Por: Paula Freire
(Colaboradora do Memórias...e outras coisas...)
Dias íntimos estes,
entre o sonho e o desejo de nada sentir em vão.
Dias e tardes com a música da terra debaixo dos pés descalços
e a vontade de um piano
a sussurrar notas doces no recolhimento do peito.
O real da vida
debruçado sobre as folhas soltas da brisa
que o sol beijou ainda ontem.
E ergue-se
a bucólica fragrância dos instantes felizes
enquanto a tarde estremece num ritmo morno.
Apenas vibrações que escutam, quietas,
a carícia das aves escondidas
e o som disperso das vozes secas de outono.
Não entendo a fala mágica dos pássaros,
mas isso, pouco importa…
Sei que são vozes surpreendentes
de muitos poemas
no fio invisível deste dourado tempo.
mas isso, pouco importa…
Sei que são vozes surpreendentes
de muitos poemas
no fio invisível deste dourado tempo.
Paula Freire. Tem curiosidade pelo que se mostra sem intenção: o comportamento que revela mistérios, intimidades. Observa-o enquanto desenha pessoas e fotografa o mundo. As palavras nascem-lhe da escuta atenta do Homem, dos silêncios que deixam vestígios. Escreve a partir de múltiplos lugares. Alguns com rosto, outros sem nome.
Acredita que a vida não dá certezas absolutas nem tem respostas fáceis. E que a sensibilidade humana nunca deve ser confundida com fragilidade.
É psicóloga e psicoterapeuta. Publicou “Lírio: Flor-de-Lis” e “As Dúvidas da Existência: Na Heteronímia de Nós”. Este último (em coautoria), assinado pelo seu heterónimo Lázaro Rios, a sua forma de liberdade mais pura e crua.
Gosta de viver sem ruídos desnecessários e inteira dentro da sua escrita. Tudo o resto são só excessos.

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