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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Mateus 25

Por: José Mário Leite
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Muitos dos políticos contemporâneos, alguns bens conhecidos da nossa praça pretendem fazer-nos crer que a ideologia com que nos querem convencer pela suposta bondade dos seus objetivos se baseia na doutrina social da igreja e, com isso, embrulham uma catrefada de lugares comuns, meia-dúzia de frases feitas, um razoável reportório de slogans contra supostos poderosos corruptos e um infindável rosário de insultos sobre os pobres, miseráveis, indefesos, desvalidos e vulneráveis. Há até dirigentes que, em dias de eleição, fazem saber que, antes de se encontrar com jornalistas, apoiantes e demais curiosos ou interessados têm, por obrigação de ofício, de assistir à missa vespertina e só à saída poderão pronunciar-se sobre qualquer escrutínio, entretanto fechado. Sem exceção saem do templo, com uma fingida aura de pretensa santidade, a debitar percentagens de participação e projeções de resultados levantando sérias dúvidas sobre o conteúdo da prédica dominical.

Recentemente, num programa televisivo, um senador americano, democrata ligado a um ramo do catolicismo, confrontado com atitudes de colegas seus, republicanos, igualmente demagógicos, supostos seguidores dos ensinamentos bíblicos e que, por tudo e por nada, recorrem ao Livro, este respondeu que lhes atirava: “Eu sou Mateus 25!”

S. Mateus, o cobrador de impostos, era, quiçá, o apóstolo mais culto da dúzia que acompanhou Jesus Cristo nas Suas deambulações pela Palestina. Talvez por isso a sua sensibilidade para determinados capítulos da prédica cristã deixando-nos, desse tempo, um relato sentido com ênfase em aspetos intemporais que, sendo inovadores “in illo tempore”, continuam atuais e cada vez mais necessários serem trazidos à colação no tempo de agora. Destes, o capítulo 25 sobretudo os versículos 34 a 40, constituem não só uma definição completa da verdadeira doutrina social cristã, mas sobretudo e, igualmente, uma censura aos atuais fariseus que por aí andam e que devendo ler e refletir sobre os versículos de 37 a 40 (“Então os justos responder-Lhe-ão: ‘Senhor, quando foi que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou nu e Te vestimos? E quando Te vimos doente e na prisão e fomos visitar-Te?’ E o Rei dir-lhes-á em resposta: ‘Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um dos Meus irmãos mais simples e humildes, a Mim mesmo o fizeste’”)

Se, porventura, tal lição do melhor e mais puro que há na mensagem trazida, há dois milénios, pelo Nazareno, os não sensibilizar suficientemente então, outro remédio não terão que não seja continuar a leitura até ao final do referido capítulo… dele tirando as devidas conclusões ou, então, que se calem com hipocrisia de quererem vender-nos gato por lebre ou, mantendo a tónica bíblica, os que o mesmo S. Mateus descreve na capítulo 7, versículos 15 e 16: “Acautelai-vos dos falsos profetas que se apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Conhecê-los-eis pelos seus frutos. PORVENTURA podem-se colher uvas dos espinhos ou figos dos abrolhos?”


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

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