Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 14 de março de 2026

De Gimonde para o mundo, uma família deu nova vida ao porco bísaro

 O primeiro comércio da aldeia de Gimonde, em Bragança, foi o ponto de partida para a criação da Bísaro - Salsicharia Tradicional, marca reconhecida pela qualidade dos seus produtos de porco transmontano. Alexandrina Fernandes faz parte da terceira geração desta empresa familiar e promove a sua matriz identitária a nível nacional e internacional. “Da Terra à Mesa” é um projeto Boa Cama Boa Mesa que dá a conhecer os produtos portugueses a partir de histórias inspiradoras e de sucesso, desde a produção até ao consumidor, em casa ou no restaurante.

Localizemo-nos no tempo: 1935. E no espaço: Gimonde, em pleno Parque Natural de Montesinho, Bragança, onde a Bísaro - Salsicharia Tradicional nasceu, cresceu e se tornou o que é hoje. “A empresa foi fundada pelos meus avós, que saíram de Carção, no município de Vimioso, e abriram o primeiro comércio da aldeia, com produtos agrícolas, e uma pequena área de refeições. A minha avó era uma excelente cozinheira”, conta Alexandrina Fernandes, 40 anos, atual responsável, com o irmão, Alberto João Fernandes, 39, ambos jovens agricultores, e o pai, Alberto António Fernandes.

“O meu pai foi estudar zootecnia na UTAD, em Vila Real, e ficou com o bichinho do porco. Na altura tinha amigos que eram veterinários e que lhe falaram que a raça bísara estava praticamente extinta e que era importante tentar preservá-la.” Nos anos 70, chegaram a ter um matadouro de porco, “quer bísaro, quer porco normal”, e abriram um talho em Bragança, “a pedido de várias pessoas que visitavam a taberna e provaram os enchidos que a minha avó fazia”, lembra.

Porco Bísaro

Depois, começou o boom da grande distribuição e a Bísaro forneceu “o primeiro continente que abriu em Portugal, em Matosinhos”, há 37 anos. O fumeiro ganhou fama, as solicitações aumentaram e a solução passou por “transformar o matadouro numa unidade de produção maior”, já nos anos 2000. “Começámos a fornecer grandes superfícies e lojas gourmet em todo o país, a ter pedidos para exportação e os chefs de cozinha passaram a valorizar cada vez mais o produto.” Não só os enchidos, como a alheira, a chouriça, o butelo, a chouriça de sangue, o azedo, o cachaço, o lombo e o salsichão, mas também a carne fresca, como os secretos, os lombinhos e as plumas de porco. “Tivemos um chef a pedir-nos apenas sangue, já desenvolvemos carne maturada de porco para o chef Nuno Mendes”, acrescenta Alexandrina.

“Não deixar cair a matriz identitária da nossa empresa, que sempre foi a terra, a nossa região, o nosso ambiente” é a missão da Bísaro e, por isso, todos os anos, organizam uma matança do porco de forma tradicional, para clientes e parceiros. “Temos tecnologia de equipamentos de frio e de enchimento, mas o receituário e o modo de fazer é o mesmo que antigamente.” A empresa mantém-se no mesmo local e as duas explorações de animais em nome próprio, a um quilómetro. “Temos tido apoios. Quando eles existem, temos que aproveitar, porque existem para valorizar os territórios.”

Porco Bísaro

Bísaro, o porco musculado de orelhas compridas

O porco bísaro é um porco comprido – “alguns chegam a ter um metro e vinte de comprimento” –, com umas orelhas muito compridas, e “há também quem diga que tem mais uma costela do que as outras raças e é, por isso, muito procurado para leitão”. Alimentado com produtos da região e em função da época do ano – “nesta época, podemos dar beterrabas, couves”, é também um grande consumidor de castanha, um dos produtos endógenos da região, conferindo um sabor “mais adocicado” à carne.

“O território onde este porco é criado é diferente. É uma zona muito acidentada e o próprio terreno obriga o animal a fazer um esforço muito maior do que um porco que é criado, por exemplo, no Alentejo, em que é basicamente tudo planície”, elucida Alexandrina.

Segundo a Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, a criação de porcos bísaros assume uma importância determinante “para a manutenção dos sistemas de produção tradicionais”, mas também para a economia familiar das pequenas explorações. Com a produção limitada aos distritos de Bragança e Vila Real e com a certificação de Denominação de Origem Protegida, a Carne de Bísaro Transmontano/ Carne de Porco Transmontano DOP tem contribuído para a proteção da biodiversidade, preservando os habitats e as paisagens, e para um melhoramento da oferta de produtos alimentares seguros, nutritivos e sustentáveis, em conformidade com as diretrizes da Política Agrícola Comum para o período compreendido entre 2023 e 2027.

Porco Bísaro

A sustentabilidade social, ambiental e económica na agricultura e nas zonas rurais são linhas orientadoras da PAC - Política Agrícola Comum que, em Portugal, tem como objetivos principais valorizar a pequena e média agricultura, apostar na sustentabilidade do desenvolvimento rural, promover o investimento e o rejuvenescimento no setor agrícola e a transição climática no período 2023-2027.

“Da Terra à Mesa” é um projeto Boa Cama Boa Mesa que dá a conhecer os produtos portugueses a partir de histórias inspiradoras e de sucesso, desde a produção até ao consumidor, em casa ou no restaurante.

Teresa Castro Viana

Sem comentários:

Enviar um comentário