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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues e João Cameira.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 1 de abril de 2025

O QUE É CULTURA?

Por: Humberto Pinho da Silva 
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 " Ter cultura não é saber de tudo um pouco; também não é saber muito dum só assunto. É conhecer a fundo alguns grandes espíritos, alimentar-se deles, assimilá-los. " - André Máurois - " Carta Aberta a um Jovem" - Pórtico Editor.
Para muitos – principalmente para os que pensam pela cabeça alheia, – culto, é quem cursou a Faculdade, e é senhor de profundos conhecimentos gerais.
Mas, será isso cultura?
Cultura: é o que permanece de leitura realizada durante décadas a fio.
Em outras palavras: é o que fica depois de tudo se ter esquecido.
A memória é, como alguém disse, a faculdade de esquecer. O subconsciente retém apenas resquícios do que se aprendeu; tudo, pouco a pouco, se volatiliza.
É vulgar confundir cultura com erudição. Esta resulta do conhecimento adquirido, geralmente pela leitura, que permite citar o que os outros pensaram sobre determinada matéria.
Em regra, o erudito, recorre à memória de papel – guardando no livrinho de apontamentos ou conservando em fichas, o que leu, em livros ou nos meios de comunicação.
Será realmente possível recordar o que se esqueceu? - E se varreu da memória?
É possível. Permanece no subconsciente a essência, que permite pensar, raciocinar com ponderação. Isso é cultura.
Ser culto, não é, portanto, muito saber, muito menos recordar o que se aprendeu; mas saber utilizar os conhecimentos adquiridos, sem se saber, muito bem: como, quando, e onde foram obtidos.
A cultura não é só obtida pelo estudo ou pela leitura – provém, igualmente, de tudo que se observou ao longo da vida.
Ferreira de Castro, notável escritor - que escreveu parte da sua obra no Brasil, - não possuía qualquer formação académica, para além da escola primária.
Diz Jaime Brasil: " Que cultura, que experiência tinha Ferreira de Castro quando foi para o Brasil? Somente a os pobres livros escolares."
" Quando fez o seu exame de primeiras letras, deram-lhe, como prémio, um livro de Eduardo Noronha: " Do Algarve ao Minho em Automóvel". É muito pouco, como cultura, mas o bastante para alicerçar uma " – " Ferreira de Castro" - Ed. Arcádia.
E chegado ao Brasil, no sertão, apenas lia o:" Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro", emprestado por amigos.  Isso não impediu, que mais tarde, escrevesse os: " Emigrantes", curioso romance, que é sempre atual.
Concluindo: cultura: é o que fica após tudo se ter esquecido.


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

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