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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Partidos e partidários

Por: José Mário Leite
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Sendo os partidos constituídos, essencialmente, por militantes de onde emergem os quadros dirigentes e as estruturas diretivas, até que ponto estes condicionam e são condicionados por aqueles? Pode um militante ver-se constrangido na sua livre atuação pela condição de pertença a um partido e, subsequentemente, pode a atuação de um membro responsabilizar o grupo a que pertence e/ou limitar o âmbito da sua existência e atuação?

Recentemente a Sede Nacional do Partido Socialista foi alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária e do Ministério Público no intuito de obter dados, indícios e provas de irregularidades supostamente cometidas por militantes enquanto detentores de postos para os quais foram eleitos em listas daquele partido ou de ligações pessoais, familiares e de afinidades partidárias com estes. O Secretário Geral do PS, secundado por Dirigentes Nacionais do Partido vieram esclarecer que a atuação das autoridades judiciárias, pese embora o local onde aconteciam, não visavam em nada o Partido Socialista! Efetivamente nenhum dirigente era arguido, suspeito ou alvo da investigação em curso. Porém alguns dos visados eram ou foram autarcas eleitos nas listas do PS. É verdade que os cinquenta anos de democracia já vieram demonstrar que em todas as eleições, mas principalmente nas Autarquias, o nome que encabeça a lista (e, obviamente, com o devido peso, os que se lhe seguem) pode ter tanto ou mais peso, na escolha dos eleitores, que o partido que os acolhe e propões. Porém, o certo é que, formalmente, a lista é formada, certificada e confirmada pelos órgãos regionais e ratificada pelos dirigentes nacionais. E se é verdade que há casos em que o partido tem, em eleições legislativas resultados bem diversos das autárquicas, também não faltam exemplos de candidatos cuja aderência dos votantes varia significativamente de acordo com o emblema com que decide apresentar-se ao sufrágio.

A quem deve, pois, o eleito, fidelidade e a quem deve responder sobre a sua atuação?

Na mesma semana em que estas notícias apareciam na imprensa nacional, o Mensageiro de Bragança (bem como o JN) noticiavam a existência de diligências da Polícia Judiciária na Câmara Municipal de Torre de Moncorvo para investigação de procedimentos levados a cabo entre 2016 e 2022.

Em 2016 eu era Presidente da Assembleia Municipal (PAM), eleito pelo mesmo partido que detinha a Presidência da Câmara e, nesse ano, votei contra o Orçamento para 2017 e, nessa sequência, igualmente votei contra a Apresentação de Contas do município. Por tal atitude fui acusado de ter traído o partido cuja lista encabecei nas eleições anteriores.

Ora se, mesmo agora, passados tantos anos e depois de diligências havidas no passado, com igual intuito ou muito parecido, persistem dúvidas sobre a atuação correta do Executivo Municipal, na ótica do Ministério Público, não seria lógico que tais dúvidas assaltassem aquele que foi escolhido pelos munícipes, precisamente, para liderar o órgão a quem compete fiscalizar a atuação da Câmara? E, havendo tais dúvidas, não tendo sido as mesmas cabalmente esclarecidas a quem devia lealdade o PAM? A quem o escolheu para encabeçar a lista ou a quem nele confiou para a missão inerente à escolha final? O meu entendimento passou pela segunda. Reconhecendo embora que, tendo sido voluntária a minha inscrição no Partido que ajudei a fundar no concelho e cuja juventude partidária concelhia liderei nos primeiros anos, devia reger-me pelos seus estatutos que não aceitam divergências no que toca a votações de Orçamento e Contas.

Por isso me demiti de militante e anunciei a indisponibilidade para integrar qualquer lista candidata.


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

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