(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)
Decorrente da recente notícia da elevação do Mosteiro Trapista de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo, a priorado simples, e especialmente depois de participar na Via-Sacra em Bragança, com texto da Ir. Maria José, bem como nas celebrações do Tríduo Pascal e da Páscoa, dei por mim a pensar na missão das Irmãs.
Talvez pela densidade espiritual da Semana Santa, diante da Cruz e do mistério da Páscoa, em que muito do que é acessório se dissipa e se torna mais nítido aquilo que verdadeiramente permanece, reparei no seu silêncio, no seu amor fiel, no seu serviço discreto e na presença que não procura visibilidade, mas sustenta, de forma quase invisível, a vida de muitos e da comunidade.
Irmãs religiosas e consagradas da nossa Diocese de Bragança-Miranda, as de vida comunitária e apostólica, as monjas de clausura contemplativa ou as dos institutos seculares, todas fazendo da própria vida uma admirável entrega.
Pense-se, por exemplo, nas Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado, nas Irmãs da Caridade do Sagrado Coração de Jesus, nas Irmãs Carmelitas Descalças do Carmelo da Sagrada Família, no Larinho, em Torre de Moncorvo, nas Irmãs da Ordem Cisterciense da Estrita Observância, as monjas trapistas do Mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo, nas Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, nas Irmãs Doroteias e nas Irmãs do Instituto Secular Missionário Servas do Apostolado, entre tantas outras.
Algumas continuam presentes no terreno, outras permanecem na memória viva de quem com elas partilhou vivências, mas em todas, descortinamos uma entrega que alguns, sempre inclinados para o ceticismo, a dúvida ou a crítica, a entendem como evasão ou afastamento das fragilidades humanas, mas que a maioria reconhece como um modo mais profundo de habitar o mundo, como uma proximidade que brota de Deus e se concretiza no encontro com os outros.
Num tempo de pressas, utilidades imediatas, superficialidade e sensacionalismos, impressiona nas Irmãs a sua escolha do silêncio, da fidelidade à sua identidade, e a sua certeza de que rezar pelo mundo é glorificar a Deus e servir as pessoas.
Igualmente admirável é o seu legado, que cruza fé, pastoral, catequese, liturgia, música, educação, cultura, ação social, saúde e humanidade neste território de Bragança. Na verdade, quantas crianças, adolescentes e jovens foram por elas acolhidos, acompanhados e formados? Quantas trajetórias ganharam direção a partir de um gesto, de uma palavra ou de uma presença atenta no momento certo? Para muitos, foi através delas que surgiu o primeiro contato com a beleza da liturgia, com a exigência do estudo, com o valor da disciplina interior e até com o sentido da fraternidade.
Neste tempo pascal, há algo nelas que é profundamente pascal, como a sua serenidade firme, a doçura que não fragiliza e uma disciplina que não endurece. Sabem ser exigentes sem perder a delicadeza, escutam com atenção, acompanham com discrição e orientam sem impor. Raramente ocupam o centro das atenções, sustentando-o mesmo em muitas situações em silêncio e discrição.
Se a Páscoa nos lembra que a vida nova começa, muitas vezes, onde o olhar comum apenas vê silêncio ou ausência, até neste sentido as Irmãs são um sinal que importa não ignorar pois recordam-nos que a fecundidade não depende do ruído, que a esperança não precisa de espetáculo e que o amor vivido quotidianamente continua a ser uma das forças mais transformadoras da história.

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