“É viável, claro que sim. É um produto típico, é um produto nacional, portanto acho que tem toda a lógica”, acredita o docente do IPB, acrescentando que, “neste tipo de iniciativas, o seu desfecho será uma questão de trabalho e de organização, mas é possível e estamos disponíveis para ajudar”.
Declarações de Vasco Cadavez, à margem do seminário técnico inserido na programação da recente Feira da Alheira que pretendeu “divulgar os trabalhos que temos desenvolvido no âmbito da qualidade e segurança dos produtos tradicionais, especificamente para a Alheira de Mirandela, para a linguiça e para os enchidos fermentados”, explica o docente. “Temos tido alguns projetos de investigação internacionais, debruçamo-nos sobre estas matérias, portanto, na verdade, quisemos trazer o nosso conhecimento para os produtores”, sublinha.
No entanto, o Docente e investigador do IPB admite que ainda existe uma certa “resistência” por parte das empresas da fileira da alheira em procurar obter maior conhecimento científico. “Temos feito o nosso trabalho no âmbito da investigação e sempre que temos projetos envolvemos as empresas connosco, mas julgo que faz falta um pouco mais de dinâmica das próprias empresas procurarem o conhecimento e procurarem esse conhecimento para ajudar a resolver problemas e a garantir a segurança dos produtos e a qualidade também. Portanto, estamos disponíveis e julgo que é muito importante que as empresas procurem mais a ciência”, afirma Vasco Cadavez.
“A nossa equipa, ou outras equipas”, ressalva. O docente do IPB encontra razões “culturais” para justificar esta resistência dos empresários do setor, porque “as pessoas estão habituadas a trabalhar de uma certa forma e trabalham assim”, e dá exemplos: “há culturas onde os produtos para serem colocados no mercado têm que ter bases científicas sólidas, mas nós temos uma cultura mais tradicional e, portanto, as pessoas acham que não têm necessidade e fazem as coisas como sempre faziam”, adianta.
Ainda assim, Vasco Cadavez reforça que “existe informação e conhecimento que os pode ajudar e isso é que era importante que os produtores se apercebessem que há quem possa ajudá-los a ter um produto mais homogéneo, um produto mais estável, microbiologicamente, por exemplo, e isso é relevante”, conclui.
O CIMO do IPB a mostrar total disponibilidade para ajudar os produtores de alheiras a melhorar a qualidade do enchido de fumeiro.

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