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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Quase poema… ou assim falava o Cristopina

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Assim falava o Critopina, o mendigo mais andrajoso e místico que vagueou pelo Nordeste nos anos 60… e assustava;
Se eu tivesse vivido entre os gregos, filósofos, homens livres e escravos, adoraria Zeus, o Pai dos Relâmpagos, ergueria mãos vazias para acalmar sua fúria. Seria devoto de Atena, magnífica deusa da sabedoria e da guerra justa e de Apolo, deus maior da poesia, da música, da luz e do sol criador… Minha crença absoluta, seria certa e firme, na esperança de alcançar o Olimpo.
Se eu fosse árabe, Alá seria o Único. De joelhos, virado para Meca, ofereceria jejum redentor, preces e humildade diante da grandiosidade do divino.
Se fosse judeu, o Deus único de Moisés seria meu redentor, a luz da salvação gravada na pedra e na eternidade, nos Dez Mandamentos que guiam o mundo.
Se estivesse na Índia, não teria deuses a quem implorar, mas caminharia, piedosamente, com Buda, pelo silêncio da meditação, na esperança do Nirvana e da sabedoria absoluta.
Agora, agarro-me à Cruz, silencioso e seguro,
guiado pela mão serena de Jesus de Nazaré. Filho de Deus na comunhão com o Espírito Santo.
… Talvez, se estivesse em Lisboa, no século XVI, tivesse embarcado piedosamente na matança dos judeus, seguindo a promessa redentora do dominicano, que de crucifixo em riste concedia cem dias de indulgência e o perdão dos pecados a quem matasse heréticos.
… Assim falava o Cristopina… e assustava!


Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

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