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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Salvar as sementes

mostajeiro
Tem sido grande a polémica em torno dos interesses que se movem, à escala global, pelo controlo das sementes. Há multinacionais a deterem patentes que restringem o uso da semente própria pelos agricultores. E se é certo que os protestos mais recentes levaram o Parlamento Europeu a travar a aplicação de uma lei que, pura e simplesmente, ilegalizava a troca e comercialização das sementes tradicionais pelos agricultores, também é certo que a luta não está ganha: com as patentes e outros direitos de “propriedade intelectual” nas suas mãos, as poderosas corporações podem, em qualquer momento, alegar uma “concorrência desleal” pelo uso e troca das sementes tradicionais dos agricultores e impedi-los assim de prosseguirem uma prática milenar no cultivo dos seus campos. Empenhadas em padronizar o paladar à escala global para melhor venderem os seus produtos, estão-se “nas tintas” para as realidades culturais que os seus interesses afrontam.
Nos últimos 100 anos, desapareceram mais de 90% de variedades de sementes da Terra, o que empobreceu a diversidade da alimentação humana, cada vez mais refém de variedades manipuladas visando maior rendimento. Entretanto, o país rural português possui cerca de duas mil variedades de sementes. Há que zelar pela sua salvaguarda. As sementes são parte do património cultural, histórico e alimentar de um povo. A parábola bíblica alegoriza-as como arquétipo da vida: se plantarmos hoje a boa semente, amanhã colheremos saúde, amor, abundância e paz.

Mas esta parábola conduz-nos também, de novo, às grandes ameaças que pairam sobre a sobrevivência da nossa floresta autóctone. Dada a grande extensão de áreas consumidas pelos incêndios, muitas espécies autóctones estão a desaparecer. E, para que num futuro plano de reflorestação se possam recuperar as espécies perdidas, lá voltamos à questão das sementes.
O mostajeiro, por exemplo, uma espécie outrora muito usada para madeira e artesanato e cujo fruto as populações aproveitavam para uma excelente compota, está hoje limitado a duas únicas árvores conhecidas em Portugal, diz-nos um especialista da UTAD. Por isso, há que recuperar e proteger num banco de sementes as espécies que estão em risco efetivo. 
Sem a biodiversidade ativa, estará em causa a qualidade de vida nos territórios, sendo que a qualidade das sementes é um dos importantes aspetos a ter em conta em qualquer programa de arborização. E daí que proteger os recursos genéticos e promover a arborização de espécies autóctones, seja também uma forma de proteger o futuro.


Alexandre Parafita
in:diariodetrasosmontes.com

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