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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 2 de junho de 2026

OS FIDALGOS - SELORES

Casa de Selores

 1ºANTÓNIO DE MORAIS MESQUITA, presbítero, filho de André Rodrigues 
de Mesquita, natural de Fonte Longa, concelho de Carrazeda de Ansiães, e de D. Maria de Morais, foi confirmado em Selores, concelho de Carrazeda de Ansiães, e aí fundou a capela de S. Caetano a que vinculou bens (528).
2º ANTÓNIO DE MORAIS. O bispo do Porto, D. Frei Gonçalo de Morais, falecido em 1617, fundou um morgadio numa capela que mandou fazer, contígua ao seu palacete em Selores, onde passou a sua infância, para sepultura de seus maiores, à qual vinculou bens ajuntando lhe uma renda de 80.000 réis e chamou para administrador deste vínculo seu irmão António de Morais (529).
A este bispo nos referiremos no volume consagrado aos escritores.
Na verga da porta desta capela há a seguinte inscrição gravada em granito com algumas letras inclusas e conjuntas:

CAP. Q. MANDOV FAZER Dº G.LO DE MORAIS
B PO DO PTºP.A S.A DE SEVS PAIS E IRMAO AN
TºDE MORAIS E DE NS 1616.

Dentro da capela, numa sepultura rasa de granito, há a seguinte inscrição:

S.A
DE ANTº DE
DE MORAIS
PRºMINITRA
DOR DESTA CAP.
ONDE SE EMTER
AN OS OSOS DE
SEVS PAIS. 616

Esta capela, de tecto apainelado em caixões de granito, está profanada, ou quase, e pertence por compra, bem como metade do palacete, que é muito elegante e um dos melhores no género do distrito, ao padre João Eduardo Evangelista Sampaio de Mariz e Castro, pároco de Vinhais.
O ofício de escrivão da Câmara de Ansiães era da nomeação e eleição anual desta, mas em 1596 foi dada a propriedade do mesmo ofício a António de Morais de Mesquita, da vila de Ansiães, e o primeiro capitão-mor que nesta vila e concelho houve foi António de Morais, irmão do bispo do Porto, D. Gonçalo de Morais de Mesquita, fundador do morgadio dos Mesquitas, de Selores (530).
De um documento manuscrito, avulso, que, a julgar pelo texto, deve ter sido escrito em 1823, extraímos as notícias que a seguir publicamos.
Este documento deve ser o complemento de outros, que não vimos.
3º FRANCISCO DE MORAIS DA MESQUITA E CASTRO, que na ordem do nascimento foi o terceiro filho de António de Morais da Mesquita Pimentel, senhor da casa e morgadio de Selores, no concelho de Ansiães (531), e de D. Isabel da Mesquita e Castro, sua prima, natural de Vilarinho da Castanheira, nasceu em Selores e foi ali baptizado a 30 de Setembro de 1626.
Era fidalgo da Casa Real e casou por escritura de 5 de Março de 1649 com sua prima em terceiro grau D. Maria de Castro Osório, senhora da quinta da Salgosa, filha de João Ribeiro da Fonseca e de D. Isabel de Castro Osório, filha de Tristão Bordalo de Moura e de D. Filipa de Castro.
Sucedeu no morgadio do Souto por falecimento de seu primo António Osório de Morais Castro, quinto senhor deste morgadio.
Descendência:
I. Francisco de Morais da Mesquita e Castro (4º, adiante citado).
II. D. Isabel da Mesquita e Castro (6º, adiante citado).
III. João Ribeiro da Fonseca e Castro, colegial de S. Paulo e lente de direito na Universidade, que casou com D. Isabel de Vasconcelos São Paio, filha de Rodrigo Homem Ribeiro, senhor do morgadio de Taboza, governador de Castelo Rodrigo, e de sua primeira mulher D.Maria de São Paio.
Sem descendência.
4º FRANCISCO DE MORAIS DA MESQUITA E CASTRO, serviu os lugares de letras, foi duas vezes procurador em cortes por Moncorvo, familiar do Santo Ofício, fidalgo da Casa Real, cavaleiro de Cristo, senhor do morgadio do Souto e da quinta de Salgosas.
Casou por escritura de 27 de Outubro de 1697, feita na vila do Souto nas notas do tabelião João Fernandes de Gouveia, com sua prima em terceiro grau, D. Ana Maria de Castro Osório, senhora da quinta de Campelo, no concelho de S. João da Pesqueira, filha de João Ribeiro de Sousa e de D. Bárbara da Mesquita Osório, filha de Tristão Bordalo de Moura e de D. Filipa de Castro.
Descendência:
I. Tomás Aires Pereira de Castro (5º, adiante citado).
II. Francisco Álvares de Távora, formado na Universidade. Faleceu sem descendência.
III. Gonçalo José de Sousa Vasconcelos de Castro, beneficiado na Colegiada da Torre, doutor em direito, colegial de S. Paulo. Faleceu sem descendência.
IV. Frei Gonçalo de Morais, monge de S. Bernardo, mestre e doutor em teologia.
5º TOMÁS AIRES PEREIRA DE CASTRO, natural de Moncorvo, fidalgo da Casa Real, lente de Instituta na Universidade, sucedeu na casa e morgadio do Souto e da Torre de Moncorvo.
Casou em Bragança com sua prima D. Maria Caetana da Mesquita de Morais, filha de Domingos de Morais Pimentel, fidalgo da Casa Real e comendador de Babe na Ordem de Cristo, e de D. Luísa Caetana da Mesquita, natural de Mirandela, sua prima, filha de Belchior Luís Pinto Cardoso, senhor do morgadio de S. Tiago, coronel e governador de Monte Alegre, e de D. Rosa Maria da Mesquita, da casa de Abaças, sua prima (532).
Descendência:
I. Francisco António Osório da Mesquita e Castro, que nasceu na Torre em 1731.
Era fidalgo da Casa Real, senhor da casa, morgadios e quinta da Ermida, capitão de cavalaria, sargento-mor e ajudante do Governo da Beira.
Esteve despachado para enviado à Rússia e depois capitão general de S. Paulo, onde não chegou a ir por ter falecido em Lisboa.
Não casou, mas de uma mulher nobre de Freixo de Numão deixou a seguinte descendência: D. Caetana Clara da Mesquita Pimentel e Castro, que lhe sucedeu nos prazos da casa e casou em S. Pedro do Sul com Cristóvão de Almeida, deixando grande descendência.
II. D. Luísa Caetana Clara da Mesquita Pimentel e Castro, que esteve contratada para casar com seu primo coronel Manuel Pinto Bacelar de Morais, casamento que não se realizou. Depois do falecimento de seu irmão casou com Belchior Pereira Coutinho de Vilhena, senhor da casa de Penedono, não deixando descendência.
O morgadio do Souto passou para João Osório da Veiga Cabral Caldeirão, de Vila Real, e, por seu falecimento, para José Osório Colmieiro de Morais da Veiga Cabral Caldeirão, seu sobrinho direito, que sucedeu também na casa de seu avô materno José Maria da Veiga, de Vila Real.
6º D. ISABEL DA MESQUITA E CASTRO casou no Mogadouro com seu primo em quarto grau Gabriel Camelo de Morais, marechal de campo de auxiliares da comarca de Bragança, filho de Francisco Vaz Monteiro e de D.Marta de Lobão.
Residiram no Mogadouro e passaram depois para Chacim, onde Gabriel Camelo faleceu a 2 de Fevereiro de 1719.
Descendência:
I. João Ribeiro da Fonseca (7º, adiante citado).
II. D. Margarida Rosa de Morais Castro, que casou com Francisco Ribeiro Homem de Vasconcelos, capitão-mor de Cernancelhe, senhor do morgadio da Taboza, com descendência.
7º JOÃO RIBEIRO DA FONSECA, chamado o Ribeirinho (para o distinguir de seu tio materno do mesmo nome, lente da Universidade de Coimbra), sucedeu na casa de seus pais e foi capitão-mor de Cernancelhe, professo na Ordem de Cristo e familiar do Santo Ofício.
Casou duas vezes: a primeira em Crasto Vicente com D. Paula de Sá Taveira, sem geração; a segunda vez no Vedigal, concelho de S. João da Pesqueira, com sua prima D. Isabel Maria de Sousa da Mesquita, filha de João Ribeiro de Sousa e de sua segunda mulher D. Maria da Mesquita.
Descendência:
I. D. Francisca Maria Xavier Caetana Mesquita e Sousa (8º, adiante citado).
II. D. Tomásia da Mesquita e Castro, que faleceu ainda menina.
III. D. Isabel Luísa da Mesquita e Castro, religiosa na Ribeira.
8º D. FRANCISCA MARIA XAVIER CAETANA DA MESQUITA E SOUSA, sucedeu na casa de seus pais e casou em Vila Real (por escritura de 7 de Outubro de 1742, feita nas notas do tabelião António Correia Cabral, de Vila Real, na quinta de Guiães, pertencente a seu pai João António de Sousa de Morais Colmieiro) com José Maria da Veiga Cabral Lobo de Barbosa Caldeirão, fidalgo da Casa Real, filho de João da Veiga Cabral, marechal de campo de auxiliares de Vila Real, e de D. Ana Maria de Lacerda Barbosa, senhora do prazo e quinta de Palos.
Descendência:
I. João Osório da Veiga Cabral, que faleceu solteiro.
II. Francisco Cabral de Barbosa, capitão-mor, que faleceu solteiro.
III. D. Maria Joaquina (9º, adiante citado).
9º D. MARIA JOAQUINA DE BARBOSA CABRAL E CASTRO, casou com seu primo em terceiro grau Miguel Carlos Cardoso de Morais Colmieiro, fidalgo da Casa Real por alvará de 15 de Janeiro de 1750.
Descendência:
10º JOSÉ OSÓRIO COLMIEIRO DE MORAIS DA VEIGA CABRAL CALDEIRÃO, que nasceu em Murça de Panoias a 20 de Novembro de 1765 e casou em Bragança com D. Francisca Antónia de Figueiredo Sarmento, filha de Sebastião Jorge de Figueiredo Sarmento, fidalgo da Casa Real, capitão de infantaria, e de D.Mariana da Fonseca.
Tinha o foro de fidalgo-cavaleiro por alvará de 12 de Novembro de 1782.
Sucedeu na casa de seus pais, na casa de seu avô materno José Maria da Veiga e nos morgadios do Souto e da Torre de Moncorvo, em que tinha sucedido seu tio João Osório da Veiga Cabral.
Descendência:
I António Colmieiro de Morais Osório da Veiga Cabral Caldeirão, que acompanhou o conde de Amarante na revolução de Trás-os-Montes a favor do trono e do altar.
Sucedeu nas casas e morgadios de seu pai e era tenente-coronel de cavalaria do regimento nº 12. Pelos anos de 1823 ainda estava solteiro.
II. D. Vicência.
III. D. Angélica.
IV. D. Maria, todas três solteiras, a 3 de Agosto de 1823.
V. D. Margarida Eugénia de Lacerda Barbosa, que casou com Luís Monteiro Correia Pinto, de Cidadelhe.
Descendência:
a) Manuel Correia da Veiga e Câmara Monteiro.
b) José Maria Monteiro.
e) António Luís da Veiga, cónego e governador de Bragança. E outros.
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(528) SOUSA, Manuel Bernardo de Magalhães e – Livro Genealógico, tomo I, fol. 208, 222 e 228.
(529) CUNHA, Rodrigo da – Catálogo e História dos Bispos do Porto, part. 2ª, p. 361.
(530) Memórias Etimológicas de Anciães.
(531) Do Livro Genealógico Primeiro e Segundo Tomos. Ano de 1804, pelo padre Frei Manuel Bernardo de Magalhães e Sousa, tomo I, fólio 197, extraímos as seguintes notícias:
O doutor António de Morais da Mesquita cursava a Universidade de Coimbra pelos anos de 1635 e foi segundo morgado de Selores, capitão-mor da vila de Ansiães, juiz de fora de Guimarães, auditor geral da gente de guerra da província de Trás-os-Montes e cavaleiro professo da Ordem de Avis.
Era filho de António de Morais, primeiro morgado de Selores, capitão-mor de Anciães, e de D. Isabel da Mesquita Pimentel, sua segunda prima, natural de Vilarinho da Castanheira. António de Morais, primeiro morgado de Selores, era filho legítimo de Gaspar da Mesquita, natural de Selores, e de D. Luísa de Meireles, filha de Gonçalo Pinto e de D. Isabel da Mesquita.
Neto de Fernando da Mesquita, natural de Anciães, e de D. Brites de Morais, irmã inteira de
António de Morais, o Velho, e de D. Frei Gonçalo de Morais, religioso de São Bento e bispo do Porto, todos três filhos de António Borges de Morais, natural de Vila Franca de Lampaças, e de D. Francisca de Morais, natural de Bragança, que residiram em Vila Franca de Lampaças. D. Francisca de Morais, após a morte de seu marido, veio com seus filhos para Anciães e aí António de Morais, o Velho, por recomendação de seu irmão, bispo do Porto, instituiu o morgadio de Selores chamando para primeiro administrador dele o seu sobrinho António de Morais, o Moço, neto de sua irmã D. Brites e sobrinho de sua mulher D. Inês da Mesquita, em razão de que D. Inês da Mesquita era irmã de D. Isabel da Mesquita e de Paulo de Novais, de Anciães, e todos filhos de D. Alda de Meireles e de João de Prado, o Velho, que depois foram residir em Vale de Torno, termo de Vilarinho da Castanheira, onde faleceram. D. Isabel da Mesquita casou com Gonçalo Pinto, filho legítimo do comendador Aires Pinto e de D. Teodora Ferreira, natural de Bragança, que residiram em Fonte Longa.
(532) No documento de onde extraímos estas notícias há à margem o seguinte:
«Fernão Pires cavalleiro senhor da casa de Vila Flor. D.Maria Pinto Pereira da casa de Murça 2ª mulher.
João d’Almeida da Mesquita cavalleiro.Mecia de Moraes.
Fernando da Mesquita o velho Maria de Campo que foi a Africa cavalleiro fidalgo. D. Violanta Nunes de Meirelles sua prima.
Fernando da Mesquita procurador de cortes. D. Brites de Moraes Pimentel irmã do bispo instituidor.
Gaspar da Mesquita de Moraes Pimentel. D.Maria de Meireiles Pinto da Mesquita sua prima.
Antonio de Moraes da Mesquita Pimentel morgado de Sellores. D. Isabel da Mesquita e Castro de Villarinho da Castanheira.
Francisco de Moraes da Mesquita e Castro natural de Sellores. D.Maria de Castro Osório.
Francisco de Moraes da Mesquita e Castro, da Torre. D. Anna Maria de Castro Osorio.
Thomaz Ayres Pereira de Castro, da Torre. D. Maria Caetana da Mesquita de Moraes, de Bragança.
D. Luiza Caetana Clara da Mesquita Pimentel e Castro. Melchior Pereira Coutinho de Vilhena senhor da casa de Penedono. Sem geração».
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MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA

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