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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

TERRAS DE TRÁS-OS-MONTES AVANÇAM COM TRANSPORTE A PEDIDO PARA COMBATER ISOLAMENTO NAS ALDEIAS

 Nova rede entra em funcionamento em agosto e pretende garantir mobilidade às populações sem acesso a transportes públicos regulares.


Os nove municípios que integram a Comunidade Intermunicipal (CIM) das Terras de Trás-os-Montes vão passar a dispor, a partir de agosto, de uma rede de transporte a pedido destinada a assegurar a mobilidade das populações residentes em aldeias sem acesso a transportes públicos regulares.

A medida, há vários anos reivindicada pelos autarcas da região, surge como uma resposta ao isolamento de muitas localidades do interior e representa um investimento estimado em cerca de cinco milhões de euros ao longo dos próximos quatro anos.

O presidente da CIM das Terras de Trás-os-Montes, Pedro Lima, explicou que o novo modelo combinará uma componente permanente, associada às rotas já existentes e ao transporte escolar, com um serviço flexível de transporte a pedido, adaptado às necessidades concretas das populações.

“Vai possibilitar uma resposta mais alargada a nível territorial e uma maior flexibilidade de horários, sendo articulado com os autarcas locais e tendo por base as necessidades reais das populações”, afirmou.

O sistema permitirá manter as ligações já existentes nas localidades servidas por carreiras regulares, mas introduzirá uma solução inovadora para as aldeias onde não existe qualquer transporte público de ligação à sede de concelho.

Nesses casos, o serviço será ativado mediante solicitação dos utilizadores, através de uma articulação entre as câmaras municipais, juntas de freguesia e operador de transporte.

Pedro Lima exemplifica que, sempre que um ou mais residentes necessitem de se deslocar à sede do concelho para tratar de assuntos administrativos, realizar compras ou aceder a serviços públicos, poderá ser organizada uma viagem específica para responder a essa necessidade.

“Uma aldeia que tenha um ou dois munícipes a precisar de se deslocar num determinado dia passará a ter essa possibilidade, algo que anteriormente não existia”, explicou.

A população idosa surge entre os principais beneficiários da nova rede de mobilidade. Muitos residentes das aldeias deslocam-se regularmente aos centros de saúde e hospitais da região, enfrentando atualmente dificuldades significativas de transporte.

Com o objetivo de otimizar o serviço, a CIM pretende estabelecer um protocolo com a Unidade Local de Saúde do Nordeste para promover a marcação de consultas no mesmo dia para utentes da mesma localidade, permitindo uma utilização mais eficiente dos meios disponíveis.

O presidente da CIM mostrou-se satisfeito com a concretização de um projeto que considera fundamental para a coesão territorial.

“Foi uma luta de anos e estamos convencidos de que vai funcionar bem”, afirmou.

O novo sistema abrangerá os municípios de Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Mogadouro, Miranda do Douro, Vimioso, Vila Flor e Vinhais, cobrindo uma vasta área do nordeste transmontano marcada pela dispersão populacional e pelo envelhecimento demográfico.

Apesar de reconhecer o esforço financeiro exigido aos municípios, Pedro Lima defende que o investimento é indispensável para garantir igualdade de oportunidades aos cidadãos que optam por permanecer nas aldeias.

O responsável espera agora que o Governo venha a criar mecanismos de apoio financeiro específicos para este tipo de soluções de mobilidade em territórios de baixa densidade.

“Nós vamos dar este passo porque alguém tem de o dar. Não podemos aceitar que haja pessoas isoladas nas aldeias, sem acesso a serviços básicos e sem ligação à sede de concelho. Estes cidadãos têm exatamente os mesmos direitos que qualquer outro português”, sustentou.

Embora represente um investimento significativo para os municípios envolvidos, o transporte terá um custo reduzido para os utilizadores. Segundo a CIM, o acesso ao serviço será efetuado através de um passe, permitindo que a utilização seja praticamente gratuita para a população.

Para os autarcas da região, a nova rede de transporte a pedido representa uma das mais importantes medidas de combate ao isolamento implementadas nos últimos anos em Trás-os-Montes, procurando assegurar que a falta de mobilidade deixe de ser um obstáculo à permanência das populações no interior do país.

Jornalistas: Paulo Silva Reis com Lusa
Foto: DR

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