O convívio era a alma da viagem. No autocarro, cantava-se, ria-se, partilhava-se o pão, o fumeiro e as histórias. Cada paragem era pretexto para uma fotografia improvisada, cada olhar cúmplice trazia a certeza de que estávamos a viver algo irrepetível.
À noite, o destino era quase inevitavelmente a discoteca, com as luzes coloridas, a música que nos embalava em passos desajeitados mas cheios de entusiasmo, e o fascínio de um tempo em que tudo parecia possível. Dançávamos até ao cansaço, e umas cubas livres eram parte da companhia… e depois vinha o regresso, com gargalhadas, canções desafinadas e o sono a pesar nos olhos. As noites eram mal dormidas, muitas vezes em quartos improvisados, mas quem se importava? A juventude não precisava de descanso, vivia-se de energia, de irreverência e da vontade de sugar o mundo todo de uma vez.
O que fica, agora, é a nostalgia. A lembrança das amizades, da alegria genuína, da sensação de estar no auge da vida, sem medos nem amarras. Foram viagens simples, sem luxos, mas carregadas daquilo que hoje vale mais… as memórias.
Foram dias em que éramos apenas jovens, e isso era tudo o que importava.

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