com alguma temeridade. Antigamente toda a gente tinha carros. “Nós, em Varge, tínhamos dois a três carros, sempre. Um velho, outro mais velho, e um mais novo”, explica-nos João António dos Santos, nascido na aldeia de Varge, concelho de Bragança, e residente há 45 anos na aldeia vizinha de Baçal, onde casou.
Com os carros apanhava-se o estrume para as terras, colhiam-se as batatas, os molhos das cearas, o feno para os animais e todos os frutos do trabalho do campo. Trazer uma grande carrada e saber carregar muito um carro, puxado por bois ou vacas, era a proa de muitos agricultores. Para os animais puxarem aos carros, lavrarem e fazerem todos serviços que hoje fazem os tractores, tinham que ser amansados. Alguns eram mais resistentes, outros metiam a cabeça no jugo com mais facilidade. Era um trabalho feito com temeridade. Os animais eram domesticados à força de muita “porrada”. Depois, ou ficavam mansos, ou eram declarados irremediavelmente bravos. Sendo esse o caso, encurtavam, normalmente, a distância de tempo que os separava da próxima feira, ou do matadouro. “Para amansar tem que ser com uma cria mansa, se não não dá. A mansa pegava na brava.
Uma vez comprámos um boi que estava bravo. Metemo-lo no meio dos outros dois e foi de rastro. Batíamos-lhe, mas não se levantava, até que tivemos que o deixar. Não quis, mas muita porrada levou. Os outros eram dois bois como duas mesas”, conta-nos o lavrador. Quando eram mais bravos, os bois não poderiam ter a sorte de encontrar ninguém indefeso. “Bravo, tivemos, em Varge, um touro que já tinha sete anos, mas eu tinha 23 anos. Até era da coberta. Um dia lá estaria mal disposto e foi para se atirar a mim... Preguei-lhe com as guinchas na cabeça, só não morreu porque não calhou”. Mas a maioria dos animais eram obedientes, ou tinham que ser. “Tive aqui bois e vacas que eram muito obedientes. Fui muito bom agricultor. Uma vez carreguei uma carrada de pão, ao pé de Varge. Botei-lhe 13 fiadas. Eram 43 pousadas de pão. Cada pousada são quatro molhos”. Por vezes, para “fazer ver”, abusava-se das fiadas e a carga vinha ao chão. “Sim, pinchei muitas vezes o carro e partir o eixe também”, assume João António. Também, em Varge “os terrenos eram difíceis”.
Apesar de terem dois carros e duas juntas de vacas mansas, certas alturas levavam só um carro e aparelhavam-lhe as duas juntas. Faziam “uma quadra” a puxar, para trazer “uma grande carrada”. Claro, depois “toca a partir, toca a pinchar, usava-se assim”. Hoje, “tudo mudou”. Não é que sejam tempos mais fáceis estes, são é muito diferentes. “Não sei se está melhor, se está mais mal. Mas mudou muito. Não há estrumeiras nas ruas, há melhores camas, há melhor tudo. Hoje há mais que comer e beber, mas, se tivéssemos que fazer umas malhas como naquele tempo, não estávamos preparados para receber as pessoas. A minha malha em Varge eram três dias, aqui outros três. Eram chouriços, salpicões... Agora cada um tem um quilo de vitela em casa, mais nada. Isso nem dá para fazer um mata-bicho. Agora a gente vai para o campo, senta-se ao toro de um carvalho enquanto outro sega a terra. Se leva uma cerveja leva, se não, não leva. Na segada tínhamos 10, 15 segadores, uma semana. Dávamos-lhe almoço, mata bicho, taco, jantar, merenda, ceia. Agora não se usa isso”.

Como se fazia um carro:

Hoje os carros estão arrumados. Com o preço do petróleo a aumentar, há quem diga que ainda poderão ser úteis, outra vez. Em algumas terras enfeitam espaços públicos. Os animais, libertos da carga, criam-se só para engordar. Os carros eram feitos por carpinteiros. Hoje, os carpinteiros dedicam-se a outros trabalhos, mas há ainda quem saiba fazer os velhos carros de bois, os “estadulhos”, as “engarelas”, o eixo, as rodas, as “caniças”, tudo como seria preciso, se ainda o fosse, obedecendo às ancestrais medidas, ao desenho do costume. A vida de João António dos Santos não foi ser carpinteiro. Foi sobretudo um agricultor e “um dos bons”. Mas, aos 16 anos teve um curto período de aprendizagem, com um primo do seu pai, na aldeia de Baçal. Com a idade de 20 anos deixou a vida de aprendiz de carpintaria e ficou entregue à casa agrícola da família, em Varge. Depois casou e mudou-se para Baçal e continuou a fazer “uns biscates” em carpintaria, com o conhecimento que adquiriu com o primo. Esses biscates incluíam fazer alguns carros de bois ou compor os que se estragavam. “Fazíamos os carros, os engaços, as charruas, arados, portas, janelas. Agora isso acabou tudo”. Fez carros para várias aldeias, da Alta e Baixa Lombada, mas há cerca de 20 anos esse serviço parou. Hoje ainda tem, por terminar, um “último” carro de bois. Na arrecadação, na cerca do quintal onde guarda a criação de pintos, está um carro, que vai fazendo, quando lhe apetece. Esse carro, a ser terminado, nunca irá para os campos, trazer cargas de feno ou molhos de cereal.
Quando tudo tinha que ser feito à mão, sem recurso a ferramentas eléctricas, um carro demorava, em média, um mês a ser feito. Agora, sem a pressa da necessidade, “faço um pau, se tenho vagar. Se não fizer, não faço. Isto é para estar aqui, não é para trabalhar”, explica. Ainda agora, mais de 50 por cento do trabalho de carpintaria tem que ser feito à maneira antiga, porque os cortes não são “em esquadria”, são curvos. “Tem que ser riscado com o garaminho, para ficar em redondo”. O garaminho é uma dessas velhas ferramentas, usadas para fazer os carros de bois. Além do corte, a marcação tem que ficar bem certa. Qualquer erro pode ser fatal, ou comprometer todo o trabalho. “Tem que ficar bem certinho, bem galgado. Se não, não serve. Eu aprendi pouco, mas um senhor que era bom carpinteiro, que era de Rabal e estava casado em Varge, sabia mais do que eu, dizia: aprendeste pouco, mas aprendeste a riscar bem. O que interessa é riscar bem. Marcar é essencial. Desde que se marque bem, já bate certo”. Segundo indica, “o mais difícil de fazer eram as rodas. A enxeda tem uns quereres, mas as rodas têm outro”. Os carros tinham por norma certas mediadas, cumpridas na generalidade. “As medidas do carro: é assim, o estadulhal tem um metro e 60, a rabiça um metro e 60 a caniça é 90 centímetros”. Isto, claro para os carros de bois. Já os carros para os burros, ou machos, eram mais pequenos, eram carroças. Quanto à madeira utilizada, varia conforme as partes do carro. “As estadulhetas pertencem a ser de freixo, a tritoura também, o coucilham tem que ser de amieiro, as travessas de negrilho, o soalho de negrilho, quase tudo de negrilho... O eixe de freixo. Havia também quem pusesse de sardão, um por acaso. As rodas eram de freixo ou de negrilho, porque as outras plantas não davam. O carro tem um metro e 20 de diâmetro. Portanto, tinha que ser uma torada grande e o sardão não a deitava. O carvalho não serve para nada. As caniças, para ficarem mais levezinhas, podiam ser de choupo, mas o resto não, porque o choupo parte com facilidade”. Assim se faz um carro, para quem ainda queira aprender. João António diz-nos que não fez nunca nenhum para enfeite. Tirando este que está ainda a fazer, que ficará para recordação, ou para esquecimento, dos tempos em que os carros cantavam, como há muitos séculos, quando traziam às aldeias o fruto do suor dos homens e animais.

Por: Ana Preto
in:mdb.pt

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011