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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Bragança assinalou os 150 anos do Comando Distrital da Polícia de Segurança Pública.

 Uma data simbólica que homenageia o percurso de uma instituição que, ao longo de um século e meio, tem desempenhado um papel fundamental na segurança, proteção e tranquilidade da comunidade brigantina.
O Município de Bragança associa-se a esta celebração, reconhecendo o trabalho e a dedicação de todos os homens e mulheres que, diariamente, contribuem para uma cidade mais segura, próxima e confiante.

Parabéns à PSP de Bragança pelos 150 anos de serviço público ao concelho e à região.

O IPB aprovou formalmente a proposta de transformação da instituição em Universidade, considerando reunidas as condições académicas, científicas, organizacionais e financeiras exigidas pelo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior.


 A decisão foi aprovada por unanimidade no Conselho Geral, após parecer igualmente favorável do Conselho Permanente e do Conselho Técnico-Científico da instituição. 

Com mais de 10 000 estudantes, provenientes de mais de 50 nacionalidades, e uma forte aposta na investigação, inovação e cooperação internacional, o IPB entende que esta transformação representa o reconhecimento jurídico de uma realidade institucional já consolidada. 

O processo foi já submetido ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação.

Segundo o Presidente do IPB, Orlando Rodrigues, “esta proposta não representa uma rutura com o percurso histórico da instituição, mas a sua evolução natural”. 

🇬🇧

IPB has formally approved the proposal to transform the institution into a university, considering that the academic, scientific, organisational, and financial conditions required by the Legal Framework for Higher Education Institutions have been fully met. 

The decision was unanimously approved by the General Council, following favourable opinions from the Permanent Council and the institution’s Technical and Scientific Council. 

With more than 10,000 students representing over 50 nationalities and a strong commitment to research, innovation, and international cooperation, IPB considers this transformation to be the legal recognition of an institutional reality already well established. 

IPB has already submitted the proposal to the Ministry of Education, Science and Innovation. 

According to IPB President Orlando Rodrigues, “This proposal does not represent a break with the institution’s historical path, but rather its natural evolution.” 

𝗙𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗱𝗮 𝗔𝗺𝗲𝗻𝗱𝗼𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗲𝗺 𝗙𝗹𝗼𝗿 𝟮𝟬𝟮𝟲 - 𝗙𝗿𝗲𝗶𝘅𝗼 𝗱𝗲 𝗘𝘀𝗽𝗮𝗱𝗮 à 𝗖𝗶𝗻𝘁𝗮 - 𝗘𝘀𝗽𝗲𝘁á𝗰𝘂𝗹𝗼 𝗰𝗼𝗺 "𝗗𝗶𝗼𝗴𝗼 𝗣𝗶ç𝗮𝗿𝗿𝗮" - 𝘀á𝗯𝗮𝗱𝗼, 𝗱𝗶𝗮 𝟳 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗿ç𝗼, à𝘀 𝟮𝟮𝗵𝟯𝟬

Este sábado a animação musical está a cargo de "Diogo Piçarra". 
Ele já está pronto para fazer a festa em Freixo de Espada à Cinta. 
Contamos consigo?

Dia 7 de março, sábado, venha assistir a este grande concerto, a partir das 22h30 no Espaço Multiusos de Freixo de Espada à Cinta.

musgo e poeira

Por: Paula Freire
(Colaboradora do Memórias...e outras coisas...)


 Ali estava ela. Estátua viva do instante presente. 

Ali, no alto do muro, sobre os velhos telhados de musgo e poeira, abraçados ao céu, onde os homens batizam de real o que o vento suspira. 

E tão poucos reparavam naquela pequena centelha perdida de eternidade!

Senti-lhe as asas, silenciosas, impregnadas de liberdade. Escutei-lhe os olhos. Olhos nascidos para a vastidão. Olhos de quem lê um livro escrito com dedos de brisas e murmúrios. Traziam dentro deles vozes inquietas do coração humano, verdades vistas para além da pele das coisas. 

Avistou mais do que formas ou paisagens. Viu os labirintos secretos que cada um transporta dentro de si. As almas que se movem pelas vielas, os passos apressados dos que carregam o peso invisível da urgência, os sorrisos entrecortados pelos soluços de quem já não sabe o que é repousar. 

Entre terra e águas, descobriu crianças que riam com a despreocupação que ainda não aprendeu a palavra amanhã. E também o olhar dos velhos, fundo como poços, onde se refletiam memórias de amores perdidos.

Um homem vestido de solidão, sentado à janela, a olhar o tempo como quem busca as últimas respostas. 

A mulher que subia a escadaria e sorriu ao instante que lhe tornou o rosto num campo de girassóis. 

O amor a dançar em olhares roubados no jardim da praça, e a dor, afiada como um pedaço de vidro, na face de quem segurava um adeus entre os lábios.

O rio, dobrado sobre as duas margens, criatura viva a esconder segredos nas suas correntes. Sobre o seu ventre líquido, ancorado ao correr das ondas, um pescador remendava redes transbordantes de ausências. A boca, um poema de confiança indócil, insistia em rasgar as nuvens.

A rapariga, junto à ponte, à espera de uma promessa esquecida, acariciava uma pequena flor murcha, com as mãos feitas de sonhos. Pensamentos adormecidos em retornos impossíveis, lágrimas convertidas em versos que eram místicos portais. E transformava a saudade num altar de esperas.

Mais além, um menino, riso cor de amanhecer, corria com um barco de papel, a perseguir uma maré que não chegava, e brincava com o futuro como se ele fosse leve, alheio à gravidade que assombra os adultos.

E afinal, o que é a existência dos homens, senão esses trémulos voos esquecidos da sua própria leveza? Asas invisíveis que desaprenderam de tanto quando amarraram os pés a chãos inventados!

No seu voo entre o palpável e o infinito, a gaivota sabe que o mundo inteiro é uma canção, e ela, apenas uma nota efémera, essencial, na melodia do dia. 

Porque ali, onde o mundo hesita entre o chão e o céu, nos olhos a compreensão que só aqueles que se permitem observar podem alcançar, ela sentiu mais do que um horizonte. Viu o homem que carrega o fardo do ontem, mas que segue em frente porque acredita na ventura do destino. A mulher que transforma a perda em poesia. A criança que ainda corre livre da gravidade dos medos. 

Cada um deles a tentar lembrar-se do que é estar realmente vivo. A tentativa que fez o milagre.

E com asas que se abriram num abraço do mundo inteiro, num gesto que foi quase suspiro, como um reencontro com o amante, ela abandonou o muro para ser novamente parte do céu. Na voz, a essência do que permaneceu, a lembrar-nos que não importa quão profundas sejam as nossas prisões, o futuro está sempre adiante. 

Tudo o que é preciso é abrir as asas do coração e recordar que fomos feitos para o infinito.


Paula Freire
. Tem curiosidade pelo que se mostra sem intenção: o comportamento que revela mistérios, intimidades. Observa-o enquanto desenha pessoas e fotografa o mundo. As palavras nascem-lhe da escuta atenta do Homem, dos silêncios que deixam vestígios. Escreve a partir de múltiplos lugares. Alguns com rosto, outros sem nome. 
Acredita que a vida não dá certezas absolutas nem tem respostas fáceis. E que a sensibilidade humana nunca deve ser confundida com fragilidade.
É psicóloga e psicoterapeuta. Publicou “Lírio: Flor-de-Lis” e “As Dúvidas da Existência: Na Heteronímia de Nós”. Este último (em coautoria), assinado pelo seu heterónimo Lázaro Rios, a sua forma de liberdade mais pura e crua. 
Gosta de viver sem ruídos desnecessários e inteira dentro da sua escrita. Tudo o resto são só excessos.

O CORÃO E OS DISCÍPULOS DE JESUS

Por: Humberto Pinho da Silva 
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Sempre considerei absurdo contendas entre muçulmanos e cristãos. São execráveis. Ambos são crentes do mesmo Deus, e o Corão tem imensas afinidades com a Bíblia.

Mas, como muitos cristãos leem a Bíblia, mas não A cumprem, acontece - julgo eu,-  o mesmo com alguns islamitas.

 Suleiman Valy Mamede, Presidente do Conselho Diretivo do Centro Português de Estudos Islâmico, na introdução ao Corão – Ed. Europa América – assevera: o Corão " Não rejeita como revelados, os Livros Sagrados dos Profetas que antecederam Muhammad. Nele acham-se (...) repetidas alusões às Escrituras ((v.g.: Cap. II ,vers. 40,53,54,62,87; Cap. III, vers. 98,100,etc.), além de inúmeros passos paralelos.

O Corão quando se refere aos cristãos, afirma: (...) " Nos que dizem: "Nós somos cristãos", encontrarás os mais próximos em amor, para os que creem, e isso porque entre eles há sacerdotes e monges e não se enchem de orgulho" – Cap. V, vers.. 82.

E no Credo dos Fiéis (Cap. III, 84) o Corão assevera – que se deve dar crédito no que disse Jesus:

" Cremos em Deus, no que nos foi revelado e no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isac, a Jacob e às doze tribos; cremos no que foi dado a Moisés, a Jesus e aos Profetas, proveniente do seu Senhor: não estabeleceremos diferenças entre eles, e a nós estamos submetidos a Ele, somos muçulmanos" – O termo muçulmano, significa: o que se submete, voluntariamente, á vontade de Deus.

Portanto, o bom muçulmano, temente a Deus, e que saibe interpretar o Corão, não pode querer mal aos cristãos.

Pois o Cap. II vers.62, diz " (...) Os que creem, os que praticam o judaísmo, os cristãos e os sabeus – os que creem em Deus e nos Ultimo Dia e praticam o bem – terão a recompensa junto do seu Senhor. Para eles não há temor."

Não se compreende, portanto, tanta hostilidade de alguns muçulmanos, aos cristãos e vice-versa.

Acrescento, para terminar, mais uma passagem semelhante ao Evangelho:

Quando Maria recebeu o anúncio que seria Mãe de Jesus, esta respondeu-lhe humildemente: que nenhum mortal lhe tinha tocado (conhecido). O anjo disse-lhe: "Assim será. Deus cria o que quer. Quando decreta alguma coisa, diz " seja", e” é. – Cap. III, Vers. 47.

Não creio que o bom muçulmano seja capaz do ato abominável de matar, porque o Corão avisa: o muçulmano, quando voluntariamente, tira a vida a um, que acredita em Deus:" (...) Terá por recompensa o Inferno; eternamente permanecerá nele. Agaste-se Deus contra ele e amaldiçoe-o! Prepara-lhe um enorme tormento! - Cap. IV, Vers. 93.

Daqui se conclui, que o crente muçulmano, não pode nem deve matar outro crente, porque se o fizer, receberá severo castigo divino.

É inacreditável, que crentes, do mesmo Deus, que acreditam – ou dizem acreditar – na vida além a morte, se pelejem e se matem mutuamente. Brada aos Céus, e não tem perdão.


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

“Por entre a solidão das fragas” - Romance

Por: Luís Abel Carvalho
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 O romance “Por entre a solidão das fragas”, é-nos apresentado numa escrita esquelética, sem gordura, tal como a terra magra das ladeiras transmontanas, com os piçarros logo a flor da relha da charrua e do arado.

Fontes de Carvalho descreve magistralmente de forma crua e brutal o viver de um povo massacrado e teimoso de uma aldeia pobre e esquecida do Nordeste Transmontano! “ Um povo rural, castigado e feliz”, no dizer de Aquilino.

O romance desenrola-se nas décadas de 30, 40 e 50 do século passado, em que o povo vivia arrochado e os costumes eram caninamente vigiados pelos três poderes: o prior, o regedor e o burguês. Mesmo assim, punham a honra acima de tudo, um povo que Miguel Torga questionou: “ Que povo este! Fazem-lhe tudo, tiram-lhe tudo e continua a ajoelhar-se quando passa a procissão!”.

- Cala-te, mulher. Negro é o carvoeiro e branco o seu dinheiro.

- Mas tu queres bander a tua filha a um demónio daqueles, a um soberbão daqueles??! Tu só bês dnheiro, home de Deus? O dnheiro no se come. E a honra? Onde fica a honra? – perguntou irritada, batendo no peito com a mão aberta.

- Sei lá eu o qu´é isso da honra? Olha, fica prós pacóvios c´mo tu, qu´acreditam nessas cousas. Enquanto t´impingem essas lérias, eles vão-se governando à nossa custa e inda se riem e inda nos tchamam tchbascos e tchotchos.

- Eu tamãe penso c´mó Pai. A honra tamãe no se come e às bezes é só pr´ atrapalhar a gente – disse a Lucinda, sentindo-se apoiada pelo Pai. – A gente bem oube opadre a descer cousas do altar abaixo, mas óspois bem bai jantar a casa dos ricos e a combiber co eles. E alguns no têm honra nenhuma. Nuncá tiberam nem eles nem os seus antepassados – disse abanando afirmativamente a cabeça. – Palabras de mel e coração de fel – rematou indignada.

- Pois não! Claro qu´a honra tamãe no se come, mas ajuda-nos munto a enfrentar os dias menos bôs – disse filosoficamente a Tia Germana.


Fontes de Carvalho
, pseudónimo de Luís Abel Carvalho, nasceu no Larinho, uma aldeia transmontana do Concelho de Torre de Moncorvo, Distrito de Bragança. É o filho do meio de três irmãos.
Estudou em Moncorvo, Bragança e no Porto, onde se formou em Engenharia Geotécnica. É casado e Pai de três filhos.
Viveu no Brasil, onde passou por momentos dolorosos e de terror, a nível económico e psicológico. Chegou a viver das vendas de artesanato nas ruas e a dormir debaixo de Viadutos.
No ano de 1980 e 1981 foi Professor de Matemática em Angola, na Província de Kwanza Sul, em Wuaku-Kungo. Aí aprendeu a desmistificar certos mitos e viveu uma realidade muito diferente da propagandeada.
Em Portugal deu aulas de Matemática em diversas cidades, nomeadamente em São Pedro da Cova, Ponte de Lima, Cascais (na Escola de Alcabideche, onde deu aulas aos presos da cadeia do Linhó), Alcácer do Sal, Escola Francisco Arruda e Luís de Gusmão, em Lisboa. Frequentou durante quatro anos, como trabalhador-estudante, o curso de Engenharia Rural, no Instituto Superior de Agronomia.
Em 1995 fundou a empresa Bioprimática – Reciclagem de Consumíveis de Informática, onde trabalha até hoje como sócio-gerente.

O Manco - Entre Deus e o Diabo - Um livro de António Sá Gué

Por: Ernesto Rodrigues
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


Sinopse:

O Manco é uma figura que procura a sua unidade, enquanto ser humano, entre a dura realidade em que sobrevive e a busca de uma religiosidade que parece não lhe trazer respostas. Uma figura que se busca entre o seu mundo interior e exterior.

O Manco - Entre Deus e o Diabo é um grito em silêncio de uma revolta contida.

Um romance alegórico

Este romance de António Sá Gué conjuga várias linhas de força que o magnificam. Externamente, cada capítulo é precedido de um poema, cuja função emotiva nos dá, em primeira pessoa, um sujeito depois narrado na terceira. Conjunto de vinte e três peças, articula-se, aqui, uma biografia psicológica. Esse direito à palavra ‒ qual didascália no teatro do ser, não só definindo uma voz, mas orientando a leitura ‒ é um traço de personagem tenaz procurando domar o seu destino. Rescende aos heróis antigos, e não seria difícil encontrar concordâncias.

O ponto de partida e chegada é o mesmo: a geografia moncorvense, a pouco e pouco, esclarecendo-se; diferentes os pontos de uma existência, quando se é jovem ou já muito sofrido: vimos dos cumes altivos de pegureiro às fundas gargantas de linfa onde se percebe melhor o vivido.

Desde o início, pressente-se uma indistinção, na silhueta de Manuel, ao longe, que o pai reconhece pela «andadura». É um índice, ou indício, narrativo forte, também porque vai alterar a regularidade das coisas. Numa diegese com poucos incidentes, e gloriosos acidentes da natureza e linguagem transmontanas, inscreve-se vingança, e decide-se futuro, entre Março e Novembro de 1881, quando, acusado de incendiário por Maria das Dores, Manuel António Morgado, de 20 anos, pastor e camponês, declina identidade em seu irónico apelido: embora inocente, perde-se no conceito do povo, de iguais que o juram criminoso. É bem certo que Deus anda com o Diabo às costas, reiterando «antigo ditado».

Essa perda do (bom) nome anuncia outras piores. Afasta-se, assim, dos montes, trocados pela cadeia da Relação do Porto; degredam-no da pátria para Ultramar então na moda, quando conferências internacionais ‒ alude-se à de Berlim ‒ cobiçam as nossas possessões. Se a Justiça lhe acrescenta uma naturalidade, Carviçais, já Manuel perdeu o pé da própria realidade, e tão indiferente lhe e nos parece o silvo da locomotiva na linha do Douro (cujos primeiros troços são de 1875, e, no dealbar de 80, chegam à Régua e ao Pinhão) como a estada africana, onde se vê amputado de uma perna. A figura dissolve-se em corrente de consciência, que o narrador persegue, enquadra na atmosfera da época, deseja interpretar, num universo coetâneo rasgado em cores impressionistas (quase logo, pontilistas) e tentames simbolistas nas artes plásticas e na poesia. À luz destas homologias, é um romance fora do nosso tempo, a requerer demorada exegese ‒ e mais se olhássemos à teoria da vontade em Schopenahuaer, ao desvão do inconsciente freudiano…

Do terroso naturalista passa-se, entretanto, à ideia, a uma conceptualização que, experimentado o Brasil ‒ outro destino nacional, onde amealha dinheiro, mas retorna-viagem, quando a mãe adoece, que já não consegue ver viva ‒, desemboca na concretização de um sonho, tanto mais difícil quanto se quer empresa de indivíduo só, e deficiente, desafiador de homens e de Deus, no esforço derradeiro de transportar as mós, qual anti-Sísifo.

O velho sonho de construir um moinho não visa, somente, alimentar o corpo; busca ‒ talvez, o principal achado ‒ recriar a alegoria da caverna platónica: «Foi além, entrou na caverna da sua existência, entrou no mundo das sombras, no submundo da inconsciência humana. Esteve no mundo do esquecimento.» É mais explícito noutra passagem: «Acordou agitado; sentia-se distante de tudo, longe do mundo dos outros, que sempre o atormentou. A noite não lhe trouxe a calma que procurava. Em boa verdade nada parecia dar-lhe satisfação plena. Durante anos sonhou com o moinho, agora que moinho era uma realidade, sentia-o como se tivesse encontrado o seu desterro, a caverna onde viveria morrendo. Maldição dos insatisfeitos! Ternura dos incompreendidos! Madrugada sem luz! Noite sem regresso!»

Que a satisfação, conquistado o objecto do desejo, vire insatisfação, vai de si, nos heróis e semi-heróis. Estranho é que se transmude em «desterro», como se o degredo africano fosse uma estação inevitável no peregrinar da alma. Há uma condenação superior, já espelhada na sentença de juiz terreno?

Seja como for, essa consciência é a verdadeira realidade, como se ameaçava desde a epígrafe. Negatividade, no prefixo in- e na preposição sem, a par de outras fórmulas? Eterna «dúvida inconsequente», que humedece o último poema? Ou puro desejo de, embora sofridamente, objectivar-se, contra a «verdade» que só os outros dizem possuir?

O gesto vitruviano enfim revertido na horizontal (contra a posição vertical) é um reforço dessa procurada harmonia ‒ reconhecidamente, em falta ‒, que o Renascimento científica e esteticamente alicerçou; o pensamento medieval, contudo, adaptou-o à cruz de Cristo, e, agora, humana (ou bicho da terra), num sentido salvífico. Vislumbra-se esta convergência, no cair do pano.

Eis como, de um andamento originariamente rural, localizável, à vista da Serra do Reboredo, se passa à enxovia da dignidade, da amputação familiar, social e pátria, até à morte dos seus e desprezo que lhe votam semelhantes; como um discurso fortemente enraizado, com boa enxertia no léxico regional, se atenua, para recrescer na frase autopsicográfica, em gradual romance-ensaio de propósito alegórico, feição raríssima entre nós.

O incêndio é um incidente, seguido dos trâmites judiciais, que também faltam à literatura nacional: são factos sociais, análogos de sentido, motores narrativos; mais do que um contra todos, perdendo-se quando mais se diz no nome e lugar de nascimento, é um herói psicológico em trânsito de maioridade, até se afastar para fundas terras e magoar no chão «de onde lhe vinha toda a vitalidade». Este inesperado elogio à vida é timbre dos melhores.


Ernesto Rodrigues (Torre de Dona Chama, 1956) é escritor e professor universitário.

AS INCONGRUÊNCIAS DA VIDA

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


 Há quem faça tudo certo e tropece. Há quem caminhe distraído e encontre tesouros. Há abraços que curam mais do que remédios e palavras que ferem mais do que lâminas. 

A vida não segue linhas rectas , prefere curvas inesperadas, atalhos que assustam, regressos improváveis.

E, no entanto, é nessa aparente desordem que reside a sua misteriosa coerência. Como um rio que contorna pedras sem nunca deixar de avançar, também nós aprendemos a fluir entre contradições. 

Sofremos, rimos, perdemos, recomeçamos. O que parecia fim transforma-se em semente. O que julgávamos fraqueza revela-se força escondida.


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó - Uma Paixão Improvável.

COMANDANTE DA PSP DE BRAGANÇA ALERTA PARA FALTA DE EFETIVOS, MAS GARANTE: “CRIMINALIDADE MANTÉM-SE ESTÁVEL”

 O comandante do Comando Distrital da PSP de Bragança alertou hoje para a falta de efetivos no distrito, sublinhando que a média de idades dos polícias ultrapassa os 50 anos. Apesar das limitações, Rui Rocha e Silva garantiu que os níveis de criminalidade se mantêm estáveis nas cidades de Bragança e Mirandela.


As declarações foram prestadas à margem das comemorações do 150.º aniversário do Comando Distrital, momento em que o responsável defendeu a necessidade urgente de atrair jovens para a profissão.

Atualmente, o comando conta com um efetivo de 180 elementos, distribuídos essencialmente pelas esquadras de Bragança e Mirandela.

Contudo, segundo Rui Rocha e Silva, o cenário ideal passaria pelo reforço do quadro com cerca de mais 50 agentes.

“Permitiria ter uma margem de manobra muito maior”, afirmou, revelando que a média de idades dos polícias no distrito é de 52 anos, um indicador que espelha o envelhecimento do efetivo.

“Os meios nunca são aqueles que gostaríamos. Aquilo que fazemos diariamente é uma gestão muito criteriosa daquilo que temos, indo ao encontro das expectativas legítimas dos cidadãos”, acrescentou.

Uma das estratégias adotadas passa pela integração de funcionários civis em funções administrativas, permitindo libertar agentes para o trabalho operacional.

“Atividades de cariz administrativo podem e devem ser desenvolvidas por civis, permitindo que os polícias deixem essas funções e passem a exercer funções na rua, que é onde são precisos”, explicou o comandante.

A medida visa otimizar recursos num contexto de escassez de efetivos, garantindo maior presença policial no terreno.

Apesar das dificuldades, o comandante assegura que o distrito continua a registar níveis de criminalidade estáveis.

“As cidades de Bragança e Mirandela são extremamente calmas. A criminalidade não tem aumentado, tem-se mantido em níveis muito estáveis”, afirmou.

Rui Rocha e Silva atribui esta realidade não apenas à ação policial, mas também à própria dinâmica urbana e ao perfil das populações.

“É uma cidade pacata, bem organizada, as pessoas têm princípios de cidadania bem enraizados, o que joga a favor de que a criminalidade não tem aumentado”, sublinhou, referindo-se a Bragança.

Durante as comemorações foi ainda celebrado um protocolo entre a Polícia de Segurança Pública e o Município de Bragança, no âmbito da segurança e mobilidade urbana.

O acordo prevê a instalação de câmaras de videovigilância em locais estratégicos da cidade. Embora o anúncio já tivesse sido feito no ano passado, o comandante revelou que estão agora a ser analisados os índices de criminalidade para definir os pontos prioritários de instalação.

A videovigilância é vista como uma ferramenta relevante tanto na prevenção como na investigação criminal.

“Se serve como meio de prova, permite identificar os infratores, levando-os à justiça. Servindo como prova, a justiça é mais efetiva”, explicou, acrescentando que poderá também funcionar como elemento dissuasor de atos criminosos e incivilidades, como o vandalismo de mobiliário urbano.

Num distrito onde a tranquilidade é um dos principais ativos, o desafio passa agora por garantir a renovação geracional da força policial, assegurando que a estabilidade atual se mantém no futuro.

A Redação com Lusa
Fotos: DR

MUNICÍPIO DE CARRAZEDA DE ANSIÃES REFORÇA COMBATE À LAGARTA-PROCESSIONÁRIA

 O Município de Carrazeda de Ansiães está a desenvolver um conjunto de ações de prevenção e combate à lagarta-do-pinheiro, popularmente conhecida como processionária, através do corte e destruição de ninhos e da colocação de cintas protetoras em torno das árvores infestadas.


Estas intervenções visam proteger a saúde pública, reduzir os riscos para crianças e animais e preservar o património natural da região. A lagarta-do-pinheiro é responsável por reações alérgicas graves em pessoas e animais, tornando imprescindível a implementação de medidas preventivas nesta época do ano.

As autoridades municipais apelam à colaboração dos cidadãos, recomendando que, caso sejam identificados ninhos em espaços públicos, estes sejam imediatamente reportados aos serviços municipais competentes. Para além disso, aconselha-se que os animais de companhia evitem qualquer contacto com estas lagartas ou com os seus ninhos, devido ao risco de intoxicação e alergias.

Jornalista: Luís Eduardo Lopes 
Foto: CM Carrazeda de Ansiães

MUNICÍPIO DE VILA FLOR PROMOVE AÇÃO DE SENSIBILIZAÇÃO AMBIENTAL E AGRÍCOLA

 No âmbito do certame das Amendoeiras em Flor, o Gabinete de Agricultura do Município de Vila Flor realiza, este sábado, dia 07 de março, uma Ação de Sensibilização Ambiental e Agrícola, destinada a promover a reflexão sobre políticas sustentáveis no concelho.


A iniciativa decorre no Parque Municipal de Feiras e Exposições de Vila Flor, e conta com a presença de oradores de referência na área ambiental e agrícola. Entre os convidados estão o presidente da Câmara Municipal, Eng.º Pedro Lima, o ex-Ministro do Ambiente e da Ação Climática, Dr. Duarte Cordeiro, e o Diretor-Geral da Resíduos do Nordeste, EIM, S.A., Dr. Paulo Praça.

O evento pretende sensibilizar a população para a importância da preservação ambiental, bem como para o desenvolvimento de práticas agrícolas sustentáveis, incentivando a participação ativa da comunidade local na definição e implementação de políticas concelhias.

Jornalista: Luís Eduardo Lopes 
Foto: CM Vila Flor

5.ª edição da Rota do Corço regressa a Vilar do Monte, em Macedo de Cavaleiros

 A Serra de Bornes volta a ser palco da quinta edição do Trail “Rota do Corço”, que se realiza no próximo dia 22 de março, em Vilar do Monte, no concelho de Macedo de Cavaleiros.


A prova integra o campeonato distrital de atletismo e conta com um percurso de 16 quilómetros, além de uma caminhada com cerca de seis quilómetros.

Este ano, a organização preparou algumas novidades, nomeadamente um novo traçado para o percurso, como explica Nuno Pessegueiro, da Vimont, Associação Juvenil de Vilar do Monte, entidade promotora do evento:

As inscrições decorrem até 21 de março e, para já, estão confirmados cerca de 40 participantes.

A prova é aberta a atletas filiados na Federação Portuguesa de Atletismo, mas também a todos os interessados que pretendam participar a título individual.

O secretariado abre às 8h00, com a partida marcada para as 9h00, em Vilar do Monte. A chegada está prevista para as 13h00. A entrega de prémios decorrerá durante a tarde, após o almoço-convívio.

A iniciativa é organizada pela Vimont, Associação Juvenil de Vilar do Monte, em parceria com o Município de Macedo de Cavaleiros e o Geopark Terras de Cavaleiros, com apoio técnico da Associação de Atletismo de Bragança.

Inscrições AQUI.

Maria João Canadas
Fotografia: Associação Vimont

Freixo de Espada à Cinta regista aumento de dormidas com a Feira das Amendoeiras em Flor

 Freixo de Espada à Cinta recebe este fim de semana os últimos dias da Feira das Amendoeiras em Flor, que decorre no sábado e no domingo.


Segundo o presidente da Câmara Municipal, Nuno Ferreira, o certame tem tido um impacto direto na economia local, registando-se um aumento de cerca de 324 por cento nas dormidas no concelho:

Quanto às expectativas de visitantes, o autarca sublinha que a programação foi pensada para todas as faixas etárias, com o objetivo de atrair público diversificado:

Para este último fim de semana, o programa inclui várias atividades desportivas destinadas a diferentes idades. No sábado estão previstas atividades como ginástica, karaté, step, fit dance e iniciativas dirigidas também às crianças.

Já no domingo, o dia será dedicado aos jogos tradicionais, como a raiola e a malha, numa forma de preservar e valorizar as tradições populares do nordeste transmontano.

O sábado fica ainda marcado pela atuação do cantor Diogo Piçarra. A Rádio Onda Livre também estará presente no evento.

Este é o último fim de semana da Feira das Amendoeiras em Flor, um certame que junta animação cultural, gastronomia e venda de produtos locais, promovendo a tradição, a cultura e o turismo da região.

Maria João Canadas
Fotografia: C M de Freixo de Espada à Cinta

Homem detido pela GNR por furto de residências

 Um homem de 34 anos foi detido, ontem, pela GNR por posse de arma proibida, no concelho de Torre de Moncorvo.


No âmbito de uma investigação do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) de Torre de Moncorvo, desencadeada por furto em interior de residências há cerca de 11 meses, os militares da Guarda realizaram diversas diligências policiais que permitiram identificar e localizar o suspeito da prática dos crimes.

No decorrer da operação, foi dado cumprimento a dois mandados de buscas domiciliária e um mandado de busca não domiciliária em veículo, culminando na detenção do suspeito e na apreensão de diverso material, nomeadamente uma carta de condução falsa, uma arma branca, quatro munições de calibre 6,35 mm e sessenta e uma notas de Cruzeiro emitidas pelo Banco Central do Brasil, com um valor total de 354 Cruzeiros.

Glória Lopes

Prisão preventiva para homem detido por tráfico de droga e arma proibida em Bragança

 O detido foi presente ontem à autoridade judiciária, tendo-lhe sido aplicada a medida de coação mais gravosa


Um homem foi detido, na quarta-feira, pela suspeita da prática dos crimes de tráfico de estupefacientes e detenção de arma proibida, no âmbito de uma ação de fiscalização rodoviária, em Bragança. Ficou em prisão preventiva.

O Comando Distrital de Bragança da PSP de Bragança explicou que no decurso da intervenção policial, “o suspeito, ao aperceber-se de que seria sujeito a fiscalização, evidenciou nervosismo, colocou novamente o veículo em funcionamento e tentou abandonar o local da fiscalização, tendo sido de imediato interpelado e abordado pelos polícias”, refere, em comunicado.

Segundo a mesma fonte, foram apreendidas substâncias suspeitas de serem produto estupefaciente, que, após quantificação, correspondiam a 527,8 doses individuais de heroína e 340,75 doses individuais de cocaína. Foram ainda apreendidos diversos objetos, como um cabo de madeira, uma foice, uma caixa com ferramentas, um pé de cabra, entre outros. “Por não ter sido apresentada prova da sua legítima aquisição, circunstância que suscitou fundada suspeita quanto à eventual proveniência ilícita, motivo pelo qual foram recolhidos para averiguação”, partilhou.

Das diligências policiais subsequentes, foi ainda apreendida uma arma de fogo modificada, vulgo “caçadeira de canos serrados”, municiada com dois cartuchos na câmara, bem como quatro munições.

De acordo com a mesma nota, foram ainda apreendidos diversos elementos suscetíveis de estabelecer conexão entre o suspeito e a alegada atividade de tráfico de estupefacientes, designadamente dispositivos e substâncias normalmente associados à preparação, acondicionamento e operacionalização dessa prática ilícita.

O detido foi presente ontem à autoridade judiciária, tendo-lhe sido aplicada a medida de coação mais gravosa, a prisão preventiva.

Escrito por rádio Brigantia
Jornalista: Rita Teixeira

Município de Bragança aumenta apoios às coletividades desportivas para quase meio milhão de euros

 Em relação ao ano passado, o apoio aumentou mais de 30%. Passou de cerca de 382 mil euros para quase 500 mil


O município de Bragança assinou, ontem à tarde, protocolos de colaboração com coletividades desportivas do concelho. Em relação ao ano passado, o apoio aumentou mais de 30%. Passou de cerca de 382 mil euros para quase 500 mil.

O Grupo Desportivo de Bragança é a coletividade que mais recebe. O apoio ao clube passou de 90 para 97 mil euros. O presidente, Paulo Afonso, considera que esta é uma ajuda preciosa, mas um clube do interior tem muitos encargos e, por isso, era necessário ainda mais.

“120.000 euros no mínimo era o valor ideal. Formação e tudo. A gente sabe que nós temos despesas com os seniores. É para diluir no clube em si, é para todas as despesas que o clube tem. Nós estamos a 100 km de Vila Real, estamos a 200 km do Porto e de Guimarães, portanto nós estamos sempre a correr para o mesmo lado. Enquanto ali na zona de Guimarães os clubes estão ali a 20 ou 30 km uns dos outros, nós estamos sempre no mínimo a 100 km. Em termos de deslocação é terrível. A maior despesa que nós temos são basicamente deslocações”, disse.

Segundo a presidente da câmara, Isabel Ferreira, este ano foram apoiadas 30 coletividades, mais três do que no ano passado, já que o número de pedidos de apoio tem crescido.

“Há mais candidaturas, a intensidade é maior, não só porque há mais associações e mais clubes que surgem e que depois se candidatam, mas também notamos que naturalmente as associações e os clubes que já estão há mais tempo, eles próprios também vão consolidando as suas atividades e sendo mais ambiciosos nos seus planos de atividades”

Os apoios variam entre os 300 e os 97 mil euros. São calculados com base em diversos critérios. “Há uma avaliação do mérito e há também uma avaliação de adequação ao plano de trabalho, mas isso tudo foi acautelado já nas grandes opções aprovadas para o orçamento deste ano. Há uma grelha toda Excel com todos os critérios para chegarmos depois a esta distribuição. Depois depende também das grandes atividades que cada um queira realizar.”

Os protocolos de colaboração para a atribuição de apoios municipais a coletividades desportivas do concelho foram assinados ontem. Foram contempladas 30 coletividades, num total de cerca de meio milhão de euros.

Escrito por Rádio Brigantia.
Jornalista: Carina Alves

Comando Distrital da PSP de Bragança celebra 150 anos com protocolo de segurança

 A cerimónia incluiu a assinatura de um protocolo de mobilidade e segurança com o município. O acordo prevê também reforçar a segurança noturna, com a instalação de câmaras de videovigilância pela cidade


A PSP de Bragança celebrou, ontem, os 150 anos do Comando Distrital.

A cerimónia incluiu a assinatura de um protocolo de mobilidade e segurança com o município.

O acordo prevê também reforçar a segurança noturna, com a instalação de câmaras de videovigilância pela cidade. O comandante Rui Rocha e Silva explica a importância desta medida.

“Nesta fase estamos a fazer a avaliação criteriosa dos índices de criminalidade, portanto isto não pode ser generalizado à cidade toda, nós temos de fazer o estudo das zonas onde efetivamente é mais pertinente a colocação de câmaras. Isto é uma ferramenta que é bastante importante, quer do ponto de vista da segurança passiva e depois a segurança ativa. Isto tem a ver com prova. Se a videovigilância serve como meio de prova, permite identificar os infratores ou os criminosos e levá-los à justiça. Servindo como prova, a justiça é mais efetiva”, explicou.

Este protocolo foi anunciado no ano passado, aquando das comemorações dos 149 anos da PSP, mas só agora foi assinado. O comandante adiantou ainda que estão, agora, a fazer a avaliação dos índices de criminalidade para procederem “logo que possível” à instalação da videovigilância.

Aos jornalistas Rui Rocha e Silva destacou ainda a necessidade de mais recursos humanos no comando distrital da cidade.

“Efetivamente, os meios nunca são aqueles que nós gostaríamos. Ou seja, aquilo que nós fazemos diariamente é uma gestão muito criteriosa daquilo que temos, indo de encontro, obviamente, às expectativas legítimas dos cidadãos. Nós neste momento estamos na ordem dos 180. Precisávamos de mais gente, mais policias”, disse acrescentando que o ideal seria mais 50 efetivos permitindo-lhes “ter uma margem de manobra muito, muito maior”. “O nosso papel em termos locais é efetivamente tentar atrair polícias para esta missão que é essencial”, frisou destacando que a idade média do efetivo é de cerca de 52 anos.

No que toca à criminalidade, os números mantêm-se “muito estáveis”. “Obviamente que nós também temos uma cota à parte neste processo, mas essencialmente pela própria dinâmica da sociedade que assim permite, que é uma cidade pacata, bem organizada, que as pessoas têm princípios de cidadania bem enraizados e, portanto, tudo joga a favor de que, efetivamente, a criminalidade não tenha aumentado”

O diretor nacional da PSP, Luís Carrilho, também marcou presença na cerimónia. Confrontado com os recentes casos de violência na esquadra do Rato, em Lisboa, garantiu que “ninguém está acima da lei”.

“Enquanto diretor nacional, gostaria que houvesse zero alegações. É utópico pensar que assim poderá ser. Quando surgem estas alegações, não as escondemos. E violações dos direitos do homem em forças de polícia existem em todos os países do mundo. Nos países onde há um Estado de Direito Democrático, como é o nosso Portugal, estas alegações são devidamente investigadas até à sentença transitada em julgado. Até lá há a presunção do da inocência. O grau de tolerância para alegações de má conduta da parte das forças policiais, como é natural, é zero”, frisou.

A cerimónia solene que festejou os 150 anos do comando distrital da PSP De Bragança decorreu, ontem, no auditório Paulo Quintela em Bragança. Mas os festejos não ficam por aqui. Dia 15 de março terá lugar a Corrida Solidária aberta à população.

Escrito por Rádio Brigantia.
Jornalista: Cindy Tomé

Autarca de Freixo de Espada à Cinta integra órgão do Conselho da Europa

 Nuno Ferreira, foi nomeado membro efetivo da Câmara dos Poderes Locais do Congresso das Autoridades Locais e Regionais do Conselho da Europa, para o mandato 2026-2030


O presidente da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, Nuno Ferreira, foi nomeado membro efetivo da Câmara dos Poderes Locais do Congresso das Autoridades Locais e Regionais do Conselho da Europa, para o mandato 2026-2030, integrando a representação portuguesa neste organismo europeu.

O autarca Nuno Ferreira refere a mais-valia desta nomeação. “Desde já é um orgulho tremendo representar o país fora de portas e no Parlamento Europeu, do Conselho da Europa. É um orgulho que acrescenta mais responsabilidade. A diferença que pode fazer é de trabalhar ainda mais em prol de Portugal, mas sobretudo desta região que é o Douro e que é Trás-os-Montes e também, como é óbvio, o concelho de Freixo de Espada à Cinta. E aquilo que eu irei fazer é cumprir com o desígnio da nomeação para levar a bom porto a responsabilidade tão elevada que me foi atribuída e que eu espero fazer tal e qual como faço como Presidente de câmara, porque é no poder local que reside, efetivamente, a essência do conhecimento e levar a cabo tudo aquilo que nós planeamos, planificamos e que escutamos.”

Esta nomeação vai reforçar a presença do poder local português nos espaços internacionais de decisão onde são debatidos temas fundamentais como a governação democrática, a coesão territorial, a sustentabilidade e o desenvolvimento da região.

A participação permitirá também fortalecer a cooperação entre municípios europeus, promover a partilha de boas práticas e dar maior visibilidade ao papel das autarquias na construção de políticas públicas mais próximas dos cidadãos.

Escrito por Rádio Brigantia.
Jornalista: Rita Teixeira

𝐅𝐄𝐈𝐑𝐀 𝐃𝐀 𝐁𝐎𝐋𝐀 𝐃𝐎𝐂𝐄 𝐄 𝐃𝐎𝐒 𝐏𝐑𝐎𝐃𝐔𝐓𝐎𝐒 𝐃𝐀 𝐓𝐄𝐑𝐑𝐀

 Nesta edição da Feira da Bola Doce e dos Produtos da Terra, o palco vai vibrar com dois concertos que não vai querer perder:

✔ Vizinhos - Dia 2 de abril 
✔ Luís Trigacheiro - Dia 4 de abril

𝐅𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐝𝐚 𝐀𝐦𝐞𝐧𝐝𝐨𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐞𝐦 𝐅𝐥𝐨𝐫 – 𝟖 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐫ç𝐨

 O segundo fim de semana da Feira da Amendoeira em Flor continua com um programa cheio de tradição, convívio e animação. Convidamos toda a população a participar nas atividades preparadas para este dia! 

10h00 – Torneio da Raiola - Espaço Multiusos 
14h00 – Torneio da Malha - Rua Vale de Madeira

Um dia dedicado aos jogo tradicionais que promete momentos de convívio e competição saudável.

Durante a tarde, convidamos toda a população a assistir ao 1.º Encontro de Bombos, um momento cheio de ritmo, tradição e energia que promete animar o recinto da feira. 

Venha celebrar connosco a cultura e as tradições do nosso concelho e desfrutar de mais um dia especial da Feira da Amendoeira em Flor.

Feira do Pão de Caçarelhos

 Está convidado para a 28 e 29 de Março descobrir o delicioso pão feito de forma artesanal, em forno a lenha, na Feira do Pão de Caçarelhos no concelho de Vimioso, ao mesmo tempo que saboreia o afamado fumeiro da Terra Fria ou a saborosa doçaria local.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Há reencontros que parecem fazer recuar o tempo


 Ao longo da vida, cruzamos caminhos com muitas pessoas, mas poucas deixam marcas tão profundas como os nossos professores. Hoje, olhando para trás, sinto um impulso grande e sincero de agradecer, de agradecer verdadeiramente, a todos aqueles que, desde a escola primária até ao secundário, moldaram a pessoa que sou. Este texto é, por isso, uma homenagem, um gesto de respeito e de gratidão eterna. Não mencionarei nomes para não correr o risco de me esquecer de algum ou alguma.

Recordo-me da escola primária como quem revisita uma caixa de memórias guardada com carinho. Ali encontrei os primeiros mestres, aqueles e aquelas que nos seguravam a mão enquanto aprendíamos a pegar num lápis, a juntar sílabas, a descobrir o mundo letra a letra. Foram eles e elas que nos ensinaram mais do que histórias e palavras. Ensinaram-nos a ter paciência, a partilhar, a esperar a nossa vez, a reconhecer o valor do esforço e a sentir orgulho nas pequenas vitórias. Sei hoje que a beleza dessa fase da vida é, em grande parte, obra deles e delas. O seu olhar atento, a sua dedicação, a forma como sabiam transformar o medo em curiosidade e a insegurança em descoberta foram presentes que ficaram para sempre.

Depois vieram outros professores, cada um com o seu estilo próprio, alguns exigentes, outros doces, outros ainda rigorosos, mas todos marcados por uma vontade genuína de nos ver crescer. Foi com eles que começámos a compreender que o mundo era maior do que imaginávamos, cheio de histórias, de ciência, de números que se encaixavam como puzzles e de palavras que, quando bem usadas, podiam mudar tudo. Eram tempos de novas amizades, do despertar de sonhos, de perguntas sem fim. Havia sempre um professor pronto a orientar, a desafiar, a puxar por nós. Quanto lhes devo por isso.

Mais tarde, com a turbulência própria da idade e a ansiedade do futuro a bater à porta, foram novamente os professores que nos ajudaram a atravessar essa ponte. Ensinaram-nos a pensar por nós próprios, a defender ideias, a duvidar, a investigar, a procurar o nosso lugar no mundo. Muitos deles foram mais do que educadores, foram exemplos de humanidade, de caráter, de paixão pelo conhecimento. As aulas deixavam marcas que nos ajudavam a decidir fora da Escola.

É impossível falar desta viagem sem recordar com saudade os colegas, aqueles que cresceram connosco, que partilharam cadernos, gargalhadas, dificuldades, segredos e cumplicidades. Fomos uma geração que aprendeu, pouco a pouco, a ser solidária. Entre trabalhos de grupo, recreios, jogos de futebol, mesas de matraquilhos,testes e dramas adolescentes, fomos descobrindo o valor da entreajuda, da amizade verdadeira, da união em momentos bons e menos bons. Crescemos juntos, e esse “juntos” permanece mesmo quando os caminhos se separam.

Hoje, quando penso em tudo isso, sinto uma gratidão imensa. Gratidão por cada professor que acreditou em mim, mesmo quando eu próprio duvidava. Gratidão por cada palavra de incentivo, por cada gesto de paciência, por cada lição dada com alma e coração. Gratidão pelos valores que me transmitiram, o respeito, a curiosidade, o sentido de responsabilidade, o desejo de aprender sempre mais. São tesouros que trouxe comigo para toda a vida.

A todos os meus professores, de todas as fases da minha formação, deixo este agradecimento sentido e profundo: vocês foram e continuam a ser parte essencial da minha história. Não há tempo que apague aquilo que construíram em mim. A vocês, o meu respeito e o meu agradecimento eterno.

E aos meus colegas, aos amigos que cresceram ao meu lado, deixo a saudade, aquela saudade boa, que não dói, mas aquece. Saber que fizemos parte de algo maior, de uma geração que aprendeu a ser solidária, é um privilégio raro.

Que este texto seja, então, um abraço escrito. Um tributo àquilo que fomos e àquilo que nos ajudaram a ser.

Obrigado a Todos!

HM
Março de 2026

ULSTMAD FORMA NOVA GERAÇÃO DE FARMACÊUTICOS ESPECIALISTAS EM TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

 A Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD) está a afirmar-se como um polo estratégico de formação avançada no interior do país, ao integrar, desde 2023, Farmacêuticos Residentes no âmbito do programa de Residência Farmacêutica, uma nova etapa de qualificação e desenvolvimento profissional no seio do Serviço Nacional de Saúde (SNS).


A iniciativa representa um marco relevante para a região de Trás-os-Montes e Alto Douro, reforçando a capacidade técnica das unidades de saúde e promovendo a fixação de profissionais altamente qualificados no território.

O arranque do programa na ULSTMAD traduziu-se na ocupação de 12 vagas, distribuídas por duas áreas fundamentais: Farmácia Hospitalar e Análises Clínicas

Ambas as formações têm a duração de 48 meses (quatro anos), assegurando um percurso exigente, estruturado e alinhado com as necessidades atuais do sistema de saúde.

Este investimento formativo permite consolidar competências técnicas diferenciadas e fortalecer a resposta hospitalar e laboratorial numa região onde a proximidade e a qualidade dos cuidados assumem particular importância.

PRIMEIROS ESPECIALISTAS EM 2027

O ano de 2027 ficará assinalado como um momento histórico para a instituição: será nessa altura que a ULSTMAD contará com os primeiros Farmacêuticos Especialistas formados integralmente no âmbito da Residência Farmacêutica.

Este feito posiciona a unidade como referência formativa no interior Norte e contribui para reduzir assimetrias regionais no acesso a profissionais especializados.

Mais do que formação académica, os residentes têm vindo a desempenhar um papel ativo na melhoria dos cuidados prestados à população.

Entre os projetos já implementados com o seu contributo destacam-se: Dispensa em proximidade, facilitando o acesso à medicação; Consulta farmacêutica, reforçando o acompanhamento individualizado do doente; Reconciliação terapêutica, promovendo maior segurança na transição de cuidados.

Os farmacêuticos residentes têm igualmente participado e partilhado conhecimento em iniciativas institucionais, como as Jornadas de Psiquiatria e de Diálise, entre outras ações científicas e clínicas promovidas na região.

REFORÇO INSTITUCIONAL E VALORIZAÇÃO DA PROFISSÃO

O programa desenvolve-se em articulação com a Ordem dos Farmacêuticos e com a Ordem dos Farmacêuticos – Secção Regional do Norte, consolidando um modelo formativo que aproxima a prática clínica da investigação e da inovação em saúde.

Num território marcado pelo desafio demográfico e pela necessidade de atrair e reter talento qualificado, a aposta da ULSTMAD na Residência Farmacêutica traduz-se numa estratégia clara: elevar a qualidade dos cuidados, valorizar os profissionais e reforçar o papel do interior no panorama nacional da saúde.

Trás-os-Montes e Alto Douro ganha, assim, não apenas novos especialistas, mas um futuro mais sólido na prestação de cuidados diferenciados à sua população.

A Redação,
Fotos: DR

NORCYL 2027: NOVO PROJETO TRANSFRONTEIRIÇO PROMETE REFORÇAR COESÃO E ESPECIALIZAÇÃO NA REGIÃO NORTE-CASTELA E LEÃO

 A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR NORTE) viu aprovada a candidatura ao projeto NORCYL 2027, no âmbito do Programa de Cooperação Transfronteiriça INTERREG VI-A Espanha–Portugal (POCTEP) 2021–2027, com um financiamento FEDER de 656.095,40 e um custo total elegível de mais de 800 mil euros. Este projeto, que decorre até dezembro de 2028, conta com a Junta de Castilla y León como beneficiário principal e a CCDR NORTE como parceira portuguesa.


Denominado “NORCYL 2027 – Gobernanza de la Comunidad de Trabajo NORCYL”, o projeto visa reforçar a governação transfronteiriça, removendo barreiras legais e administrativas e promovendo a cooperação entre administrações públicas, cidadãos e sociedade civil.

Esta iniciativa pretende dinamizar instrumentos existentes, como a estratégia RIS3T e o Observatório Transfronteiriço, e criar redes e consórcios estratégicos em setores como cultura e formação profissional, fortalecendo a coesão territorial, social e económica do espaço NORCYL, consolidando a cooperação entre Portugal e Espanha.

Jornalista: Luís Eduardo Lopes
Foto: CCDR – Norte