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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Damos a conhecer a região de Carrazeda de Ansiães - Novos trilhos são pretexto para conhecer o concelho

 As paisagens do Douro e do Tua, um castelo com cinco mil anos de história, gastronomia e vinhos são alguns dos tesouros que Carrazeda de Ansiães tem para oferecer aos visitantes. O concelho possui uma rede de oito trilhos, à espera que os turistas ponham os pés a caminho.


É num miradouro envolto em silêncio, a contemplar o rio Douro, que se tem consciência de que há locais no interior do país que é mesmo obrigatório (re)descobrir. Estamos em Carrazeda de Ansiães, no distrito de Bragança, a cerca de 150 quilómetros de Braga, a percorrer um dos cinco novos trilhos que este concelho implementou, num convite para que os amantes das caminhadas e da natureza percorram o concelho passo a passo.


Depois das rotas de S. Lourenço, Senhor da Boa Morte e Foz-Tua, que já existiam no Vale do Tua, o município inaugurou os trilhos do Miradouro da Cova Escura, da Aldeia dos Moinhos, da Fraga das Ferraduras, das Quedas d’Alto e da Fraga da Ola, na zona do Douro, criando condições para que os visitantes apreciem a diversidade de oferta do concelho.



Implementados no terreno pela empresa Portugal NTN e homologados pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, os novos percursos passam por alguns dos pontos de interesse do município, convidando os caminhantes a explorarem o património local.


O Trilho do Miradouro da Cova Escura começa precisamente junto à sede do Museu da Memória Rural, em Vilarinho da Castanheira, que destaca o ciclo do vinho e os ofícios tradicionais. Já o Trilho da Aldeia dos Moinhos leva os caminhantes à descoberta dos moinhos de rodízio do Ribeiro do Couto, inseridos num espaço de lazer bucólico e campestre.


Estes são dois dos cinco polos que compõem o Museu da Memória Rural, uma estrutura cultural dedicada à preservação do património material e imaterial, que complementa a apresentação do espólio em núcleos temáticos espalhados pelo concelho com a recolha de testemunhos das gentes locais, de forma a perpetuar os usos e costumes que fazem a história do concelho. Os depoimentos estão disponíveis online.


É com a orientação de Alexandra Lopes, arqueóloga e chefe de Divisão de Turismo, que descobrimos este património, numa visita promovida pela Câmara de Carrazeda de Ansiães e organizada pela agência de comunicação Conteúdo Chave.


O périplo pelo concelho incluiu o moinho de vento de Carrazeda de Ansiães, uma construção pouco frequente em Trás-os-Montes. Mandado construir em 1900, por Damião Gonçalves Neves, terá funcionado no máximo uma década e meia. Em 2012 foi recuperado, estando integrado nos circuitos patrimoniais, turísticos e pedagógicos da autarquia.


A próxima paragem é na aldeia de Lavandeira, onde o Núcleo Museológico do Azeite explica as tradições ancestrais da apanha da azeitona e mostra como era produzido o azeite num lagar tradicional de prensa de parafuso central. Esta rede museológica fica completa com a telheira de Luzelos, a que em breve se vai juntar um núcleo dedicado ao ferreiro e ferrador, em Seixo de Ansiães.


A pouca distância do lagar, fica localizada a igreja de Santa Eufémia, um templo seiscentista com o interior decorado em esplendoroso estilo barroco, destacando-se a talha dourada, os caixotões do teto e os frescos nas paredes. Aqui há a tradição de se comer  a “marrã” (carne de porco assada na brasa)na romaria em honra de Santa Eufémia, a 15 e 16 de setembro.


Castelo com 5 mil anos de história

A vila amuralhada de Ansiães é o expoente máximo do concelho em termos patrimoniais, com vestígios que remontam ao 3.º milénio a.C. O Centro Interpretativo do Castelo de Ansiães, permite ao visitante o encontro com a história do concelho.


Para além de 5 mil anos de história, este local tem uma paisagem impressionante, com vista para o planalto de Ansiães, o rio Douro e o Castelo de Numão.


Com uma implantação geográfica que lhe confere excelentes condições naturais de defesa, o castelo foi habitado desde o calcolítico até 1734, data em que os Paços do Concelho foram transferidos para Carrazeda.


Devido à sua importância no processo de Reconquista Cristã, o rei leonês Fernando Magno atribuiu-lhe o foral no século XI, estando entre os cinco forais mais antigos do território que atualmente compõe Portugal.


A igreja de S. Salvador é uma das joias desta vila amuralhada. O templo do século XII tem um tímpano “Pantocrator” no portal principal, cuja iconografia do “Cristo em Majestade” é considerada pelos especialistas como «a mais completa do românico português».


Vale do Tua tem Centro Interpretativo

O Tua é um importante polo de atração, sendo o Centro Interpretativo do Vale do Tua e a Porta de Entrada no Parque Natural Regional do Vale do Tua estruturas de acolhimento para quem vai iniciar o percurso neste território.


Localizado num antigo pavilhão da estação de comboios de Tua, o Centro Interpretativo tem uma exposição permanente dedicada ao vale, à linha ferroviária e à barragem, proporcionando uma visita que vai desde a geologia, à construção da linha e à sua submersão parcial com a construção da barragem.


A pouca distância fica uma antiga casa dos cantoneiros, que foi transformada na “Foz-Tua Wine House”, um espaço dedicado à divulgação e comercialização de vinhos e produtos do concelho, sendo o preço de venda ao público o praticado pelos produtores. Aqui é possível provar e comprar vinhos, queijos, enchidos, compotas ou frutos secos.


Para além da sala de exposição e venda dos produtos, o equipamento tem uma sala de provas, um pequeno auditório e uma esplanada com vista para os rios Tua e Douro.


Os vinhos e a gastronomia são ex-libris do concelho, podendo ser degustados no restaurante Beira Rio, em Foz-Tua, que já conta com clientela da zona de Braga. Para comer no concelho, referência também para o Restaurante Convívio e para a Taberna da Helena.



Entre os produtos mais icónicos de Carrazeda de Ansiães estão as uvas e as maçãs. Foi precisamente da junção destas duas palavras em inglês que surgiu o nome do único hotel de quatro estrelas do concelho: o “Grapple – Hotel & Spa”.


Carmina Gonzalez, de 36 anos, nascida em França, mas com ligações familiares à região, resolveu mudar-se para Portugal e apostar na criação desta unidade hoteleira, num investimento de 2,8 milhões de euros que contou com o apoio do Turismo de Portugal.


Com assinatura da arquiteta Daniela Rebelo e decoração de interiores de Nini Andrade Silva, o hotel tem a particularidade de ter três “villas” onde é possível manter a privacidade sem deixar de usufruir das restantes instalações e serviços do empreendimento, nomeadamente piscinas – interior, exterior de água salgada e infantil; jacúzi; sauna; banho turco; restaurante; bar; e salão para eventos.


Rio de Onor: uma das últimas aldeias comunitárias de Portugal

 Em pleno Parque Natural de Montesinho, perto de Bragança, a aldeia de Rio de Onor é uma das últimas em Portugal onde ainda se praticam hábitos comunitários.

Do lado de Portugal, temos Rio de Onor. Do lado espanhol, Rihonor de Castilla. Ficou confuso? Não fica só nessa sensação, já que Saramago, quando por aqui passou, o ficou, descrevendo a experiência no livro Viagem a Portugal, de 1981: “Afinal de contas, onde está a fronteira? Como se chama este país, aqui? Ainda é Portugal? Já é Espanha? Ou é só Rio de Onor, e nada mais do que isso?”.

Rio de Onor é atravessado pela fronteira entre Portugal e Espanha, embora, para os habitantes desta aldeia do concelho de Bragança, a fronteira seja apenas uma formalidade. A população até trata as duas aldeias (a portuguesa e a espanhola) como “povo de acima” e “povo de abaixo”. O gado atravessava com frequência a fronteira livremente, e a população dos dois países tinha muitas vezes terras do lado oposto da fronteira.

Rio de Onor é uma aldeia comunitária, o que significa que os habitantes partilham algumas coisas e se entreajudam. Partilham, por exemplo, o forno comunitário, existem terrenos agrícolas onde todos devem trabalhar, e um rebanho que pasta nestes terrenos. No entanto, hoje em dia, este estilo de vida comunitário já não é tão praticado, já que os habitantes têm uma idade mais avançada.

Hoje, a grande esperança dos poucos habitantes de Rio de Onor é o turismo. A aldeia ganhou projeção nacional e começam a ser cada vez mais os turistas que a visitam. Grande parte das casas está a ser reabilitada e reconstruída com o cuidado de preservar a sua traça original para que não se perca o espírito desta aldeia transmontana.

Talvez esta seja a melhor forma de dar uma nova vida a esta aldeia. Restam hoje em Rio de Onor cerca de 50 habitantes, com uma média de idades acima dos 70 anos. Em, 1950, eram 398 habitantes. Rio de Onor junta-se assim a centenas de aldeias do interior que se encontram a ficar despovoadas. A agricultura, que apenas pode ser de subsistência, não proporciona rendimento suficiente para uma boa qualidade de vida. É no turismo que estão depositadas as esperanças.

A aldeia foi vencedora das “7 maravilhas de Portugal” em 2017, na categoria de aldeias em áreas protegidas, uma vez que está inserida no Parque Natural de Montesinho. Graças ao prémio, o turismo ganhou nova força na região. Em 2019, a aldeia recebeu 5200 visitantes na Casa do Touro, um espaço museológico dedicado à cultura e história desta aldeia única.

No museu, pode conhecer mais sobre o comunitarismo da aldeia, uma das suas características mais conhecidas. O próprio museu foi construído no edifício que albergava originalmente o touro comunitário de Rio de Onor.

Existia também um dialeto próprio da aldeia, hoje quase extinto: o rionorês, que pertence ao grupo do asturo-leonês, tal como o mirandês. Mas apenas duas ou três pessoas da aldeia conseguem falar rionorês fluentemente. Alguns dos termos são idênticos ao mirandês, mas o dialeto em si assemelha-se mais ao castelhano.

O que visitar em Rio de Onor

Uma visita a esta aldeia irá mostrar-lhe um local tipicamente transmontano, com as suas casas de xisto e varandas em madeira. No andar de cima, vivia a família. Em baixo, os animais. Poucas habitações destoam hoje em dia das tradicionais, existindo, no entanto, casas em ruínas.

As paisagens são também dignas de nota, podendo ter vista desafogada para o Parque Natural de Montesinho. Assim, passeie pelas ruas da aldeia, admire a paisagem, visite a igreja e a ponte romana, bem como os vestígios de uma vida comunitária que vale a pena conhecer, como a forja e o moinho. Acima de tudo, procure conversar com os habitantes de Rio de Onor, que o acolherão de braços abertos e partilharão histórias que nunca conseguirá encontrar em livros.

O que visitar nos arredores de Rio de Onor?

Localizada em pleno Parque Natural de Montesinho, Rio de Onor pode servir de centro para descobrir várias outras aldeias do parque, para além da natureza envolvente. Destacam-se a aldeias de Montesinho e de Gimonde, mas Guadramil também merece uma visita.

Uma das melhores formas de explorar a região é realizando algum dos vários percursos pedestres oficiais e sinalizados. Os destaques vão para o Trilho de Rio de Onor, a Rota da Lombada e a Rota dos Cervídeos.

Os grandes destaques vão, no entanto, para Bragança (no lado português) e Puebla de Sanábria (no lado Espanhol). Ambas são duas povoações com centros históricos bem preservados e repletos de pontos de interesse. A gastronomia é outro dos pontos fortes da região. A estrela principal é a carne, especialmente quando assada na brasa ou feita no forno.

𝐀𝐏𝐑𝐄𝐒𝐄𝐍𝐓𝐀𝐂̧𝐀̃𝐎 𝐃𝐄 𝐋𝐈𝐕𝐑𝐎 'Cumo Quien Pica Un Palo'

 A Casa da Cultura Mirandesa, acolhe dia 5 de julho, pelas 18h00, a apresentação do livro "Cumo Quien Pica Un Palo" de Adelaide Monteiro.

Data: 5 de julho
Hora: 18h00
Local: Casa da Cultura Mirandesa
Pago/Gratuito: Gratuito
Público alvo: Público em geral
Organização: Câmara Municipal de Miranda do Douro

"Matiné ao Domingo" - Museu do Abade de Baçal

 No próximo dia 3 de julho a partir das 16h o MAB recebe mais uma "Matiné ao Domingo" dinamizada pela Dedos Bionicos e Associação ALDEIA.

Pablo Und Destruktion + Exploradores da Natureza

Vimioso - Planalto Mirandês | Portugal

Dia 1 de julho. Dia mundial das Bibliotecas. Porque elas são o mundo!..

PÁSSAROS 2. Um remoque e o mais que se lerá

 Vem-me aqui a calhar um remoque.
 Os provérbios são a expressão duma sabedoria antiga, já se sabe. Mas, por isso mesmo que a sabedoria que expressam é antiga, muitos deles têm hoje de ser revistos e corrigidos, à face das novas realidades: económica, sociológica, ambiental, eu sei lá. 
 Um bom exemplo de anexim a precisar de correcção é o famoso ‘Vale mais um pássaro na mão do que dois a voar’. Hoje, para quem tenha em conta a drástica redução na quantidade da passarada nos nossos campos e bosques, o provérbio certo só pode ser ‘Vale mais um pássaro a voar do que dois na mão’. Não será tão eufónico, concedo, mas é decerto mais justo e mais acomodado à situação actual.
 Na verdade, que interessa hoje a ninguém ter um pássaro na mão? Vão longe os tempos em que um pássaro seria um bem alimentar não despiciendo, do qual, por mais pequeno que fosse,  sempre seria possível extrair uma febrazinha que ajudasse a iludir a fome. Claro que não dava, como se costuma dizer, para a cova dum dente. Era um lambisco que só servia para abrir o apetite para mais. Fosse como fosse, podia ser um paliativo possível para os roncos imperativos do estômago.  
 Hoje, pelo contrário, ninguém olha para um pássaro como uma vitualha. Vê-se nele o esplendor da plumagem, a beleza do canto, a destreza do voo — mas não as proteínas da carcaça. Felizmente já não há fome, pelo menos aquela fome autêntica que, se não senti felizmente na carne, ainda testemunhei em muito boa gentinha, que hoje vejo arrotar de farta. ‘Fome é de três dias’, assim a define o povo; e a alguns vi eu com fome de cinco dias e mais. A esses, convenho que fizesse jeito um pássaro, por pequeno que fosse, e que lhes fosse mais grato ter um pássaro na mão em trânsito para a caçarola do que ver dois a voar. 
 Mas, como digo, as coisas mudaram. 
 Mudaram em que sentido?
 Para melhor, no que respeita à fome. Para pior, no que respeita ao meio ambiente. 
 De tal maneira que ninguém, verdadeiramente cônscio dos riscos ambientais que o planeta corre (de que a extinção progressiva da vida animal é prenúncio aziago), pode hoje usar com convicção o tal provérbio. Pode, naturalmente, utilizá-lo para retirar dele a mais-valia probatória que faz dos provérbios e anexins, ainda que desactualizados, um instrumento retórico importante. Ou então com intuitos meramente arqueológicos, para remeter para uma era de abundância de bens naturais trágica e irremediavelmente ultrapassada. Mas apenas isso. Tanto mais que, para significar o mesmo, mas sem os seus melindres ecológicos, existe um outro rifão que proclama que ‘Não se deve trocar o certo pelo duvidoso’. 
 Esta rabugice salpicada de verde é o que se me oferece a respeito do tal provérbio cujo sentido caducou. Deixem lá os pássaros voar em paz e ferrem o dente em coisa mais substancial. Pela minha parte, de boa vontade o faço. Na verdade, não tenho as preferências gastronómicas que o Professor Cavaco Silva, então primeiro-ministro, revelou certa vez numa entrevista: que o seu petisco favorito são passarinhos fritos! A simples ideia horroriza-me, com licença do Professor. Que passarinhos: rouxinóis, tentilhões, pintassilgos, toutinegras, chapins? E quantos passarinhos bastarão a satisfazer o apetite de sua excelência? Dez, vinte? Pois serão menos dez ou vinte bicos diligentes a catar os insectos da seara e a encher de música a campina. E pode alguém comer com prazer e em paz de consciência passarinhos fritos, sabendo que come provavelmente os penúltimos do planeta? 
 Custa a caber na cabeça que um primeiro-ministro de um país europeu, que não podia deixar de ter no seu programa de governo preocupações ambientais, confessasse assim o seu fraco por passarinhos fritos. Simples candura? Insensibilidade pura e simples? Seja o que for, há coisas que — parafraseando uma cançoneta dos anos 50 do século passado — nem às paredes se confessam. Coma bolo-rei, senhor Professor, e deixe os passarinhos em paz.
 De outra vez em que revelou que adorava cerejas, o Professor teve a grata surpresa de receber em São Bento cestadas delas. Felizmente desta vez o povo foi sensato bastante para não se pôr a armar redes, costelos, ichós e pescoceiras para o jantar de sua senhoria. 
* * *
 Bons tempos em que os pássaros abundavam e se tornavam nocivos. Leio em número já antigo (Dezembro de 1987) da folha municipal de Paços de Ferreira um apontamento que tem aqui cabimento. Aí se transcreve uma postura do século passado, do então presidente da Câmara, José António Carneiro Leão, segundo a qual «são obrigados todos os Lavradores assim Proprietários, como Caseiros a trazer á Câmara uma dúzia de cabeças de Pardal, Pintassilgo, Verdilhão, Serezino, e Tintilhão; ou quatro cabeças de Melro, Gaio ou Pega, por cada junta de bois, ou vaccas, com que lavram; isto em todos os annos; e no corrente serão entregues as ditas cabeças para serem queimadas na presença dos Portadores, na Casa do Foral deste Concelho, em todas as quartas feiras do futuro mez de Maio, desde o meio dia athe ás três horas da tarde, ficando pelo presente Edital todos obrigados a satisfazer dentro do dito prazo com as ditas cabeças todas mortas. O contraventor pagará de multa na razão de quatrocentos, e oitenta reis por cada dúzia em falta.»
 Quanta coisa se alterou de há cem anos para cá! Em 1861, a passarada, de abundante, dava cabo dos milharais de Paços de Ferreira, e houve que tomar esta medida drástica, não sei se sensata. O presidente Carneiro Leão não era homem de meias medidas e não esteve para contabilizar, no deve e haver das aves, os benefícios que as mesmas traziam, ao dizimar os insectos daninhos aos mesmos milharais. As noções de ecossistema e de cadeia alimentar ainda vinham longe... De resto, estas mortandades de pássaros em benefício (?) da agricultura já vêm de trás. Em sessão da Câmara de Mirandela, em 1723, foi determinado: «E outrossim mandaram elles ditos oficiais da camera que todos os moradores deste concelho e vila quada hum traga á camera ou casa do escrivam da camera athe o mez de Junho simco cabeças de pardais, pentasirgos e melharengos, pena do que faltar o sobre dito acordam pagar quinhentos Reis pera o concelho.»
 Era isto, pelo que se vê, procedimento corrente entre as vereações preocupadas com as colheitas. Havia mais pássaros e menos preocupações ambientais do que hoje. Hoje a passarada — salvo os pardais, que esses marotos continuam a inçar como no princípio do mundo, indiferentes a fumos e pesticidas — está a ficar tão escassa que parece impossível que algum dia tenha sido preciso legislar para lhe controlar o número. Hoje quem for amante da natureza e goste de observar as aves, se quiser ver um pintassilgo, terá de se armar da paciência e do lampião com que Diógenes andou à cata de um homem. Levaram sumiço os pintassilgos, como o levaram os pintarroxos, toutinegras, milharengos, verdelhões e todos os mais. Um biólogo poderia, aqui, fazer o inventário das espécies que o nosso século já extinguiu ou tem em vias de extinguir. Um ecologista poderia, aqui, fazer ácidos considerandos e fulminar objurgatórias contra o sistema económico e social que propiciou e continuará a propiciar tais hecatombes. A mim, que não sou biólogo nem ecologista, mas tão-só um amante comovido da natureza, não me cabe mais do que lamentar o ponto a que isto chegou.

A M Pires Cabral

Desporto | Mirandela lança o programa "Canoagem para Todos"

 Desporto | Mirandela lança o programa "Canoagem para Todos"
Aulas de canoagem, ministradas pelos técnicos de desporto do Município, são gratuitas e as inscrições já estão abertas na Piscina Municipal de Mirandela.

A Câmara Municipal de Mirandela criou o Programa Municipal “Canoagem para Todos”. Durante o mês de julho e de forma totalmente gratuita, esta ação propõe-se a alargar a oferta de acesso à prática desportiva de canoagem para lazer, iniciação ou aperfeiçoamento, assim como melhorar o desempenho desportivo, rentabilizando os recursos naturais, humanos e materiais locais, contribuindo para o desenvolvimento cívico e físico da população do concelho de Mirandela.

Os participantes poderão adquirir a ficha de inscrição na Piscina Municipal ao através do telefone 278 264 022. Após devidamente preenchida e assinada pelo próprio ou pelo encarregado de educação (se menor) este deverá ser entregue na Piscina Municipal. A idade mínima para inscrição é de 6 anos.

Com seguro desportivo incluído, as atividades decorrerão durante o mês de julho, de segunda a sexta-feira, no período da manhã, na Praia Fluvial Arq. Albino Mendo.

O programa “Canoagem para Todos” tem como parceiros o Clube Fluvial de Mirandela  e o Parque Natural Regional do Vale do Tua.

Festival Improvável mostra monumentos com teatro e música nas Terras de Trás-os-Montes

 A Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes vai marcar o regresso dos eventos depois da pandemia de Covid-19 com um "Festival Improvável" nos monumentos da região.


A Comunidade Intermunicipal (CIM) Terras de Trás-os-Montes vai marcar o regresso dos eventos depois da pandemia de Covid-19 com um “Festival Improvável” que mostra os monumentos da região com teatro e música, divulgou esta sexta-feira aquela entidade.

É “improvável” porque é a primeira vez que acontece, é a primeira vez que junta os nove municípios desta CIM num evento cultural comum e porque se trata de um ciclo de eventos culturais relacionados com o património arquitetónico classificado da região, como explicou o presidente Jorge Fidalgo.

O festival decorre entre 08 de julho e 20 de agosto e alia a componente cultural às lúdicas e turísticas com concertos musicais com nomes nacionais como Gisela João, João Gil ou Rita Redshoes, antecedidos por encenações que envolvem as comunidades e associações culturais locais.

Em cada concelho, haverá três momentos, a começar por uma visita teatral e exploratória do património e mitos e lendas que lhe estão associados, projeto artístico com a comunidade local e um concerto musical na envolvente do monumento.

O festival arranca a 08 de julho no Convento de São Francisco, em Mogadouro, no dia seguinte estará na Igreja Matriz de Vimioso, prossegue a 15 no Castelo de Bragança, a 22 no Paço dos Távoras, em Mirandela, depois na Concatedral de Miranda do Douro e na Igreja Matriz de Sambade.

Já em agosto, no dia 13, o evento chega ao Pelourinho de Vale de Prados, em Macedo de Cavaleiros, a 19 de agosto ao Castelo de Vinhais e termina a 20 de agosto na Fonte Romana de Vila Flor.

O programa Operacional regional do Norte cofinanciou os cerca de 250 mil euros de investimento neste festival com entrada gratuita e que vinha sendo adiado devido à pandemia de covid-19, segundo os promotores.

Os nove locais onde decorre são, como salientou o presidente da CIM, “património arquitetónico classificado” e “o objetivo é valorizar esse património, envolver a população local para que se identifique ainda mais e aumente o orgulho que tem nesse património”.

A componente lúdica, com teatro e concertos, serve de chamativo e para que “as pessoas percebem que o património tem uma história, tem vivências” que a CIM pretende valorizar e dar a conhecer às comunidades locais e aos visitantes.

“Muitas vezes nós, os locais, não temos conhecimento e só se pode valorizar e promover aquilo que se conhece e este projeto pretende contribuir para fomentar o sentimento de pertença das gentes da região e envolvê-las na conservação e valorização dos elementos patrimoniais”, sustentou.

O festival “é respirar ar fresco” para as associações culturais locais, que têm mais de 200 elementos envolvidos nos eventos programados para cada concelho.

A responsável pela produção das visitas teatrais e projetos artísticos é a Lérias, uma associação cultural de Miranda do Douro que envolveu as congéneres nos diferentes locais, como explicou Amadeu Soares, expressando o “entusiasmo de voltar à rua e haver mais coisas a acontecer”, depois de “dois anos complicados” com a pandemia.

Responsável pela programação diurna, uma visita encenada com uma abordagem diferente ao património de cada município, com um ator convidado a recriar uma personagem relacionada com o local.

A Lérias convidou um grupo em cada município que vai trabalhar com as comunidades locais e ajudar a recriar as lendas associadas aos monumentos em destaque.

É hoje lançado o Passaporte Natura 2000: a app para descobrir a natureza, o património e as comunidades da Rede Natura 2000 em Portugal

 Já há uma app para descobrir a Rede Natura 2000 em Portugal, a maior rede de áreas protegidas do mundo para a natureza. Chama-se Passaporte Natura 2000, é hoje lançada, e apresenta três categorias - Natureza, Património e Comunidades - e locais fascinantes de elevada importância inseridos em territórios desta Rede para conhecer e deslumbrar-se. Descarregue a aplicação e comece a aventura.


A aplicação para dispositivos móveis resulta de um projeto da organização não governamental de ambiente Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural financiado pelo Fundo Ambiental, está disponível em português e inglês e pode ser descarregada no Google Play e na App Store.

A app impele-nos a descobrir e explorar a biodiversidade, a riqueza patrimonial e as comunidades locais da Rede Natura 2000, o principal instrumento de conservação da natureza e da biodiversidade na União Europeia. Os locais para explorar estão inseridos em áreas do Douro Internacional e das Minas de Santo Adrião, que estão protegidas no âmbito desta Rede europeia.

Viaje, carimbe e descubra locais fascinantes. O Passaporte Natura 2000 é um guia inovador e aliciante e funciona de forma similar ao passaporte físico, podendo ser "carimbado" através da leitura de QR Codes distribuídos pelos locais a descobrir. O carimbo permite ao utilizador ter acesso a informação relevante sobre cada local e desfrutar de uma experiência sensorial e tecnológica única.

A app é lançada oficialmente esta sexta-feira, 1 de julho de 2022, pela Palombar, num evento público que decorre no PINTA - Parque Ibérico de Natureza e Aventura, em Vimioso, no distrito de Bragança, com início às 14h00.

A sessão de lançamento conta com a presença de Sandra Sarmento, diretora regional do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas do Norte, de João Ribeiro da Silva, da Direção Regional de Cultura do Norte e de Jorge Fidalgo, presidente da Câmara Municipal de Vimioso.

A app é lançada com duas zonas, Douro Internacional e Minas de Santo Adrião, e 27 locais para visitar e descobrir, mas o objetivo da Palombar é alargar a oferta quer de zonas, quer de locais da Rede Natura 2000 no território nacional para conhecer e explorar.

Bienal de Arte Contemporânea de Trás-os-Montes "Linha de água" inaugurada em Macedo de Cavaleiros

 Já foi inaugurada, em Macedo de Cavaleiros, a primeira edição da Bienal de Arte Contemporânea de Trás-os-Montes.


A exposição resulta do trabalho de artistas reconhecidos a nível nacional e internacional, sendo que há 9 nacionalidades diferentes presentes.

Designada, "Linha de Água" a iniciativa foi inaugurada na antiga estação ferroviária de Macedo de Cavaleiros mas está presente, ao todo, em seis espaços do concelho.

Inês Falcão, uma das curadoras e das directoras artísticas da bienal, explica que o nome se deve aos vários e importantes cursos de água do distrito.

“Linha de Água por causa destes recursos naturais que Macedo de Cavaleiros e o Nordeste Transmontano têm, o Azibo, o Sabor e o Douro, e que no fundo pode fazer a ligação para o lado de Espanha, que é o que pretendemos, fazer um projecto transfronteiriço”, referiu.

A exposição estará patente em seis espaços ao longo dos próximos três meses. Prevê-se que haja uma conferência por mês, bem como outras actividades paralelas, nomeadamente ligadas à música, performances e workshops.

No próximo ano não se realizará a bienal mas Inês Falcão garante que as actividades não vão faltar.

Laura Castro, directora regional de Cultura do Norte esteve em Macedo de Cavaleiros para a inauguração desta bienal, que espera que continue.

“A arte contemporânea tem vindo a disseminar-se em muitos espaços centros de arte e o Norte do país também revela isso, não é assim tão inesperada. É de saudar a iniciativa da Câmara Municipal de ter esta bienal. Estamos a falar em dar oportunidades a artistas, a curadores, a produtores, a criadores do audiovisual, do multimédia, da fotografia, do design”, afirmou

A Bienal de Arte Contemporânea de Trás-os-Montes foi inaugurada na quarta-feira.

Projeto Sucesso Escolar em Mirandela

População diz que minas de ferro estão inativas, mas concessionária nega e fala em “paragens técnicas

 Estão parados há mais de um mês os trabalhos que decorriam nas minas de ferro de Carvalhal, em Torre de Moncorvo.


A população das aldeias da União das Freguesias de Felgar e Souto da Velha conta que há várias semanas não se veem as máquinas retroescavadoras trabalhar e camiões a sair de uma zona do Cabeço da Mua, onde estavam a retirar inertes. Segundo uma fonte as cerca de 18 empresas que ali trabalhavam pararam os trabalhos por falta de pagamento. Em causa está um montante global de meio milhão de euros de pagamento em falta, Algumas das empresas não recebem desde início do ano e outras há três u quatro meses.

A exploração tinha sido retomada em março de 2020, depois de as minas de ferro terem estado encerradas 38 anos.

Uma fonte oficial da Aethel Mining Limited, empresa que detém a concessão da exploração das minas, garantiu ao Mensageiro que “a laboração na mina está a decorrer normalmente, podendo existir quando necessárias paragens técnicas para manutenção”. A mesma fonte nega que a paragem se deva à retirada da empresa a quem estava adjudicada a remoção do agregado de ferro, devido a uma alegada falta de pagamento. “São comentários que não correspondem à realidade”, acrescentou a mesma fonte.

Quando a concessionária deu início à extração, há dois anos, propunha-se retirar duas mil toneladas diárias de agregado de ferro de alta densidade, certificado, no depósito da Mua.

Durante vários meses o agregado de minério foi retirado da Mua e era transportado para a zona industrial de Larinho, em Torre de Moncorvo, daqui seguia via camião para vários locais, segundo os critérios do cliente.

Glória Lopes

𝗘𝘅𝗽𝗼𝘀𝗶𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗙𝗼𝘁𝗼𝗴𝗿𝗮𝗳𝗶𝗮 “𝗗𝗼𝘂𝗿𝗼 𝗣𝗮𝘁𝗿𝗶𝗺𝗼́𝗻𝗶𝗼 𝗖𝗼𝗻𝘁𝗲𝗺𝗽𝗼𝗿𝗮̂𝗻𝗲𝗼 – 𝗠𝗲𝗺𝗼́𝗿𝗶𝗮 𝗰𝗼𝗺 𝗙𝘂𝘁𝘂𝗿𝗼”

 Está patente no Auditório do Museu do Ferro e da Região de Moncorvo a exposição de fotografia “Douro Património Contemporâneo – Memória com Futuro”.


A inauguração da exposição teve lugar no dia 25 de junho, no âmbito do Festival do Solstício, contando com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Nuno Gonçalves, e do encarregado do Museu, Nelson Campos.

A exposição resulta do Concurso Internacional de Fotografia “Douro Património Contemporâneo /2020", sob o tema "Memória com Futuro", a qual foi organizada pelo Museu do Douro, com patrocínio do IVDP e Fundação EDP, estando a percorrer instituições museológicas de culturais durienses no âmbito da MuD (Rede de Museus do Douro). 

Esta mostra reúne trabalhos correspondentes aos três primeiros prémios e a uma Menção Honrosa, de que foram vencedores os conceituados fotógrafos António Jaime Abrunhosa, João Galamba de Oliveira e Alexandra Guedes. 

A exposição ficará patente até dia 15 de setembro e pode ser visitada à terça-feira, das 14h00 às 18h00, e de quarta-feira a domingo das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h00.

Investigação formaliza acordo ibérico para trabalho em rede na área alimentar

 Investigadores de oito centros de investigação e universidades portugueses e espanhóis preparam-se para assinar um acordo de trabalho em rede na área agroalimentar, que materializa o Laboratório Ibérico dos Alimentos anunciado há dois anos, foi hoje divulgado.


Alguns parceiros dos dois lados da fronteira reuniram-se hoje, em Bragança, num encontro e decidiram avançar para um acordo que formalizará a criação do laboratório ibérico, que não será uma estrutura física, mas um trabalho em rede, como explicou Lilian Barros, investigadora do politécnico de Bragança.

A instituição de ensino superior transmontana é uma das cinco da região Norte de Portugal que faz parte do consórcio que resultará do acordo, junto com mais três universidades das regiões da Galiza e de Castela e Leão, em Espanha.

O acordo será assinado “em princípio, em setembro”, e poderá ter mais parceiros, “porque existem muitas mais (instituições) que querem entrar no consórcio”, segundo a investigadora do Instituto Politécnico de Bragança (IPB).

A ideia da criação de um Laboratório Ibérico dos Alimentos surgiu no final de 2020, impulsionada, segundo disse, pelas “colaborações que sempre existiram” entre diferentes instituições nesta área.

A forma de formalizar este trabalho numa rede tem sido trabalhada em encontros bilaterais como o que decorreu hoje, em Bragança, e juntou o politécnico local, a universidade de Vigo, o Laboratório Colaborativo MORE (IPB) e o Laboratório Ibérico de Nanotecnologia (INL) da Universidade do Minho.

“Nesta reunião chegou-se à conclusão que, efetivamente, é necessário criarmos esta rede e assinarmos um acordo entre todas as entidades envolvidas e seguirmos para a frente com este Laboratório Ibérico de Alimentos”, salientou a interlocutora.

O objetivo deste projeto “é aproveitar as valências de cada um e não estarem a repetir os mesmos ensaios, as mesmas investigações”.

“Se nós trabalharmos em rede e conseguirmos aproveitar as valências que têm todos os grupos de investigação, que têm as regiões, conseguimos aqui evoluir mais e não estarmos, por exemplo aqui no IPB, a fazer um ensaio e na Galiza e Castela e Leão fazer o mesmo”, concretizou.

Segundo resumiu, esta rede de parceiros irá elaborar “uma agenda para a área alimentar” e trabalhar de acordo com os objetivos que vierem a ser definidos.

O propósito é também “fazer uma transferência de tecnologia mais direta com as empresas” para conseguir “uma maior evolução dos produtos para entrarem no mercado”.

Na reunião bilateral de hoje estiveram presentes dois membros dos governos de Portugal e Espanha, a secretária de Estado portuguesa, Isabel Ferreira, e o homólogo espanhol Francesc Boia, secretário Geral do Desafio Demográfico de Espanha.

Os dois governantes são os responsáveis pelo acompanhamento da Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço e realizam frequentemente reuniões dedicadas a projetos concretos, como explicou Isabel Ferreira.

Na reunião de hoje, em Bragança, ficaram a conhecer a evolução do Laboratório Ibérico dos Alimentos “que está alinhado com a estratégia de desenvolvimento transfronteiriço”, como salientou a Governante.

Isabel Ferreira destacou que a “área do agroalimentar é muito importante do ponto de vista do desenvolvimento da fronteira, é uma das atividades que existe com maior dinamismo”.

Expressou ainda a expectativa de que “o memorando de entendimento e eventualmente o contrato de consórcio” para este trabalho em rede possa ser assinado na próxima cimeira Portugal-Espanha, ainda não tem data marcada, mas que será ainda este ano, segundo apontou.

O governante espanhol, Francesc Boia, sublinhou que este laboratório, assim como um investimento previsto numa fábrica de baterias, em Cárceres, são dois exemplos concretos do resultado da cooperação transfronteiriça.

Lembrou os dois países estão a trabalhar em diversas questões, desde o estatuto dos trabalhadores transfronteiriços, à coordenação do 112, o número de emergência e socorro.

Estão também a trabalhar numa agenda cultural comum, em projetos de âmbito turístico e num projeto relacionado com as aldeias dos pequenos municípios raianos.

Mais de 200 mil pessoas já visitaram o Centro de Ciência Viva de Bragança nos últimos 15 anos

 O Centro de Ciência Viva de Bragança soprou ontem as velas do seu décimo quinto aniversário.

Ao longo destes anos já recebeu mais de 200 mil visitantes, recebeu 15 mostras itinerantes e temporárias e até reproduziu três exposições. A directora, Ivone Fachada, destacou a importância do centro no acesso à informação científica.

“Quando abriu em 2007, foi muito importante para a região porque permitiu que alunos, professores e mesmo a comunidade tivesse acesso a conteúdos e mesmo à cultura científica que de outa forma seria mais difícil. Achamos que fomos um polo agregador, entre a comunidade, os alunos, professores, os jovens, os adultos, que participam tantas vezes os nossos cafés de ciência”, afirmou.

Aproximar as crianças e jovens da ciência e descomplicar algumas noções científicas são uns dos objectivos do Centro de Ciência Viva.

“O nosso papel é mesmo desmistificar e depois temos muitos aliados. Temos uma actividade, todas as sextas-feiras, o encontro com o cientista, e vem um cientista e a ideia é falarem como se nós tivéssemos 5 anos. Falam de forma simples sem ser simplista, conseguem explicar muitas vezes a aplicabilidade e a importância da ciência”, refere.

Conhecer os planetas, saber mais sobre o corpo humano e conhecer as rochas são algumas das actividades que novos e graúdos podem experienciar de forma dinâmica e tecnológica. A robótica será uma grande aposta no próximo ano.

O Centro de Ciência Viva de Bragança está aberto de terça a sexta-feira das 10h às 18h e aos sábados, domingos e feriados das 11h às 19h. Há 21 Centros de Ciência Viva no país. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

OS MALEFÍCIOS DA NOVELA

Por: Humberto Pinho da Silva 
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

" Na Carta de Guia", escreve D. Francisco Manuel de Melo, que viajando por terras de Espanha, foi parar a hospedaria, onde a dona e suas filhas, tão elevadas estavam numa novela, que não foram capazes de o receber.
Não encontrou melhor remédio, se não procurar outra estalagem.
De regresso de viajem, perguntou pela leitora e ouvintes. Disseram-lhe: " Que poucos dias depois, a novela foi tanto adiante, que cada uma das filhas daquela estalajadeira fizeram sua novela, fugindo com seu mancebo do lugar, como boa aprendizes da doutrina, que tão bem estudaram."
O mesmo vai acontecendo com as telenovelas – versão moderna das novelas de outrora, – imbuídas das mesmas peçonhas, que incutem, na juventude, o desejo de passarem da ficção à realidade.
Os enredos, em geral, não são planeados, apenas para divertir; mas, no firme propósito de inculcar: ideologias ou condutas perversas.
O nosso genial Eça, costumava – talvez a pedido do editor, – " apimentar" a prosa, para aumentar as vendas. Todavia conhecedor da perversidade, não queria que os filhos lessem os textos, mormente a querida Maria.
Asseveram – não sei se é com sinceridade, – cineastas e produtores da TV, que somente mostram a sociedade, tal qual é.
Para eles, o cinema e novelas, apresentadas pela TV, são o espelho da sociedade. Mas – digo eu, – não será a comunidade, o espelho da TV e do cinema?
O que se passa na má fadada TV, ocorre, igualmente, com obras literárias – algumas de soberbo estilo, – mas abordando temas asquerosos e torpes, rebaixando a dignidade humana, ofendendo a mulher – mãe, irmã e esposa.
Refiro-me a obras de valor, porque escritas em elevado estilo, tornam-se ainda mais perigosas do que as outras.
Bem avisa o bom Heitor Pinto in: " Imagem de Vida Cristã: " Como a espada, quanto mais excelente, tanto é mais perigosa na mão do furioso; assim a linguagem quanto mais elegante, tanto mais perigo traz consigo."
Não é de admirar, portanto, com tantas imundices, tanta telenovela e livros perversos, convidando à voluptuosidade, a nossa terra seja infestada de - estupros, violações e porca pornografia, vendida sem o menor pejo.

Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

Está de volta a Concentração Motard de Mirandela. Começa hoje a 24ª edição e termina no próximo domingo.

 Os amantes das duas rodas voltam a reunir-se na Zona Verde da cidade.
Paulo Guilherme, presidente da direção do Moto Clube de Mirandela, congratula-se com o retomar desta festa, que é uma referência a nível nacional, depois de uma pausa de três anos, devido à pandemia.

A Concentração Motard já envolve um orçamento generoso, cerca de 40 mil euros, e nem sempre é fácil conseguir apoios para fazer face às despesas. A Autarquia contribuiu, mas Paulo Guilherme apela também aos Mirandelenses.

Este ano, devido a algumas restrições preventivas aplicadas à circulação na Ponte Eng.º Machado Vaz, esta será atravessada por grupos de 50 veículos. Só será permitida a circulação de motas, as pessoas não poderão concentrar-se na Ponte para assistir à passagem do tradicional Passeio Noturno.

RD (concentração motard 3)

Do programa destacamos para esta sexta-feira, o show erótico, atuação da Tuna Mira e mas duas bandas. No Sábado à tarde e noite teremos o Freestyle, Passeio Noturno e domingo o pequeno-almoço será tomado na aldeia de Barcel. 

São esperados mais de 5 mil motards para a 24ª Concentração Motard de Mirandela.

... o rebanho...