Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Augusto Maria da Fonseca Coutinho - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)

 5.novembro.1885 – 25.fevereiro.1886
PORTALEGRE, 17.11.1857 – PORTALEGRE, 1.11.1887

Advogado. Magistrado judicial.
Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra.
Deputado (1882-1884). Governador civil de Angra do Heroísmo (1884-1885). Governador civil de Bragança (1885-1886).
Natural da freguesia de S. Lourenço, cidade e concelho de Portalegre.
Filho de João da Fonseca Coutinho, moço-fidalgo com exercício no Paço, presidente da Câmara Municipal de Portalegre e deputado.
Neto de Luís Freire da Fonseca Coutinho, desembargador do Paço.

➖➖➖

Augusto Maria da Fonseca Coutinho nasceu em Portalegre, no seio de uma família de linhagem antiga, com importantes bens na região e uma assinalável influência social e política.
Matriculou-se em Direito na Universidade de Coimbra em 1873, e enquanto estudante, colaborou em diversos periódicos estudantis, entre os quais o Literatura Ocidental e O Mosaico. De resto, conservaria este gosto pela escrita ao longo da sua curta vida, colaborando em jornais políticos e literários de Lisboa e Coimbra e chegaria a membro das sociedades de Geografia de Lisboa e do Porto. Na Universidade, foi colega de Sebastião de Magalhães Lima e Alberto Monsaraz, que, como ele, se notabilizariam pelo seu percurso político, mas também nas letras.
Concluído o curso em 1879, Augusto Coutinho regressou então a Portalegre para exercer advocacia. Em 1880, concorreu para delegado do procurador régio, alcançando elevada classificação, e anos mais tarde, ascendeu a juiz substituto na comarca local.
Em 1881, com apenas 23 anos de idade, foi o candidato do Partido Regenerador por Portalegre às eleições gerais de 21 de agosto de 1881, defrontando José Frederico Laranjo, experiente e influente membro do Partido Progressista, que fora seu professor em Coimbra. Embora desigual, Augusto Coutinho conseguiu vencer a disputa eleitoral, por apenas 27 votos, vendo-se assim eleito deputado para a legislatura de 1882-1884 ( juramento a 20.1.1882). Fez parte das comissões de Petições e do Regimento, nas quais chegou a exercer funções de secretário, tendo também sido eleito, em 21 de fevereiro de 1883, para integrar a comissão especial para a reforma da lei eleitoral.
Interveio frequentemente na Câmara, iniciando os seus discursos parlamentares com a questão da comemoração do centenário da morte do Marquês de Pombal.
Confessando-se seu grande admirador, Fonseca Coutinho desdobrou-se em elogios à ação do marquês e, em 4 de março de 1882, defendendo que as comemorações não se deviam limitar a iniciativas particulares e que o Parlamento devia ao estadista uma consagração pública e solene, apresentou um projeto de lei no qual se previa que o dia 8 de maio, em que se assinalava a morte de Pombal, passasse a ser dia de festa nacional, e que o Governo fosse autorizado a prestar auxílio a quaisquer iniciativas comemorativas, mas a sua iniciativa não teve sucesso, optando a Câmara dos Deputados por distinguir a ocasião com a construção de um monumento em bronze em Lisboa.
Em S. Bento, prosseguiu a tradição do seu pai, falecido em 1881, na defesa dos interesses dos seus conterrâneos. Na sessão legislativa de 1882, solicitou ao Governo que tomasse medidas para prevenção e tratamento da filoxera no distrito de Castelo Branco e referiu-se, várias vezes, a problemas originados pela transferência da delegação da alfândega de Portalegre, em Marvão, para Castelo de Vide. Em 3 de março de 1883, submeteu ao Parlamento um novo projeto de lei da sua autoria, cujo objetivo era autorizar o Governo a classificar os concelhos do Reino em três ordens e, por esta via, fixar os ordenados dos administradores e empregados das administrações, de forma a diminuir os abusos de algumas câmaras municipais, que reduziam os ordenados e, assim, dificultavam o exercício dos cargos.
Elaborou e apresentou outros projetos de lei, no sentido da concessão de benefícios e autorizações para diversas câmaras municipais, a maior parte deles no seguimento de representações daquelas à Câmara dos Deputados: autorizando a Câmara Municipal de Castelo de Vide a vender um terreno e uma igreja para poder comprar uma propriedade e nela construir um novo cemitério (27.2.1883 e 5.5.1884); autorizando o Governo a conceder à mesma municipalidade algumas casas pertencentes ao Estado, para o estabelecimento de aulas de instrução primária (14.3.1883); concedendo à Misericórdia da vila de Avis uma parte do convento da ordem de S. Bento, para o estabelecimento de um hospital (14.4.1883); e permitindo que a Câmara de Arronches desviasse dinheiro do fundo de viação municipal para aplicar na aquisição de candeeiros para iluminação pública (31.3.1884).
Mesmo quando as representações que levava à Câmara não eram objeto de elaboração de um projeto de lei, Fonseca Coutinho fazia, por vezes, a sua defesa. Assim, chamou a atenção para os pedidos de vários escrivães de Direito, entre eles os da comarca de Portalegre, para a substituição da contribuição industrial pelo imposto de rendimento, a fim de serem equiparados com os demais empregados do Estado, e defendeu a necessidade de conversão em lei de projetos apresentados por D. José de Saldanha, relativos à concessão às instituições de beneficência da isenção do pagamento da contribuição de registo por título gratuito de propriedades móveis ou imóveis e à desamortização dos foros, quinhões e pensões. Para Fonseca Coutinho, a aprovação dos documentos apresentados por aquele deputado era importante para remediar os inconvenientes que a lei de desamortização dos bens pertencentes às corporações de mão morta tinham causado aos institutos de beneficência, diminuindo as suas receitas relativas aos rendimentos de propriedade imobiliária.
Terminada a legislatura, por decreto de 20 de novembro de 1884, foi nomeado governador civil de Angra do Heroísmo, cargo que exerceu até 5 de novembro de 1885, tendo sido, nesta data, transferido para o Governo Civil de Bragança (posse a 21.11.1885), lugar em que se manteve até ser exonerado pelo recém-empossado Governo progressista, a 25 de fevereiro de 1886.
Encontrando-se já bastante doente, retirou-se para Portalegre, onde se manteve na liderança do Partido Regenerador, vindo a falecer a 1 de novembro de 1887, a poucos dias de completar 30 anos de vida. Personagem muito querida em Portalegre, o seu nome ainda hoje se encontra inscrito na toponímia da cidade.

Augusto Fonseca Coutinho e o centenário da morte do marquês de Pombal (1882)

É a primeira vez que levanto a minha voz nesta casa, e faço-o afoitamente, desassombradamente, encorajado pela grandeza do assunto de que vou ocupar-me.
Quero referir-me ao centenário do marquês de Pombal, o maior estadista do seu tempo; centenário que em breve se realiza, a 8 de maio, e para cuja solenização se fazem já os mais patrióticos preparativos.
Vai um grande e nobilíssimo entusiasmo nas escolas de Lisboa.
A imprensa e as associações de toda a ordem andam nesta propaganda cívica, e tudo nos faz prever que o dia 8 de maio de 1882 será tão ilustre na história do nosso tempo como o foi o dia 10 de junho de 1880, em que a nação portuguesa honrou a memória de Luís de Camões!
E se na imortalidade o cantor dos Lusíadas está entre Virgílio e Dante, ali também o autor da Lei da Boa Razão toma a direita aos primeiros reformadores.
Durante muito tempo, esperei que outra voz mais autorizada do que a minha viesse no Parlamento fazer a apoteose do marquês de Pombal.
Devia-se-lhe esta justiça, e muito bem feita ela ficava nesta formosa cidade de Lisboa, que a natureza em revolução destruiu num dia, levantando-a ele das suas ruínas, ressuscitando-a, tocando-lhe com a varinha de condão do seu génio, fazendo-a bela, fazendo-a sorrir de vaidosa quando depois ela se viu no espelho das cristalinas águas do seu Tejo.
Há nesta casa muitos eloquentes tribunos que lhe podiam celebrar à maravilha as qualidades eminentes. Não o fizeram, o que eu não digo como censura, mas aponto como desculpa da minha temeridade.
Eu tenho sentido sempre uma adoração especial por este vulto histórico, e congratulo-me por à fortuna dar ensejo a que a minha palavra singela, mas crente e apaixonada, venha pedir ao Parlamento português, à nação portuguesa, uma consagração pública, solene, digna, para o homem que representa um século, para o estadista que significa uma civilização, para o grande espírito que democratizou pelo absolutismo, para o esplendido génio que, como  o retrata Almeida Garrett, anda na imortalidade de braço dado com Colbert, olhando desdenhoso do alto da sua superioridade para Smith e João Baptista Say.
O critério positivo apoderou-se de todos os espíritos, e por ele se conhece claramente o presente, por ele se prevê o futuro, e por ele se interpreta todo o passado, nos seus símbolos, nas suas instituições.
Assim a antiguidade tornava deuses os seus heróis. Era uma consagração sob uma forma sobrenatural e misteriosa. Mas o culto de ontem tem a mesma significação que o culto de hoje, que se reveste de um aspeto humano.
É sempre o respeito, é sempre a adoração pelos homens que foram grandes, que baixaram ao túmulo estreito tendo enchido com seus nomes a eternidade dos séculos, e que ainda lá do seu nada ensinam e são glória para as nações, como Sebastião José de Carvalho e Melo, o famoso marquês de Pombal, é título glorioso para a nacionalidade portuguesa.
Todas as nações cultas celebram hoje em centenários a memória dos seus imortais, e nós já nos compenetrámos deste dever cívico dando à Europa, pela festa a Camões, um testemunho evidente da nossa vida de progresso.
É mister, pois, que a Nação, que nós aqui representámos, vá secundar todos os beneméritos esforços que tão nobremente se estão manifestando, não deixando entregue exclusivamente à iniciativa particular a comemoração do centenário do marquês de Pombal, porque é uma festa de todos nós, da Nação portuguesa.

Fonte: Diário da Câmara dos Deputados, sessão de 4.3.1882.

Fontes e Bibliografia
Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Arquivo da Universidade de Coimbra, documentos vários.
Diário da Câmara dos Deputados, 1882-1884.
ALVES, Francisco Manuel. 2000. Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, vol. VII. Bragança:
Câmara Municipal de Bragança / Instituto Português de Museus.
GRANDE Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, t. VII Lisboa, 1935-1987.
MÓNICA, Maria Filomena (coord.). 2004. Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910), vol. II. Lisboa:
Assembleia da República.
VENTURA, António. 1996. José Frederico Laranjo (1846-1910). Lisboa: Edições Colibri.

Publicação da C.M. Bragança

Sem comentários:

Enviar um comentário