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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 10 de março de 2026

Um ano de Mogadouro cidade

 Passou um ano desde que a vila de Mogadouro foi elevada à categoria de cidade, numa decisão aprovada por unanimidade pela Assembleia da República a 13 de março de 2025. Doze meses depois, o presidente da câmara municipal faz um balanço marcado por investimento público, novos equipamentos culturais e sinais de maior interesse pelo território por parte de investidores.


Para António Pimentel, o impacto da elevação a cidade foi imediato e tem contribuído para reforçar a visibilidade do concelho. “Para além do facto histórico que representa, temos vindo a assistir a uma grande procura de Mogadouro para investir”, afirmou o autarca.

Segundo disse ainda, este novo estatuto ajudou a “projetar” o território “a nível nacional” e a criar oportunidades concretas de desenvolvimento. Entre os sinais dessa nova dinâmica está o interesse de investidores, sobretudo no setor turístico. Um dos projetos em andamento é a instalação de um hotel no antigo edifício que alojou os serviços do Ministério da Agricultura e Pescas, cujo projeto já foi anunciado publicamente. Além disso, o autarca revelou que também o hotel de Castelo Branco foi recentemente negociado por um investidor estrangeiro, o que poderá permitir retomar e concluir a obra. “Foi negociado por um investidor francês que naturalmente projeta também a conclusão do projeto”, explicou.

A aposta no turismo surge como uma das áreas onde o interesse empresarial se tem manifestado com maior intensidade. Mas, de acordo com António Pimentel, também têm existido contactos com investidores internacionais, incluindo empresários brasileiros interessados em avaliar oportunidades no concelho. “Há um investidor interessado numa plataforma logística, embora tenha havido apenas uma primeira abordagem”, adiantou.

Na opinião do presidente, a criação de novas unidades hoteleiras poderá responder a uma necessidade já identificada no território, a falta de capacidade de alojamento. “Uma das coisas que dificulta o crescimento económico de Mogadouro é a ausência de equipamentos de alojamento. Com estas duas unidades hoteleiras, Mogadouro ficará melhor preparado para responder às necessidades de quem nos visita”, disse.

Ao longo deste primeiro ano enquanto cidade, o município tem também apostado no reforço da oferta cultural e na criação de novos equipamentos. Entre os projetos mais recentes está o Centro de Arte Contemporânea Manuel Barroco, inaugurado no final de fevereiro, dedicado à obra do escultor natural do concelho. No mesmo dia foi ainda lançada a primeira pedra do futuro Museu de Mogadouro, um projeto municipal pensado para valorizar o património histórico, arqueológico e etnográfico da região, que ficará localizado junto ao castelo, no centro histórico da cidade.

E, para António Pimentel, a aposta na cultura faz parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento do território. “Sempre entendi que o desenvolvimento de um território não se faz sem educação e sem cultura e um dos fatores que contribuiu decisivamente para a elevação de Mogadouro a cidade não foi certamente o número da população, mas sim a qualidade dos equipamentos”, sublinhou.

Além da cultura, a autarquia tem também desenvolvido projetos nas áreas social, desportiva e de apoio à população. Um dos exemplos é a ampliação da creche da Santa Casa da Misericórdia, apoiada pelo município, numa tentativa de responder ao aumento do número de famílias jovens. De acordo com o presidente, o crescimento da população mais jovem tem criado novas necessidades e “há inúmeros pais que têm de levar as crianças para outros concelhos” porque “a resposta existente não chega”. “O município está a preparar a construção de uma creche municipal caso a procura continue a aumentar”, adiantou ainda.

Apesar dos desafios associados à interioridade e à evolução demográfica, António Pimentel considera que o primeiro ano como cidade deixa sinais encorajadores, fazendo “um balanço extremamente positivo” deste tempo.

Para o autarca, o futuro do concelho dependerá sobretudo da capacidade de atrair empresas e criar emprego. “Só há uma maneira de trazer população para o território, criar emprego. E só as empresas conseguem verdadeiramente fixar os nossos jovens”, concluiu.

Um dos marcos mais visíveis deste primeiro ano foi a inauguração, em julho de 2025, das obras de requalificação do Bairro de São José e da Avenida do Sabor.

A consolidação do estatuto de cidade fez-se também pela via da programação financeira e do planeamento de novas empreitadas. Para 2026, foi apresentado um orçamento municipal acima de 34 milhões de euros, com uma componente de investimento significativa, incluindo intervenções em água e saneamento, reposição de pavimentos e ligações viárias. O conjunto de obras em curso integram projetos como O Ginásio Municipal, o Matadouro Municipal, a requalificação de antigas escolas e projetos ambientais e turísticos como o Parque Biológico ou o Centro Interpretativo do PNDI, ambos cofinanciados pelo Norte2030.

Jornalista: Carina Alves

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