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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Jornalista brigantino conta ao mundo a tragédia vivida na Venezuela


 Foi na Rádio Brigantia, aos 19 anos, que o brigantino Daniel Catalão começou um percurso que o levaria aos quatro cantos do mundo. Hoje, correspondente da RTP no Brasil, foi destacado para a Venezuela, poucos dias depois dos violentos sismos que devastaram parte do país. Encontrou cidades reduzidas a escombros, histórias de dor difíceis de esquecer e uma população que, entre a perda e a esperança, continua a lutar.

“Parecia um cenário de guerra”

O primeiro impacto continua vivo na memória de Daniel Catalão. “O que encontrei foi um cenário de autêntica guerra. As primeiras imagens que me vieram à cabeça foram as da Síria e de Gaza”, começou por dizer o jornalista.

Hotéis, prédios, lojas e ruas desapareceram em segundos. “O que há é apenas destruição. A cor é monocromática, muito pó no ar, tudo destruído”, contou ainda.

Pelas ruas, multiplicam-se colchões improvisados, tendas e famílias que deixaram de ter casa.

À espera dos corpos de quem nunca regressa

Entre dezenas de histórias, há uma que dificilmente esquecerá, a de um português que perdeu a filha e duas netas. “O genro saiu para comprar uma pizza. Quando saiu, deu-se o sismo e o prédio caiu. Salvou-se, mas perdeu a mulher e as filhas e este homem a filha e as netas”, referiu, dizendo que, desde então, o homem “permanece sentado junto aos escombros”, a “implorar” às equipas de socorro que lhe entreguem os corpos “para poder fazer o enterro”.

O homem que desafiou todas as probabilidades

Apesar da tragédia, as histórias mais impensáveis, tidas quase como impossíveis de acontecer, também surgem. Daniel Catalão acompanhou, desde o primeiro momento, o resgate de um vigilante de 43 anos. Permaneceu oito dias soterrado num parque de estacionamento. “Esteve dias completamente sozinho, sem saber se alguém o iria encontrar”, destacou.

E foi a equipa portuguesa de resgate que estabeleceu o primeiro contacto. Seguiu-se uma operação internacional envolvendo especialistas de seis países. “Contra todas as estatísticas conseguiram tirá-lo vivo”, disse ainda, referindo também que, depois, o entrevistou no hospital, num momento “inacreditável”, porque… “olhando para ele ninguém diria que esteve oito dias soterrado”.

“Obrigado por mostrares ao mundo o que estamos a viver”

Apesar da devastação, Daniel Catalão encontrou um povo profundamente agradecido. Destacando que “a população venezuelana é extremamente simpática”, sublinhou que, perante a tragédia, fizeram questão de agradecer. “Dizem-nos: ‘Obrigado por terem vindo. Obrigado por mostrarem ao mundo aquilo que estamos a passar”, contou.

Ser jornalista num país em emergência

Antes mesmo de começar todo este trabalho surgiram os primeiros obstáculos. Entrar na Venezuela revelou-se uma missão difícil.

Para entrar naquele país, para trabalhar e exercer esta profissão, “é preciso pedir um visto de jornalista”, o que normalmente demora um mês ou dois, ou pode até mesmo “nunca chegar”. Numa situação de emergência não há essa possibilidade e, por isso, “foi preciso forçar a entrada”. “Deixaram-me passar. Sempre declarei a verdade. Houve vários jornalistas que tentaram entrar como turistas, para poder agilizar o processo, mas eu sempre disse a verdade ‘sou jornalista, venho para contar aquilo que aconteceu’. E a verdade é que me deixaram passar”, destacou o único jornalista da RTP e da Antena 1 ali presente.

Depois veio a logística. Horas de viagem, mudanças de planos, voos perdidos, longas deslocações por estrada e dificuldades de comunicação. Entre filas “gigantescas”, encontrar o aeroporto fechado e refazer toda a viagem, chegar ao local e confrontar-se com a falta de comunicações foi outro dos problemas. “Não era possível fazer diretos. Ainda conseguimos fazer alguma coisa por WhatsApp, mas a rede era muito fraca. Foi extremamente complicado porque os vídeos ou os áudios demoravam uma eternidade. Nós estamos habituados a no WhatsApp pegar, colocar um vídeo, carregar no botão e o vídeo foi. Aqui era esperar minutos, minutos, minutos, minutos, ver a rodinha a passar muito devagarinho e nós a desesperar. Porque queremos que o material chegue à redação para ele ser emitido e seguir para outro sítio à procura de outras histórias. E esse foi um grande problema”, contou o jornalista.

Aquilo que as imagens nunca conseguem mostrar

Daniel Catalão acredita que há algo impossível de transmitir através da televisão. Não são apenas os edifícios destruídos. É o choque. Para o descrever recorda a história de um motorista que o levou até determinado local, que conhecia perfeitamente. “Quando lá chegou, desatou a chorar e disse-me que já tinha visto muitos vídeos, mas chegar ali e ver com os próprios olhos é completamente diferente”, rematou, assumindo que, apesar de na televisão as imagens impressionarem, estar ali “é sentir”.


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