Ao longo da vida, cruzamos caminhos com muitas pessoas, mas poucas deixam marcas tão profundas como os nossos professores. Hoje, olhando para trás, sinto um impulso grande e sincero de agradecer, de agradecer verdadeiramente, a todos aqueles que, desde a escola primária até ao secundário, moldaram a pessoa que sou. Este texto é, por isso, uma homenagem, um gesto de respeito e de gratidão eterna. Não mencionarei nomes para não correr o risco de me esquecer de algum ou alguma.
Recordo-me da escola primária como quem revisita uma caixa de memórias guardada com carinho. Ali encontrei os primeiros mestres, aqueles que nos seguravam a mão enquanto aprendíamos a pegar num lápis, a juntar sílabas, a descobrir o mundo letra a letra. Foram eles que nos ensinaram mais do que histórias e palavras. Ensinaram-nos a ter paciência, a partilhar, a esperar a nossa vez, a reconhecer o valor do esforço e a sentir orgulho nas pequenas vitórias. Sei hoje que a beleza dessa fase da vida é, em grande parte, obra deles. O seu olhar atento, a sua dedicação, a forma como sabiam transformar o medo em curiosidade e a insegurança em descoberta foram presentes que ficaram para sempre.
Depois vieram outros professores, cada um com o seu estilo próprio, alguns exigentes, outros doces, outros ainda rigorosos, mas todos marcados por uma vontade genuína de nos ver crescer. Foi com eles que começámos a compreender que o mundo era maior do que imaginávamos, cheio de histórias, de ciência, de números que se encaixavam como puzzles e de palavras que, quando bem usadas, podiam mudar tudo. Eram tempos de novas amizades, do despertar de sonhos, de perguntas sem fim. Havia sempre um professor pronto a orientar, a desafiar, a puxar por nós. Quanto lhes devo por isso.
Mais tarde, com a turbulência própria da idade e a ansiedade do futuro a bater à porta, foram novamente os professores que nos ajudaram a atravessar essa ponte. Ensinaram-nos a pensar por nós próprios, a defender ideias, a duvidar, a investigar, a procurar o nosso lugar no mundo. Muitos deles foram mais do que educadores, foram exemplos de humanidade, de caráter, de paixão pelo conhecimento. As aulas deixavam marcas que nos ajudavam a decidir fora da Escola.
É impossível falar desta viagem sem recordar com saudade os colegas, aqueles que cresceram connosco, que partilharam cadernos, gargalhadas, dificuldades, segredos e cumplicidades. Fomos uma geração que aprendeu, pouco a pouco, a ser solidária. Entre trabalhos de grupo, recreios, jogos de futebol, mesas de matraquilhos,testes e dramas adolescentes, fomos descobrindo o valor da entreajuda, da amizade verdadeira, da união em momentos bons e menos bons. Crescemos juntos, e esse “juntos” permanece mesmo quando os caminhos se separam.
Hoje, quando penso em tudo isso, sinto uma gratidão imensa. Gratidão por cada professor que acreditou em mim, mesmo quando eu próprio duvidava. Gratidão por cada palavra de incentivo, por cada gesto de paciência, por cada lição dada com alma e coração. Gratidão pelos valores que me transmitiram, o respeito, a curiosidade, o sentido de responsabilidade, o desejo de aprender sempre mais. São tesouros que trouxe comigo para toda a vida.
A todos os meus professores, de todas as fases da minha formação, deixo este agradecimento sentido e profundo: vocês foram e continuam a ser parte essencial da minha história. Não há tempo que apague aquilo que construíram em mim. A vocês, o meu respeito e o meu agradecimento eterno.
E aos meus colegas, aos amigos que cresceram ao meu lado, deixo a saudade, aquela saudade boa, que não dói, mas aquece. Saber que fizemos parte de algo maior, de uma geração que aprendeu a ser solidária, é um privilégio raro.
Que este texto seja, então, um abraço escrito. Um tributo àquilo que fomos e àquilo que nos ajudaram a ser.
Obrigado a Todos!

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