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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

QUASE…

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


Quase fui eterna. Quase venci o mundo. Quase tive coragem de incendiar a vida.

Quase disse tudo aquilo que me sufocava a alma. Quase fui feliz… e, no entanto, fiquei a um sopro da eternidade e a um abismo da felicidade.

O quase foi o grito de tudo aquilo que nasceu para ser infinito, mas morreu à porta do possível.

Foi o beijo que ficou preso nos lábios, o abraço que perdeu a coragem, a palavra que envelheceu na garganta. Foi um coração com as malas feitas, parado diante de uma porta que nunca se abriu. Foi o destino a estender-me a mão e a vida a arrancar-me o chão debaixo dos pés.

Neste quase, fiquei condenada a imaginar o que teria acontecido se tivesse tido mais coragem, menos medo, mais tempo… 

Este quase foi uma faca invisível que me abriu por dentro, lentamente, cada vez que a memória me sussurrava aquilo que poderia ter sido.

O mundo continua a girar, os relógios continuam a devorar as horas, as pessoas continuam a sorrir… enquanto, dentro de mim, existe um lugar onde o tempo parou exatamente naquele instante em que quase fui tudo.

Quase.

Porque o medo fechou-me portas. O orgulho ergueu-me muros. O tempo não pediu licença. E a vida, essa amante impiedosa, não  promete uma segunda oportunidade.

O quase não foi aquilo que não me aconteceu. É tudo aquilo que continua a acontecer dentro de mim, mesmo depois da vida ter seguido em frente.

Quase…

Uma palavra.

Cinco letras.

E uma vida inteira de arrependimento.

M.C.M.(São Marques)


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó - Uma Paixão Improvável.

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