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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 10 de março de 2026

Butelo de Vinhais: começar no Entrudo para comer ao longo do ano

 Tradicionalmente consumido com casulas, no sábado de Carnaval, o Butelo de Vinhais é um produto de fumeiro típico do distrito de Bragança. Em Rebordelo, Vinhais, a família Jesus, da Casa da Navareja, cria porcas da raça Bísaro, produz de forma tradicional e garante que a procura é constante. “Da Terra à Mesa” é um projeto Boa Cama Boa Mesa que dá a conhecer os produtos portugueses a partir de histórias inspiradoras e de sucesso, desde a produção até ao consumidor, em casa ou no restaurante.

Produzido “a partir de carne, gordura, osso e cartilagem provenientes das costelas e coluna vertebral de porcos da raça Bísara ou com 50% de sangue Bísaro”, o Butelo de Vinhais IGP é um enchido cuja “área geográfica de transformação engloba apenas o distrito de Bragança”, segundo a Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural.

Em 1998, em Rebordelo, freguesia do município de Vinhais, Ana Maria Jesus e José Alberto Jesus, agora com 52 anos, começaram a produção de porco Bísaro, a qual lhes garante um apoio extraordinário por serem produtores de uma raça autóctone. “Em 2001 começaram a produção do fumeiro para venda e foi o primeiro ano em que foram à Feira do Fumeiro de Vinhais”, conta Maria Eduarda Jesus, 28 anos, a filha mais velha do casal que, com a irmã Mariana Jesus, 21, também está envolvida no negócio da família, a Casa da Navareja. Atrair os jovens agricultores e facilitar o desenvolvimento das empresas nas zonas rurais é um dos objetivos da PAC para o período compreendido entre 2023-2027, bem como promover o emprego, o crescimento, a igualdade de género, a inclusão social e o desenvolvimento local nas zonas rurais.

Casa da Navareja

E “começaram logo a fazer os produtos certificados”, diz, como o chouriço azedo, a chouriça de carne, o salpicão e, claro, o butelo, entre outros. A produção da Casa da Navareja inicia em dezembro, “quando começam as primeiras geadas”, e decorre até março, coincidindo com as temperaturas mais frias. “A nossa cozinha regional não está preparada para nada que não seja natural. O fumeiro é seco ao lume e ao ar”, justifica Eduarda.

Além da loja, também em Rebordelo, com fumeiro e outros produtos regionais, costumam marcar presença em feiras em vários pontos do país. “Vendemos mais produto porque vamos à procura disso, mas a quantidade está muito limitada à nossa produção”, que é pequena. As porcas em causa alimentam-se de “cabaças, maçãs, nabos, centeio e castanhas, na respetiva época”.

Casa da Navareja

Butelo e casulas, uma dupla de sucesso

“Antigamente, o porco era um sustento muito grande de uma família transmontana. O butelo era feito nesta altura e guardado até ao Carnaval, mesmo que não houvesse mais nada para comer”, explica Maria Eduarda, referindo que essa tradição se mantém até aos dias de hoje. De acordo com a Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, “a história do Butelo de Vinhais IGP está intimamente ligada à importância que a criação de suínos na região assumiu desde tempos imemoriais, de que são testemunho as inúmeras estátuas e monólitos evocativas dessa criação espalhados por toda a região, bem como os muitos registos escritos em arquivos municipais relativas à tributação de suínos e de produtos deles oriundos.”

Tipicamente feito “na tripa da bexiga”, o butelo “era um dos enchidos produzidos para minimizar os desperdícios do porco”. Leva costelas, “partidas em pedacinhos pequenos”, e as carnes menos nobres, “como a da mão, com os tendões”. É temperado com vinho tinto, água, loureiro, alho e colorau e comumente consumido cozido com casulas, cascas de feijão verde secas ao sol.

A sustentabilidade social, ambiental e económica na agricultura e nas zonas rurais são linhas orientadoras da PAC - Política Agrícola Comum que, em Portugal, tem como objetivos principais valorizar a pequena e média agricultura, apostar na sustentabilidade do desenvolvimento rural, promover o investimento e o rejuvenescimento no setor agrícola a a transição climática no período 2023-2027.

“Da Terra à Mesa” é um projeto Boa Cama Boa Mesa que dá a conhecer os produtos portugueses a partir de histórias inspiradoras e de sucesso, desde a produção até ao consumidor, em casa ou no restaurante.

Teresa Castro Viana

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