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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

"La rialidade ye einacraditable"


L'arble milenar abraçaba la casa. Era gigantesca i deixava que ls suonhos s'ancarrapitáran até se perdéren nas streilhas. Las portaladas eimensas abrien-se a la calor macie i premitien que la lhuç i la magie de la sabana africana antrássen sin trabones. 
Talbeç esta bison atamasse l friu qu'apertaba las arbles znudas i prateadas que las bistas de l praino nordestino, na rialidade, ouferecie. Era un bício maduro este qu´ eilha tenie de oupir las persianas i abrir l die quando se lhebantaba, mesmo que ls cristales de carambelo bordassen un praino angaranhido.
Até nun cenairo eidílico l miedo puode ser assi: guapo, atlético i beloç cumo la pantera negra que saltou de l'arble i se sgueirou pula portalada de la sala. 
Ye claro que la mulhier biu l peligro - claramente; tenie siempre l coraçon d'atalaia. Corriu pa l refúgio, mas la chabe era mui fraca an relaçon a la grima. Solo poderie pertencer a un almairo guardado an triato de trastes bielhos. Un pequeinho trinco, an andeble puorta, para porteger un tesouro sin précio: ls filhos.
Spertou an subressalto i dou l salto para fuora de l suonho. Até l'almofada tembraba de grima. Ye que la rialidade, tamien puode ser paborosa - einacreditable. 
Anque spierta, eilha deixou que l suonho cuntinasse a galgar puls galhos dua magnífica arble, talbeç para ampedir que l miedo abaixasse.

"A realidade é inacreditável"
A árvore milenar abraçava a casa. Era gigantesca e permitia que os sonhos se encarrapitassem até se perderem nas estrelas. As portadas imensas abriam-se ao calor macio e permitiam que a luz e a magia da savana africana penetrassem sem freios. 
Talvez esta visão amainasse o frio que apertava as árvores nuas e prateadas que a paisagem planáltica nordestina, na realidade, oferecia. Era um vício amadurecido este de subir as persianas e abrir o dia quando se levantava; mesmo que os cristais de gelo bordassem um planalto arrepiado.
Até num cenário idílico o medo pode ser assim: belo, atlético e veloz como a pantera negra que saltou da árvore e se esgueirou pela portada da sala. 
É claro que a mulher viu o perigo - claramente; tinha sempre o coração de atalaia. Correu para o refúgio, mas a chave era demasiado fraca em relação ao terror. Só poderia pertencer a um armário guardado em sótão de velharias imprestáveis. Um pequeno trinco, em frágil porta, para proteger um tesouro sem preço: os filhos.
Teresa Almeida
Acordou em sobressalto e deu o salto para fora do sonho. Até a almofada estremecia de terror. É que a realidade, também, pode ser pavorosa - inacreditável. 
Embora acordada, ela deixou que o sonho continuasse a galgar pelos ramos duma magnífica árvore, talvez para impedir que o medo descesse.

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