quinta-feira, 23 de março de 2017

Falta de nevões em Montesinho mostra flutuações cíclicas do clima,

A falta de nevões em Montesinho é uma evidência das flutuações cíclicas do clima entre o arrefecimento e o aquecimento, defende o meteorologista Dionísio Gonçalves, que rejeita que exista alguma tendência em torno das alterações.
Os últimos grandes nevões em Bragança e em Montesinho ocorreram na década de 1990

Depois de um fim de semana de temperaturas acima dos 20 graus, Bragança está hoje incluída nos avisos de neve e, em situações semelhantes, a primeira pergunta que surge é se "já neva em Montesinho".

Com ou sem previsões oficiais, a realidade é que "já não neva como antigamente, nem em Montesinho, nem na cidade" de Bragança e a falta de nevões é "uma das únicas evidências no clima regional" das alterações climáticas que, para o meteorologista Dionísio Gonçalves, "são questões cíclicas".

Os últimos grandes nevões consecutivos de que há registo em Montesinho ocorreram nos anos "excecionais" da viragem da década de 1960 para 1970, numa época em não se falava do aquecimento global ('Global Warming'), mas do arrefecimento ('Global Cooling).

"A temperatura nas décadas de 1960 e 1970 desceu significativamente e, o que se falava nos meios científicos, era do 'Global Cooling' porque a temperatura estava a arrefecer, embora houvesse uma poluição desmesurada", contou à Lusa.

Depois dos anos 80, a temperatura "recuperou e teria atingido os máximos antes de chegar ao final do século".

Agora está, continuou, "para cima e para baixo, com grandes oscilações, e não se pode dizer que haja uma tendência nítida de progressão".

Dionísio Gonçalves é professor catedrático jubilado de Bragança e foi sempre um curioso do clima, o que o levou a fazer um doutoramento em meteorologia e a estudar o clima da região ao longo da sua carreira.

Em entrevista à Lusa, lembrou que "só a partir do final da década de 80 é que se começou a falar do Aquecimento Global de uma forma muito alarmista, dizendo que se chegava ao fim do século XX com quatro a cinco graus acima da média".

"Alias, dizia-se mesmo que o Ártico estaria livre de gelo em 2013. Foi precisamente no ano de 2012 para 2013 que o gelo aumentou dois mil quilómetros", apontou.

Isto acontece, na opinião deste estudioso, "porque há flutuações" e Dionísio Gonçalves acredita que a comunidade científica começou a aperceber-se de que "não se pode simular o clima futuro, basear os modelos, apenas nos gases de efeito de estufa, porque há outros componentes".

E há também "as questões políticas", enfatizou.

"O clima sempre esteve em alteração permanente. Agora, sob o ponto de vista político e mundial, quer-se vincular de uma forma, talvez exagerada, que é o Homem que está a forçar o clima para além daquilo que seria normal", considerou.

A ideia parece-lhe "sem pés nem cabeça" e defende: "não tem muito cabimento chamarmos a nós essa capacidade de fazer aquecer e arrefecer o globo".

Dionísio Gonçalves lembra que estas situações climáticas já aconteciam antes, "mas politicamente e economicamente o mundo tinha outras preocupações, como aquando do grande 'boom' depois da guerra".

Os últimos grandes nevões em Bragança e em Montesinho ocorreram na década de 1990. A cidade entrou no ano de 1997 com vários dias sucessivos de neve e gelo que provocaram constrangimentos e a queda de estruturas na zona industrial.

Agência Lusa

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