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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

“Vamos ter 40 frações de habitação pública e sem custos para o Município”

 No balanço do primeiro ano à frente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira destaca a reorganização dos serviços, a preparação de projetos e a procura de financiamento. Em entrevista exclusiva ao Mensageiro de Bragança, cuja primeira parte é publicada esta semana ficando a restante para a próxima edição, a presidente reconhece que o município ainda não funciona com a eficácia pretendida e aponta os dossiês que considera mais complexos. Na continuação, na próxima semana, entre outros assuntos aborda a relação com a oposição.


Mensageiro de Bragança
: Que balanço faz destes 12 meses à frente da Câmara de Bragança?

Isabel Ferreira: Foram 12 meses muito intensos, que dividiria em três etapas. A primeira passou pela reorganização dos serviços. A orgânica da Câmara não era alterada há vários anos e faltavam divisões importantes, como a de Fundos Europeus, a de Contratação Pública e o Gabinete de Apoio às Freguesias. Doze meses depois, comprovou-se a importância desta reestruturação para modernizar os serviços e alinhá-los com as estratégias atuais de desenvolvimento regional. A organização dos serviços, dos regulamentos e do código regulamentar consumiu muito tempo, porque exige diagnóstico, comparação e estudos económico-financeiros.

Depois, apanhámos o quadro comunitário em plena execução, mas com um atraso significativo, que comprovo todos os dias. Ainda agora tive uma reunião no Porto para resolver algumas dessas questões: apareciam oportunidades de financiamento e não tínhamos projetos com maturidade para apresentar candidaturas. Foram também meses de definição de prioridades e das grandes opções para o ciclo autárquico, e de procura de financiamento.

Isso exigiu um grande esforço das equipas. Há muito tempo que não existiam tantos procedimentos de contratação pública. Tivemos de contratar projetos, preparar e submeter candidaturas para depois avançar para as empreitadas. O período do PRR foi desperdiçado. Nas autarquias é preciso ter projetos com maturidade para avançar quando surge uma oportunidade. Quem os tem consegue mais financiamento, incluindo verbas que outros municípios têm dificuldade em executar. Aqui havia poucos. A contratação pública de algumas empreitadas foi feita precipitadamente, muito em cima das eleições, e houve procedimentos que já tive de corrigir. Estou aqui para contribuir para o desenvolvimento de Bragança, não para inventar problemas a ninguém. Se os encontro, e encontrei vários, procuro resolvê-los.

Na habitação, por exemplo, Vila Real fez 140 e tal habitações e Bragança fez zero. Nunca se candidatou. Preenchemos a plataforma da habitação do IHRU, que estava a zero, e pressionámos as entidades da Administração Central para recuperar algum financiamento. Havia falta de planeamento. As ideias estavam registadas nas GOP, aprovadas na Assembleia Municipal e inscritas no quadro prioritário de investimentos. Mas as coisas não acontecem por se preencher um ficheiro Excel: era preciso contratar os projetos de execução. Isso não aconteceu. Deu-me alguma liberdade para escolher e readaptar, mas criou muita pressão nas equipas, sobretudo nas divisões mais operacionais, como a de Obras. Engenheiros e arquitetos tiveram de preparar todos estes procedimentos. As equipas responderam muito bem. O município tem técnicos muito competentes e entregues à causa pública. Foi bom encontrar esse apoio.

A orientação dos serviços, designadamente da Divisão de Fundos Europeus, é não deixar passar um aviso sem apresentar uma candidatura. Apresentámos candidaturas aos que terminaram e estamos a preparar as dos que terminam em dezembro.

MDB.: Tem ideia de quantas candidaturas foram apresentadas?

IF.: Muitas. Temos 1,3 milhões de euros em projetos, porque sem projeto não há obra: a expansão do Brigantia EcoPark, o Hub de Inovação Agroalimentar na antiga cooperativa, a requalificação das escolas Miguel Torga, Paulo Quintela e Augusto Moreno, o concurso de ideias para a Praça Camões, a academia de futebol, a Casa das Artes e da Arquitetura, a requalificação do CEE, a revisão do PDM (Plano Diretor Municipal), a requalificação do aeródromo, o pavilhão municipal, os refúgios climáticos, os espaços de memória e o Centro de Recolha Oficial de Animais. Inclui ainda a revisão dos projetos das piscinas e da ETAR.

O projeto da ETAR de Gimonde teve de ser totalmente refeito, porque não cumpria as regras do financiamento comunitário. O das piscinas também. Os poucos projetos que tínhamos não estavam em condições de ser submetidos. A Escola Miguel Torga já foi candidatada. Para outros projetos aguardamos os avisos. As candidaturas do CEE e das piscinas foram aprovadas, assim como a do Centro de Recolha Oficial de Animais, apresentada a um aviso da DGAV. É uma corrida contra o tempo: há um prazo de execução e estamos a concluir o projeto para fazer a obra.

Os refúgios climáticos, para recuperar algumas escolas das freguesias rurais, foram submetidos ao Turismo de Portugal. Estamos a diversificar as fontes de financiamento. A cooperativa foi submetida diretamente a um programa europeu. Quanto ao Brigantia EcoPark, reuni na sexta-feira com o presidente da CCDR. Já tinham aberto avisos para parques de ciência e tecnologia, mas vão abrir agora para a expansão de parques existentes, que é o nosso caso. Foi essa a garantia que me deu.

MDB.: Depois da reorganização, o município já funciona como pretendia?

IF.: Ainda não. Continuo a introduzir melhorias para que os serviços atinjam a máxima eficácia. Aproveitei a designação dos chefes de divisão que ganharam os procedimentos concursais para designar outros em regime de substituição. Esse é o único objetivo.

MDB.: Ainda pretende abrir o concurso para diretor municipal, uma figura criada na nova orgânica?

IF.: É um lugar muito importante e por isso o incluímos na orgânica. Mas exige uma pessoa com o perfil certo, enorme disponibilidade e vontade de dedicar o seu tempo a Bragança. Não tenho pressa de abrir o concurso.

(Artigo completo disponível para assinantes ou na edição impressa)

António G. Rodrigues

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