Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

ACTAS NOTURNAS – NOTÍCIAS DO BRASIL

Nota:
Antecipando a instalação, em Bragança, do Museu da Língua Portuguesa, o Memórias e Outras Coisas... vai construir uma ponte entre Bragança e o Brasil através da colaboração de Antônio Carlos Affonso dos Santos


Apresentação:
ACTAS NOTURNAS – NOTÍCIAS DO BRASIL

- Como fiz contato com o blogue “Memórias e Outras Coisas”, de Henrique Martins?

Eu sequer sabia da existência do blogue, como pouco ou nada sei da região de Bragança, seus costumes e seu povo. Tampouco sabia do maravilhoso trabalho feito por Amadeu Ferreira, no seu afã de criar regras, anotar e interpretar e divulgar os verbetes adotados pelo povo mirandês há vários séculos. 
Porém, devido ao meu trabalho de pesquisa do principal dialeto genuinamente brasileiro, o “Caipirês”, acabei por participar por alguns anos de um site de literatura de Portugal, onde tive a possibilidade de fazer contato com pessoas do mundo lusófono, tanto das Américas, como da própria Europa, África e Ásia.
Surpreendo-me, todo dia, com a importância e a beleza da Língua Portuguesa. Durante os últimos quarenta anos tenho pesquisado sobre as origens do Caipirês e as influências que sofreu (e sofre). Falta-me o conhecimento de um filólogo, como foi Câmara Cascudo ou Antônio Houaiss, para criar regras gramaticais para o Caipirês. Minha cultura literária é básica apenas; infelizmente! Sou um caipira [1}, com pais caipiras, de prole enorme, pouca instrução escolar  e nenhuma condição econômica. 
Ouso fazer o esforço que faço, muitas vezes gastando meus tostões [2] nessa epopeia, nesse momento econômico por que passa meu país, para demonstrar o quão errado estão aqueles que desprezam a importância que tem o Caipirês para o Brasil (e por extensão, o Caipirês enriquece ainda mais a “Última Flor do Lácio” [3]). O Caipirês, dialeto que dedico mais da metade de minha vida, é o equivalente brasileiro do Mirandês, de Bragança e Portugal. Outros dedicados escritores e pesquisadores já tentaram montar um dicionário, um mosaico com as palavras do dialeto Caipirês; pessoas como Cornélio Pires, em 1910 e Amadeu Amaral, em 1920 (este montou uma base gramatical, porém faz-se necessário atualizá-la). Outros pesquisadores, nominados no final do presente texto, também cooperaram com meu trabalho até aqui. Pena que meu livro esteja inédito!
Volta-e-meia me deparava com menções ao dialeto mirandês. No entanto, talvez pelo fato de estar ocioso no momento (no Brasil há 14 milhões de desempregados; sou um deles), tenho pesquisado mais amiúde. Através da internet, tomei conhecimento do trabalho executado por Amadeu Ferreira e me identifiquei. Algumas horas depois fiquei estarrecido ao saber que o mesmo havia falecido. Pesquisando um pouco mais, entrei no site “Memórias e Outras Coisas”, do iminente Henrique Martins. 
Sou pessoa séria e gosto de tratar com quem tem compromisso com a verdade e que sejam sérios. Apostei minhas fichas, como se diz no jargão, no Henrique. Vi que existem mais pessoas trabalhando para o desenvolvimento do trabalho iniciado por Amadeu Ferreira. Tenho a convicção de que os textos em Mirandês podem me ilustrar (e aos lusófonos), para conhecermos mais sobre o povo transmontano; pelo mesmo motivo, creio que o blog do Henrique pode ser uma janela que pretendo descerrar, enviando meus textos em Português culto ou textos “caipiras”. Acho que o blogue referido acima merece essa oportunidade de servir de meio, encantador, incitador e libelo, os dialetos que realmente enriquecem a Língua Portuguesa.

 PS: a título de ilustração, passo algumas das Referências Pesquisadas por mim (algumas delas talvez sejam úteis para aqueles que também fazem pesquisas sobre o “Mirandês”)

Jerônimo Soares Barbosa - Grammatica Philosóphica da Língua Portugueza – 1822. (Primeira gramática que pesquisei, centrada na obra de Camões; Os Lusíadas).
Auguste de Saint Hilaire – Segunda Viagem do Rio de Janeiro a Minas Gerais – 1822.
Júlio Ribeiro – Grammatica Portugueza – 1881.
Sílvio Romero – História da Literatura Brasileira – 1888.
Cornélio Pires - Musa Caipira -1910.
Fausto Barreto – Visão Sintática da Grammatica Portugueza – 1911.
Maximino Maciel – Grammatica Descriptiva – 1914.
Antônio Cândido – Os Parceiros do Rio Bonito – 1918.
Amadeu Amaral – O Dialecto Caipira – 1920.
Cornélio Pires – As Estrambóticas Aventuras de Joaquim Bentinho         (O Queima Campo) – 1924.
Valdomiro Silveira – Nas Serras e nas Furnas – 1931.
Cecílio Elias Netto – Dicionário do Dialeto Caipiracicabano - 2001
Antônio Houaiss - Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa - 2001
RIBEIRO, José Hamilton. Música Caipira – As 270 Maiores Modas de Todos os Tempos – 2006.
Wulcino Teixeira de Carvalho – Bravuras e Bravatas de um Caipira - 2009

Glossário para os mirandenses:
[1]: caipira, por definição, em língua Tupi, significa “cortador de mato”, ou aquele campesino que cuida de suas terras, que planta e colhe e que é autossustentável (e que fala em Caipirês).
[2]: o menor valor das moedas do antigo dinheiro brasileiro, o Cruzeiro; equivalente a um décimo.
[3]: a expressão, que se refere à Língua Portuguesa, é mencionada no poema do parnasianista Olavo Bilac, cujo título é: “Ode à Língua Portuguesa”.


Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. Nascido em julho de 1946, é natural da zona rural de Cravinhos-SP (Brasil). Nascido e criado numa fazenda de café; vive na cidade de São Paulo (Brasil), desde os 13. Formou-se em Física, trabalhou até recentemente no ramo de engenharia, especialista em equipamentos petroquímicos.  É escritor amador diletante, cronista, poeta, contista e pesquisador do dialeto “Caipirês”. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos” e quatro em antologias, junto com outros escritores amadores brasileiros. São seus livros: “Pequeno Dicionário de Caipirês (recém reciclado e aguardando interesse de editoras), o livro infantil “A Sementinha”, um livro de contos, poesias e crônicas “Fragmentos” e o romance infanto-juvenil “Y2K: samba lelê”.

Sem comentários:

Enviar um comentário