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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 2 de novembro de 2024

Aldeia de Avelanoso celebra a Castanha com tradição, sabores e reencontros

Mário Ortega preserva a identidade de TRÁS-OS-MONTES através da madeira

Homem detido em Vinhais por Violência Doméstica contra a Mãe

 O Comando Territorial de Bragança, através do Núcleo de Investigação e Apoio a Vítimas Específicas (NIAVE), deteve no dia 29 de outubro um homem de 41 anos, no concelho de Vinhais, por suspeitas de violência doméstica contra a própria mãe, uma idosa de 73 anos. A vítima teria sido alvo de violência psicológica, verbal e financeira.


Na sequência de uma investigação pelo crime de violência doméstica, os militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) apuraram que o suspeito exercia coação psicológica, verbal e financeira sobre a sua mãe. Perante a gravidade da situação, foi emitido um mandado de detenção, prontamente executado pelos militares da GNR, culminando na detenção do homem de 41 anos.

O detido foi presente ao Tribunal Judicial de Bragança, onde lhe foram aplicadas medidas de coação de proibição de contacto, direto ou indireto, com a vítima, bem como a proibição de se aproximar a menos de 500 metros da ofendida, medida que será monitorizada através de pulseira eletrónica.

A violência doméstica é considerada um crime público, e a denúncia é uma responsabilidade de todos.

 A Guarda Nacional Republicana reforça regularmente a sensibilização para este problema social, realizando campanhas para incentivar a denúncia. Em caso de necessidade ou ao presenciar qualquer situação suspeita de violência doméstica, é fundamental que a população recorra às autoridades para que possam intervir e proteger as vítimas.

Jornalista: Lara Torrado

Sabotagem no Paraíso - Quarta parte - O Plano B

 Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.

Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar;
E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão.
E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.
 
Versículos 21, 22 e 23 do livro do Génesis

Por: Manuel Amaro Mendonça
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


O fracasso dos três emissários em fazer regressar Lilian era embaraçador e só deixara o Criador ainda mais frustrado: não era possível que aquela mortal tivesse a audácia de desobedecer. O facto de a terem amaldiçoado, em nada contribuía para o Seu objetivo e era apenas uma vingança mesquinha, por despeito.

O livre arbítrio era uma coisa complicada, nem os anjos tinham tanta liberdade; podiam tomar decisões independentes e enveredar por este ou aquele caminho, mas apenas na ausência de uma ordem direta. Como poderia lidar com uma criatura que mentia e omitia sem qualquer pejo e recusava-se a cumprir o que lhe ordenavam?

Chegava à conclusão que fora um erro ter criado Adam e Lilian da mesma forma. Inexplicavelmente, embora partilhassem ambos dos mesmos elementos, da mesma inteligência, curiosidade e vontade de aprender, o homem mostrou-se mais submisso e obediente do que a mulher. É verdade que ele tentou sobrepor-se a ela desde o primeiro dia e desde essa altura ela mostrou-se insubmissa exigindo igualdade ao companheiro.

Estava decidido. Teria de arranjar nova mulher para Adam, uma mais ligada a ele, dependente e que não o desafiasse.

Quando o homem dormia, o Criador extraiu uma das suas costelas que misturou no caldo de terra, fogo, ar e água com que formou a nova mulher. Uma vez mais era uma criatura belíssima, mas desta feita com cabelo escuro e olhos castanhos. Segredou ao ouvido da concha vazia as palavras que lhe davam a vida e ela estremeceu, animou-se e sorriu ao Pai.

Chamou-lhe Rrava[1], que quer dizer vida, seria aquela que daria a vida à humanidade, a partir de Adam, que quer dizer terra[2]. Era aquela a segunda mulher do paraíso e desejou que o seu nome fosse menos enganador ou suscetível a deceções como sucedera com Lilian, que significa pura, inocente[3]. Agora queria esquecê-la e começar de novo.

Na mente do Criador, digladiavam-se agora várias fugas no segredo da existência do seu projeto; o escândalo à volta da fuga de Lilian, o facto de ela poder revelar coisas como a localização, o desconhecimento de quem fora o insidioso velhaco causador da sua fuga. Precisava de mais segurança e isso implicava envolver mais elementos; dois querubins, empunhando as suas espadas flamejantes, foram invocados para a segurança do jardim.

A paz voltou então ao paraíso. Rrava, que proveio de Adam, partilhava da sua simplicidade, sendo a sua curiosidade mais pura e menos insaciável. Ambos se quedavam fascinados a escutar o canto cristalino do rio nas pedras, o sussurrar do vento nos ramos das árvores, ou mesmo a conversar com os outros animais, que Lilian achava tão limitados.

O Criador voltara aos Seus ensinamentos, falando-lhes da Sua Criação, de como tudo se interligava, preparando-os para o dia os tiraria da segurança do jardim e esvaziaria a Terra de todas as aberrações que a conspurcavam.

Ele não interferia, mas olhava com preocupação para o que acontecia para lá dos muros invisíveis do Jardim do Éden. Os humanos selvagens, para além das suas limitações em termos de força e tamanho, conseguiam sobrepor-se a outros seres mais possantes. Derrotavam centauros, gigantes e ogres, ainda que com grandes perdas. Os outros deuses pareciam desinteressados em proteger as suas criações, ou haviam resolvido deixar os selvagens à sua vontade, na luta pela sobrevivência. A sua tenacidade e inteligência acabavam por compensar a falta de força da espécie humana. Alguns pequenos agrupamentos de casas de adobe tonavam-se aldeias à medida que mais casas iam sendo construídas para albergar a população que crescia.

Nunca fora intenção do Criador que os humanos dominassem o fogo, ou utilizassem os ossos dos animais que matavam para fazerem armas e as suas peles para vestuário, mas reconhecia que, se assim não fosse, não teriam nenhuma hipótese contra as outras espécies criadas para os exterminar. O equilíbrio natural era quase perfeito e, nesse aspeto concordava com as vozes contra a criação dos humanos, eles eram uma rotura nesse equilíbrio. O animal-inteligente, ao contrário do animal-força-bruta,, estaria predestinado ao sucesso. Nada de répteis gigantescos, desajeitados e brutos como aqueles que povoavam a Terra na primeira fase… ainda bem que acabara com praticamente todos, ou quase, os que restaram desapareceriam com o tempo. Chegara à conclusão que detestava cobras e lagartos.

O ser humano era o mais próximo que podia existir da face mais frágil dos anjos, que Ele amava profundamente. Como estes últimos eram imortais e tinham em si um demónio furioso, removeu na sua criação a capacidade de se transformar, ficar invisível ou incorpóreo, deu-lhes, contudo, a capacidade de questionar e tomar decisões de moto próprio. O ser humano não se sentiria compelido a seguir as ordens do Criador, se tal não pretendesse, mas também o seu tempo de vida seria finito, se algum deles Lhe desagradasse, bastaria ignorá-lo até que chegasse ao fim dos seus dias… embora por vezes a Sua Infinita Paciência se esgotasse e mandasse Samael acabar com ele, ou eles. Sabia que o arcanjo nem sempre cumpria a totalidade das missões e a sua compaixão acabava por deixar vivos alguns elementos dispersos das tribos que fora incumbido de eliminar até à última alma, mas não se importava, também Ele sofria por mandar castigar os Seus filhos.

Lilian estava agora também a testar a Divina Paciência e a desafiar as Suas ordens. Ignorá-la, seria fácil e apenas teria de esperar algumas centenas de anos até que ela envelhecesse e morresse, para Ele seria o mesmo que uns minutos na escala temporal divina. A simples existência dela, porém, incomodava-o e prejudicava a sua atenção ao projeto. Quem sabe se não mandaria Samael visitá-la para eliminar o problema.

Também não pretendia, assim que os dois humanos do Seu jardim estivessem prontos, deixar vivos os outros, cheios de vícios e maldade no coração cultivados nas constantes lutas pela sobrevivência. O Seu jardim produziria aqueles que iriam povoar o mundo; humanos e outros animais a coexistirem livremente. A Terra teria de ser um lugar de paz e concórdia, para isso, sofreria uma purga quase total. O próximo evento de extermínio seria para apagar da face do planeta todos os seres com algum nível de inteligência, que não estivessem sob o seu controlo e não fossem da Sua Própria Criação.

[1] Eva em hebraico é Chava, que deriva da palavra "vida". CH em hebraico tem o som de RR, logo Chava = Rrava.

[2] Adão em hebraico é adam. Assim ele se chama, pois a Torá nos conta que Deus tirou-o da terra, que significa adamá em hebraico. Com esse mesmo radical temos a cor vermelha, adom que pressupõe que a terra era vermelha como o barro. Todos somos descendentes de Adão, por isso ser humano é ben adam, que literalmente significa filho de Adão.

https://www.hebraicosimples.com/post/nomes-b%C3%ADblicos-significado-em-hebraico

[3] Como este texto trata-se de uma adaptação livre do Génesis, assumi que Lilith, a existir, não se chamaria assim, terá tido um nome hebraico, daí ter escolhido Lilian (porque não?). Só terá começado a ser chamada de Lilith mais tarde, associando-a ao demónio feminino Liliu da Mesopotâmia.


Manuel Amaro Mendonça
é licenciado em Engenharia de Sistemas Multimédia pelo ISLA de Gaia. Nasceu em janeiro de 1965, em Portugal, na cidade de São Mamede de Infesta, no concelho de Matosinhos; a Terra de Horizonte e Mar.
Foi premiado em quatro concursos de escrita e os seus textos foram selecionados para mais de duas dezenas de antologias de contos, de diversas editoras e é membro fundador do grupo Pentautores (como o seu nome indica, trata-se de um grupo de cinco autores) que conta já com cinco volumes de contos publicados.
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (2015), "Lágrimas no Rio" (2016), "Daqueles Além Marão" (2017), “Entre o Preto e o Branco” (2020), “A Caixa do Mal” (2022), “Na Sombra da Mentira” (2022) e “Depois das Velas se Apagarem” (2024), todos editados e distribuídos pela Amazon.
Colabora nos blogues “Memórias e Outras Coisas… Bragança” https://5l-henrique.blogspot.com/, “Revista SAMIZDAT” http://www.revistasamizdat.com/, “Correio do Porto” https://www.correiodoporto.pt/ e “Pentautores” https://pentautores.blogspot.com/
Outros trabalhos estão em projeto, mantenha-se atento às novidades em http://myblog.debaixodosceus.pt/, onde poderá ler alguns dos seus trabalhos, ou visite a página de autor em https://www.debaixodosceus.pt/ 

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

FIM

 Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza:
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro!...

Mário de Sá-Carneiro, in 'Poesia Completa de Mário de Sá-Carneiro'

Magusto de S. Pedro de Vale do Conde - MIRANDELA

Passeio Pedestre do Pão e do Azeite - Suçães - Um dia para se ligar à natureza

 Participe no Passeio Pedestre inserido na Feira do Pão e do Azeite na freguesia de Suçães. Encontro no dia 9 de novembro, pelas 08h45, na Ecoteca.
Inscreva-se através do telefone 936 667 655, do email postoturismo@cm-mirandela.pt ou presencialmente na Ecoteca de Mirandela.

Festas em Honra de São Martinho - Visite a aldeia de Vale de Martinho, de 9 a 11 de novembro!

 As Festas em Honra de São Martinho terão lugar em Vale de Martinho, de 9 a 11 de novembro. O espírito comunitário e a devoção ao santo padroeiro são o mote para esta festa. Este evento reúne a população e visitantes num ambiente de tradição e alegria.

Magusto Tradicional de Valverde da Gestosa

IV Encontro de Tunas 'Acapella' - Um encontro repleto de música, alegria e cultura!

 Mirandela recebe mais um Encontro de Tunas "Acapella", organizado pela TunaMira, Tuna Feminina da EsACT-IPB, e este ano a quarta edição conta com um tema muito especial.
Dia 1 e 2 de novembro, Mirandela irá receber várias tunas que prometem encantar a Cidade Jardim.

Dia 1 de novembro assista às serenatas no Paço dos Távoras, às 21h, e dia 2 de novembro, garanta presença no Auditório Municipal de Mirandela, às 21h30, para as atuações das tunas convidadas.

Data e hora: 1 de novembro às 21h00 e 2 de novembro às 21h30
Locais: Paço dos Távoras e Auditório Municipal de Mirandela

Cuidar de Quem Cuida - Novembro 2024 - O projeto que reconhece a importância dos cuidadores, sejam eles familiares, amigos ou profissionais da saúde.

 "Cuidar de Quem Cuida" mantêm-se abertas as inscrições para o grupo Psicoeducativo "Cuidar de Quem Cuida" para Cuidadores Informais, uma vez por semana, durante sensivelmente dois meses, Cuidadores Informais tem a oportunidade de fazer parte de um grupo Psicoeducativo, onde uma equipa multidisciplinar dá “formação” e apoio a estes cuidadores, com o intuito de capacitá-los para as necessidades do seu dia a dia, bem como estratégias de comunicação, e auto cuidado. A participação é gratuita.

Inscrições
Horário: Segunda a Sexta das 09h00 às 12h30 e 14h00 às 17h30

Workshop Manequim/Modelo em Mirandela, com a modelo internacional e atriz Sandra Cóias - Inscrições a decorrer

 Este workshop, ministrado no Centro Cultural de Mirandela, destina-se não só a quem ambiciona trabalhar como manequim/modelo, mas também para quem quer aprender movimentos e comportamentos, saber cuidar da pele, ultrapassar inseguranças, tratar da postura e descobrir como posar e desfilar! No final deste curso poderão participar num desfile de moda, em local e data a definir.

Desfile de final de curso em Mirandela

Inscrições limitadas.
Inscrições de 1 de Outubro a 20 de Novembro.
Informações e inscrições para: sandracoias25@gmail.com

Homem ferido com gravidade após ser atingido por touro numa chega

 Um homem de 60 anos ficou esta tarde ferido com gravidade após ser atingido pelos cornos de um touro na zona do abdómen durante uma chega que decorreu em Avelanoso, no concelho de Vimioso.


O alerta foi dado às 15h29 e o homem, proprietário de um dos animais que participavam na chega, foi transportado de helicóptero para o hospital de Bragança.

No local estiveram 11 homens dos bombeiros de Vimioso, apoiados por cinco meios, incluindo a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) e o helicóptero do INEM.

António G. Rodrigues

Exposição Carla Filipe 'Com a casa às costas' - Obras da Coleção de Serralves e do Fundo Documental da Estação Ferroviária de Mirandela

 Concebida propositadamente para a Estação das Artes de Mirandela, esta exposição apresenta um conjunto de obras de Carla Filipe (Aveiro, 1973) integradas na Coleção de Serralves, em diálogo com documentos históricos do Fundo Documental da Estação, selecionados pela artista e expostos pela primeira vez neste contexto.
Tomando como ponto de partida a natureza singular deste espaço e seguindo algumas das principais linhas de investigação de Carla Filipe, a exposição relaciona-se intimamente com o universo ferroviário e com a noção de viagem em sentido lato, enquanto deambulação e migração, forma de evasão e subsistência.

O seu título remete precisamente para uma ideia de nomadismo, voluntário ou imposto, evocando a casa como lugar em movimento.

Local: Estação das Artes
Horário: Todos os dias, das 11h00 às 17h00

'Amigos com Benefícios' - Uma comédia familiar divertida que nos faz refletir

 Uma comédia familiar divertida, escrita por John Borg, protagonizada por Sofia Alves e que conta ainda com Diogo Lopes e Filipe Matos no elenco.
A história sobre a vida familiar de uma Pastora, de uma igreja com contornos e ideias radicais, que se depara com problemas inesperados como é o exemplo do seu filho ser gay e querer assumir uma relação homossexual. Uma peça sobre temas atuais, para nos divertir e fazer refletir ao mesmo tempo.

Mais uma produção Teatro Dramax Oeiras, com a direção de Celso Cleto.

Local: Grande Auditório do Centro Cultural de Mirandela
Data: 30 de novembro
Horário: 21h30
Preço: 5,00€ - Bilhetes disponíveís nos lugares habituais, TicketLine e Bilheteira CCM

15 de MARÇO de 1974 - MDB

E𝐱𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨 ‘𝐏𝐨𝐞𝐬𝐢𝐚, 𝐩𝐨𝐢𝐬 𝐚𝐬 𝐩𝐚𝐥𝐚𝐯𝐫𝐚𝐬 𝐭𝐚𝐦𝐛é𝐦 𝐟𝐚𝐳𝐞𝐦 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐚𝐧𝐡𝐢𝐚’ 𝐞 𝐚 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐚çã𝐨 𝐝𝐨 𝐥𝐢𝐯𝐫𝐨 ‘𝐪𝐮𝐞𝐦 𝐠𝐨𝐬𝐭𝐚 𝐝𝐞 𝐩𝐨𝐞𝐬𝐢𝐚 𝐚𝐭é 𝐚 𝐝𝐨𝐫 𝐫𝐨𝐦𝐚𝐧𝐭𝐢𝐳𝐚' 𝐝𝐨 𝐞𝐬𝐜𝐫𝐢𝐭𝐨𝐫 𝐦𝐚𝐜𝐞𝐝𝐞𝐧𝐬𝐞 𝐏𝐞𝐝𝐫𝐨 𝐏𝐢𝐬𝐜𝐨

Evento “A maior açorda de cogumelos do mundo” de Vale Pradinhos conta já com 10 anos

 Este sábado, poderá descobrir o mundo secreto dos cogumelos, que cada vez ganha mais aficionados, em Vale de Padrinhos, no concelho de Macedo de Cavaleiros, na iniciativa “A maior açorda de cogumelos do mundo”, que comemora 10 anos.


Paralelamente vão acontecer as Jornadas Micológicas, que atrai muitos curiosos àquela aldeia, uma vez que a organização espera receber cerca de 300 pessoas de todos os pontos do país.

Carlos Ventura, biólogo, que faz parte da organização explica que o objetivo é fornecer conhecimento científico a quem vier participar:

“Isto é um evento, que já decorre há muitos anos. Este ano vai ser o décimo aniversário, portanto, mais temos que nos empenhar, no evento. Com uma fundamentação técnica e teórica, para que as pessoas saibam aprender de forma correta apanhar cogumelos.

Quatro amigos juntaram-se nessa altura, e criamos uma série de eventos na aldeia de Vale Pradinhos, no intuito de conseguirmos mostrar o meio rural às populações urbanas.

Este evento toma uma importância relevante, uma vez que nesta altura são muitas as pessoas que vão para o campo, apanhar cogumelos, e que precisam de bases teóricas, como adianta o técnico e formador nacional micológico, que aproveita para fazer uma crítica:

Há muitas pessoas a colher cogumelos. Basicamente, são pessoas que só conhecem 4 ou 5 espécies, que por norma são para consumo próprio, mas a maior parte deles é para venda às entidades espanholas.

Em Portugal, infelizmente, não há nada regulamentado. Estamos a destruir os habitats e a criar mais valias ao nossos vizinhos espanhóis, em detrimento, das finanças portuguesas.

No nordeste transmontano estimam-se que existam cerca de 80 espécies comestíveis.

Há anos que tento, juntamente com outros colegas nossos, formadores e técnicos de micologia, para que o governo português crie uma legislação específica. As pessoas teriam que frequentar um curso, sobre regras sustentadas de apanha de cogumelos. Mesmo que depois se quisessem vender, com quantidades limitadas, haveria impostos que seriam um atrativo para o governo português.

O evento conta com uma saída de campo, na parte da manhã, em que os participantes vão para o terreno aprender a reconhecer e apanhar cogumelos silvestres, que serão depois utilizados para a confeção da açorda.

Depois de almoço, haverá uma palestra sobre habitat de produtores de cogumelos, uma cerimonia comemorativa dos 10 anos, a açorda no pote, a queimada dos druidas e um magusto e caldo e castanhas.

A maior açorda de cogumelos do mundo é organizada pela Associação Cultural, Desportiva e Recreativa de Vale Pradinhos, com o apoio da autarquia local.

O valor individual para as jornadas é de 35 euros, mas que em casal fica a 60 euros.

Escrito por Rádio ONDA LIVRE

A castanha é a rainha da feira e da festa de Corujas, no concelho de Macedo de Cavaleiros, que decorre este fim de semana

 A aldeia de Corujas, próxima da sede de concelho de Macedo de Cavaleiros vai acolher este fim de semana, de 1 a 3, a IX Feira da Castanha e outros Produtos da Terra, com um programa cheio de novidades, no entanto seguindo muito os moldes das edições anteriores.


A aposta da organização que está a cargo da Junta de Freguesia de Corujas foi na animação musical, com nomes sonantes da música popular portuguesa, como contextualiza Miguel Reis, presidente da Junta de Freguesia de Corujas:

“Fizemos uma aposta mais forte no nosso cartaz de artistas. É uma forma direta e indireta, de cativar mais público de fora.

Salientar também que as próprias pessoas, que nos visitam é que fazem a promoção do nosso evento. Nesse sentido, fizemos uma aposta mais forte no nosso cartaz de artistas, com “Ruizinho do Acordeão” e “Lucy Teixeira”, que são bastante famosos e conhecidos, de maneira a cativar muitas mais pessoas ao certame.

Outra aposta foi a “Caminhada da Rota da Castanha”, com cerca de oito quilómetros:

“Este ano, a feira segue os moles das edições anteriores. Mas incluímos um passeio, nomeadamente, a Caminhada da Rota da Castanha, que é de dificuldade fácil, que é acessível a todos, adultos e crianças.

O percurso tem cerca de 8 a 9 quilómetros, realizando-se os caminhos da aldeia, subindo até cotas mais elevadas, com uma vista para Corujas, e para a área onde há mais plantação de souto.

Esta caminhada vai ser realizada em parceira com a Associação de Diabéticos do Distrito de Bragança, em que parte do valor da inscrição, reverte a favor desta associação.

Na feira vão participar 20 expositores provenientes do concelho, que vão vender a rainha da feira, mas também produtos endógenos, como o mel, frutos da época, como o dióspiro, folar, pão caseiro, entre muitos outros.

Este ano, a quantidade de castanha é pouca, havendo uma quebra de produção, mas a qualidade é a melhor:

A produção em Corujas também sofreu uma quebra de produção. Os agricultores da aldeia comentam que existem perdas da casa dos 70%, ou seja, uma quebra bastante elevada. Embora a produção que existe é de boa qualidade, graúda, bom calibre e brilho.

A qualidade é muito boa.

Na freguesia há cerca de 100 hectares de soutos, sendo esta a cultura predominante.

Para além destas atividades, ainda haver também um seminário “Fertilização dos Castanheiros”, a cargo do engenheiro Artur Xavier, da Timac Agro Portugal, como acrescenta:

Todos os anos, como nos moldes dos anos anteriores, promovemos um seminário destinado aos nossos agricultores. Este ano, é sobre a fertilização dos castanheiros. Esta é uma forma de dotar de formação os agricultores. Nós sabemos que os agricultores têm mais idade, com pouca escolaridade. E nesse sentido, tentámos trazer alguém conhecedor que possa transmitir informações valiosas aos nossos agricultores.

Do programa constam inúmeras atividades como atuações de Bombos das Arcas e de Ala, do Grupo Cultural e Recreativo da Casa de Povo de Macedo de Cavaleiros, Chama Musical, e ainda exposição de máquinas agrícolas, concurso de castanhas, showcookings a cargo dos alunos do curso técnico de restaurante e bar do agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros.

As expectativas da organização são superar o número de participantes do ano passado: 3 mil pessoas.

A organização está a cargo da Junta de Freguesia, com o apoio do Município e em parceria com a Associação de Diabéticos do Distrito de Bragança, o Agrupamento de Escolas de Macedo de cavaleiros, Timac Agro, a Cooperativa Agrícola de Macedo de Cavaleiros e Soutos os Cavaleiros.

Escrito por Rádio ONDA LIVRE

Igreja de São Mateus, Sarzeda. Do Evangelho Ecclesial

 Circundada a Nordeste pela ribeira de Sarzeda, a aldeia pertence à freguesia de Rebordãos, situando-se 9km a Sudoeste de Bragança. De origem medieval, nas Inquirições de 1258 era designada por «Salzeda» e «Sabseda». Segundo o Abade de Baçal, o topónimo latino pode referir-se a “local onde abunda o salgueiro”; ou derivar do espanhol zarra, “de onde vem zarzeda, çardeda, terra de muita silva”. Em 5 de dezembro de 1287, um acordo entre o Arcebispo de Braga, frei D. Telo, provincial dos franciscanos de Castela, e os monges de Castro de Avelãs, concedeu a estes direitos de patrocínio e usufruto da aldeia de Sarzeda, entre outras da região. A partir do século XVI o dízimo e primícias das colheitas e o fumádigo transitaram para o Cabido da Sé de Miranda. Relativamente à Igreja, António R. Mourinho infere a sua origem medieval, com subsequentes “modificações profundas”, sendo a atual edificada em finais do século XVIII (Arquitectura Religiosa da Diocese de Miranda do Douro-Bragança, 1995).


Implantada no centro da aldeia e delimitada por adro murado, a configuração arquitetónica da Igreja de São Mateus, como de resto a decoração interior, remete para o estilo rocaille. As paredes são rebocadas e pintadas de branco, a estrutura de suporte e decoração são em granito, a cobertura superior é telhada em duas águas e os pináculos são agarrafados. O frontispício, enquadrado por pilares toscanos, apresenta portal de arco abatido sobre pilastras, com cornija conopial, inscrevendo a data 1820 em cartela. Na direção do eixo situa-se janelão de moldura conopial, com pendentes. Sobre cornija curva a ‘nascer’ dos pilares entronca o campanário. De dois andares, o inferior, definido por tripla pilastra, alberga dois sinos em arcos de volta perfeita, enquanto o superior, em gola e vão vazado, é corado por cruz trevolada, com dois pináculos nas extremidades. A fachada lateral direita tem portal de acesso comum à Igreja, de arco abatido, e outros dois janelões a dar luz para a nave e a capela-mor, respetivamente.
No interior observa-se a desproporcionalidade da Igreja estreita, comprida e alta, e três altares de similar traça rocaille, posteriores aos arcossólios que os albergam, porque os extravasam. Na parede fundeira situa-se o coro-alto em madeira balaustrada, com escadas de acesso adossadas à parede da epístola. No lado do evangelho um arcossólio acolhe a pia batismal, assente em pequena pilastra, seguindo-se um vão de verga reta, com porta de madeira, a servir de confessionário. O púlpito, com bacia de madeira balaustrada, tem estrado em cantaria assente sobre mísula volutada. A porta é ‘fingida’. Do lado da epístola a entrada lateral tem guarda-vento, com pia de água benta na parede. Os dois altares laterais confrontantes junto do arco triunfal, de eixo triplo datados de 1878, são dedicados a Nossa Senhora do Rosário e ao Sagrado Coração de Jesus, no lado do evangelho e da epístola, respetivamente. O cromatismo difere. No mais, têm pilastras molduradas a enquadrar o nicho central e caneladas nas extremidades dos retábulos, além de duas colunas de fuste liso e capitel de aproximação coríntia. O ático é similar, com volutas laterais e cartela central em vaso. Os eixos laterais do altar da Virgem acolhem imagens de Santo Hermenegildo e de Nossa Senhora do Ó, e no de Cristo imagens de Santo Estêvão e de São Sebastião.
O alteado arco triunfal, com imposta e capitel toscano, separa a nave do presbitério. O altar-mor, elevado sobre triplo supedâneo, é de estrutura similar aos da nave, sendo o cromatismo branco-rosa similar ao de Nossa Senhora do Rosário. A tribuna central, de moldura recortada, arco de volta perfeita e costeira pintada de azul e reposteiro com sanefas, acolhe sobre trono escalonado Cristo Crucificado. Nos eixos laterais, entre colunas de fuste liso, estão imagens do Orago São Mateus, no lado do evangelho, e de São José com o Menino, no da epístola. O altar tem data de restauro de 1910. No lado do evangelho acede-se à sacristia.
“Onde dois ou três estão congregados em meu nome, ali estou no meio deles”.

Susana Cipriano e Abílio Lousada