(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)
Hoje, não te dou flores… dou-te a primavera por inteiro… a força da semente, o voo das andorinhas riscando o verão… e é tão azul!… E fico para sempre à beira dos teus olhos, onde habita a madrugada.
Hoje, dou-te a paz e as pazes que fiz comigo e com os outros, para que a vida ainda possa serenar e as portas se abram às memórias e à beleza do nosso estar…
Hoje, dou-te o rio onde pescávamos e a alegria da merenda à beira dos freixos, que erguiam os ramos e os braços como os teus dedos, de onde nascia a música no coração da viola… E sorrias… Às vezes, ficavas triste e a música calava-se. Era o sol poente…
Hoje, dou-te o sorriso da Lara e da Joana, onde renasces todos os dias, ainda menino… E vens do jardim de infância e da escola, com a tua irmã… E a cidade era tão grande… E a nossa casa era tão grande como os sonhos:
- Pai, eu já sou tão grande!
Hoje, dou-te a noite em que nos encontrámos em Palência… e morremos os dois no coração da cidade que te levou por inteiro. Chorámos a noite toda… Amanhecia!
Hoje, ficamos os dois… E a tua irmã, e os teus amigos, e a cidade… E o teu sorriso imaterial!
… E as lágrimas são somente as estrelas onde tu habitas!
… Um abraço!... Até já!
Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança.
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.


Sem comentários:
Enviar um comentário