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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Criadores aderem às associações para enfrentar dificuldades crescentes na pecuária

 Apesar dos problemas relacionados com os custos de produção, falta de mão de obra, envelhecimento dos criadores e ausência de renovação geracional, há vontade em continuar a preservar as raças da região


A adesão às associações de criadores continua a aumentar no Nordeste Transmontano, numa altura em que a atividade pecuária enfrenta desafios cada vez maiores. A constatação é de José Rodrigues, secretário técnico da Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Raça Churra Galega Bragançana, feita durante o Concurso de Gado de Ovinos e Caprinos do Planalto, integrado na IV Feira do Azeite e da Oliveira Santulhana, em Santulhão, concelho de Vimioso. “Temos tido cada vez mais associados. Não significa que haja mais pastores, mas os que já existem percebem que é melhor estarem associados”, afirmou.

José Rodrigues considerou que a crescente adesão resulta das vantagens proporcionadas pela estrutura. “Há mais facilidade em vender os animais, têm mais conhecimentos e nós ajudamos no melhoramento das raças através de programas específicos. Também lhes damos aconselhamento técnico e promovemos contactos”, explicou.

Para o secretário técnico, o contexto atual ajuda a explicar esta procura crescente por apoio. “Os tempos estão cada vez mais complicados e é normal que os criadores procurem mais apoio e mais acompanhamento”, resumiu.

Apesar de a produção pecuária continuar a diminuir em termos globais, a associação regista uma realidade diferente. Atualmente, a associação acompanha cerca de 17.500 animais da raça Churra Galega Bragançana Branca e aproximadamente 4.300 da variedade Preta.

“O que se ganha é para os animais”

Com cerca de 180 animais e mais de quatro décadas de experiência, Mercedes Lopes continua ligada à criação da raça Churra Galega Bragançana, em Santulhão.

Apesar de garantir que a atividade “é uma brincadeira”, afirmou que a rentabilidade é reduzida. “É só gastar dinheiro. O que ganha é para os animais”, lamentou.

Assim, a criadora considerou que são necessários mais apoios para quem mantém a atividade. “Precisávamos de mais ajuda para tudo quase”, defendeu.

Apesar das dificuldades, “desistir não é opção”.

Falta de mão de obra e custos elevados preocupam criadores

Também de Santulhão, Aníbal do Rosário cria há mais de 40 anos ovinos da raça Churra Galega Bragançana Branca. Com cerca de uma centena de animais, considerou que é essencial e urgente a renovação geracional. “Os pastores que eu tinha morreram e os novos não querem meter-se nisto porque é muito cansativo e trabalhoso”, referiu.

A subida dos custos de produção é outra preocupação. “As coisas que compramos triplicaram de preço. As vacinas, as sementes, as máquinas. Uma avaria numa máquina pode levar o dinheiro que se ganha durante o ano inteiro”, afirmou.

Apesar disso, continua a manter o rebanho por gosto e pelo papel que desempenha na preservação da paisagem rural. “Se a gente não andar por lá, aquilo fica um bosque em poucos anos. Os animais também ajudam a limpar o território”, sublinhou.

Criadores de cabra preta alertam para risco de desaparecimento

Em representação da raça Cabra Preta de Montesinho esteve Carlos Martins, de ~Mós de Celas, no concelho de Vinhais, que tem cerca de 70 animais.

O criador identifica a falta de sucessão familiar como o principal problema da atividade. “Os filhos não querem saber disto. Assim que morrermos, os mais velhos, os animais acabam por desaparecer naquela zona”, alertou.

Outro dos problemas que Carlos Martins identifica é que a criação extensiva está cada vez mais difícil devido às restrições no acesso aos terrenos. “Antigamente andávamos com os animais por todo o lado. Hoje ninguém quer que os animais passem nas suas propriedades e temos de percorrer muitos quilómetros para encontrar pastagens”, explicou.

Jovens regressam à atividade, mas pedem valorização da produção

Entre os participantes esteve também Filipe Calado, criador de Santulhão que regressou recentemente à atividade, após vários anos emigrado em França.

Com um efetivo de cerca de 50 animais, decidiu retomar uma tradição familiar. “O meu pai foi criador de ovelhas e eu regressei agora à minha paixão, que é produzir animais de raça na minha terra”, explicou.

Embora reconheça que as novas tecnologias ajudam a reduzir algumas dificuldades, considera que o setor continua a enfrentar problemas estruturais. “Os primeiros anos são muito difíceis porque é preciso investir muito”, referiu.

Mais do que apoios financeiros diretos, Filipe Calado defende investimentos na preparação de terrenos e áreas de pastoreio. “Era melhor prepararem campos e terrenos para os criadores trabalharem do que simplesmente dar dinheiro”, argumentou.

Raças autóctones continuam a ser património vivo do território

Apesar dos problemas relacionados com os custos de produção, a falta de mão de obra, o envelhecimento dos criadores e a ausência de renovação geracional, os participantes no concurso deixaram uma mensagem comum, a vontade de continuar a preservar as raças autóctones da região.

Para muitos, a atividade já não é apenas uma fonte de rendimento, mas também uma forma de manter vivo um património que continua a marcar a identidade do território.

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