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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Mapa Verde das energias renováveis aprovado pelo governo assinala 800 locais

 O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares defendeu em Carrazeda de Ansiães que é preciso cumprir as determinações do Mapa Verde, um instrumento de planeamento para as energias renováveis, aprovado pelo governo no dia 20 de agosto. “Em princípio é uma possibilidade, mas é uma possibilidade que tem de ser efetivada pois é para isso que servem as políticas públicas nacionais, regionais e locais. Quando se criou esse mapa criou-se com determinado objetivo que é realizar, exatamente, essas infraestruturas”, explicou Carlos Abreu Amorim, à margem da sessão de inauguração da Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite de Carrazeda de Ansiães, na passada sexta-feira.


O mapa verde, que esteve em consulta pública entre junho e julho, delimitou 4% do território nacional como elegível para o desenvolvimento prioritário de projetos de energia limpa. Há cerca de 450 mil hectares de território no país com potencial para estes projetos. O governo decidiu que os municípios são obrigados a determinar 1% do seu território para parques de renováveis.

Alguns autarcas do distrito de Bragança, como o de Alfândega da Fé e Mogadouro mostraram o seu descontentamento face à proliferação de parques de renováveis nomeadamente de fotovoltaicas. “O mapa foi elaborado com requisitos técnicos que, obviamente, podem ser discutidos e, desde logo, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte estará atenta a esses problemas e os ministérios e departamentos governamentais também. Se existe descontentamento, o que é normal, para os que não foram abrangidos, mas a sua voz será ouvida e se houver algum erro técnico poderá ser corrigido”, referiu Carlos Abreu Amorim.

O Mapa Verde é o nome pelo qual ficou conhecido o Programa Setorial das Zonas de Aceleração de Implementação de Energias Renováveis (PSZAER), uma ferramenta que identifica 800 zonas do território, em 147 municípios, mais adequadas para receber projetos de energias renováveis, como centrais solares fotovoltaicos e parques eólicos em terra. O seu objetivo passa por tornar o desenvolvimento destes projetos mais rápido, mais previsível e mais alinhado com as características ambientais e territoriais de cada zona.

Até agora, a avaliação sobre a adequação de um determinado território era feita em grande medida no âmbito de cada projeto. O novo programa permite antecipar uma parte significativa dessa avaliação, identificando previamente as áreas onde a instalação de projetos renováveis é considerada adequada.

GL

MIRANDELA: PRIMEIRA CIDADE “STAY COOL” DE TRÁS-OS-MONTES

 Será o primeiro concelho das Terras de Trás-os-Montes a criar uma Rede de (cinco) Refúgios Climáticos. “Stay Cool” é uma iniciativa do Turismo de Portugal pensada para proteger residentes e turistas durante os picos de calor extremo.


A medida foca-se no interior norte do país, uma região historicamente fustigada por temperaturas elevadas no verão. Para responder a este desafio, o município identificou cinco espaços que vão funcionar como abrigos temporários com sombra, frescura e áreas de descanso. "...A Estação das Artes, a Ecoteca de Mirandela, o Parque da Ribeira de Carvalhais, o Parque do Império e o Pinhal junto à Escola Secundária Luciano Cordeiro são os locais escolhidos para a intervenção", avança o presidente  da câmara Victor Correia.

Os fundos serão aplicados na qualificação destes cinco locais através do reforço da vegetação, instalação de bebedouros, melhoria do conforto térmico e colocação de sinalização própria, garantindo espaços seguros para os grupos mais vulneráveis, como crianças e idosos.

Com a integração nesta rede, Mirandela avança com a candidatura ao programa "Crescer com o Turismo". O aviso dispõe de um milhão de euros a nível nacional, com financiamento a fundo perdido que pode chegar aos 80% até a um máximo de 75 mil euros por candidatura.

Fernando Sérgio
Foto: município de Mirandela

ODISSEIA

Por: Ernesto Rodrigues
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Se compararmos a antroponímia e geografia da Ilíada e da Odisseia, aquela tem o dobro de nomes próprios e lugares. Além, Homero microbiografa heróis e menos conhecidos que se aventuraram no vasto dorso do mar até Tróia e que a negra terra ou véu da morte chamou, imagens alternando com a noite cobrindo os seus olhos. Segundo Agamémnon, nem as crianças de peito deviam escapar, e tal violência atinge os próprios deuses, com Diomedes ferindo Ares e Afrodite. É, afinal, «a batalha dos deuses» (canto XX), com sacrifício dos homens – desumanidade salva em Andrómaca, nas lágrimas de Aquiles e seus cavalos pelo amigo Pátrocolo ou no requiem final por Heitor. A causa da guerra e destruição de Tróia não foi a beleza de Helena e culpa de Páris, mas o azedume, a «inclemência» divina, como diz a Eneida (II 601-603).

Ao vermos A Odisseia, mais parece assistirmos à Ilíada, na sua lógica de bronze mil vezes brandido e fatal, a que – paradigma do espectáculo – não escapa um cavalo que julgávamos de madeira. Com o artigo feminino anteposto, Christopher Nolan apropria-se de um poema – afinal, discreto sobre essa guerra –, reproduzindo quanto Eneias conta a Dido sobre o enganoso cavalo, na Eneida. Se mérito tem este filme, é no campo da sociologia do consumo e da leitura, só para corajosos. No mais, raro vemos um Ulisseu intimamente sofredor, em busca dos seus e da paz, voto com que encerra Atena, e seria lição útil para os nossos dias.

Assente em vocativos, epítetos e fórmulas reiteradas de inspiração aédica, há um tom elevado nos diálogos (sejam altiloquentes, familiares, inclusive irónicos) que nenhum hollywoodismo traduz, e menos traduz as comparações ou as atmosferas líricas. A câmara alheia-se de pormenores que fazem a beleza de um texto contido, optando por atentados auditivos de uma série B. Simples remissões para Tróia favorecem um espectáculo demorado, enquanto outras nunca serão entendidas por olhar desavisado, ainda perdido nos avanços e recuos que obscurecem a acção. A revisão física de algumas personagens é inaceitável. Momentos decisivos são rasurados. O tremendismo, sob forma de ruído e duelos, agrada às massas e à conta bancária, tudo conforme aos baixos impulsos que o realizador anima em escuridão sob o rumor, não das ondas, mas das pipocas.

Inauguram-se os versos com um consílio dos deuses, mas este e segundo consílio não interessam ao cineasta, reduzido a um Posídon multicitado e uma Atena de fraca carne e osso, sem os atributos desse reiterado olhar celeste, e menos a «imagem evanescente» (IV 835) que se espera numa deusa. Esta relação com o Além, invoque-se embora regularmente a lei de Zeus, é crucial, mas, pouco cinéfila, tanto descarta um Hermes de visita a Calipso, cuja ilha é miúda e ternamente obervada pelo mensageiro, como rdquece Ulisses envolto em névoa ao aproximar-se de Nausícaa – dois exemplos do que seria um filme lento, denso, quase hierático, longe da espuma de recontros e efeitos de celulóide.

Calipso está sozinha; Ulisses, na praia, chora, saudoso da pátria, imitando atitude de Aquiles em Tróia, ferido no seu orgulho ou na perda de Pátrocolo. Mas para quê este paralelo, dir-se-á Nolan? A bela ninfa demora-o sete anos em leito monótono, a cujas efusões não assistimos, como não veremos as havidas com Circe. Em tão curto canto V, Calipso serve para flasbacks, quando estes se justificavam na trindade de cantos passados na corte de Alcínoo, em voz do próprio Ulisses. Antecipando os capítulos da sua história – até que, no canto XIII, parte para Ítaca –, relevo o quadro de um aedo cantando as tróias por ele vividas (e que o deixam em lágrimas), pormenor, também rasurado, que lembra o olhar da segunda parte do Quijote sobre as andanças de outra Triste Figura…

Assim, o canto IX assenta nos maus encontros pós-Tróia, em comitiva que a ele se reduz ao naufragar na calipsana Ogígia, descanso excessivo para um espírito viageiro. A sintaxe do discurso fílmico sobreleva Polifemo, um ciclope (seja, olho redondo no meio da testa, que a fita faz vertical) canibal sem respeito por Zeus, que fala bem mais do que uma só vez, confuso na resposta do Ninguém de Ulisses, ambiguidade brincada pelos outros ciclopes e com grande fortuna folclórica, até ao Frei Luís de Sousa – mas um pormenor tão significativo é esquecido no guião, que não entende o seguinte: em cada nova interlocução, Ulisses declina o nome e reconta-se, incluindo frente ao fiel Eumeu, ao filho, a Penélope, que só o reconhece num comum segredo. Fora isso, o monstro nem sai mal, pois não se exigia um Polifemo bêbedo, deixando escapar restos humanos pela garganta, e maior crueldade no acto da cegueira.

Ao sossego e boa recepção da ilha Eólia respondem os lestrigões, gigantes antropófagos quais robocopes de ficção científica. Aumenta o grotesco do canto X na ilha de Circe, que o filme dá atarantada campónia, atacada, no exterior, por marítimo, quando ela está em casa, mai-las suas ninfas (ausentes de fita pudica). Transforma a primeira leva em porcos – cena filmicamente lamentável, quase de vómito. Informado por companheiro, industriado por Hermes (também ausente), Ulisses entra em casa, é banhado e perfumado, acorda com Circe a humanização dos seus, ganha um leito e informações úteis na partida, reiteradas em segundo regresso, que falta no filme. Não, no intervalo, a proposta de visita ao reino dos mortos, para ouvir de Tirésias o futuro. Este canto XI suspende-se, a meio, em breve interlocução com Alcínoo, curioso em ouvir tais feitos noite fora. Sucede, pois, um balanço de mitologia grega, chusma de nomes à maneira da Ilíada, cujos heróis mortos retornam, citados; saliento a fala de Ulisses com a mãe morta, tranquilizando-o em relação à mulher e filho.

No segundo encontro, Circe avisa dos riscos das irmãs sirenes (canto XII). O filme mal as entremostra, e, quanto ao perigoso «suave canto», é o mesmo que nada. Que oportunidade perdida, reduzida ao ridículo! Avisa de Cila e Caríbdis, para geral perda, salvo Ulisses, que vai dar a Ogígia, com que encerra auto-narrativa circular. Despedindo-se do generoso anfitrião Alcínoo e seus feácios (canto XIII), ei-lo a caminho de Ítaca.

Nos cantos XIV e XV, Ulisses e Telémaco encontram-se em casa do fiel Eumeu. Aquele perfez a odisseia; este, no canto XVI, sabe estar perante o pai – e não quando reencontram o cão Argos, embora a solução fílmica seja aceitável.

Findou a telemaquia, que sucede ao inaugural consílio dos deus: cumpliciado na velha aia de ambos, e desconhecimento da mãe, Telémaco arma navio para demandar o pai, saído de casa mal ele nascera. É outra insegurança, do reino e da mão de Penélope, que os pretendentes assediam, consumindo os bens da casa. Interpela Nestor, rei de Pilo (canto III), companheiro troiano; com filho deste, segue para Esparta ao encontro do loiro Menelau (canto IV). O tom deste é sereno, mas a fita dá-lhe gesto agitado e grosseiro, com, à esquerda, uma Helena negra (como a irmã Clitemnestra, visão fugidia), coragem gratuita – ou intenção política, não estética – do realizador, quando o Poema elege braços brancos, seja em Atena ou em mortais, enquanto marca da beleza feminil. Helena culpa Afrodite do seu descaso (v. 261-262), mas o filme não explica.

O canto IV encerra no canto XIII, deixados os feácios e chegado a Ítaca: o filme refere, bem, um atentado dos pretendentes e Telémaco salvo por Ulisses… que não passa por Esparta. De facto, este canto encerra com Atena oferecendo-se para ir a Esparta salvar Telémaco, com que abre o canto XV, enquanto Ulisses tem largo colóquio, comida e cama com o fiel Eumeu (canto XIV), que o não reconhece. Em casa deste, sucede encontro pai-filho (canto XVI): antes de combinarem a estratégia contra os pretendentes (que o filme adia para outro plano), Ulisses identifica-se – não ao reencontar o cão, que esperou 20 anos, agora nas vascas da morte, único a reconhecê-lo pela voz, comovendo herói. O guião esteve-se nas tintas para a lágrima ulisseia (XVII 304), e assim para deuses dentro de névoas, ou Atena qual andorinha, ou bom augúrio de aves voando à direita. Eis algumas subtilezas indiferentes ao consumo celulóidico.

Entre estas, a cena do banho (canto XIX) na própria casa daria ao filme um alcance universal. Banhar-se, lavar as mãos, é mais do que higiene, e logo num espírito das águas. São actos de respeito pelo estrangeiro, que Ulisses era em cada encontro, e dentro de si. Aceita essa regra, e com maior razão, se é um mendigo em casa ainda não sua. Penélope tem 50 servas (12 são traidoras, com mau fim, que o filme reduz a uma) e atribui o encargo a Euricleia, velha ama de pai e filho. Ulisses quer esconder a cicatriz na perna, mas é reconhecido.

As bem sucedidas prova do arco e derrota dos pretendentes agradam mais a este tipo de cinema, que se distraiu deste bem actual segmento anti-xenófobo. Anunciava-se efusão com Penélope, feito balanço de Tróia e recontar dos episódios violentos e serenos por ele vividos. O Poema encerra em paz, obra de Atena. Os ouvidos do espectador ecoam guerra.

Ernesto Rodrigues (Torre de Dona Chama, 1956) é escritor e professor universitário.

Três por cento

Por: José Mário Leite
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Depois da epopeia no início da esperada reforma do Ensino o esforçado e corajoso ministro Fernando Alexandre respirou, finalmente, de alívio com a publicação do resultado das candidaturas ao Ensino Superior, sobretudo pelo número de alunos colocados na primeira fase, sem casos nem complicações a ensombrar o processo. Porém há um número que por si mesmo é deveras preocupante, sendo-o muito mais por se situar numa trajetória decrescente: apenas 3% dos alunos que entraram na universidade são originários das famílias mais pobres. O chamado elevador social, “assegurado” pela Constituição da República Portuguesa, está em velocidade lenta e, além disso, a abrandar. Algo que nos deve preocupar a todos, enquanto sociedade e, muito mais, por razões óbvias, aos naturais do interior onde as oportunidades são muito mais escassas e difíceis de serem alcançadas por quem não tem acesso às facilidades e apoios existentes nos grandes centros.

Antes do 25 de abril, a porta para este alçapão invertido que retirava do ciclo de pobreza e desventura alguns jovens, dando-lhes asas para poderem voar e singrar na vida profissional, estava nos seminários diocesanos onde centenas de jovens acediam aos primeiros anos de formação complementada, posteriormente, nas instituições públicas, em grande percentagem pelos que, a seu tempo, deixavam de prosseguir na formação eclesiástica. A minha geração é testemunha dessa realidade.

Com a revolução a formação de seminaristas decaiu muito, em boa verdade, haverá que reconhecê-lo, não só pelo conhecido fenómeno de diminuição de vocações pela vida religiosa mas também porque o acesso à formação passou a ser universal e com a instituição da Ação Social Escolar, a atribuição de bolsas e apoios, bem como a isenção de propinas para as famílias de menor rendimento, estava assegurada a equidade no que toca às oportunidades, independentemente dos recursos de cada um. Assim aconteceu, durante as décadas finais do século passado, com resultados a todos os títulos assinaláveis.

Porém, com o decorrer do tempo, os números foram decrescendo, paradoxalmente, na proporção inversa do aumento dos alunos a frequentarem o Ensino Superior. Se, quer a Ação Social Escolar quer a atribuição de bolsas não diminuiu, antes pelo contrário, por que razão reduziu a incidência na base da pirâmide social?

O motivo é evidente: o aumento da competição em resultado da perversa introdução do “numerus clausus” exigiu novas ferramentas que não estavam ao alcance de todos. A prova disso está na inflação das famigeradas notas (muito pouco) mínimas de acesso. Entrou-se numa espiral crescente de classificações, inicialmente inflacionadas pelos elitistas colégios privados a que, obviamente, as escolas públicas acabaram por acompanhar, não querendo eu lançar qualquer suspeição sobre a real correspondência até porque se por acaso existe alguma “condescendência” será totalmente justificável por uma questão de equidade. Mas, convenhamos, para se atingirem valores tendencialmente encostados ao topo da tabela, mesmo com alguma contemporização, é necessária uma dedicação e um acesso a ferramentas que não estão ao alcance de todos.

Ora, é muito difícil de aceitar que num país com claro déficit de técnicos de saúde só possa aspirar a ser Médico de Família quem, à entrada do curso, saiba resolver, sem pestanejar, a segunda derivada de uma equação do terceiro grau! Onde estão os estudos que podem sustentar tão bizarra teoria?


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

47 anos depois: como fazer as pazes com o Parque Natural de Montesinho


 O Parque Natural de Montesinho é uma das mais extraordinárias áreas protegidas de Portugal, criada em 1979 para preservar um património natural, paisagístico e humano singular.

Celebrar este aniversário é muito mais do que recordar uma data. É refletir sobre a visão daqueles que, há quase meio século, compreenderam que este território merecia ser protegido, valorizado e transmitido às gerações futuras. Foi essa visão que levou à classificação do Parque Natural de Montesinho, reconhecendo os seus valores naturais, paisagísticos e humanos, mas também o potencial que aqui existia para um desenvolvimento harmonioso entre as pessoas e a natureza.

Ao longo destes 47 anos, Montesinho tornou-se uma referência nacional e internacional.

Não apenas pela riqueza da sua biodiversidade, pelos seus rios, serras, carvalhais e soutos, mas também porque continua a ser um território vivo, habitado, trabalhado e cuidado por milhares de pessoas distribuídas pelas suas aldeias.

Mas importa dizer, com toda a clareza, que nenhum parque natural sobreviverá apenas por força da lei ou das entidades que o administram. Um parque natural só existe verdadeiramente quando as pessoas o sentem como seu.

Por isso, nesta ocasião simbólica, gostaria de deixar uma mensagem muito simples: devemos fazer as pazes com o Parque Natural de Montesinho.

Durante anos, houve quem olhasse para o parque sobretudo através das limitações, das condicionantes e das restrições que a proteção da natureza inevitavelmente impõe.

Compreendo essas preocupações. Mas não podemos continuar a olhar para o parque apenas pelo que não deixa fazer. Devemos, sobretudo, olhar para aquilo que nos permite ser.

O Parque Natural de Montesinho é uma extraordinária oportunidade de futuro.

Num mundo cada vez mais urbanizado, onde milhões de pessoas procuram autenticidade, tranquilidade, natureza preservada e experiências genuínas, nós temos exatamente aquilo que muitos procuram. Temos paisagem. Temos património. Temos biodiversidade. Temos cultura. Temos gastronomia. Temos tradição. E temos aldeias que continuam a preservar uma identidade única.

É por isso que o turismo de natureza representa hoje uma das maiores oportunidades para este território.

Cada visitante que escolhe percorrer os nossos trilhos, observar a fauna e a flora, conhecer as nossas aldeias ou permanecer alguns dias entre nós está a gerar rendimento para as famílias, para os restaurantes, para os produtores locais e para os alojamentos turísticos.

Cada casa recuperada para alojamento local representa um edifício salvaguardado e uma família que encontra uma nova fonte de rendimento.

Cada jovem que decide investir na sua aldeia está a contribuir para manter vivo um território que muitos consideravam condenado ao despovoamento.

O parque não é um obstáculo ao desenvolvimento. O parque é, cada vez mais, uma condição para um desenvolvimento sustentável e diferenciador.

É também neste espírito de responsabilidade partilhada que queremos assumir um novo compromisso com o futuro deste território, através do Plano-Piloto de prevenção e redução do risco de incêndio e recuperação de habitats no Parque Natural de Montesinho, “Montesinho Mais Resiliente”.

i) Restaurar as áreas que foram percorridas por incêndios;

ii) Promover a prevenção e a redução do risco de incêndio no PNM;

iii) Implementar ações de desenvolvimento socioeconómico, que incluam a valorização dos recursos endógenos e promovam a criação de novas oportunidades de negócio;

iv) Informar, auscultar e envolver ativamente a população residente e os agentes locais na implementação do plano, com enfoque para o reforço do papel da ação humana na Gestão do Fogo Rural.

Por isso, o maior desafio para os próximos anos talvez não seja aumentar o número de visitantes, nem criar mais infraestruturas. O maior desafio será fortalecer a ligação emocional das pessoas ao seu território.

Que cada habitante das aldeias do Parque seja também um embaixador deste território.

Que cada criança aprenda a valorizar aquilo que herdou.

Que cada visitante encontre aqui uma comunidade orgulhosa da sua identidade.

E que todos compreendamos que proteger a natureza não significa impedir o progresso. Significa garantir que o progresso acontece sem destruir aquilo que nos torna únicos.

Hoje, ao celebrarmos 47 anos do Parque Natural de Montesinho, homenageamos todos aqueles que contribuíram para a sua preservação: as populações locais, os agricultores, os pastores, os baldios, as juntas de freguesia, as associações, os investigadores, os técnicos e todas as instituições que, ao longo das décadas, ajudaram a construir esta história coletiva.

O futuro do Parque Natural de Montesinho dependerá da nossa capacidade de trabalhar em conjunto, de conciliar conservação e desenvolvimento, tradição e inovação, natureza e qualidade de vida.

Tenho a convicção de que saberemos estar à altura dessa responsabilidade.

O Parque Natural de Montesinho não é apenas um parque natural. É parte da nossa identidade, é parte da nossa história e tem de continuar a ser parte do nosso futuro.

Isabel  Ferreira
(Presidente da Câmara Municipal de Bragança e da Comissão de Cogestão 
do Parque Natural de Montesinho)

Paulo Salgado apresenta “Encruzilhadas no Império”

 O moncorvense Paulo Cordeiro Salgado, colaborador do Mensageiro de Bragança, apresenta esta sexta-feira o livro “Encruzilhadas no Império”, no auditório da Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo.


A apresentação da obra estará a cargo de Álvaro Teixeira Leonardo, segundo uma nota divulgada pela Câmara de Torre de Moncorvo.

Administrador hospitalar reformado, desenvolveu uma longa carreira na área da gestão e administração hospitalar, tendo passado pelos Hospitais da Universidade de Coimbra e pelos hospitais de Santo António e de Gaia.

Trabalhou também em Angola, na Guiné-Bissau e em São Tomé e Príncipe, no âmbito de projetos de cooperação internacional ligados ao Banco Mundial e ao Banco Africano de Desenvolvimento.

Ao longo do seu percurso profissional, publicou artigos sobre gestão hospitalar, qualidade e cooperação em saúde, participou em congressos e integrou várias comissões técnicas e científicas. Faz ainda parte do conselho de redação da revista Tecnohospital e é sócio da Academia de Letras de Trás-os-Montes.

Da sua bibliografia fazem parte “Guiné – Crónicas de Guerra e Amor”, “Milando ou Andanças por África”, “O Amor que Veio da China e Outros Contos”, “Margens”, os livros infantis “7 Histórias para o Xavier” e “4 Fábulas para o Pedro” e a obra juvenil “A Revolta dos Animais”.

AGR

Gala solidária para apoiar S. Tomé e Príncipe

 O Teatro Municipal de Bragança recebe, a 25 de setembro, às 21h00, uma gala solidária destinada a angariar fundos para a construção de um aviário social na cidade das Neves, em São Tomé e Príncipe, com o objetivo de ajudar na alimentação diária de 2500 crianças e 800 idosos.


A iniciativa é promovida pela Associação Abraçar São Tomé e Príncipe, uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD), e conta com o apoio institucional da Câmara de Bragança.

A totalidade das receitas provenientes da bilheteira e dos patrocínios reverterá para a construção, o equipamento e o funcionamento de um aviário com capacidade para 2160 galinhas poedeiras.

O projeto pretende assegurar uma produção regular e sustentável de ovos, destinada a enriquecer as refeições diárias de 2500 crianças em idade escolar e 800 idosos apoiados pelas estruturas sociais das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, na cidade das Neves.

O espetáculo vai reunir música portuguesa e são-tomense, dança e outras expressões artísticas. Todos os artistas e restantes intervenientes participarão gratuitamente.

A gala incluirá também uma homenagem a personalidades, instituições e empresas que, ao longo do ano, apoiaram o trabalho desenvolvido pela associação.

A iniciativa é aberta à comunidade, nomeadamente famílias, escolas, associações e estudantes de São Tomé e Príncipe, e está a ser organizada por uma comissão constituída por Anabela Asseiro, Fernando Teixeira e Nuno Rodrigues.

A Associação Abraçar São Tomé e Príncipe apoia o Projeto de Desenvolvimento Integral de Lembá, dinamizado pelas Irmãs Franciscanas Hospitaleiras, e promove ações nas áreas da alimentação, educação, voluntariado missionário, intercâmbio cultural e apadrinhamento de crianças desfavorecidas.

A organização é constituída exclusivamente por voluntários e desenvolve a sua atividade sobretudo junto das comunidades mais vulneráveis da região de Lembá.

AGR

MUSEU MUNICIPAL DE MIRANDELA VAI SER REQUALIFICADO COM INVESTIMENTO DE 900 MIL EUROS

 O Museu Municipal Armindo Teixeira Lopes, em Mirandela, vai ser alvo de uma intervenção de requalificação orçada em cerca de 900 mil euros. O projeto prevê a modernização do espaço, a reorganização das áreas expositivas e a criação de novas condições para a conservação do acervo.


A intervenção inclui ainda a instalação de uma área própria para reservas, com condições adequadas à preservação das obras, um percurso imersivo e trabalhos de conservação e restauro das peças existentes.

Após a requalificação, o município pretende apresentar uma nova exposição dedicada a Clemente Menéres e criar uma mostra permanente centrada na história, identidade e património do concelho de Mirandela.

O museu encontra-se atualmente encerrado ao público e deverá permanecer nessa condição durante cerca de ano e meio, período estimado para a execução dos trabalhos. Dos 900 mil euros previstos, cerca de 600 mil destinam-se à obra e o restante à aquisição de equipamento.

O projeto conta com financiamento de 75% através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional e tem como principal objetivo preparar o Museu Municipal Armindo Teixeira Lopes para uma futura integração na Rede Portuguesa de Museus. O espaço, instalado no Centro Cultural de Mirandela, reúne um acervo de cerca de 500 peças, sobretudo de pintura, gravura, desenho e escultura.

Jornalista: Vitória Botelho

LAMAS DE ORELHÃO CELEBRA AS TRADIÇÕES NA PRIMEIRA FEIRA DOS SABORES E SABERES

 Lamas de Orelhão prepara-se para receber, no próximo dia 13 de setembro, a primeira edição da Feira dos Sabores & Saberes – Antigas Tradições, uma iniciativa dedicada à valorização da gastronomia, da cultura e das memórias rurais da aldeia.


Ao longo do dia, o público poderá conhecer produtos locais no Mercado dos Sabores e recuar no tempo na Aldeia dos Saberes, onde serão recriados antigos ofícios e diferentes aspetos do quotidiano das gerações passadas.

O programa inclui também jogos tradicionais, uma caça à lenda de Santa Comba e do Rei D’Orelhão, celebração religiosa com procissão, almoço-convívio e momentos de animação musical e folclórica.

A iniciativa contará ainda com a atuação do Rancho Folclórico de Santiago e do Grupo de Instrumentos Tradicionais INSPIRASOM, num dia pensado para reunir a comunidade e preservar tradições que continuam a marcar a identidade de Lamas de Orelhão.

Entre sabores, costumes e memórias, a feira pretende afirmar-se como um encontro com as raízes e com o património cultural do território.

Jornalista: Vitória Botelho

ULS DO NORDESTE REFORÇA PNEUMOLOGIA COM NOVO MÉDICO ESPECIALISTA

 A Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste reforçou a equipa médica com a contratação de um especialista em Pneumologia. João Henrique Cordeiro da Costa iniciou funções através de um contrato individual de trabalho por tempo indeterminado.


A formalização da contratação aconteceu esta quarta-feira, 2 de setembro, com a presença do presidente do Conselho de Administração da ULS do Nordeste, Miguel Abrunhosa, e do diretor clínico dos Cuidados Hospitalares, Rui Terras.

A entrada do novo pneumologista pretende aumentar a capacidade de resposta nesta área de cuidados especializados, considerada uma das que apresenta maior carência de profissionais médicos, contribuindo também para melhorar o acesso dos utentes às consultas e tratamentos de Pneumologia.

O reforço integra a estratégia da ULS do Nordeste para aumentar o número de médicos especialistas e fortalecer a capacidade assistencial da instituição, abrangendo a população dos municípios da sua área de influência no Nordeste Transmontano.

Jornalista: Vitória Botelho

GNR DETEVE MAIS DE 8 MIL CONDUTORES POR CONDUÇÃO EM ESTADO DE EMBRIAGUEZ

 A Guarda Nacional Republicana deteve 8 438 condutores por condução em estado de embriaguez entre janeiro e julho deste ano. No mesmo período, foram registados 8 856 crimes relacionados com este tipo de infração rodoviária.


Os dados da GNR apontam para uma média de cerca de 280 detenções por semana, sendo que os condutores intercetados apresentavam uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,20 gramas por litro, valor a partir do qual a condução é considerada crime.

A maioria das detenções envolveu condutores entre os 31 e os 64 anos, com destaque para a faixa etária dos 51 aos 64 anos, que contabilizou 2 450 casos. O risco associado à condução sob efeito de álcool aumenta sobretudo durante os fins de semana e no período entre a meia-noite e as seis da manhã.

A GNR reforça o apelo para que quem consome bebidas alcoólicas não conduza e opte por alternativas de transporte seguras.

Jornalista: Vitória Botelho
foto: DR

Posto da GNR de Macedo de Cavaleiros tem novo comandante

 O Posto Territorial da Guarda Nacional Republicana (GNR) de Macedo de Cavaleiros tem um novo comandante.


O primeiro-sargento Passas Ferreira regressa para chefiar o posto do concelho macedense, substituindo Miguel Dias, que passará a comandar o Posto Territorial da GNR de Vinhais.

Passas Ferreira terminou funções, no início do mês de agosto, no Posto Territorial da GNR de Alfândega da Fé, onde será substituído pelo segundo-sargento Morais.

Fotografia: Câmara Municipal de Alfândega da Fé

Maria João Canadas

Radar Social termina em Macedo de Cavaleiros com 230 pessoas sinalizadas

 O projeto Radar Social terminou no concelho de Macedo de Cavaleiros, depois de identificar e acompanhar situações de vulnerabilidade e de risco de pobreza ou exclusão social.


Ao longo do período de funcionamento, o projeto procurou identificar situações que, em alguns casos, ainda não tinham chegado aos serviços sociais, permitindo o encaminhamento das pessoas para as respostas consideradas necessárias.

Ao todo, foram sinalizadas 230 pessoas.

A vereadora com o pelouro da Ação Social, Cristina Pires, faz um balanço positivo do trabalho desenvolvido:

“O Radar Social foi, sem dúvida, um projeto muito importante para o nosso concelho e, claro, fazemos um balanço muito positivo do trabalho desenvolvido ao longo do seu período de funcionamento.

O principal objetivo do Radar Social foi chegar às pessoas e famílias que se encontravam em situação de vulnerabilidade ou risco de pobreza e exclusão social, muitas vezes situações que não estavam sinalizadas ou que tinham dificuldade em chegar aos serviços.

Portanto, através do Radar Social foi possível identificar situações, fazer sinalizações, encaminhamentos e, sobretudo, aproximar os serviços das pessoas.”

Entre as principais situações identificadas estiveram casos de vulnerabilidade social e económica, isolamento e solidão, sobretudo entre pessoas idosas, dificuldades no acesso a serviços e respostas sociais, desemprego, precariedade e baixos rendimentos:

“Ao longo do desenvolvimento do projeto Radar Social foram identificadas algumas fragilidades e algumas necessidades que evidenciam a importância de uma intervenção social próxima e contínua.

Entre as principais fragilidades destacam-se as situações de vulnerabilidade social e económica, o isolamento e a solidão, sobretudo entre pessoas idosas, as dificuldades no acesso a serviços e respostas sociais e a existência de situações de desemprego, precariedade e baixos rendimentos.”

O projeto terminou a 30 de junho, por conclusão do período contratual, deixando de haver técnicos a trabalhar diretamente no Radar Social.

O acompanhamento das situações identificadas passou, entretanto, a ser assegurado pelos serviços de ação social do Município de Macedo de Cavaleiros:

“Atualmente, esse acompanhamento está a ser assegurado pelos serviços de ação social deste Município. No entanto, isso não significa que não continuemos a precisar de técnicos qualificados para reforçar esta área, até porque o trabalho social é exigente, como toda a gente sabe, e requer recursos humanos especializados para garantir também uma resposta de qualidade à nossa população.”

A autarquia assegura que o fim do projeto não significa o fim do acompanhamento das pessoas e famílias em situação de maior vulnerabilidade:

“As pessoas não deixam de ter acompanhamento, porque temos uma divisão que, apesar de precisarmos de recursos humanos, tal como disse anteriormente, assegura o encaminhamento e o acompanhamento das pessoas que necessitam, seja por grande vulnerabilidade, risco de pobreza ou exclusão social. São acompanhadas pela Divisão de Educação e Ação Social.”

Terminado o projeto Radar Social, a continuidade do acompanhamento das situações sinalizadas no concelho passa a ser assegurada pela Divisão de Educação e Ação Social do Município de Macedo de Cavaleiros.

Jodie Pinto

Figuras e tradições mirandesas vão representar Miranda do Douro em Itália

 As figuras tradicionais da festa do solstício de inverno de Miranda do Douro e os Pauliteiros de Palaçoulo vão estar representados no RIMA 2026, festival internacional de máscaras antropológicas, em Tricarico, na região italiana da Basilicata, nos dias 4 e 5 de setembro.


Segundo a presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril, o convite começou por ser dirigido às figuras características da aldeia mirandesa de Vila Chã de Braciosa, a Velha, o Bailador e a Bailadeira. No entanto, o Município quis contar também com o grupo de pauliteiros de Palaçoulo:

“Como é um festival de máscaras antropológicas, o convite foi endereçado para as figuras do solstício. No caso concreto, pediram-nos as figuras do solstício de inverno de Vila Chã, mas depois também solicitaram um grupo de pauliteiros. Como a Velha e os bailadores precisam de gaiteiros, já vão os gaiteiros nos pauliteiros e faz-se a festa toda.”

Esta participação junta, assim, diferentes expressões da cultura tradicional mirandesa num encontro internacional dedicado às máscaras, à música, à dança e aos rituais ancestrais.

Para a presidente da Câmara, a presença em Itália é também uma forma de reconhecimento da importância cultural destas tradições:

“Apostamos muito na promoção da nossa cultura e o facto de as figuras do solstício de inverno e, neste caso, os Pauliteiros de Palaçoulo fazerem parte deste festival internacional de máscaras antropológicas, em Itália, é algo que eleva a cultura mirandesa e reconhece a cultura mirandesa como um valor cultural de grande dimensão.”

Helena Barril considera que levar estas manifestações para fora do território ajuda também a criar novas oportunidades para os grupos e a gerar maior dinâmica em torno das tradições mirandesas:

“As tradições, nós acreditamos, vemos e sentimos aqui no concelho, estão preservadas e há um forte dinamismo em torno delas. Quando saem da nossa área geográfica e vão para outros festivais, para outros países, essencialmente estão a representar e a levar para esses lugares a nossa cultura e os nossos valores culturais.

Isso é extremamente importante, porque também cria dinâmica nos grupos que vão e desperta a atenção dos outros grupos.”

Os Pauliteiros de Palaçoulo e as figuras do solstício de inverno de Vila Chã de Braciosa levam, desta forma, até Itália uma parte da identidade cultural do Planalto Mirandês.

A participação enquadra-se, segundo a autarca, numa estratégia mais ampla de valorização da cultura como elemento identitário, mas também como potencial económico para o território:

“São elementos através dos quais muita da dinâmica do concelho tem crescido e temos que valorizar isso como um forte valor económico para o território. Explorar isto nesta vertente, porque muitas vezes presenciamos a dinâmica que os pauliteiros trazem ao concelho.”

Nos dias 4 e 5 de setembro, o concelho de Miranda do Douro vai estar representado em Tricarico, Itália, através das máscaras, das danças, dos sons e dos mirandeses que continuam a dar vida às tradições do território.

Fotografia: Município de Miranda do Douro

Filipe Ventura Alves

Segunda edição do Trilho das Oliveiras eleva competição com um trail de 20 quilómetros

 A aldeia de Morais, no concelho de Macedo de Cavaleiros, vai receber a segunda edição do Trilho das Oliveiras, no próximo dia 11 de outubro. Este será um evento desportivo que vai juntar provas de trail running, uma caminhada e paisagens únicas para os amantes da modalidade.


A novidade deste ano é a criação de um trail de 20 quilómetros que vem tornar o evento desportivo mais competitivo, aos trails de cinco e 12 quilómetros já existentes, como salienta um elemento da organização da Junta de Freguesia de Morais, Mariana Martins:

“Primeiro queríamos abranger umas paisagens mais bonitas que também temos na localidade, que é o Cabeça da Paixão, e para chamar também pessoas que estão habituadas a trails assim mais longos.”

O objetivo desta novidade é que os participantes fiquem a conhecer os pontos mais emblemáticos, como o Cabeço da Paixão, que se situa a 800 metros de altitude, a norte da aldeia:

“Queremos mesmo abranger assim, digamos, os pontos mesmo importantes da nossa localidade, ou seja, o Cabeça da Paixão, que é o ponto mais alto. Nós queremos mesmo, incluí-lo, no ano passado não deu para o inserir numa das distâncias, mas este ano conseguimos.”

A prova este ano vai contar com quatro percursos diferentes: uma corrida longa de 20 quilómetros, uma corrida de 12, um trail de curta duração de seis quilómetros e ainda uma caminhada de sete quilómetros.

Os prémios são monetários de acordo com a classificação geral masculino e feminino e ainda por escalão.

Neste momento, já estão inscritos 215 participantes e as expetativas da organização são as melhores:

“Sim, estamos à espera de mais participantes. É o nosso objetivo e que corra também como o ano passado.”

Rui Muga, o vencedor da primeira edição apadrinha a segunda edição.

A primeira edição do Trilho das Oliveiras contou com 348 atletas.

As inscrições já abriram no passado dia 9 de julho e terminam no dia 2 de outubro.

A partida dos 20 quilómetros realiza-se às 9h30, seguida das provas de seis e 12, às 10h00. A caminhada começa às 10h05. A entrega de prémios vai decorrer às 12h30.

O evento é organizado pela Junta de Freguesia de Morais, com o apoio do Município de Macedo de Cavaleiros, Geopark Terras de Cavaleiros e patrocínios de empresas locais, envolvendo os produtores locais e a população da aldeia.

Fotografias: Organização 1ª Edição Trilho das Oliveiras

Maria João Canadas

Empresa tecnológica de Bragança lança FLOON para automatizar processos empresariais sem código

 Automatizar processos empresariais sem programar. É esta a proposta do FLOON, a nova plataforma desenvolvida pela tecnológica brigantina MEGATIC, sediada no Brigantia Ecopark, que chega ao mercado a 8 de setembro com o objetivo de simplificar a forma como as empresas ligam as ferramentas que já utilizam no dia a dia, informou esta quarta-feira a gerência. “A plataforma permite conectar aplicações como email, CRM, faturação, formulários, pagamentos e ferramentas de comunicação interna e transformar tarefas repetitivas em processos automáticos. 


Através de linguagem natural, os utilizadores podem descrever aquilo que querem que aconteça e criar os respetivos fluxos sem escrever código. A promessa é transformar horas gastas em tarefas operacionais em tempo disponível para atividades de maior valor: vender, acompanhar clientes, desenvolver negócio e tomar decisões”, explicam.

O FLOON pode, por exemplo, classificar e encaminhar emails, qualificar contactos comerciais, criar registos em sistemas internos, notificar equipas ou gerar automaticamente orçamentos e propostas. “Estamos a transformar a experiência que acumulámos ao longo de mais de uma década a desenvolver soluções para empresas num produto próprio, escalável e pensado desde o início para um mercado muito maior do que aquele onde estamos sediados”, afirma Pedro Parreiras, fundador e CEO da MEGATIC.

O FLOON foi desenvolvido no Brigantia EcoPark, em Bragança, e representa uma mudança estratégica para a MEGATIC, que desde 2015 tem trabalhado sobretudo no desenvolvimento de software à medida, aplicações móveis, inteligência artificial e soluções digitais para PME.

A empresa pretende agora transformar esse conhecimento acumulado num produto tecnológico próprio, com um modelo escalável e potencial de expansão internacional.

O FLOON estará disponível em português e inglês e poderá ser utilizado por empresas independentemente da sua localização.

“O código não conhece geografias. Um produto digital desenvolvido em Bragança chega ao mundo à mesma velocidade que um produto desenvolvido em Lisboa, Berlim ou São Francisco. O desafio está em criar um produto capaz de resolver problemas reais e competir num mercado global”, sublinha Pedro Parreiras, fundador e CEO da MEGATIC.

Pastores do Planalto Mirandês manifestam-se domingo devido a ataques de lobos

 Pastores do Planalto Mirandês realizam no domingo uma manifestação no Naso, em Miranda do Douro, para exigir apoios ao Governo depois dos ataques de lobos a rebanhos que ocorreram no território nos últimos meses e provocaram prejuízos.


A manifestação está marcada para a manhã de domingo durante o 4.º Encontro Ibérico das Raças Autóctones, que vai decorrer no fim de semana no Santuário do Naso, no concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança.

António Padrão, um dos mentores desta ação, disse hoje que esta será uma “manifestação silenciosa”, na qual os pastares vão vestidos de negro com frases estampadas nas t-shirts como “Lobo protegido, pastor falido” ou “Vamos salvar o Planalto”.

“O Planalto Mirandês está a ficar desertificado no que respeita aos pequenos ruminantes. As indemnizações por perda de animais resultantes dos ataques dos lobos são fracas e chegam tarde. No caso de uma ovelha prenha, só pagam a ovelha e nunca os cordeiros. Isto é muito prejuízo”, vincou o pastor e empresário.

Segundo António Padrão, ultimamente, no Planalto Mirandês os lobos levam tudo à frente, sejam animais de pequeno ou grande porte.

Já a secretária técnica da Associação Nacional de Criadores de Ovinos de Raça Mirandesa, Andrea Cortinhas, explicou que os produtores estão a chegar a um momento de saturação e a acharem que nunca são ouvidos pelas entidades competentes.

“Temos neste momento um grave problema que é a presença do lobo–ibérico. Sempre que há um ataque [aos rebanhos] fica sempre a dúvida de que terão sido cães assilvestrados ou cães que são pertença dos pastores. A verdade é que os produtores estão a ter enormes prejuízos e estão a chegar a um ponto de saturação, e pretendem celeridade das intuições como o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF)”, sublinhou.

Segundo a técnica, esta realidade tem acontecido desde há dois anos, havendo a necessidade de repensar o problema em conjunto com os produtores, associações do setor e ICNF.

“Tem de haver um equilíbrio entre todos para minimizar esta situação. Não podemos estar sempre a defender o lobo-ibérico, porque quem sustenta o território e luta diariamente para que o equilíbrio seja mantido são os produtores, que nos colocam o alimento na mesa”, vincou Andrea Cortinhas.

A técnica referiu que houve um pico de alegados ataques de lobos entre o mês de abril e o início de agosto, em que só a produtores da associação foram mortos cerca de 90 animais.

“Nós temos cerca de cinco mil animais inscritos no livro genealógico e perdemos 90, entre abril e agosto. É património genético que se está a perder diariamente e não há possibilidade de o recuperar. Isto é frustrante e não sabemos o que fazer”, frisou.

Andrea Cortinhas disse ainda que esta ameaça do lobo-ibérico “é muito recente”.

“Sou secretária técnica há 11 anos, era muito raro haver um ataque de lobos. Estes ataques começaram há dois ou três anos. Quando passamos de um período sem ataques para outro com ataques enormes, tiveram que ser criados sistemas de defesa como a construção de cercas nas propriedades, entre outras medidas, mas para isso são precisos apoios”, explicou.

Em outubro de 2025, pastores do Planalto Mirandês (Vimioso, Miranda do Douro e Mogadouro) queixaram-se que os ataques de lobos ocorridos desde o início desse ano foram "uma calamidade".

Segundo o ICNF, o lobo-ibérico é protegido em Portugal desde 1988. O facto de ser um animal ‘em perigo’ confere-lhe o Estatuto de Espécie Protegida.

Francisco Pinto

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

𝑩𝒓𝒂𝒈𝒂𝒏𝒄̧𝒂 𝒂𝒄𝒆𝒍𝒆𝒓𝒂 𝒂 𝒎𝒐𝒃𝒊𝒍𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆 𝒆𝒍𝒆́𝒕𝒓𝒊𝒄𝒂!

 Na próxima segunda-feira, 7 de setembro, às 10h30, na Praça do Município, será apresentada a nova frota elétrica do STUB e os novos investimentos municipais na área da mobilidade elétrica.
🚌 Uma nova etapa para os transportes públicos e para uma mobilidade mais sustentável em Bragança.

MORE COLAB EM BRAGANÇA RECEBEU VISITA DA AGÊNCIA NACIONAL DE INOVAÇÃO

 O MORE Colab – Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação, em Bragança, recebeu recentemente a visita da Agência Nacional de Inovação (ANI), no âmbito da avaliação intercalar do projeto SmartProduce.


Durante a visita, a equipa apresentou o trabalho desenvolvido até ao momento, os principais avanços técnicos e algumas das soluções tecnológicas que estão a ser desenvolvidas para o setor agrícola.

A sessão permitiu também avaliar o cumprimento dos objetivos definidos, discutir os próximos passos e identificar os desafios das fases seguintes de implementação e validação.

O SmartProduce aposta no desenvolvimento de soluções tecnológicas e digitais para tornar os processos agrícolas mais eficientes e sustentáveis, enquanto o MORE Colab reforça, através deste projeto, a sua intervenção na área da investigação e inovação ligada aos territórios de montanha e ao setor agroalimentar.

A visita da ANI permitiu ainda fazer um balanço do trabalho realizado e reforçar a articulação entre as entidades que integram o projeto.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

BARRAGEM DAS OLGAS AVANÇA COM ACOMPANHAMENTO DO PEPAC NO TERRENO

 As obras de construção da Barragem das Olgas em Vila Flor receberam, no dia 28 de agosto, a visita do presidente da Autoridade de Gestão do PEPAC, José Vilhena, num momento de acompanhamento do desenvolvimento desta infraestrutura hidroagrícola.


A visita colocou em destaque a importância do projeto para a atividade agrícola local, numa região onde a disponibilidade de água é considerada determinante para o futuro do setor.

O investimento é apontado como uma infraestrutura com potencial para reforçar as condições de produção agrícola e contribuir para a sustentabilidade e desenvolvimento económico do território.

O acompanhamento por parte do PEPAC surge também como sinal do apoio institucional ao projeto, considerado relevante para a modernização e valorização da agricultura regional.

Com a obra em curso, a Barragem das Olgas representa uma das intervenções estruturantes previstas para reforçar a capacidade hidroagrícola da região e criar melhores condições para os produtores locais.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR