Estão em marcha, no país, cerca de 60 projetos da Operação Integrada de Gestão da Paisagem (OIGP) para transformar a paisagem e reduzir o risco de incêndio rural, avançou o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, numa visita a Alfândega da Fé, onde destacou o exemplo da OIGP do concelho. “O caso da Alfândega da Fé, é um grande exemplo da boa execução e da boa transformação da paisagem que está a acontecer. E é bom constatar a execução que está a ser concretizada no terreno, que é esse o verdadeiro foco, que é garantirmos a transformação da paisagem, garantir a resiliência, garantir a capacidade produtiva deste território que estava adormecida”, disse, realçando que “há muitos anos, várias áreas tiveram uso agrícola, mas foram abandonadas”.
A OIGP de Alfândega da Fé surge no âmbito do projeto para criação da Área Integrada de Gestão da Paisagem de Alfândega da Fé (AIGP), aprovada para o concelho com uma área de cerca de oito mil hectares, abrangendo as Uniões de Freguesias de Ferradosa e Sendim da Serra e de Eucísia, Gouveia e Valverde.
A iniciativa é promovida pela Associação dos Produtores Florestais de Alfândega da Fé (AFLOCAF) entidade responsável pela sua execução. Joaquim Maia, representante da associação, explicou que este projeto engloba várias vertentes. “Tem a vertente agrícola, em que fizemos novas plantações, de amendoal, olival e medronho, principalmente. Depois fizemos plantações também florestais de sobreiro, pinheiro manso e depois são estruturas de aproveitamento da floresta que já existem no concelho. Destaco também a limpeza de matos, podas, fertilizações, a tal estrutura de resiliência que foi a instalação da rede primária, a limpeza dos aglomerados populacionais, ou seja, foram limpas faixas de 100 metros em novas aldeias deste projeto. Tornámos este território mais resiliente ao impacto dos grandes incêndios”, apontou, reforçando que “não se evitam os incêndios, mas tornámos o combate muito mais fácil”. O responsável da AFLOCAF salienta que estes projetos de transformação da paisagem são uma “oportunidade única, que nunca tivemos num setor florestal ao longo das últimas décadas”.
O governante Rui Ladeira defendeu que a aposta na agricultura através da substituição de áreas de resinosas por espécies autóctones é que “cria a verdadeira resiliência, a limpeza, a rede primária e o uso de áreas que estavam com ocupação de matos, como estevas, e que eram um manto de oportunidade para os incêndios”. Avançou ainda que o prazo de execução dos trabalhos nas OIGP foi alargado com o atual governo. “Quando chegámos ao Governo havia três meses para executar a obra, mas conseguimos garantir 18 meses. E depois desses meses, já conseguimos garantir e alargar uma segunda fase até dezembro de 2026”, revelou.
Joaquim Maia contou que não houve grades dificuldades para mobilizar os proprietários. “Isto é um território já muito desertificado, com muitas heranças indivíduas, mas dadas as boas sinergias e a associação já estar no território há muitos anos, a adesão ao projeto dos proprietários, que é voluntária, foi muito positiva. Já contamos com mais de 200 contratos assinados, ou seja, mais de metade da área já está contratualizada”, divulgou.
O Presidente da Câmara de Alfândega da Fé, Eduardo Tavares, partilhou o orgulho desta OIGP ser considera “um projeto exemplar a nível do país”. O autarca frisou que o município “olha para estas temáticas com grande responsabilidade e sensibilidade, porque a prevenção é muito importante”. Numa área total de quase oito mil hectares já foram intervencionados cerca de 2.250 hectares.

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