O homem, de 46 anos, que ali está institucionalizado há mais de 30, terá sido agredido, segundo o irmão, Sérgio Martins, após o jantar.
“Foi agredido por um trabalhador da instituição, que está suspenso. Eu apresentei queixa-crime na polícia por essa situação”, disse contando o que aconteceu.
“O que me relataram foi que um trabalhador lhe tinha dado murros no estômago e que tinha caído, o meu irmão caiu nesse momento. E então foi visto pela enfermagem. A enfermeira, que chamaram na altura, já estava de saída, isso terá acontecido por volta das 20/21 horas da noite e voltou para trás e avaliou o meu irmão e avaliou que não tinha danos, nenhuma lesão física. E então caiu e ficou muito nervoso porque tinha muito medo.”
A comunicação do incidente à família não terá sido imediata. O irmão afirma que teve conhecimento por vias informais, no dia seguinte, sendo apenas contactado oficialmente pela instituição dias depois.
“A enfermeira não me disse nada. Isto foi num domingo à tarde, passou a segunda-feira, passou o terça e quarta e aí liga-me a direção a explicar o que aconteceu”, referiu acrescentando que lhe foi relatada tudo o que aconteceu, sem problemas em admitir e pedir desculpa pelo sucedido e por ser avisado, apenas, três dias depois.
Sérgio Martins suspeita que este não tenha sido um caso isolado.
“Creio que há testemunhas. Eu posso mentir pela boca dos outros, porque eu não estou lá 24 horas, mas eu penso que eu fui agredido mais vezes. A desculpa era sempre ou que foram os companheiros deles, os próprios utentes que se batem entre eles. Agora, se era entre utentes, se era de trabalhador para utente, não sei, mas creio que há muita coisa encoberta a nível trabalhadores.”
Apesar de reconhecer que “há bons trabalhadores” na instituição, o irmão da vítima apontou problemas estruturais e uma “degradação” dos cuidados ao longo do tempo.
“Os elevadores estão sempre avariados, já levam anos com este tema. Já são problemas de infraestruturas, mas por exemplo também tenho conhecimento de situações em que o meu irmão caiu das escadas porque não havia elevador e tentaram levá-lo, não os vigilantes nem os trabalhadores, mas os próprios utentes, os mais fortes e válidos, com a cadeira de rodas e claro, chegaram a cair, e isto foi me comunicado.”
Perante o sucedido, a família admite retirar o utente da instituição. Sérgio Martins diz que transmitiu à direção que quer saber tudo o que se passa com o irmão no devido tempo.
À Rádio Brigantia e ao Jornal Nordeste, na semana passada, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, Duarte Fernandes, negou maus tratos dentro da instituição. Disse apenas ter conhecimento de que um funcionário teria agredido com murros na barriga um utente. E esclareceu que esse mesmo funcionário está suspenso.
Tentamos chegar à fala com o diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Bragança, Jorge Fidalgo, que aguarda autorização do Conselho Diretivo do Instituto da Segurança Social para responder às perguntas que lhe foram colocadas por email.
Foto: Arquitectura Aqui

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