“Isto não é só um lobo! É uma peça para montar, descobrir e olhar de outra maneira”. A ideia de conceber um objeto alusivo ao Lobo-Ibérico, uma espécie protegida por lei em Portugal, nasceu no atelier Cut Out, em Bragança, quando Mário Ortega, arquiteto, leu uma notícia sobre uma mudança legislativa em Espanha que passou a permitir o abate destes animais. “Isso originou uma vaga de caça ao lobo. Não sendo o Lobo-Ibérico nem português, nem espanhol, sentimos necessidade de marcar que o lobo deve ser protegido, ainda que dentro de uma convivência com o humano e as outras espécies”, contou Mário Ortega ao Mensageiro.
Antes de meter mãos ao trabalho e de se aventurar na produção de um objeto ligado a esta espécie tão mitológica, a Cut Out estabeleceu uma parceria com a WWF ((World Wide Fund for Nature), associação ambientalista que tem a defesa do lobo-ibérico entre as suas preocupações, para criar a coleção Espécies em Risco, em fase de lançamento. “Pedimos para nos apoiar no desenvolvimento de uma coleção, em que parte do valor da venda revertesse para a WWF-Portugal e esta usa-se a verba para a promoção da defesa das espécies em risco. Eles propuseram três espécies, que nós respeitamos, nomeadamente o lobo-ibérico, o lince-ibérico e o urso pardo. A ideia é que fossem espécies ibéricas, que estivessem presentes na Península Ibérica para termos uma abrangência maior”, revelou.
Após esse desafio iniciaram o desenvolvimento da coleção em madeira, começando pelo lobo-ibérico, disponibilizando por sete peças: um puzzle com três variantes (montado, para montar ou para pintar-montar), o sempre em pé, que é a figura mais exclusiva da coleção e remete para os brinquedos de antigamente, quando “não eram precisas pilhas para termos movimento e despertar o interesse sobre o que é o equilíbrio, fazendo uma paralelo com o equilíbrio dentro da biodiversidade e da natureza”, destacou o arquiteto. Junta-se ainda peças mais pequenas, como brincos, colares, ímanes, pregadeira e porta-chaves.
Glória Lopes


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