No dia 10 de outubro, o renovado Museu da Terra de Miranda, em Miranda do Douro, abriu as portas ao público, numa cerimónia que contou com a visita do secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, que destacou a visibilidade que a língua mirandesa assume no museu, como meio de comunicação e transmissão do conhecimento, em particular, às novas gerações.
Na cerimónia da reabertura do Museu da Terra de Miranda, a diretora, Celina Pinto, destacou que doravante este novo espaço é bilingue, pois a par do português, a língua mirandesa está presente no acervo museológico.
“Hoje reabrimos o Museu da Terra de Miranda, uma casa onde a memória volta a ter lugar e uma terra volta a contar a sua história. A Terra de Miranda é um lugar, onde a cultura não vive apenas nos livros ou nas vitrinas. Vive na língua que se fala, nos gestos do trabalho, nas festas, nas histórias contadas ao serão e na paisagem moldada por sucessivas gerações. Este museu renasce para honrar essa herança. Renasce para guardar o que fomos, compreender o que somos e inspirar aquilo que ainda podemos ser. Porque a cultura não é um fragmento imóvel do passado; é uma corrente viva que passa de mãos em mãos, de voz em voz, de geração em geração”, disse a diretora do museu.
Celina Pinto informou que o atual Museu da Terra de Miranda já não é o mesmo de há 44 anos atrás. Hoje, a cultura é transmitida de forma diferente, num espaço renovado, ampliado e com recurso às novas tecnologias.
“O Museu da Terra de Miranda conta e recria a cultura de forma diferente. A tecnologia contribui para tornar a memória mais próxima, acessível e partilhável, onde se cruza o património material e o imaterial, a tradição e a contemporaneidade, a tecnologia e o objeto, a palavra e a experiência”, explicou.
De acordo com a diretora, no Museu da Terra de Miranda, os visitantes são agora participantes e as crianças podem tocar, ouvir, experimentar e descobrir.
“Um museu não é apenas um espaço onde se guardam coisas, mas um lugar onde há coisas a acontecer. O passado é a raiz que nos prende ao chão sim, mas também nos alimenta e permite crescer. Falar da história da Terra de Miranda é falar da identidade sim, mas também de futuro”, indicou.
Para Celina Pinto, a Terra de Miranda é um território singular, em Portugal.
“A Terra de Miranda também é Portugal. É língua, é música, é dança, émemória, é trabalho, é festa, é silêncio, é o rio Douro, é o planalto, é terra lavrada e contada. Simbilocamente, este museu é terra, é semente e é futuro”, concluiu.
Na reabertura do Museu da Terra de Miranda , a presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril, destacou a importância deste espaço cultural para a cidade, o concelho e a região.
“Em 1982, o padre António Maria Mourinho foi visionário ao perceber que a identidade, língua, usos e costumes e a alma deste povo não deviam dispersar-se com o vento e havia a necessidade de criar do Museu da Terra de Miranda. Percorridos 44 anos, vivemos hoje um novo capítulo transformador no museu sob a orientação da diretora, Celina Pinto. Com um dinamismo ímpar, sabe liderar e projetar o Museu da Terra de Miranda para o presente e o futuro”, elogiou a autarca de Miranda do Douro.
Segundo Helena Barril, o Museu da Terra de Miranda é um importante parceiro institucional, na organização de atividades e dinamização cultural da cidade, do concelho e da região.
“Juntos e num trabalho de cooperação instituicional seremos capazes de tornar o nosso território cada vez mais atrativo culturalmente”, afirmou.
De visita a Miranda do Douro, para a rebertura do Museu da Terra de Miranda, o secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, começou por evocar o museólogo, Georges Henri Riviére.
«No fim da sua vida, Georges Henri Riviére disse que os ecomuseus são “espelhos onde a população se contempla, para aí se reconhecer e procurar entender o território a que pertence. Os ecomuseus são também um espelho que a população mostra aos seus hóspedes, para que compreendam o seu trabalho, comportamento e intimidade”,», disse o governante.
Na reabertura do Museu da Terra de Miranda, Alberto Santos, destacou a prioridade dada à língua mirandesa e evocou José Leite de Vasconcelos.
“Uma língua que só se fala na intimidade do lar desaparece quando esse lar muda de circunstâncias e modos de ser e fazer. Recentemente, o atual governo, vliderado por Luís Montenegro, criou a Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa, por intermédio da qual se pretende construir as bases para salvaguarda e valorização da língua. Esta salvaguarda também se faz no Museu da Terra de Miranda, quando o mirandês é a língua de comunicação e transmissão do conhecimento, em particular, às novas gerações”, indicou.
O Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, concluiu a sua intervenção indicando que a remodelação e ampliação do Museu da Terra de Miranda custou 1 milhão e cem mil euros e 700 mil euros de museografia, financiados pelo Programa de Recuperação e Resiliência (PRR).
No dia 10 de outubro, o programa da reabertura do Museu da Terra de Miranda incluiu a interpretação do hino “Harmanos cantai an charro”, em mirandês; uma performance musical com coros, músicos e a participação da comunidade; a visita do público ao museu; e um momento de convívio com a degustação de produtos locais.


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