(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)
Todas as manhãs vou visitar a cerejeira que guarda a entrada da minha casa.
Durante todo o inverno repousou… silenciosa, quase moribunda…
Mas o sol, sempre o sol, regressa na sua viagem interminável, a caminho da Senhora da Serra, onde vai descansar… e nunca se esquece.
E a cerejeira desperta… veste-se de branco, como noiva eterna da Primavera.
Eu, cabouqueiro das palavras, descanso… penso na vida… sentado à porta…
Sei que um dia partirei… mas a cerejeira ficará, paciente, à espera do branco e do vermelho do fruto.
Sem que eu as chame, chegam de longe centenas de abelhas… não as convidei para o labor urgente de fecundar o que há de ser cereja… doce promessa de verão…
Mas elas madrugam, incansáveis, oferecendo o seu trabalho sem nada pedir…
E eu, em repouso, assisto ao milagre:
em breve haverá mel, cerejas e a natureza no seu mais pleno esplendor.
Obrigado, abelhas.
Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança.
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.


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