sexta-feira, 24 de março de 2017

Alfredo da Fonseca Menéres

Rico proprietário e industrial, antigo presidente da Associação Industrial Portuense. Nasceu no Porto, freguesia de Miragaia, a 29 de Agosto de 1866 e faleceu em Lisboa, na rua D. Estefânia, 83, a 12 de Julho de 1917; filho de Clemente Menéres, natural da Vila da Feira, e de D.Maria da Glória Guimarães Menéres. O seu cadáver veio a enterrar a Carvalhais a 3 de Maio de 1918. Feitos alguns exames de preparatórios no liceu no Porto, seu pai, já ao tempo senhor das extensas florestas de sobreiros que hoje abraçam os concelhos de Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Alfândega da Fé, desejando educá-lo para convenientemente explorar esta riqueza até então desvalorizada e entregue unicamente à barbárie do corte da madeira para alambiques das águas ardentes, quis fazer-lhe seguir o Instituto de Agronomia de Lisboa, mas como ele não tinha idade suficiente – pois apenas contava treze anos – matriculou-o no curso dos Regentes Agrícolas na Quinta Regional de Sintra, onde muitos receberam sólida educação prática em agricultura, silvicultura e veterinária, curso que Menéres terminou com distinção em 1884.
Veio seguidamente administrar as propriedades acima mencionadas, nas quais introduziu notáveis melhoramentos durante dois anos que esteve à frente delas.
De sociedade com seu pai, mesmo para dar escoante à própria produção, montou depois no ex-convento de Monchique, no Porto, um armazém de vinhos generosos, que em breve conquistaram lugar distinto nos mercados nacionais e estrangeiros, chegando a ser muito apreciados na Argentina, Brasil, Uruguai e mais terras, de que resultou ser pequena a casa
para tão largo movimento e ir fundar a Matosinhos os grandes armazéns que giram, desde 1905, sob o nome de Companhia Vinícola Portuguesa.
O seu casamento, em 13 de Maio de 1893, com D. Joaquina da Rocha Nogueira Pinto, irmã do conde de Leça, segundo secretário da legação de Portugal em Paris no regime monárquico, trouxe-lhe, como bens dotais de casamento, grandes e rendosas propriedades em Carvalhais, concelho de Mirandela, que a energia ilustrada de Alfredo Menéres sextuplicou, já pela introdução de processos aperfeiçoados nas culturas, já pelo plantio de árvores, que ascendiam em 1911 a 52000, sendo 7000 amendoeiras, 35000 eucaliptos, 2000 oliveiras, 1000 árvores frutíferas e muitas essências florestais, como acácias, castanheiros, plátanos, etc., não falando na sua enorme plantação vinhateira, no que se tornou digno de alto louvor, pois, além da utilidade própria, embelezou e salubrizou a terra, antes atreita a paludismos.
A expensas suas construiu-se em 1898 o grande edifício escolar de Carvalhais e o cemitério paroquial que até então não havia, fazendo-se os enterramentos na igreja, cujo pavimento também soalhou; canalizou água potável para o centro da povoação – havendo, como memória, no chafariz a legenda «Conselheiro Menéres»; pagava à sua custa ao médico que curava os doentes da freguesia de Carvalhais, fornecia medicamentos gratuitos aos operários das suas propriedades e aposentava com ordenado fixo os mesmos depois de certos anos de trabalho. Em 1895 foi eleito vereador da Câmara Municipal do Porto, singularizando-se por notáveis melhoramentos no pelouro a seu cargo – jardins e asilos.
Na Associação Comercial do Porto, na Associação Industrial Portuense, Companhia Promotora da Agricultura Portuguesa, Associação dos Regentes Agrícolas, Sociedade Clemente Menéres, Limitada, Companhia Vinícola Portuguesa, Companhia dos Caminhos-de-Ferro de Guimarães, etc., deixou Alfredo Menéres largos vestígios da sua passagem e iniciativa ilustrada, sendo por isso agraciado com a grã-cruz de Mérito Industrial e em 1907 com a carta de conselho. Também lhe foi oferecido o título de conde de Carvalhais, que recusou.

Escreveu:
Interesses Nacionais – Tarifas económicas (entrevistas publicadas no jornal O Século de 8, 20 e 29 de Março e 13 e 23 de Abril de 1913). Porto, Tip. Mendonça, 1913. 8.º de 32 págs.
A família Teixeira Homem (Brederode) – Excertos históricos. Lisboa, 1916. 8.º gr. de 12 págs. inumeradas, com duas fotogravuras.
De chofre – Revista ilustrada de Vila do Conde, representada no teatro Afonso Sanches de Vila do Conde em 10 de Setembro de 1910. Porto (sem data). 8.º peq. de 42 págs.
Em viligiatura – Impressões duma viagem pela Europa, publicadas pelo jornal O Monitor – 1907. Matosinhos, 1908. 8.º de 91 págs. Este folh. e o precedente saíram com o pseudónimo de «Tirolito Júnior».
Carvalhais – Traços históricos. Porto, 1916. 8.º de 432+1 págs., com o retrato do autor e setenta e cinco gravuras de personagens e monumentos referentes a assuntos versados na obra e vários fac-símiles autógrafos de homens históricos.
Esta obra, que devia constar de dois volumes, ficou incompleta pela morte do autor, sendo para lamentar que os herdeiros da sua grande fortuna a não tenham já publicado, prestando assim mais um preito de homenagem a quem tanto o merece, além do benefício às letras pátrias.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

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