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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 26 de março de 2014

“Concelhos de Vimioso e Vinhais estão a ser torturados”

Depois de dez anos na autarquia de Vimioso, Jorge Fidalgo assume agora o comando do município. Desencravar o município ao nível das acessibilidades continua a ser uma luta do autarca.
O apoio social é uma das prioridades. O pagamento de propinas aos alunos de Vimioso e os incentivos à natalidade são uma marca para manter.
Jornal Nordeste (JN) - Qual é a actual situação financeira do município de Vimioso?
Jorge Fidalgo (JF) - É uma situação estável. Temos dívidas a médio e a longo prazo que têm vindo a diminuir significativamente todos os anos. Não temos vindo a contrair empréstimos e estamos a pagar a empreiteiros e fornecedores em 8 a 15 dias. 
O município de Vimioso está com saúde financeira, sem qualquer tipo de dívidas. Existem as tais dívidas que foram contraídas para projectos, como o pavilhão multiusos, o campo de futebol, tudo projectos com financiamentos comunitários, para os quais não tínhamos a totalidade da comparticipação financeira. Portanto neste momento a dívida a médio e ao longo prazo da Câmara, é a chamada dívida “à banca”, relativa aos empréstimos. É já inferior aos 3 milhões de euros, o que nos deixa numa situação confortável.
JN- Vimioso continua “encravado” no distrito, porque não tem ligações às vias estruturantes. Sente que estão a ser esquecidos pelo governo?
JN- De facto é para nós muito frustrante esta situação, nós temos feito ouvir a nossa voz de descontentamento junto do Governo. É uma luta com quase duas décadas. Os concelhos de Vinhais e Vimioso estão a ser “torturados”, porque os restantes são beneficiados pelos chamados eixos estruturantes, ou seja o IC5, o IP2 e nós com este acesso à Auto-Estrada. Depois a situação do rato “cabrera”, que obviamente não entendemos o porquê dessa situação e desses problemas ambientais. Tenho o levantamento dos bombeiros de Freixo de Espada à Cinta, de Mogadouro, de Vimioso e de Miranda do Douro, em que todos os dias passam cerca de 15 ambulâncias a transportar doentes para aqui. Todos passam nesta estrada, que é uma muito sinuosa, cada vez com mais perigos, cada vez mais complicada e obviamente que este problema tem que ser resolvido. Apresentámos várias ideias à secretaria de Estado dos Transportes e Comunicações. Queremos acreditar que no próximo quadro comunitário não seremos esquecidos.
JN- Nasceram 40 bebés o ano passado em Vimioso. A política dos incentivos à natalidade é para manter?
JF- Essa foi uma ideia que iniciámos no anterior mandato. Eu fazia parte da equipa de José Rodrigues e na altura começámos por atribuir 500 euros a cada bébé, depois passámos para mil euros. Mas quero sublinhar que para além de ser um incentivo à natalidade, nós estamos perfeitamente conscientes que não era na altura por 500 euros e hoje por mil, que as pessoas iam ter mais bébés. O objectivo foi alertar, já em 2002, para o problema da baixa natalidade e do envelhecimento da população e do despovoamento desta região. Além disso, pagamos na totalidade as vacinas que não são comparticipadas pelo Serviço Nacional de Saúde. 
O ano passado nasceram 40 bébés aqui em Vimioso, foi dos anos que nasceram mais, mas obviamente que é muito pouco quando morre o triplo. Não conseguimos repor a população e é um contra-senso ter um concelho que ainda no ano passado ficou entre os 11 primeiros em termos de qualidade de vida. Quer dizer com o é que temos qualidade de vida e não temos cá pessoas? Não faz sentido. Mas obviamente que esse tipo de políticas nos cabe a nós, mas o governo central também tem algo a fazer para que as pessoas se fixem aqui. 
JN- A aposta social é uma das marcas do seu mandato …
JF- A aposta social tem sido uma das prioridades, não de agora mas de há já muito tempo. Devido à situação difícil que atravessamos estamos a pagar propinas a quase todos os alunos que frequentam o Ensino Superior e a alguns que estão ainda no Secundário. Temos um gabinete de Acção Social que nos reporta dificuldades dessas famílias e é isso que temos estado a fazer, porque realmente essas famílias estão a passar um momento complicado e queremos aliviá-las um pouco naquilo que nos é possível. A melhor herança que podemos deixar aos nossos filhos e aos nossos munícipes é a Educação. 
Não deixamos esquecidos os mais idosos. Estamos a ajudar as Instituições Particulares de Solidariedade Social e tentamos colaborar com elas, seja em actividades que fazemos em paralelo. Para além disso, dos sete lares existentes aqui no concelho, estão isentos do pagamento da água, dos resíduos e do saneamento, o que representa menos 3 mil euros mensais para o município.
Além disso, em colaboração com o Centro Sociocultural de Vimioso e todas as Juntas de Freguesia temos cursos que funcionam ao final da tarde em todas as aldeias, de Informática de Ginástica.
Destaque
“(…) Todos os dias passam cerca de 15 ambulâncias a transportar doentes para aqui. Todos passam nesta estrada, que é uma muito sinuosa, cada vez com mais perigos, cada vez mais complicada e obviamente que este problema tem que ser resolvido”.

Joana Gonçalves
in:jornalnordeste.com

22 mortos em acidentes de tractor

Acidentes com tractores agrícolas já ceifaram mais de duas dezenas de vidas, a maioria são idosos 
Nos últimos quatro anos já perderam a vida 22 pessoas no distrito de Bragança em acidentes de tractores agrícolas.
Segundo dados divulgados pela GNR, foram registados 45 acidentes com máquinas agrícolas desde 2010, dos quais resultaram mais de duas dezenas de mortos.
As vítimas são na maioria idosos. As quatro mortes registadas só este ano são homens com idades entre os 64 e os 83 anos.
Macedo de Cavaleiros foi o concelho onde morreram mais pessoas, cinco nos últimos quatro anos, sendo que uma delas foi já perdeu a vida este ano. Segue-se o concelho de Mogadouro, com quatro mortos desde 2010, e Vinhais, com três vítimas em acidentes de tractor.
O número de mortes em acidentes com máquinas agrícolas não tem aumentado significativamente nos últimos quatro anos. Ainda assim, só nos primeiros três meses deste ano já morreram quatro pessoas, mais uma do que durante todo o ano passado.
No que toca às causas dos acidentes, os capotamentos são o principal motivo, seguindo-se os despistes. Dos quatro acidentes mortais registados este ano três foram por capotamento e apenas um despiste.
Recordo que só este mês já se registaram três vítimas mortais em acidentes com tractores, nos concelhos de Macedo de Cavaleiros, Mogadouro e Vinhais. No mês passado, registou-se outro acidente mortal no concelho de Torre de Moncorvo.

T.B.
in:jornalnordeste.com

População denuncia mau serviço da FOCSA

A população dos municípios de Torre de Moncorvo e Mogadouro estão descontentes com a recolha indiferenciada de resíduos.
Serviço prestado pela empresa FOCSA – Serviços de Saneamento Urbano de Portugal, S. A.
Lixo a transbordar pelas ruas, contentores sujos, e condutores de veículos alcoolizados foram algumas das queixas que o jornal Nordeste registou durante a reportagem feita pelo Douro Superior. 
“O me preocupa é o que presencio muitas vezes, os senhores condutores a fazer manobras perigosas e se lhe dizemos alguma coisa tratam-nos mal porque eles bebem aí nos cafés”, contou António Cruz. 
“Tanto dá reclamar como nada, já várias vezes liguei para o número que vem nos camiões mas fica tudo na mesma”, refere outra habitante.
O dono de um estabelecimento comercial em Mogadouro, que não quis ser identificado, contou a esta reportagem que reclamou várias vezes pelo facto do camião do lixo estar estacionado em frente à sua esplanada, espantando-lhe assim a clientela. “Não têm civismo nem cuidado com as pessoas. Se falarmos com eles ainda nos mal tratam, como aconteceu várias vezes”, conta indignado.

Uma reportagem para ler na íntegra na edição desta semana do Jornal Nordeste e para ouvir em debate hoje no programa Estado da Região da Rádio Brigantia a partir das 10 horas.

in:jornalnordeste.com

Jorge Fidalgo reivindica ligação à Auto-Estrada Transmontana

O presidente da Câmara de Vimioso reivindica a construção de uma ligação à Auto-Estrada Transmontana. 
Jorge Fidalgo diz mesmo que os concelhos de Vimioso e Vinhais estão a ser torturados, por estarem longe das vias rápidas.
O apoio social é outra das prioridades para Jorge Fidalgo.
As acessibilidades e o apoio social são temas abordados na entrevista a Jorge Fidalgo, que pode ouvir na íntegra na rádio Brigantia depois das cinco da tarde.

Escrito por Brigantia

População de Moncorvo e Mogadouro descontente com recolha do lixo

A população dos municípios de Torre de Moncorvo e Mogadouro estão descontentes com a recolha indiferenciada de resíduos. Serviço prestado pela empresa FOCSA – Serviços de Saneamento Urbano de Portugal, S. A.
Contentores sujos, cheios e com maus cheiros foram algumas das queixas ouvidas nesta reportagem.
Neste momento, circula um abaixo-assinado em Torre de Moncorvo que conta já com mais de cem assinaturas, onde as pessoas subscrevem o descontentamento sobre os serviços.
No entanto, algumas pessoas admitem que, nos últimos meses, houve um aumento do número de recolhas dos contentores, o que diminuiu circunstancialmente o lixo espalhado fora dos mesmos.
Um comerciante que não quis ser identificado contou à Brigantia que já tem vindo a presenciar vários comportamentos impróprios por parte dos funcionários.  Confrontada com o descontentamento das populações, a FOCSA respondeu que até ao momento não teve conhecimento, directa ou indirectamente, de alguma insatisfação relativa aos serviços de recolha e limpeza dos contentores.
No que diz respeito às incidências que envolvam os motoristas a conduzir com taxas de álcool acima dos limites da lei, a empresa garante que tem uma política muito restrita relativamente à saúde e segurança dos trabalhadores, de forma a minimizar os riscos inerentes à própria actividade.
Este assunto vai estar em debate no programa Estado da Região a partir 10 da manhã, na antena da Brigantia.

Escrito por Brigantia

terça-feira, 25 de março de 2014

Câmara de Moncorvo entrega viaturas a instituições

O município de Torre de Moncorvo entregou uma viatura à Associação Humanitárias dos Bombeiros Voluntários. Um baribi com conjunto de pá limpa neves e espalhador de sal para fazer frente à formação de gelo e limpeza neve.
Com este novo equipamento os bombeiros ficam mais bem equipados segundo o presidente da Associação Humanitárias dos Bombeiros Voluntários, António Salema. 
Também a Santa Casa da Misericórdia recebeu uma carrinha para o “112 Social”. Um projecto para a integração e melhoria das condições habitacionais e de saúde destinado a famílias e idosos do concelho. 
Para o presidente da Santa Casa da Misericórdia, Fernando Gil é uma lacuna que se vai colmatar com esta nova viatura. O presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Nuno Gonçalves caracteriza estes novos equipamentos como imprescindíveis. 
O município de Moncorvo a reforçar os equipamentos da Associação Humanitárias dos Bombeiros Voluntários e da Santa Casa da Misericórdia. 

Escrito por Brigantia

Em Bragança, moradores protestam contra estado de passeios

Os moradores da Avenida Abade de Baçal, em Bragança, estão indignados com o estado em que se encontram os passeios.
No troço entre a ciclovia e a rotunda do cão de gado transmontano o piso está degradado há vários anos, representando algum perigo para quem ali passa a pé.
Quem vive naquela zona queixa-se das condições de circulação e denuncia várias quedas já sofridas. Quem passa por ali com frequência também se queixa do estado dos passeios. 
Os moradores já fizeram chegar o seu descontentamento à câmara municipal. 
O presidente, Hernâni Dias, assegura que está prevista uma intervenção para breve, sendo que até ao final do Verão deverá estar concluída. 

Escrito por Brigantia

Há 1800 anos um soldado romano escreveu sete vezes à família, a última carta chegou até nós

O papiro foi descoberto no Egipto,
na cidade onde vivia a família
do soldado romano que o escreveu
O papiro de um soldado romano enviado à família foi encontrado no final do século XIX, ficou por decifrar durante mais de 100 anos por estar em mau estado. Aurelius Polion tinha saudades de casa e estava à espera de receber notícias dos familiares.
A frase faz parte de uma mensagem com 18 séculos: “Rezo noite e dia para que estejam de boa saúde e presto obediência contínua aos deuses em vosso nome.” Aurelius Polion, cidadão romano, legionário, escreveu estas palavras para a sua família por volta do ano 214 depois de Cristo (d.C.). O papiro foi encontrado no final do século XIX, mas por estar tão degradado só recentemente é que foi decifrado do grego antigo e traduzido para inglês. Através do seu estudo, publicado no Bulletin of the American Society of Papyrologists, ficamos a conhecer as saudades de um filho e de um irmão, que pede notícias de casa.

Cerca de 4000 quilómetros separam a Panónia Inferior, a província romana onde Aurelius Polion estava colocado (hoje na região de Budapeste, na Hungria), e a cidade de Tebtunis, a 130 quilómetros a sudoeste do Cairo, no Egipto, onde a família do legionário vivia. Foi nos vestígios desta cidade egípcia, dominada por Roma, que os egiptólogos britânicos Bernard Grenfell e Arthur Hunt encontraram, no final do século XIX, este e outros papiros.

“Não sei quantas cartas de soldados romanos sobreviveram ao todo”, diz ao PÚBLICO Grant Adamson, que em 2011 participou no programa de Verão da Sociedade Americana de Papirologistas, onde decifrou este papiro, guardado na Biblioteca de Bancroft, na Universidade da Califórnia, em Berkeley, Estados Unidos. Segundo o investigador, que é da Universidade de Rice, em Houston, Texas, terá havido muitas cartas, mas poucas terão sobrevivido. Esta carta só sobreviveu porque no Egipto “o clima é apropriado para a sua preservação”.

A carta dirige-se ao irmão, à irmã e à mãe. “Não paro de vos escrever, mas vocês não se lembram de mim. Mas eu faço a minha parte de vos escrever e não paro de vos ter presentes (na minha mente) e de vos trazer no coração. Mas vocês nunca me responderam, falando da vossa saúde, de como estão. Estou preocupado convosco, porque, apesar de receberem frequentemente cartas minhas, nunca respondem, para que saiba de vocês.”

E continua a exigir notícias da família: “Enviei-vos seis cartas. No momento em que vocês (?) me tiverem na mente, deverei obter uma licença do (comando) consular, e irei ter convosco para que saibam que sou vosso irmão. Porque não exijo (?) nada de vocês para o exército, mas culpo-vos porque, apesar de vos escrever, nenhum de vocês (?) … tem consideração. Vejam, o vosso (?) vizinho … Sou o vosso irmão.”

Grant Adamson defende que o legionário terá nascido como egípcio, mas que, entretanto, adquiriu cidadania romana. A idade do documento foi inferida pelo estilo da escrita, pelo facto de o soldado ser romano – em 212 d.C. foi dada cidadania romana a muita gente – e pela referência ao “comando consular”, já que a região da Panónia Inferior só passou a ter governo consular depois de 214 d.C.

Aurelius Polion terá sido, assim, voluntário do exército romano, pertenceu à Legio II Adiutrix, ou segunda legião auxiliar, numa altura em que o serviço militar era de 20 anos, mas num tempo calmo, sem guerras. “É precisamente por as coisas estarem pacíficas que ele tem tempo para escrever todas estas cartas”, diz Grant Adamson. “Uma das coisas que não esperava encontrar foi a referência à obtenção da licença militar – que implica um soldado ter de fazer um pedido [de licença], que depois seria dada ou negada pelo comandante.”

O soldado falaria egípcio e grego com a família – Tebtunis esteve sob ocupação grega antes de passar a pertencer a Roma – e latim na legião. A carta, no entanto, foi escrita em grego. “O egípcio era falado, mas não era escrito pela maioria dos egípcios, e a sua família quase de certeza que não saberia muito latim”, explica o investigador, acrescentando que na altura a literacia da população era muito fraca.

Aurelius Polion terá pertencido a uma família de classe baixa com alguns privilégios, mas não escreveria bem: “Ele até escrevia algumas letras do alfabeto latino em vez do grego e usava alguma pontuação latina.”
O documento terá viajado de mão em mão até chegar a Tebtunis. Lido hoje, é fácil sentir empatia pelos sentimentos que transparecem. “Reflecte as emoções de um soldado no mundo antigo”, diz April DeConick, orientadora do trabalho de Grant Adamson, citada num comunicado da Universidade de Rice. “As suas emoções não são diferentes das dos soldados de hoje, que querem voltar para casa.”

in:publico.pt

Isabel Luís, a bonita – Metida na casa do inferno por ficar louca

M. Fernanda Guimarães
António J. Andrade

Fizera 25 anos exactamente na véspera de ser presa, em 4.6.1693. Impossível descrever a cena, que foi de um dramatismo verdadeiramente extraordinário. O filho mais velho, de 4 anos, agarrando-se-lhe às saias, numa alucinante explosão de gritos. E ela, apertando contra o peito o outro filho, de apenas um ano de idade, desfeita em pranto abafado e convulso. Arrancaram-lho à força e foi como se lhe tivessem arrancado uma parte de si mesma.
Em simultâneo, outros quadrilheiros vindos da sede do concelho aprisionavam o marido e metiam-lhe os ferros, que também ele ia na leva. Tal como um irmão e outros mais parentes.
Um mês depois, foi entregue na Inquisição de Coimbra. Identificou-se dizendo chamar-se Isabel Luís, cristã-nova, casada com Gaspar Rodrigues, filha de Gaspar Luís e de Maria Dias. Foi depois metida em um cárcere, de companhia com Helena Rodrigues, sua conterrânea e amiga.
A passagem dos dias e dos meses e um ano inteiro não fizeram diminuir a dor causada pela separação dos filhos. Antes se acrescentava, pensando se estariam mortos ou vivos, abandonados que ficaram, sem eira nem beira. E a solidão do cárcere e a lembrança dos filhos iam-lhe roendo o entendimento.
Na cela do lado estava Clara Oliveira, sua vizinha casada com Atanásio Rodrigues, também preso, ambos moradores em Carção. E Isabel Gonçalves, originária de Zamora reino de Castela, que fora casar em Carção. Isabel Luís batia na parede do cárcere, chamava pela Clara e encarrapitava-se a espreitar pela janela, pedindo à outra que subisse também à janela e falasse com ela.
Chegado o Inverno, a humidade do cárcere ampliava as dores e o tempo soturno trazia ideias ruins. Isabel começou a sentir-se assaltada por crises de entendimento das coisas simples e entrou em desespero. Punha-se a gritar e não era a única. Atirava com as coisas que lhe vinham à mão. Subia para cima dos trastes que havia na cela, a modos de prateleira. Rasgava as roupas da cama e os vestidos. Arrepelava-se e arrebunhava-se toda e ficava a sangrar. Havia comida que lhe traziam e devia dar para três dias, mas ela tudo comia logo, de uma só vez, um comer de tolo.
Bem se esforçava a companheira de cárcere por acalmá-la, mas nada conseguia. Vinham os guardas e de pouco adiantavam as advertências que lhe faziam, sendo que, por vezes, lhe prendiam as mãos, para a porem quieta. Em uma ocasião, conseguiu, subindo à prateleira, arrancar uma tábua do forro e com ela se foi às pancadas em Helena.
Era impossível aguentar a situação, já que, o seu exemplo contagiava outras mulheres, que se punham a gritar, também como loucas. Foi chamado o alcaide e este, em 21 de Fevereiro de 1695, ordenou que fosse metida “no cárcere do inferno” – uma cela isolada, pequena e escura. Aí a solidão pesava ainda mais.
Duas semanas depois, no dia 9 de Março, trouxeram-na de novo para a antiga cela, para junto de Helena Rodrigues. A princípio pareceu curada de sua loucura, mas depois voltou a ficar desinquieta. Naturalmente que também os médicos do Santo Ofício foram chamados ao caso que a trataram como do costume com remédios e sangrias. Três meses depois, em meados de Junho, tiveram de metê-la novamente no cárcere do inferno e deixá-la só, com a sua loucura. E este tratamento da “solitária” prolongou-se então por 60 dias, o que não era nada usual.
Depois disso, conheceu ainda duas outras celas e duas outras companheiras que com ela tinham também vindo presas: Ventura Lopes, cristã-nova de Vimioso e Brites Lopes, de Carção, sua madrasta. Sobre a primeira, diria Isabel aos inquisidores, em uma das suas audiências:
- Ventura Lopes e Domingos Pires, o barrigão, seu marido, moradores que eram em Vimioso, eram inimigos da ré de 8 anos a esta parte, pela razão de o marido da ré e o pai da mesma ré fazerem prender o dito Domingos Pires, para casar com a dita Ventura Lopes, o que ele não queria fazer, por dizer que ela estava mal de seu corpo e porque, com efeito., o obrigaram a casar e lhe ficou com ódio, o que é público e notório.
De resto e como seria de esperar, Isabel Luís acabou por denunciar todos os que com ela vieram presos e por eles foi, de igual modo, denunciada. A título de exemplo, vejamos um pouco das confissões de Isabel:
- Morrendo Francisco Rodrigues, o sargento, pela Páscoa antecedente à prisão dela declarante, quiseram os filhos do mesmo mandar fazer jejuns judaicos, pela alma do dito seu pai, os quais se chamam Atanásio Rodrigues, lavrador e curtidor, casado com Clara de Oliveira, Bernardo Rodrigues, tendeiro, solteiro, António Rodrigues, sapateiro e curtidor e Luísa Rodrigues, casada com Francisco Lopes, que vieram presos, excepto a dita Luísa Rodrigues; e por não terem dinheiro, pediram 6 mil reis emprestados a André Rodrigues, tendeiro, os quais 6 mil reis levou Bernardo Rodrigues à vila de Chacim, onde os distribuiu para fazerem os ditos jejuns judaicos da lei de Moisés.
E este testemunho terá sido um dos muitos que contribuíram para que aqueles três irmãos fossem condenados à fogueira. Tal como o foi Domingos de Oliveira, acerca do qual Isabel Luís declarou o seguinte:
- Morrendo a sogra de Domingos de Oliveira, chamada Maria Chiquilha, haverá 9 ou 10 anos (…) ele chamara gente da nação dos cristãos-novos a sua casa onde, fechando a porta, lhes deu de cear e depois de cearem leu de um livro orações judaicas; e dera a Isabel Rodrigues duas varas de pano de lenço por intenção e esmola da lei de Moisés e outrossim ouvira dizer (…) que Domingos de Oliveira dissera uma missa na Ermida de Santo Estêvão, uma missa seca.
Das confissões de Isabel, como aliás de outros processos, podíamos recolher muitas outras notas, de interesse para o estudo dos hábitos da comunidade marrana de Carção. Ao nível da alimentação, por exemplo, é referido um prato que usavam comer na ceia do Kipur que era o bacalhau com grãos-de-bico, ou quando velavam aos mortos, que era bacalhau, queijo e nozes. Como se refere a rosquilha que ainda hoje é um doce típico da região de Macedo de Cavaleiros.
Voltando atrás, à loucura de Isabel Luís, naturalmente que se punha o problema da imputabilidade de seus crimes. Era necessário averiguar se ela já era louca antes de ser presa e, nesse caso, seria inimputável. Ou se ficou louca no cárcere, ou se era por fingimento e malícia. E averiguar se a loucura acabou e ela recuperou o entendimento. Para isso foram ouvidas várias testemunhas: os guardas, o alcaide, as companheiras de cárcere e os médicos da Inquisição que a trataram. Vejamos alguns excertos desses depoimentos:
* O alcaide disse que “quando veio presa para estes cárceres, tinha juízo e entendimento e capacidade, na forma que têm as mais presas e desta sorte esteve até ao meio de Janeiro de 1695 e então começou a fazer acções de que se colhia não ter entendimento (…) e foi curada pelos médicos e ultimamente ficou em seu juízo (…) procurando com muito cuidado tudo o que lhe era necessário para os seus vestidos e sustento e falando com muito propósito, sem ter mais doença e com melhor saúde e com esperteza muito vigilante, excepto no dito tempo em que lhe pareceu estar fora do juízo e seriam 4 ou 5 meses, assim antes como depois dele lhe parece ser pessoa de entendimento e esperteza”.

* O Dr. João Mendes, 72 anos, declarou que foi no cárcere que ela ficou “lassa do juízo” e que “pelos medicamentos que lhe deu ela melhorou da dita lesão (…) e que agora “a achou com bom entendimento e advertida em todas as suas potências e com capacidade”.
* De modo semelhante se expressou o Dr. António Mendes, de 64 anos, lente e Prima de Medicina da Universidade, dizendo que “estava lembrado de curar uma presa a Fevereiro ou Março de 1695 de uma mania com que estava e lhe aplicou os remédios que entendeu serem convenientes (…) até que se pôs com aquele uso de razão que toca a sua pessoa”.
* Isabel Gonçalves disse que a conhecia desde que nasceu e que “antes de ser presa tinha bom entendimento, juízo e capacidade” mas depois ficou “em forma que parecia louca, cantando e dizendo palavras altas e não deixava dormir a gente (…) e depois do dito castigo como que houve medo e está quieta e sossegada e haverá um ano que está em seu entendimento perfeito”.
* Helena Rodrigues, depois de contar algumas das  vesânias de Isabel, disse que ela própria ficou doente e “no tempo em que ela estava doente, pela não deixar comer nem dormir e pela fraqueza em que a tinha posto a doença, também enlouqueceu, pelo que a tiraram da companhia dela testemunha”.
* Ventura Lopes disse que “quando Isabel Luís veio para a sua companhia, tinha alguma lesão no entendimento, porém que haverá 4 ou 5 meses já não falava despropositadamente e está em seu juízo perfeito”.
* Menos concordante e mais severo foi o depoimento de Catarina Lopes, a bicha, casada com um tio paterno de Isabel. Com efeito, “disse que não viu fazer à dita Isabel Luís coisa alguma de louquice considerável, porém que é pessoa de pouco assento e algum tanto estouvada, o que também são os seus irmãos”.

Com base nestes e mais testemunhos, concluíram os inquisidores que Isabel era imputável. E passaram a analisar os seus crimes, concluindo que ela era herege, fautora e encobridora de hereges, lavrando-se a sentença na Mesa da Inquisição de Coimbra em 29.10.1996, na qual decidiam pela morte na fogueira. A sentença foi presente ao Conselho Geral que a ratificou, em sessão de 11.11.1696.
No dia 24 de Novembro, véspera do auto-de-fé, foram atar-lhe as mãos, ler-lhe a sentença e fazê-la “posar” uma última vez para o pintor fazer o seu retrato no sambenito que levaria vestido na procissão e no que depois seria remetido para Carção a fim de ser afixado na parede interior da igreja matriz.
Vendo-se assim de mãos atadas, Isabel entrou de fazer mais denúncias e implorar misericórdia. O inquisidor que a ouviu “deu crédito diminuto à confissão da ré”, que o mesmo é dizer que ela não estava a dizer toda a verdade.
E se a cena da prisão foi de intenso dramatismo, não menos o foi a saída da cadeia para o  queimadouro. Estava já a procissão na rua e Isabel na “casa do pano” quando pediu uma derradeira audiência ao inquisidor presente e que estava ordenando a cauda da procissão, Dr. João Duarte Ribeiro, que a ouviu mas não lhe aceitou a confissão por “dizer informemente”.
Já no auto, pelas 4 horas da tarde, sentindo-se já o crepitar da fogueira, Isabel fez uma última e certamente ainda mais dramática confissão, mas… “não lhe deram crédito algum”.
Depois do drama da prisão e da loucura e da morte na fogueira, Isabel Luís ganhou um nome novo: a bonita! É que o seu retrato pendurado na igreja matriz de Carção estava tão bonito e perfeito que ela parecia “uma estampa… muito formosa que parecia viva”.


Fonte
A.N.T.T. Inquisição de Coimbra  6731.
in:almocreve.blogs.sapo.pt

segunda-feira, 24 de março de 2014

De quem seria o carro? E, quem se lembra de bombas de gasolina na Praça da Sé?

Exposição de Bernardi Roig está patente até finais do mês de junho.

Celtas Cortos são os "cabeça de cartaz" do Festival Intercéltico de Sendim

O Festival Intercéltico de Sendim (FIS) já tem o programa de espetáculos fechados, apresentando como cabeça de cartaz os aclamados Celtas Cortos, uma banda histórica do folk/rock celta, disse hoje à Lusa fonte da organização.
"Este ano o FIS apresenta algumas novidades, sendo que a principal é o seu início na cidade de Miranda do Douro, indo desta forma ao encontro de vontades demonstradas ao longo dos últimos anos no sentido de as celebrações intercélticas se estenderem até à sede do concelho", explicou à Lusa o diretor do FIS, Mário Correia.
A 15ª edição do FIS, organizada pela Sons da Terra e com apoios institucionais da Câmara de Miranda do Douro, Junta de Freguesia de Sendim e Governo do Principado das Astúrias, vai decorrer entre os dias 31 de julho e 03 de agosto.

Lusa

Poesia no Centro Histórico de Bragança

Envelopes nos jardins, poesia nas árvores, gaivotas nas ruas, poesia nos autocarros, poemas nas farmácias. Estas foram, apenas, algumas das atividades que, no dia 21 de março, animaram o Centro Histórico da Cidade de Bragança.
 Este evento  foi, assim, comemorado por centenas de alunos que “ofereceram” poesia a quem passava pela zona histórica de Bragança.
O Dia Mundial da Poesia, cujas comemorações contaram com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Bragança, Hernâni Dias, e da Vereadora da Cultura, Cristina Figueiredo, foi organizado pela Câmara Municipal de Bragança, em colaboração com os Agrupamentos de Escolas do Concelho e a Rede de Bibliotecas de Bragança.
Registo Fotográfico Registo Fotográfico (7.910 Kb)

in:cm-braganca.pt

40 milhões para o regresso do comboio

Trazer novamente o comboio até Bragança é o objectivo do Movimento Cívico pela Linha do Tua.
No passado sábado foi organizada a primeira acção de limpeza de canais e estações na zona de Mirandela, que juntou perto de 30 voluntários. 
O representante do Movimento, Daniel Conde, garante que este foi o primeiro passo para pressionar as entidades regionais e nacionais para a importância da reabertura da linha.“Seguir o exemplo de algumas vias férreas, por exemplo no Reino Unido, que foram reabertas após 50 anos de abandono, precisamente após estas acções cívicas. A própria comunidade local começou a juntar-se a limpar o canal e as estações, fizeram-se acordos entre as autarquias e o poder central, foram reabertas e estão a servir a população. E é isso que nós pretendemos aqui”, realça o representante do Movimento.
Daniel Conde fez contas e diz que por apenas seis milhões de euros é possível ter o comboio de volta a Bragança. 
“Custaria à volta de 40 milhões de euros, com acesso a dinheiros do QREN a 85 por cento sobraria ao Estado, às autarquias ou a privados, seis milhões de euros apenas para termos o comboio de volta até Bragança”, salienta.
Entre quem participou nesta acção há quem acredite que é possível reactivar a linha, mas também há quem duvide que o comboio volte a apitar nas estações. É o caso do presidente da Junta de Freguesia de Carvalhais. “Não acredito, mas gostaria de o voltar a ver funcionar, mas da maneira que está a linha não acredito”, afirma António Jacob.
O Movimento Cívico pela Linha do Tua promete realizar mais acções deste género e garante que vai apresentar uma proposta de reactivação da Linha às autarquias e também à REFER.

in:jornalnordeste.com

Dia Mundial da Árvore 2014

O Município de Bragança comemorou, uma vez mais, o Dia Mundial da Árvore, no dia 21 de março, envolvendo, para tal, dez escolas do Concelho de Bragança.
O local escolhido para acolher as atividades do Dia Mundial da Árvore foi o Loteamento de Vale Churido, onde cerca de 300 crianças plantaram 70 árvores e colocaram placas alusivas às espécies plantadas. 
Uma ação que contou com a participação do Presidente da Câmara Municipal de Bragança, Hernâni Dias, e do Vice-Presidente, Paulo Xavier, que também plantaram árvores. 
“É importante sensibilizar os mais novos para a preservação da natureza e da floresta e envolvê-los em atividades como a plantação de árvores”, sublinhou o Presidente da Câmara Municipal. 
Recorde-se que os Espaços Verdes na Cidade de Bragança tiveram (na última década e meia) uma evolução muito significativa, passando de, aproximadamente, três hectares em 1998 para cerca de 40 hectares em 2014. 
Todos os anos, o Município de Bragança aposta na plantação e reposição de árvores, sendo que, atualmente, o património arbóreo da zona urbana de Bragança é de, aproximadamente, 7.500 exemplares.
O Município apostou, também, em publicações relacionadas com espaços verdes, como o Livro de Espaços verdes  de Bragança, o Manual de Boas Práticas em Espaços Verdes (que esteve em destaque durante um workshop promovido no âmbito do projeto ECO XXI, na CCDRN) e, brevemente, com a publicação do Plano Verde de Bragança.
Registo Fotográfico Registo Fotográfico (3.418 Kb)

in:cm-braganca.pt

Durante um mês, 18 espetáculos comemoram o Teatro em Vila Real e Bragança

As companhias nacionais Ensemble e Artistas Unidos dão o arranque na quinta-feira à 10.ª edição do Festival Internacional de Teatro Vinte e Sete, que durante um mês apresenta 18 espetáculos em Bragança e Vila Real, anunciou hoje a organização.
Com início no Dia Mundial do Teatro (27 de março), o festival prolonga-se até ao dia 27 de abril, com produções para todos os géneros de públicos e escalões etários.
Durante um mês, sobem aos palcos dos teatros municipais de Bragança e Vila Real 13 companhias nacionais e estrangeiros, que vão apresentar 18 espetáculos.
A organização anunciou hoje que o teatro clássico tem um lugar de destaque nesta edição, com peças de autores marcantes da dramaturgia universal.
O arranque do festival leva ao palco do Teatro Municipal de Bragança a peça "À espera de Godot", uma obra adaptada da obra de Samuel Beckett pelo Ensemble, tratando-se de uma coprodução com o São Luís Teatro Municipal, que conta com o apoio do Teatro Nacional São João.
No mesmo dia, em Vila Real, os Artistas Unidos apresentam "A 20 de novembro", um texto do sueco Lars Nóren a partir do diário de um aluno que disparou contra colegas e professores da sua escola.
No domínio dos clássicos, serão apresentadas ainda as peças "Édipo" (de Sófocles) pelo Teatro do Bolhão, "Caso Hamlet", uma original abordagem da Peripécia ao texto de Shakespeare, e "Macbeth", outra peça shakespeariana proposta pela Companhia do Chapitô.
Uma das participações estrangeiras no Vinte e Sete é uma adaptação de "Macbeth" à realidade africana, designadamente "As orações de Mansata", uma coprodução que envolve a Cena Lusófona, A Escola da Noite, Companhia de Teatro de Braga, Teatro Vila Velha (Brasil), com atores de seis países de língua portuguesa.
Um outro clássico da literatura, "As Ondas" de Virginia Woolf, é uma peça interpretada pelo grupo Causas Comuns e criada por Sara Carinhas.
No domínio de dramaturgia mais contemporânea, a Assédio trabalha um texto da irlandesa Maria Jones, "Os bolsos cheios de pedras", uma comédia sobre o mundo do cinema.
A 72.ª produção do Teatro da Garagem, "Cromatografia", assenta num texto de Carlos J. Pessoa, enquanto Bruno Martins interpreta a solo a nova produção do Teatro da Didascália, "One man alone".
A outra participação estrangeira na edição de 2014 do festival é "M3", um espetáculo de humor gestual apresentado pelo espanhol Mr. Kubik.
Para o público infantil foram agendadas duas produções, "Uma história desafinada, ou nem por isso", pelo Teatro das Beiras, e "A cidade verde e a cidade azul", uma peça coreográfica da companhia Quorum Ballet.
O festival Vinte e Sete decorre em Vila Real e Bragança, numa organização dos teatros municipais das duas cidades.

PLI // SB
Lusa/Fim

Mercadinho em Cerejais não convenceu

Terminou ontem na aldeia de Cerejais, concelho de Alfândega da Fé mais uma edição do Mercadinho da Flor da Amêndoa.
Um evento para promover e dinamizar a economia local, através da mostra e venda de produtos agro-alimentares e artesanais do concelho.
Habitualmente este certame realizava-se na vila. 
Este ano, pela primeira vez a autarquia decidiu a postar na descentralização. Mas os expositores criticam esta decisão. 
Depois de ouvir as queixas dos expositores a presidente da câmara de Alfândega da Fé, Berta Nunes, assegura que no próximo ano o Mercadinho da Flor da Amêndoa regressa à vila. 

Escrito por Brigantia

Brites Lopes - quis resistir como a mãe dos Macabeus

Autores:
António J. Andrade
M. Fernanda Guimarães

Em audiência de 9 de Junho de 1659, António Henriques da Costa “disse que, haverá 20 anos, em Vimioso, se achou com (…) Brites Lopes, viúva de António da Costa (…) e disse que, haverá 8 anos, no Porto, em sua casa, se achou com António da Costa”, filho daquela.
Uma tal declaração, em princípio e por ser única, não seria suficiente para ordenar a prisão das pessoas em causa. No entanto, o promotor da Inquisição assim não entendeu e fez o seguinte requerimento:
- Contra António da Costa, cristão-novo, mercador e Brites Lopes, viúva de outro António da Costa, moradores no Vimioso, ofereço a VM o testemunho de António Henriques da Costa, mercador, de 9 de Junho de 1659, no qual diz contra os delatos culpas de judaísmo em forma e jejum do dia grande e outros, o qual está ratificado com certidão de bom credito, e depõe contra os delatos muito verosimilmente, sendo de terra tão vulgar no judaísmo, aonde de presente estão decretadas muitas prisões e outrossim o delato é irmão de Francisco da Costa Henriques, preso e confesso, e é verosímil que o réu cometesse as ditas culpas e de presente vive a um quarto de légua de Castela, aonde de presente estão para se fazer muitas prisões e se fizerem poderão fugir (…) e de contínuo estão fugindo daquelas partes, como consta de repetidos avisos de Familiares delas (partes). E se presume que o réu fará da mesma sorte (…) Requeiro que decretem a prisão de António da Costa e Brites Lopes, com sequestro de bens.
O requerimento foi deferido e, no dia 5 de Junho de 1660, Brites Lopes e o filho eram entregues na Inquisição de Coimbra. E, 22 dias depois, foram também presas as 3 filhas daquela e irmãs deste, a saber:
Maria da Costa, moradora em Vimioso, viúva de Francisco da Paz, moradores em Carção.
Isabel da Costa, casada com Gaspar Rodrigues, moradores em Vimioso.
Catarina da Costa, casada com João Fernandes, moradores em Vimioso.
E também no mesmo dia 27 de Junho, foi preso um sobrinho de Brites, filho de seu irmão Manuel Lopes, chamado António Lopes, de 26 anos, surrador, residente em Carção.
Metida na cadeia, não seria difícil a Brites Lopes adivinhar quem a tinha denunciado: o filho Francisco, a nora Leonor e o pai desta, seu primo, os quais, duas semanas antes, tinham saído em auto-de-fé e ainda andavam por Coimbra, vestidos de sambenito, cumprindo a sua penitência. Por isso, logo ela confessou que “haverá 11 anos que, em sua casa, no Vimioso, se declarou com seu filho Francisco”. E também logo disse que se tinha declarado com seu filho António da Costa que consigo veio preso. Igualmente explicou que foi uma prima materna, Maria Lopes, a galega, viúva de João Lopes, que a introduziu na religião mosaica e lhe ensinou as suas regras. Claro que desta denúncia não resultava qualquer mal, porque Maria Lopes se tinha ausentado há muito para Castela.
Depois, Brites Lopes manteve-se firme, ao longo de ano e meio, não fazendo mais qualquer denúncia. Porventura não saberia que as suas filhas e o seu sobrinho também ali estavam presas e a tinham já denunciado a ela. Tal como a mãe dos Macabeus, tentava Brites proteger os filhos, mantendo-se inabalável em sua fé.
Não sabemos se por ingenuidade ou numa tentativa de confundir os inquisidores, confessou que em tempos era seguidora da lei de Cristo e da de Moisés, em simultâneo, dizia que ia ouvir missa às igrejas para salvação da sua alma e que, ao mesmo tempo, fazia jejuns e cerimónias judaicas.
Avisavam-na os inquisidores de que isso era um absurdo, uma repugnância, contrapondo ela “que a dita crença na lei de Moisés lhe durou só 2 anos e depois foi alumiada pelo Espírito Santo”. Logicamente que fazia coincidir esta “iluminação” celeste com a ida de seu filho para o Porto!
Os inquisidores, porém, tomavam nota e escreviam no processo: “ela tem 60 anos e é muito bem entendida”.
Advertiam-na das contradições e repugnâncias de suas confissões e ela mantinha-se na sua posição. Ameaçavam-na e ela continuava firme em suas ideias. Em interrogatório muito apertado perguntaram-lhe se tinha consciência do perigo que corria, mantendo-se assim negativa e se conhecia “os termos em que, de presente está o seu processo” e ela respondeu, desassombrada: - “Saberia se lho dissessem”!
Não quis procurador para a defender, nem quis apresentar contraditas, afirmando que não tinha inimigos. Efectivamente, foram perguntadas muitas pessoas em Vimioso e Carção e todas, gente do povo, da nobreza e da governança da terra, todas testemunharam que era “pessoa de muito crédito” e que nunca teve “brigas nem dúvidas com pessoa alguma”.
Pareciam esgotadas todas as hipóteses de “redução” à fé católica e, em sessão de 28 de Março de 1662, foi tomado o seguinte assento em Mesa:
- A ré está julgada por convicta no crime de judaísmo, falsa, dissimulada, confitente, diminuta, impenitente e que, como tal, herege e apóstata da Nossa Santa Fé Católica, devia ser relaxada à justiça secular.
Estava, pois, condenada à morte na fogueira e esta sentença foi-lhe comunicada em 26 de Junho de 1662. A verdade é que, nem assim, Brites Lopes recuou em suas posições, dizendo, mais uma vez, que não tinha mais culpas a confessar!
No dia 7 de Julho seguinte, foi o notário da Inquisição e um guarda à sua cela para a informarem que no domingo seguinte, dia 9, seria o auto-de-fé e para lhe atarem as mãos, como era da norma do regimento, deixando com ela o padre da Companhia de Jesus para tentar convencê-la a confessar suas culpas e, ao menos, morrer como católica.
Não sabemos se por medo ou convencida pelo padre ou por saber então que suas 3 filhas também estavam presas e sairiam no mesmo auto, a 8 de Julho, Brites Lopes desatou a confessar suas culpas e a denunciar toda a sua parentela: filhos, netos, irmãos… incluindo o primo Jorge Henriques que “se ausentou para Castela” e dali para Livorno… dizendo que, afinal, tinha sido instruída no judaísmo há mais de 30 anos, por sua parente Catarina Lopes, de alcunha a bicha, de Vimioso.
Com esta confissão, Brites Lopes escapou à fogueira, sendo condenada a “hábito penitencial perpétuo, com insígnias de fogo e degredo de 7 anos para o Brasil”.
Mais leves (penas espirituais e hábito a arbítrio) foram as penas aplicadas a suas filhas, filho e sobrinho, que todos saíram no mesmo auto-de-fé.
Dos processos de António da Costa e António Lopes há uma nota que nos parece muito importante registar: um e outro são proprietários de boas vinhas, declarando um que deixara em armazém 200 almudes de vinho e o outro 90. Se atendermos a que se estava no mês de Junho, quando a produção deve estar meio vendida… pode concluir-se que eles eram mesmo grandes produtores, à escala local, já se vê e que a sua agricultura não era apenas de subsistência, antes revela um carácter empresarial.
Das confissões de António da Costa, retiramos a seguinte nota:
- Disse que haverá 7 anos, em Castela, no caminho que vai de Rio Seco para Valladolid, se achou com seu tio segundo, por via materna, Jorge Henriques, cristão-novo, mercador, então morador em Carção e morador hoje em Livorno; e estando ambos, não se lembra em que ocasião, doutrinou-o e ele se apartou.
Do processo de Isabel da Costa registamos que foi a prima de sua mãe, Catarina Lopes, a bicha, que a doutrinou e entre essa doutrinação lhe ensinou as belíssimas orações que se seguem, repletas de lirismo e de grande profundidade ideológica:

                                                                    I
Vossos amores, Senhor,
Me trazem mui descuidada,
Que não quero outro cuidado
Senão servir-vos Senhor.

Se tu a mim servires,
Eu a ti te guardarei,
E quando me demandares,
Senhor, sei que tudo te darei.

De meus filhos e marido,
Eu terei grande cuidado,
E saberão as nações
Que sou de ti advogado.

Serás bendito no campo
E das ruas da cidade
Limparás tu a maldade
E estarei em povo santo.
II
Ó vivo e eterno Senhor,
Que céus e terra fizestes
E a toda a criatura destes
E a mim, servo e sem valor,
Rogo-te por teu amor
Que me reías meus sentidos
Que sendo por ti regidos
Não farão nunca error.
III
Senhor que estás nas alturas,
Minha boca consolastes,
Louvemos as criaturas
Quantas no mundo criastes.

Ó alto Deus de Abraão,
Ó forte Deus de Israel,
Tu que ouviste a Daniel,
Ouve a minha oração.

Minha oração perfeita,
Posto lá nas alturas,
Ouve-me a mim, pecadora,
Que te chamo das baixuras.

Fontes
A.N.T.T. Inquisição de Coimbra
Processos  1518, 3495, 4556,  5720, 6025, 6706

Expositores descontentes na Feira Franca de Mogadouro

Os expositores da Feira Franca de Mogadouro estão descontentes com a mudança de local nesta 24ª edição.
O certame que promove os produtos da terra terminou ontem e realizou-se nos últimos três fins-de-semana.
O Parque da Vila foi o espaço escolhido, este ano, para acolher as festividades das Amendoeiras em Flor. Mas os cerca de 28 expositores entendem que não foi a melhor opção. 
O presidente da câmara de Mogadouro, Francisco Guimarães, compreende as queixas dos expositores e admite voltar a mudar o local da feira, mas exclui a hipótese de a fazer regressar ao espaço inicial. 
Além da mudança de local da feira, no próximo ano, também deverá ser repensada a estratégia conjunta dos concelhos do Douro Superior na promoção das festividades das Amendoeiras em Flor para atrair ainda mais turistas à região. 

Escrito por Brigantia

Fonctions de quelques villages différenciés dans le Nord-Est de Trás-os-Montes (1960)

Les villages étudiés sont Carção, Argozelo et Campo de Víboras. Ils sont «différenciés» parce qu´ils s´écartent du type commun de la plupart des villages de la région. Ces derniers ont, en général, une structure exclusivement agricole tandis que dans les premiers habite une population commerçante, ce qui montre que leurs fonctions sont distinctes de celles qui sont normales dans les villages homogénes.  D´ou la question qui a guidé l´analyse: quelle est la fonction de cês villages? Cette étude particulière doit être située dans le cadre de problèmes plus généraux. Ils sont résumés en trois points dans la première partie de l´article. Le premier aspect est celui de la hiérarchie de l´habitat: il révèle, par exemple, que Carção (simple village) a une dimension très proche de celle de Vimioso (chef-lieu de «concelho»). Le deuxième aspect est celui des conditions d´accès: il montre, par exemple, que Campo de Víboras est plus éloigné (distance-temps) de la ville de Bragança que ne pourrait le laisser penser la carte. Finalement, la synthèse des problèmes agricoles montre le presque total isolement économique, donc social, de la region. Son inclusion dans une économie de marche a eu comme résultat une utilisation inadequate de sol: c´est le cas de l´extension déraisonnable da l aculture de blé à la suite d´une incitatuion officielle.
La deuxième parties de l´article est consacrée à l´étude de chacun dês trois villages. Carção était déjà un centre de redistribution de l´épicerie avant l´implantation de la route et du chemin de fer. Une partie de la population était commerçante: grossistes et colporteurs, c´est-à-dire ceux qui amenaient de Porto le marchandise et ceux qui la vendaient au détail dans les villages de la région. Le moyen de transport utilisé était soit la charette tirée par dês mulets pour les grosses charges, soit le mulet pour la vente ambulante ao détail. Ce sont les conditions régionales de transport qui ont favorisé le commerce de gros de Carção. Les maisons de la Place dont le style urbain surprend aujourd´hui, témoignent de l´ancienne importance de cette activité. La transformation des moyens de transport (apparition du chemin de fer et de la route) a modifié les conditions d´accès et d´autres localisations sont alors devenues plus favorables à la function de lieu central. L´activité du commerce de gros est la plus sensible à cette modification. Aujourd´hui unde demi-douzaine de grossistes seulement demeurent dans le village. Les «azeiteiros» (detaillants d´huile d´olive et d´autres articles d´épicerie) survivent, mais l´aire de vente se réduit. La population commerciante – grossistes et colporteurs ou «azeiteiro» – constituait le groupe dês «juifs». Aujourd´hui le sens local de cette dénomination n´est plus que sócio-économique. C´est en ce sens que nous l´avons utilisé.
Dans le village d´Argozelo, l´industrie traditionnelle de la tannerie n´a pas survécu à la concurrence. Cependent, le commerce des peaux s´est maintenu, bien que quelques modifications se soient produites: les peaussiers s´absentaient périodiquement pour acheter des peaux dans les autres villages du district; les transports s´améliorant, une réduction du temps de parcours s´imposa et les colporteurs se dispersèrent dans plusierurs villages du district où ils résident depuis lors. Le grossiste les visite périodiquement pour charger sa camionnette de peaux qu´il envoie aux centres industriels de tannarie.
Das la troisième village, Campo de Víboras, une partie de la population engagée dans le commerce dês toiles fréquentait les foires du «district». De nos jours, ils utilisent l´automobile pour se rendre rapidement à la ville; ils font leur commerce de porte en porte. Leurs marchandises sont variées: des draps, des nappes, de dentelle et des broderies de l´ile de Madère. Ils ne travaillent plus les champs et ne viennent au village que pour y passer les vacances.
La function des villes de Carção et Argozelo n´est plus qu´un héritage. Dans les trois villages, les commerçants et les agriculteurs habitaient des quartiers distincts qui, à Carção et à Argozelo, n´ont pás dépassé les limites atteintes à l´époque de la prospérité. Par contre, à Campo de Víboras, le vieux quartier dês maechands de tissus a été abandonné et un autre quartier moderne a surgi dont les maisons de type urbain ont été bâties au cours des dernières décennies. Carção avaint dês relations étroites avec sa région. La «Place» est ancore aujourd´hui un «centre commercial» quoique d´atraction réduite et sa signification ne dépasse pás les cadre du village. C´est le quartier recherché par ceux qui sont aujourd´hui en ascension économique: les émigrés. Les relations de Campo de Víboras avec la région ont toujour été faibles et sont aujourd´hui presque inexistantes.

in:almocreve.blogs.sapo.pt