quinta-feira, 1 de maio de 2014

Profissionais da reabilitação associam-se para melhorar vida dos doentes renais

Um grupo de profissionais de diferentes áreas, ligados à reabilitação, decidiu constituir uma associação para fazer chegar às pessoas com insuficiência renal crónica novos avanços para melhorar a qualidade de vida destes doentes.
A Associação Portuguesa de Reabilitação de Insuficientes Renais recentemente constituída por profissionais de todo o país tem como presidente um jovem enfermeiro de Bragança, André Novo, distinguido com um prémio internacional pelos resultados de um trabalho que melhorou a qualidade de vida de doentes com exercício físico.
Outros dos membros desta associação é o médico João Viana, que publicou um artigo a nível mundial em que evidenciava que simples caminhadas protegem o sistema imunitário destes doentes.
Fazer chegar estes conhecimentos aos doentes, famílias e instituições de saúde é o propósito da nova associação, como explicou à Lusa André Novo, realçando que reúne profissionais das áreas da medicina, dietética e nutrição, enfermagem, fisioterapia, fisiologia do exercício.
Promover a autonomia funcional das pessoas com insuficiência renal crónica é o trabalho que estes profissionais desenvolvem, apostando "na reabilitação física e mental dos pacientes, hábitos alimentares adequados, exercício físico, e na recolha e divulgação de informação científica".
A associação está a apresentar-se aos potenciais parceiros e admite que encontrará algumas dificuldades, desde logo porque "há uma renitência muito grande relativamente ao exercício físico em populações com problemas de saúde, nomeadamente problemas de saúde crónicos".
O problema que pretendem desmistificar, continuou, "é da sociedade que entende que as pessoas com doenças crónicas devem estar sossegadas em casa, devem estar muito protegidas das agressões do dia-a-dia".
"Aquilo que queremos é mudar mentalidades, seja nos profissionais de saúde, seja nas próprias famílias que também muitas das vezes protegem em demasia as pessoas com este tipo de problemas e também os doentes que, de alguma forma, acabam por ter também condicionada a sua opinião mediante o ambiente que os rodeia", indicou.
André Novo lembrou que é sabido "que o exercício físico é benéfico para a população dita saudável, portanto os insuficientes renais crónicos não são exceção e o exercício tem também um efeito protetor para estes doentes que está amplamente já comprovado".
O presidente da nova associação reconheceu ainda que a nível das instituições "é sempre mais difícil "entrar" no Serviço Nacional de Saúde, uma vez que a práticas estão também implementadas há mais tempo, há mais resistência à mudança".
Segundo dados da associação, estima-se que em Portugal mais de 800 mil pessoas sofram da doença.
Todos os anos são registados 2.200 novos casos de insuficiência renal crónica terminal, existindo atualmente 14 mil doentes dependentes de diálise, dos quais 5.000 são transplantados.

HFI // JGJ
Lusa/fim

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