Isso mesmo defendeu Agostinho Beça, técnico do Município de Mirandela, durante um seminário técnico científico sobre a alheira, iniciativa inserida na programação do certame que voltou a promover e a divulgar o famoso enchido de fumeiro, que tem acumulado dezenas de prémios nos últimos 15 anos. A tradição é a alma dos nossos produtos, mas é a ciência que garante a sua qualidade, autenticidade, segurança alimentar e futuro nos mercados”, defende. Pelo que, a aposta em painéis de provadores qualificados e em salas próprias para análise sensorial “é um passo decisivo para valorizar o que é nosso, com critérios rigorosos e credibilidade comprovada”, acrescenta.
Mas, afinal como se consegue distinguir uma boa de uma má alheira? “Neste momento, pura e simplesmente, não se distingue”, afirma. “Porque é tudo baseado num gosto pessoal, o que só por si não é suficiente para afiançar que aquela alheira obedece a estes padrões que previamente são estabelecidos”, justifica.
Para Agostinho Beça, este é um método “muito mais rigoroso e fiável” do que os habituais galardões atribuídos por votações telefónicas ou inquéritos na internet, onde não há controlo técnico, formação dos avaliadores, ou qualquer base científica. “Não queremos prémios de populismo, queremos prémios de qualidade, com provas e com ciência. Chega de prémios sem critério. A nossa alheira merece mais. Merece ciência, merece rigor, merece verdade, merece verdade e merece que todos caminhemos juntos”, refere o técnico do Município.
Agostinho Beça explica que os painéis de provadores e a sala de análise sensorial “garantem uma avaliação objetiva e imparcial dos produtos, as pessoas recebem formação para identificar atributos como textura, aroma, sabor e aspeto e dessa forma permite detetar defeitos e assegurar a conformidade com o caderno de especificações da Alheira de Mirandela IGP, por exemplo. Não basta provar por provar. É preciso saber provar, com método e rigor”, diz.
Uma sala equipada “garante condições controladas, fiabilidade dos resultados e o ambiente adequado para provas cegas, sem influências externas”, acrescenta.
Agostinho Beça adianta que esta ideia está a ser “amadurecida” entre o Município e outras entidades. “Caberá à Confraria da Alheira de Mirandela, enquanto guardiã da tradição e do património imaterial, e à Associação Comercial e Industrial de Mirandela, na qualidade de entidade gestora da certificação Alheira de Mirandela IGP, acolherem e abraçarem este projeto, porque são estas organizações que, no terreno, podem transformar a visão em prática, garantindo que a análise sensorial passa a integrar, de forma estruturada e permanente, os processos de qualificação e promoção dos nossos produtos”, refere.
A criação destes painéis de provadores e salas de análise sensorial pode não ser exclusivo para a alheira, mas aplicado também a outros produtos como a pasta de azeitona, a alcaparra, o mel, o queijo e muitos outros produtos tradicionais que podem ser sujeitos a este tipo de testagem ou estabelecimento de padrões.
Recorde-se que, na abertura da feira da alheira deste ano, o vice-presidente da CCDRN, Paulo Ramalho, já tinha revelado que o novo polo de Inovação Agrícola que está a nascer na Quinta do Valongo, terá um espaço dedicado a vários produtos, entre eles a alheira.
A obra já está a decorrer e contempla a instalação da Sala de Análise Sensorial, para diferentes produtos locais, no edifício do Laboratório, que terá também outras valências, nomeadamente na área da microbiologia.

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