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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Autarca de Mogadouro preside comissão de co-gestão do Parque Natural do Douro Internacional

Já foi aprovada a constituição da comissão de co-gestão do Parque Natural do Douro Internacional, pelo conselho estratégico desta área protegida.
Vai ser presidida pelo autarca de Mogadouro e vai ainda incluir representantes do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, da Associação de Municípios do Douro Superior, da Associação de Desenvolvimento do Nordeste da Beira, do Instituto Politécnico de Bragança, da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte e de uma organização não governamental do ambiente.

O presidente do Município de Mogadouro, Francisco Guimarães, explicou que o novo modelo vai trazer mudanças à forma de gerir a área protegida.

“Anteriormente a gestão dos parques estava só no ICNF, neste momento quem vai efectuar a gestão do Parque do Douro Internacional será esta comissão de co-gestão que tem a responsabilidade de deliberar”.

O autarca espera que este modelo de co-gestão permita aos municípios ter uma voz mais activa e, ao mesmo tempo, que exista uma maior proximidade com as populações.

“Estamos mais próximos das preocupações de todos aqueles que vivem ainda com resiliências nas áreas protegidas. Temos que ter em mente aquilo que nos é solicitado diariamente por essas populações que residem nos parques”.

Um dos primeiros passos desta comissão de co-gestão será a elaboração de um plano estratégico para o Parque Natural.

A comissão de co-gestão, que terá ainda de ser aprovada pelo governo e a sua constituição publicada em Diário da República começará a funcionar, vai reunir uma vez por mês.

O Parque Natural do Douro Internacional, criado há 22 anos, estende-se pelos municípios de Miranda do Douro, Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

quarta-feira, 29 de julho de 2020

...depois dos meus 13 anos…

Por: António Orlando dos Santos (Bombadas)
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


Hoje vou escrever algo que já tem que ver com uma outra perceção, que eu passei a ter quando após os meus treze anos deixei de ter sobre mim o controlo de minha mãe que passou a ter mais confiança na minha conduta que, não sendo rebelde, era no entanto bastante dada a alguma melancolia. Convém dizer que a adolescência que me foi dado viver foi balizada por conceitos de moral e solidariedade bastante concretos, pois o meio ambiente era a tal propício.
Como comecei a trabalhar ainda não havia completado 11anos é elementar que não tinha muita liberdade de ir para aqui ou ali, pois havia que cumprir com a obrigação diária de entregar a pastelaria, missão que me foi destinada como primeira responsabilidade seguida de outra não menos importante que consistia em limpar tabuleiros e formas, bem assim como forrá-las e preparar uma série de outros afazeres menores. Enquanto eu fazia este serviço e cumpria com a minha obrigação outros meus condiscípulos que não foram como eu trabalhar gastavam o seu tempo nos bancos da Escola Comercial ou no Liceu Nacional. Apreendiam a vida de maneira diversa da minha e constatei que muitos deles não aproveitaram a prenda que lhe ofereceram e não progrediram suficientemente guardando as lições que os fariam mais capazes.
As profissões eram nesse tempo o esteio sobre o qual assentava a educação dos futuros homens. Munidos de capacidade para ler e interpretar e capazes de fazerem uma operação aritmética sem hesitação éramos lançados no mundo do trabalho sem outras armas.
Felizmente que a formação ministrada pelas professoras (es) era de elevada qualidade e basicamente todos saíamos da Escola com entendimento suficiente para analisar o concreto e o abstrato.
Fomos dos primeiros a progredir em termos de profissão e cultura. O binómio conhecimento e teoria foi por nós assimilado e posto a uso de forma simples e proveitosa.
Já disse noutras crónicas que a Fundação Gulbenkian foi uma ajuda essencial na ilustração dos indivíduos da minha geração, que não tiveram a possibilidade de frequentarem a Escola Clássica no tempo devido e próprio para semear a seara da Cultura e que serviu de Escola que nos transmitiu o saber de experiência feito.
Houve sempre uma linha divisória mesmo que impercetível que separa os de formação académica e os auto-didatas. Pelo menos no âmbito formal das possibilidades de emprego limpo ou menos limpo é evidente que os que têm Escola são selecionados para ocuparem lugares de chefia nas muitas vertentes dos Serviços do Estado.
Mas eu deparo-me com situações de falta de competência que são evidentes nos Serviços Camarários e do Governo Central que denunciam que a competência das chefias deixa muito a desejar!
Tomemos como exemplo a forma como é cuidado o património público. A construção de edifícios, ruas, praças ou jardins, lugares de reunião e colocação de mobiliário público, custa muitíssimo ao erário público. É elementar que deve ser conservado. Mas infelizmente não é o que vemos em Bragança.
Ora isto leva-me a pensar que as chefias dos Serviços não são competentes. Dou como exemplo o Parque de Estacionamento na Praça Camões. Continua a pingar abundantemente, está escuro, com falta de luz e o Elevador continua avariado. A zona ajardinada e todo o espaço e edifícios do "Polis " estão num estado deplorável, dada a vandalização a que está exposta e que os responsáveis teimam em não ver. Como exemplo flagrante menciono, a parte elétrica e as próprias luminárias estão todas destruídas, os edifícios onde está instalado o Moinho encontra-se vandalizado coberto de escritos absurdos e sujo como não deveria estar.
A limpeza dos arruamentos é lastimável e é evidente que está fora das preocupações dos Serviços que a tutelam.
Do Rio nem é bom falar e é incompreensível que se tente limpá-lo sem recorrer a métodos mais complexos. É um problema mas eu já atrás falei na Aritmética.
Para fechar quero dizer que deve ser caso único no país a forma como se tenta reparar o piso de madeira que se vai deteriorando com o tempo, chuva, sol e ação do homem. Foram substituídas algumas travessas no passadiço junto ao rio, um pouco à frente do moinho. Nenhuma é sequer semelhante às originais e tem uma travessa que, pasme-se, é muito mais fina e é BRANCA. É de uma falta de gosto que só nós toleramos. Faz rir de caricato. Eu pergunto, se não têm capacidade para manterem a fábrica da Cidade sem cairmos no ridículo porque não fecham os locais à fruição pública? Basta fazerem como fizeram às papeleiras que foram cobertas por sacos pretos do lixo e que nunca mais foram assistidas, encontrando-se todas com os sacos rasgados e com lixo que os peões lá vão colocando.
É em pormenores como os antes descritos que se pode analisar o grau cívico da população e a sensibilidade das Autoridades que tutelam o bom funcionamento dos locais públicos.
Conclui-se que é bom que se fale de progresso e boa gestão, mas que o discurso seja condizente com a ação no terreno.
Quando esta semana vi o anúncio da intenção de começar as obras na Quinta da Braguinha fiquei apreensivo com a quase certeza de aquilo vir a ter o mesmo destino que tem o Polis. Tudo isto para quê? Apenas para dizer que no tempo da minha criação a gestão da Câmara era feita por gente que tinha uma profissão, que sabia raciocinar e que com os poucos recursos que tinha nos apresentava uma cidade mais cuidada, menos negligenciada e mais amada.
O seu Presidente não era Doutor os vereadores eram gente dinâmica e os funcionários tinham quem os dirigisse sendo para eles uma honra o cumprimento do dever que a todos era exigido.
Fico-me por aqui embora haja muitíssimas deficiências a apontar. Seria presunção da minha parte alongar-me nos reparos, pois também os outros cidadãos terão visto e deplorado outras situações dignas de atenção.
Faço votos que os responsáveis façam o que a obrigação lhes exige e apelo para que a limpeza e a reparação de edifícios e lugares sejam elevados ao nível que é exigido nos tempos atuais que são mais favoráveis à crítica construtiva da população em geral e não só pelas elites que ganham bem e fazem pouco!

P.S. Fica por dizer que nada nos move contra individualidade alguma. É uma chamada de atenção a quem de direito, para que seja mais agradável viver aqui. Se andam a chamar gente para fazerem turismo cá dentro e lhes apresentamos o que é facilmente constatável, podemos limpar as mãos à parede. Todos nós, responsáveis e público em geral!





Bragança 25/07/2020
A. O. dos Santos
(Bombadas)

Bem-Vindos ao LOMBO! Uma Aldeia/Freguesia do Concelho de Macedo de Cavaleiros, Distrito de Bragança com muito para ser visto e mostrado.

Castelãos (Macedo de Cavaleiros/PORTUGAL) 🇵🇹 2020

Bem-Vindos a Vale da Porca. Muito perto da Albufeira do AZIBO, muito particular com o seu Património, TERRA de Roberto Leal!

Acidente rodoviário no concelho de Vimioso provoca ferido grave

Um acidente provocou dois feridos, um deles em estado grave, ao final da tarde desta terça-feira, no concelho de Vimioso.
Ao que conseguimos apurar, a colisão rodoviária entre duas viaturas aconteceu pouco depois das 19 horas, entre as localidades de  Carção e Santulhão, na estrada nacional 317. O homem ferido com gravidade foi transportado para o Hospital de Vila Real. Do acidente resultou ainda um ferido ligeiro, um homem de 63 anos, que foi assistido no Hospital de Bragança. 
No local, a  prestar socorro às vítimas, estiveram 15 operacionais e seis meios terrestres. 

Escrito por Brigantia

Câmara de Mirandela vai atribuir 20 bolsas de estudo a alunos do ensino superior

A Câmara Municipal de Mirandela decidiu atribuir bolsas de estudo a 20 alunos que frequentem ou ingressem no ensino superior no próximo ano lectivo.
Cada um poderá receber 750 euros.

O apoio, que será distribuído pela primeira vez, tem por finalidade apoiar o prosseguimento de estudos a alunos economicamente carenciados e com aproveitamento escolar, segundo a autarca Júlia Rodrigues.

“É fundamental a câmara ter esse apoio social para que haja uma igualdade de oportunidades, ou seja, que não seja o factor financeiro limitador do desenvolvimento de uma carreira”, acrescentou a presidente da câmara.

As candidaturas já estão abertas. O investimento do município é de 15 mil euros, mas no futuro a câmara admite que verba pode crescer.

O apoio da autarquia vai abranger para já 20 alunos, como forma de dar um contributo para a promoção do desenvolvimento social, económico e cultural do concelho.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

Segunda edição do livro "Cebadeiros" do pseudónimo de Amadeu Ferreira é lançada hoje

Será hoje lançada a segunda edição do livro “Cebadeiros”, da autoria de Francisco Niebro, um dos pseudónimos de Amadeu Ferreira.
Natural de Sendim, no concelho de Miranda do Douro, foi poeta, escritor, jurista e um dos maiores investigadores do mirandês, sendo que este foi o seu primeiro livro nesta língua. O lançamento é uma forma de lembrar o autor, que faria 70 anos este mês. O irmão, Carlos Ferreira, considera que o livro é uma referência para a língua mirandesa.

“Foi também a partir de este livro que a escrita se começou a estrutura à volta da recente editada concessão ortográfica da língua mirandesa”, afirmou Carlos Ferreira.

Amadeu Ferreira é autor e tradutor de uma vasta obra em português e mirandês. Em poesia, além de “Cebadeiros”, publicou “Ars Vivendi/Ars Moriendi”, “Norteando”, entre outros. Em prosa é autor de obras como “Lhéngua Mirandesa - Manifesto an Forma de Hino” e “Ditos Dezideiros / Provérbios Mirandeses”. Para mirandês traduziu obras como “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões, e “Mensagem”, de Fernando Pessoa. Carlos Ferreira reporta-se ao irmão como o pilar da língua mirandesa.

O autor foi presidente da Associação de Língua e Cultura Mirandesas e da Academia de Letras de Trás-os-Montes. Foi ainda vice-presidente da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, professor convidado da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, membro do Conselho Geral do Instituto Politécnico de Bragança e, desde 2004, comendador da Ordem do Mérito da República Portuguesa. Carlos Ferreira relembra-o com saudade.

“Tinha um carácter muito afectuoso, muito próximo, muito conivente. Tivemos sempre uma ligação muito forte à língua mirandesa. Ele era uma espécie de irmão mais velho, que também era uma espécie de pai, que era também uma espécie de luz”.

Amadeu Ferreira morreu aos 64 anos e teria feito 70 dia 9 deste mês.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Rituais de Inverno com Máscaras

Numa colaboração entre o Museu do Abade de Baçal e o Município de Lamego, será apresentada no CIMI - Centro Interpretativo da Máscara Ibérica, em Lazarim, a exposição Rituais de Inverno com Máscaras.
Produzida com a coordenação de Benjamim Pereira, apresenta o resultado de um trabalho de pesquisa levado a cabo nos primeiros anos do século XXI, quer ao nível do levantamento fotográfico, quer no que respeita a uma coleção de máscaras e trajes utilizados nos rituais de inverno no nordeste transmontano, abarcando diferentes festividades em várias localidades deste território, quer as que apresentam um caráter mais vincadamente social e lúdico, quer as que o articulam com uma natureza marcadamente religiosa. 
É ainda apresentado um documentário com o mesmo título, da autoria Catarina Alves Costa e Catarina Mourão.

Vale do Tua: Um património para descobrir a caminhar

O slogan adotado pelo Parque Natural Regional reflete o amor à terra, às origens, à história e à tradição, ao património natural e edificado, e aos produtos locais. Os cinco concelhos que o formam têm muito em comum, mas também particularidades que vale a pena descobrir.
Miradouro do Ujo (Fotografia: Eduardo Pinto)
O vale do Tua assume-se já como um caso sério de popularidade no contexto da oferta turística de Trás-os-Montes e Alto Douro. E até tem slogan: “O destino do amor”. Não por um qualquer evento do passado que o tenha marcado. Apenas fruto do que se pensa ser o enamoramento das gentes pela região, assim resumido pelo diretor do Parque Natural Regional do Vale do Tua, Artur Cascarejo: “Quem cá vive ama o Tua, quem cá vem apaixona-se também”.


Dois dos vários miradouros sobre a paisagem, em boa parte selvagem, têm sido, ultimamente, responsáveis pelo corrupio de milhares de turistas. Mas quem entra no vale procura também natureza, percursos pedestres, gastronomia, vinhos e património histórico, que é o que não falta nos concelhos de Alijó e Murça (distrito de Vila Real), e de Carrazeda de Ansiães, Vila Flor e Mirandela (Distrito de Bragança).
Percursos pedestres do Vale do Tua (Fotografia: Eduardo Pinto)
É possível começar a descoberta do parque aleatoriamente por qualquer um deles e depois avançar para os outros. É recomendado que se inicie a visita pelas chamadas “portas de entrada”, onde se explica tudo o que é possível ver e fazer no vale e, em particular, no concelho que a abre. Depois é só seguir as indicações que são coisa que não falta.


A cada porta corresponde um dos cinco sentidos. Quem visita é convidado a usá-los todos, de forma integral, para que absorva todo o parque, parcela a parcela. É que, de acordo com Artur Cascarejo, “o todo é maior e mais pujante do que uma simples soma de porções isoladas”. Daí a ideia de “guarda-chuva” tantas vezes defendida e que acolhe e harmoniza as particularidades de cada porta, que gere as diferenças e que alimenta a vontade de as conhecer.

Ao entrar, por exemplo, pela porta de Foz-Tua (Carrazeda de Ansiães), instalada num antigo armazém da estação ferroviária, fica logo com uma ideia de onde deve ir, assim como o que comer e onde ficar no concelho. Do outro lado da linha ferroviária do Douro, noutro velho armazém recuperado, está o Centro Interpretativo do Vale do Tua, onde o guia José Luís Carvalho introduz uma “viagem” pela dimensão cultural e humana dos cinco concelhos, pela história da linha de comboio e da construção da barragem que alterou completamente a fisionomia do vale.

É também na porta de entrada que começa o mais recente dos 12 percursos pedestres do parque. É o mais urbano e curto de todos (3,5 km). É de ida e volta à barragem para apreciar o paredão e a central desenhada pelo arquiteto Eduardo Souto de Moura. Pelo meio percorrem-se passadiços em madeira sobre o rio Douro, as travessas do que resta da antiga linha ferroviária do Tua e a Wine House Casa dos Cantoneiros. Nesta estrutura, que outrora serviu para albergar quem tratava da limpeza das estradas, gerida pela Câmara de Carrazeda, é possível comprar vinhos a preço de produtor.

Imponência das rochas
Depois, serpenteando entre socalcos vinhateiros que são Património Mundial da Unesco, sobe-se ao planalto de Carrazeda para descobrir a antiga vila amuralhada de Ansiães que ainda conserva muitas das suas caraterísticas originais e, sobretudo, a Igreja de São Salvador, monumento nacional. Mas antes de lá chegar é obrigatória uma visita ao afamado miradouro “Olhos do Tua”, obra do escultor carrazedense Paulo Moura, que também assina o de São Lourenço em Pombal de Ansiães.
Miradouro “Olhos do Tua” (Fotografia: Eduardo Pinto)
Do outro lado do rio, no concelho de Alijó, São Mamede de Ribatua é a terra da laranja e é lá que tem a indicação para, a caminho de Safres, descobrir o Miradouro do Ujo, assinado por Henrique Pinto e Filipe Calisto, e que tem servido de cenário para milhares de fotografias. É outra das joias da coroa do parque natural. No jardim das laranjeiras começa o percurso pedestre das Fragas Más, um dos do concelho. O nome pode assustar, mas, na verdade, é de onde se observa bem a imponência das formações rochosas, de um lado e outro do rio, que mais se assemelham a escorregas gigantes em direção à água.

Da terra da laranja à terra do pão e vinho moscatel, Favaios, é um saltinho e nos arredores da vila aguarda Luís Barros, que gere a Enoteca da Quinta da Avessada. A verdade é que o Luís, só por si, já vale a visita. Para além do sorriso permanente, há que contar com a paixão que coloca em cada palavra, em cada gesto, em cada expressão, para explicar o processo de produção do vinho em geral e, em particular, do moscatel.

Claro que, indo a Favaios, é obrigatório visitar o Museu do Pão e Vinho. O coordenador, Mário Pinto, sabe como ninguém a lição e numa linguagem objetiva e acolhedora desembrulha a história da produção daqueles dois ex-líbris. No fim, comer bola de carne e beber um moscatel é absolutamente obrigatório.

E a sobremesa? Bem, por isso é que o vale do Tua é tão rico e diversificado. No concelho ao lado, Murça, fazem um toucinho-do-céu e umas queijadas únicas, de lamber os dedos e chorar por mais. O difícil é parar! E para encontrar estas iguarias nem precisa de sair do centro histórico onde impera a famosa Porca de Murça, símbolo desde concelho rico em vinho e azeite, onde viveu o simples e humilde soldado Aníbal Milhais, que se se tornou o Herói Milhões depois de combater com bravura e salvar centenas de vidas na Batalha de La Lys, na região da Flandres, durante a I Guerra Mundial.

A casa do herói, em Valongo de Milhais, vai ser recuperada para museu e há de ser mais um atrativo do concelho com oito séculos de história, a juntar ao Castro de Palheiros e aos vários percursos pedestres que possui. Para saber, ver e cheirar outras características de Murça, o melhor é ir até à porta de entrada no vale do Tua, no parque urbano.

Mirandela já não fica longe e é a caminho da cidade do Tua, atravessando uma zona planáltica que o guia Domingos Pires, da Naturthoughts-Turismo de Natureza, lembra que a Serra dos Passos é, afinal, a Serra de Santa Comba, mas que poucas pessoas a tratar assim. Designações à parte, tem o interesse de ter lá uns painéis com pinturas antigas, mas que “só devem ser visitadas na companhia de um guia”. Primeiro, para as perceber melhor; segundo, porque o local é de difícil acesso e “ir lá por conta e risco pode ser complicado”.

Mirandela é concelho de bom azeite. Há restaurantes com cartas para o poder escolher e há um museu que lhe é dedicado, bem como à mãe oliveira. É possível conhecer todo o processo de fabrico e ver a réplica de um lagar onde se extrai da azeitona este ouro líquido. É o local indicado para ficar a saber muitas das utilizações: gastronomia, indústria farmacêutica, iluminação, aquecimento, cosmética e indústria conserveira. Quase obrigatório é provar uma sopa seca no restaurante Maria Rita, na aldeia de Romeu.

Vila Flor não fica para o fim por mor da ordem alfabética. Fica porque antes do fim de mais uma jornada, é imperioso ir assistir ao pôr do sol num dos mais imponentes templos marianos de Trás-os-Montes – o santuário de Nossa Senhora da Assunção, em Vilas Boas. É local indispensável para muitos romeiros no dia 15 de agosto e agora já com centro de acolhimento e outras comodidades.

É neste concelho que fica o percurso pedestre mais longo, com 22 quilómetros de extensão e passagem por outro monumento importante – a forca de Freixiel. Começa e acaba junto à estação de Abreiro, que tem o nome da aldeia de Mirandela na outra margem do rio Tua, mas, na verdade, fica na margem do Vieiro, terra natal da pintora Graça Morais, que há de ter no futuro um espaço de artes com o seu nome no meio da sede de concelho.

Mas isto é só uma amostra de tudo o que pode fazer nos cinco concelhos do Parque Natural Regional do Vale do Tua, único no país com as suas características. Para saber tudo em detalhe é melhor visitar o site na Internet em www.parque.valetua.pt.

PERCURSOS PEDESTRES
O Parque Natural Regional do Vale do Tua dispõe de 12 e todos circulares. Ou seja, terminam no ponto de partida. O mais pequeno acaba de ser inaugurado em Foz-Tua, Carrazeda de Ansiães, com 3,5 quilómetros. O mais longo é o de Vieiro-Freixiel, em Vila Flor, com 22 quilómetros.

EVASÕES RECOMENDA

FICAR
O CASARIO
Lugar de Eixes
Estrada Nacional 213, nº 111
Mirandela
Tel.: 935 200 048
Web: ocasario.pt
Preços: a partir de 65 euros/noite para quartos individuais e 90 euros/noite para quartos duplos.

COMER
RESTAURANTE MARIA RITA
Largo Capela, Romeu, Mirandela
Web: quintadoromeu.com
Tel.: 278 939 134 e 918 289 811
Horários: 12-15h. e 19-22h. Fecha domingo ao jantar e segunda-feira todo o dia.
Preço: 20 euros

POUSADA BARÃO DE FORRESTER
Rua Comendador José Rufino
Alijó
Tel.: 259 959 467
Web: pousadas.pt
Horários: aberto só ao jantar (ao almoço por marcação)
Preço: 20 euros

TUA MERCEARIA
Bar de petiscos em frente à estação de Foz-Tua
Carrazeda de Ansiães
Tel.: 968 590 982
Web: facebook.com/tuamercearia/
Horários: das 16h às 23h nos dias úteis. E das 11h às 23h, fins de semana e feriados.
Preço: 10 euros

HOLMINHOS WINEHOUSE
Rua Principal nº142
Seixo de Manhoses, Vila Flor
Tel.: 916 187 690 e 278 094 379
Web: facebook.com/Holminhos
Horários: só por marcação e com grupos

Preço: 15 euros

Eduardo Pinto

Autarcas do Planalto Mirandês indignados com a anunciada redução de caixas multibanco

Autarcas de Mogadouro e Miranda do Douro mostram-se "indignados" com a anunciada redução das caixas multibanco naqueles municípios. 16 serviços multibanco "não cumprem requisitos do BdP".
Os autarcas de Mogadouro e Miranda do Douro mostram-se esta terça-feira “indignados” com a anunciada redução das caixas multibanco naqueles municípios, por entenderem que a possível redução destes serviços pode prejudicar um território que apresenta já estas debilidades.

Vamos encetar diligências junto do Banco de Portugal (BdP), para perceber o que podemos fazer nesta matéria em que já há que debilidades”, indicou o presidente da Câmara de Mogadouro, Francisco Guimarães, destacando que no concelho ficam seis das 24 freguesias do país que serão mais afetadas com a redução dos pontos de acesso a numerário, ficando a mais de 15 quilómetros da caixa multibanco mais próxima.

Na passada semana, o BdP avançou que a possível redução do número de caixas automáticos e de agências bancárias pode ser “crítica” para 24 freguesias de Portugal, localizadas sobretudo no distrito de Bragança.

Para o presidente da Câmara de Mogadouro, o autarca disse que o Banco de Portugal tem de deixar claro que as instituições bancárias instaladas no território do Planalto Mirandês, no distrito de Bragança, não encerram balcões ou serviços.

No distrito, segundo o autarca, há 16 serviços multibanco “que não cumprem os requisitos estipulados pelo BdP, situados nos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Vinhais”.

Também o presidente câmara de Miranda do Douro, Artur Nunes, colocou em causa a encerramento das caixas multibanco.

Há cada vez mais uma tentação para olhar para os grandes centros urbanos, mas claramente tem de existir uma diferenciação positiva para as pessoas que escolheram viver no interior, que escolheram viver em Miranda do Douro”, vincou o também presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) Terras de Trás-os- Montes.

O autarca garante que estes serviços não pedem encerrar e que, a acontecer, tal situação pode impedir os cidadãos de terem acesso a dinheiro ou a fazer outras operações interbancárias por não haver sequer uma caixa multibanco.

As instituições bancárias não podem olhar para todo o país da mesma forma”, frisou.

Após a divulgação dos dados pelo BdC, a Comunidade Intermunicipal (CIM) Terras de Trás-os-Montes, que representa nove dos 12 municípios do distrito de Bragança, mostrou-se “apreensiva” com a realidade atual da região e a possível redução da rede caixas multibanco naquele que é o distrito de Portugal onde estes serviços estão mais distantes da população.

A CIM apelou, num comunicado, para que qualquer decisão que venha a ser tomada relativamente à reestruturação da rede “tenha em conta a realidade local e as características da população contribuindo assim para a coesão territorial”.

O primeiro motivo dos autarcas é a conclusão do estudo publicado pelo Banco de Portugal que avalia a cobertura da rede de caixas automáticas e balcões de instituições de crédito.

Este estudo “põe a nu algumas das debilidades da região nesta matéria e demonstra que o distrito de Bragança é o que, a nível nacional, apresenta uma maior distância absoluta em relação a uma caixa automática ou agência”.

A Comunidade Intermunicipal aponta que “mais de 50% das freguesias” deste território poderão vir a ser afetadas com a “contração da rede”.

Nesse sentido, a CIM transmontana defende que “é necessário estruturar, desde já, uma resposta que permita salvaguardar o acesso da população a notas e moedas, dado que o numerário continua a ser o instrumento de pagamento mais utilizado em Portugal e o instrumento mais utilizado por segmentos mais vulneráveis da população”.


Homem que morreu no Rio Tua tinha estado na urgência

Pedro Simões teve alta após exames horas antes de ter sido encontrado a boiar no rio Tua. Autópsia desta quinta-feira determinará causas da morte.
O homem de 43 anos que morreu, na tarde da passada segunda-feira, no rio Tua, em Mirandela, ao que tudo indica, vítima de afogamento, tinha estado nessa manhã no serviço de urgência do Hospital local, devido a uma indisposição momentânea, apurou a Terra Quente FM.

Pedro João Simões, teve alta a meio da manhã depois de submetido a alguns exames complementares de diagnóstico que não detetaram qualquer problema de saúde. Ao que apuramos, a vítima sofria de alguns problemas do foro psiquiátrico que requeriam a toma de medicação forte.

Não são ainda conhecidas as causas da morte, nem tão pouco a hora em que terá acontecido, dúvidas que apenas poderão ficar dissipadas após a realização da autópsia, o que só vai acontecer amanhã, quinta-feira.

A PSP de Mirandela descarta a possibilidade de crime. A roupa da vítima e o telemóvel estava na margem do rio junto ao parque de estacionamento do Cardal, a escassos metros onde foi visto o corpo a boiar.

O caso aconteceu, cerca das 18 horas, de segunda-feira, quando um casal de jovens passavam junto ao espelho de água do rio Tua, em pleno centro da cidade, e aperceberam-se de um corpo a boiar na água, atirando-se ao rio para o resgatar para a margem, chamando de seguida as autoridades. Para o local foram acionadas duas ambulâncias. Uma dos bombeiros voluntários de Mirandela e a SIV (Suporte Imediato de Vida) do INEM.

Pedro João Simões, natural de Mirandela, estava em paragem cardiorrespiratória e ainda foram efetuadas várias manobras de reanimação mas “já não foi possível reverter a situação”, avançou o comandante dos bombeiros de Mirandela, Luís Carlos Soares.

A vítima ainda foi transportada ao hospital da cidade, mas foi declarado o óbito pouco minutos depois.

Jornalista: Fernando Pires

REABERTURA AO PÚBLICO DOS CENTROS GERIDOS PELA AEPGA

Medidas preventivas COVID-19 na reabertura dos Centros geridos pela AEPGA
A AEPGA informa que retomará as visitas ao Centro de Valorização do Burro de Miranda (CVBM) e ao Centro de Atividades Lúdico-Pedagógicas do Burro de Miranda (CALP), no próximo dia 28 de julho, com os condicionalismos impostos pela atual crise sanitária.

A lotação máxima nas visitas aos Centros foi reduzida de forma a garantir a distância mínima de 2m para qualquer outra pessoa que não seja sua coabitante e a presença e circulação dos visitantes nos respetivos Centros seguem as determinações do Governo e das autoridades públicas de saúde.

Considerando as características específicas do CVBM e do CALP, enquanto centro interativo de conhecimento, são instituídas de forma progressiva e dinâmica medidas essenciais à segurança e proteção dos visitantes contra os riscos de contágio.

Para tal é determinado o seguinte:
- A entrada nos Centros geridos pela AEPGA é limitada a um número máximo de 8 visitantes;
- A visita será previamente reservada por e-mail (aepga@aepga.pt) ou telefone (+351 925790391 / +351 925790394), com indicação da data e hora da visita, o número de visitantes e o nome e contacto do responsável pela marcação, de modo a assegurar a lotação revista;
- Os visitantes que não tenham visita marcada poderão ter o acesso condicionado em função da lotação disponível no momento;
- É vedada a entrada de visitantes que apresentem qualquer sintoma ou tenham tido contacto com pessoa com diagnóstico comprovado de Covid-19 até ao final dos 14 dias de quarentena, a contar desde a última data de contacto;
- O uso de máscara ou viseira é obrigatório durante toda a permanência no Centro ou na sede/receção;
- A AEPGA disponibiliza desinfetante para as mãos. Use-o à entrada e no final da visita;
- Será efetuado o rastreamento da temperatura à entrada dos Centros (sem registo de controlo) sendo impedida a entrada a quem registar temperaturas de igual ou superior a 38ºC;
- Os visitantes devem manter uma distância mínima de 2 metros relativamente a outros visitantes que não sejam seus acompanhantes;
- Adote as medidas de etiqueta respiratória;
- Coloque máscaras e luvas no caixote do lixo reservado;
- Pague preferencialmente por MB WAY;
- Não é permitida a permanência nos Centros depois da visita;
- As regras de funcionamento dos Centros geridos pela AEPGA serão sempre adequadas às novas orientações da Direção Geral de Saúde e demais entidades competentes.

A AEPGA está a trabalhar para o receber em segurança e continuar o seu objetivo, divulgar e fomentar o gosto pelos burros.

Venha visitar-nos com segurança.

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Para mais informações: aepga@aepga.pt, +351 925790391/ +351 925790394

12,9 milhões na modernização do concelho

O Município de Macedo de Cavaleiros tem em marcha um significativo conjunto de empreitadas com vista à melhoria das condições de vida e trabalho no concelho.
“Queremos inverter a estagnação a que o concelho esteve votado na última década, procurando atrair mais pessoas e empresas para o território e voltar a fazer de Macedo de Cavaleiros uma referência de Trás-os-Montes, designadamente do Nordeste Transmontano”, refere o presidente da Câmara Municipal, Benjamim Rodrigues, que garante que se perspetiva que “no final deste mês de julho estejam em concursos, adjudicadas ou já em fase de conclusão um volume de obras na ordem dos 12,9 milhões de euros”, parcialmente cofinanciados Fundos Europeus Estruturais e de Investimento.

Entre as obras a concurso destacam-se a Requalificação do Edifício dos Paços do Concelho, num investimento que ronda os 489 mil euros, a Reabilitação do Mercado Municipal (1.858.164,73 euros), a requalificação do Largo da Estação (403.373,00 euros) e a reabilitação da Rua Eça de Queirós (475.693,00 euros). “Prevemos nos próximos dias lançar também a concurso a empreitada de requalificação da envolvente ao Mercado Municipal, num projeto orçado em 506 mil euros”, salienta Benjamim Rodrigues.

“Havia projetos que estavam há demasiados anos no papel e que, até por isso, já se encontravam descontextualizados da atual realidade”, salienta Benjamim Rodrigues. O autarca de Macedo de Cavaleiros explica que “graças a um trabalho árduo e incansável dos técnicos e serviços da autarquia foi possível atualizar estes projetos e, finalmente, colocá-los nos carris certos, estando muitas das obras já no terreno ou em vias de se iniciarem”.

“Todos estes projetos são para construir um futuro capaz de atrair mais gente para o nosso território”, acrescenta Benjamim Rodrigues. O autarca macedense diz mesmo que os efeitos já se começam a sentir e que “algumas das empresas a que temos adjudicado as empreitadas estão já no terreno à procura de trabalhadores, já que há falta de mão de obra para todos os projetos que têm em mãos não só em Macedo de Cavaleiros, como em outros locais da região”, conclui.

Uma rota de fazer e chorar por mais

A forma como fazemos férias mudou. Porém, a vontade de as fazer não diminuiu. E porque não uma roadtrip pelo nordeste transmontano? Boa comida, paisagens de cortar a respiração e boas receções são a promessa para quem se aventurar a fazer férias "cá dentro".

Mais do que nunca é importante descobrir e redescobrir os cantinhos do nosso país. E a verdade é que opções não faltam para rechear o seu verão de coisas para fazer e de sítios para descobrir. A Rota da Terra Fria Transmontana é um desses exemplos.

Um circuito turístico de quase 500km ao longo dos concelhos de Vinhais, Bragança, Vimioso, Miranda do Douro e Mogadouro que atravessa dois parques naturais e que está integrado na Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica. Desde praias fluviais até parques, restaurantes e museus, muito há para contemplar - e aproveitar.

A rota pode ser percorrida de várias formas: de carro, de bicicleta ou até mesmo a pé. Todas elas têm os seus pontos fortes, e o que interessa realmente é ir. Quanto ao tempo que poderá demorar, vai mesmo depender de si.

Com mais ou menos pressa, a verdade é que terá à sua frente uma viagem inesquecível cheia de sítios e pessoas para conhecer. O bom desta rota é que ela não tem nem um início nem um fim definido, sendo que pode iniciá-la em qualquer uma das onze Portas do Troço - Quintanilha, Avelanoso, Constantim, Sendim, Mogadouro, Algoso, Salsas, Zoio, Sobreiró de Cima, Moimenta e Rio de Onor -, articulações do circuito com os principais eixos locais da rede nacional de estradas.

Um mundo na palma da mão
Para ajudar a escolher e até a "navegar" a Rota da Terra Fria Transmontana, existem as Portas da Rota, locais especificamente desenhados para prestar auxílio e informação localizados nas 5 sedes de concelho. Mas existe muito mais, a começar pelos inúmeros guias que pode descarregar no site da Rota. Através dos guias dos Troços ou até mesmo do ebook da Rota da Terra Fria, poderá ficar a conhecer ao pormenor alguns dos locais e das experiências que aguardam a sua visita, bem como a sinalização da rota que assegura que se encontra sempre no melhor caminho. E para tornar essa visita ainda mais prática, está disponível uma prática app para smartphone, para que em caso de dúvida, possa ter na palma da sua mão toda a informação essencial sobre o troço que está a percorrer. Caso contrário, pode dar de caras com a Mamoa de Donai e nem perceber que para além do nome curioso, ela também tem um papel histórico muito relevante!

Dentro da Rota, uma escapadinha.
A Rota da Terra Fria Transmontana criou uma rede colaborativa com mais de 50 aderentes das áreas de alojamento, restauração e animação turística e com eles organizou a oferta, tendo criado programas turísticos (escapadinhas da Rota) associados a cada estação do ano. Atualmente está em vigor a escapadinha de verão. E, como o nome indica, esta escapadinha foi pensada ao pormenor para que possa aproveitar esta altura do ano da melhor forma. Se é adepto do ar livre e desportos radicais, aqui vai poder encontrar experiências como BTT, todo-o-terreno, escalada e canoagem. Se, por outro lado, está à procura de algo mais sossegado, também há algo para si! Desde cruzeiros no rio Douro a passeios de burro e trilhos pedestres, há muito por onde escolher.

E porque há mesmo muito para se conhecer e fazer nesta Terra Fria Transmontana, pode ainda enriquecer a sua escapadinha com visitas a centros históricos, museus, centros de interpretação ou simplesmente passeios pelas aldeias e vilas acompanhados pela simpatia dos artesãos locais.

Seja qual for a sua escolha, esta é, sem dúvida, uma experiência que não pode deixar de viver.

Não há nada melhor do que estes tesouros transmontanos, escondidos no meio da natureza, de portas abertas para o receber! Por isso, já sabe: reserve alguns dias de férias, combine com a família ou amigos e atreva-se a conhecer o que Portugal tem de melhor!

MATUTANO

Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS
São Paulo (Brasil)
(colaborador do Memórias...e outras coisas)


Ah, muié! Nóis tinha tanto amô
E fumo brigá desse jeito!
Acabamo por separá!!!
-O que foi que desandô?
Ela num mi qué mais;
Eu tamén num quero!
Tudo si acabô, sim sinhô
Agora samo moderno
Nóis vai fazê de conta
Que samo gente da cidade
Nóis fiquemo mudo
As criança óia pra nóis
Num intendi nada
Nóis intendi tudo
Nóis que prometemo
Ficá dijunto inté a morte
Si separamo: ela pro sur
E eu pro norte!
As criança fica co´a vó
Nóis acha que assim é mió
Jurei préla que num quero
Vê ela ném prum espêio
Ela disse que eu
“Vô ficá pra escanteio”
Eu disse que ela é gorda
Ela disse que eu sô feio
Eu disse préla sumí
Que o Brasir é grande demais
Ela disse que nem por dinhêro
Si dispunha a vortá atrais
Ela deu um saluço
E eu maomeno tamén
Deitei cabelo na estrada
Ela pegô um trem....
Ma, onti nóis se encontremo
Na igreja de São José
Ela é muié de respeito
Eu sô home de muita fé
Lá nóis se viu e choremo
Na frente do Deus menino
Se beijemo, tocô o sino
Prumeno acho que tocô
Ela tremia até as perna
Fui pra riba dela cum fogo
Fogo que num se acabô
Demo tanto bejo gostoso
Bejo cheio de amô
Ela me deu um abraço
Pertado; quase caí
Nóis falemo das criança:
-Nóis qué elas dijuntinho
Não lá na casa da vó
Mais lá, no nosso ranchinho.
Eu disse préla : o Brasir é grande
Mais, maió é nosso amô
O Brasir póde sê grande
Mais nóis ele num separô
Nóis samo um casár de bobo:
Queremo é casá de novo
Cum fé em Deus e paiz na guia
Vortemo a sê namorado
Aos pé da Virgem Maria
Prometemo a São José
O protetô das famía
-Nóis prefere inté morrê
Do que se apartá um dia.

Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. É natural de Cravinhos-SP. É Físico, poeta e contista. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos e entre eles, o Pequeno Dicionário de Caipirês e o livro infantil “A Sementinha” além de quatro outros publicados em antologias junto a outros escritores.

terça-feira, 28 de julho de 2020

A EMIGRAÇÃO NO CONCELHO DE BRAGANÇA

A emigração dos bragançanos, como dos habitantes do Distrito de Bragança – para além das migrações temporárias para Espanha –, foi muito reduzida até à segunda metade do século XIX. Ainda em 1843, a Junta Geral do Distrito referia que a região era “pouco sensível à emigração”, não podendo, assim, responder ao inquérito nacional da emigração que então foi realizado.
Por outro lado, verificamos que, enquanto os governos civis do Norte de Portugal, desde a sua constituição em 1835, passaram a dispor de livros de registo de passaportes – uma vez que a emissão destes constituía uma das atribuições dos governadores civis –, em Bragança, tal só aconteceu a partir de 1844, ano em que se regista a emissão de um passaporte. Entre 1844 e 1852, registam-se escassíssimas concessões de passaportes no Concelho – o que não quer dizer que não tivesse havido negligência por parte dos serviços do Governo Civil no registo dos que emigravam, que alguns dos seus habitantes saíssem clandestinamente do País, ou obtido o seu passaporte noutro Governo Civil. Neste último caso, podemos aventar a hipótese de que, numa primeira fase, dar-se-ia uma migração interna, com a deslocação de habitantes de Bragança para o Alto Douro, Porto ou Lisboa, para, numa segunda fase, abandonarem o País.
Tendo em consideração os livros de registos de passaporte do Distrito de Bragança entre 1844-1910, ou seja, durante o Constitucionalismo Monárquico, emigraram oficialmente do Concelho de Bragança 2 150 pessoas.
Analisando a sua distribuição anual, não é difícil fazer uma leitura económica deste fenómeno. Assim, só a partir de finais da década de 1880 é que o número de emigrantes do Município começou a ganhar algum relevo, facto que tem a ver, necessariamente, com a grave crise económica que se abateu sobre o Concelho e o Distrito, como veremos na parte desta obra destinada à economia – o afundamento da indústria das sedas na década de 1870 não parece ter atingido particularmente Bragança, mas a destruição dos seus vinhedos pela filoxera, na década de 1880, afetou duramente o seu campesinato. Vai ser neste contexto que, em 1889, pela primeira vez, surgirá uma Exortação Pastoral Relativa à Emigração, do prelado da Diocese de Bragança-Miranda, D. José Alves de Mariz – a qual, embora sugerida pelo Governo, traduz pela primeira vez a preocupação da Igreja quanto a tal fenómeno –, procurando dissuadir os seus fiéis a não deixarem a terra, a família e os seus bens, a não partirem para terras desconhecidas, onde, segundo ele, os esperavam as doenças, o abandono, a pobreza, a solidão e, quantas vezes, a morte. O segundo pico detetado nesta estatística entre 1907-1910 – apesar de os efetivos registados nos anos de 1903 a 1906 terem várias lacunas –, explica-se pela grave crise económica que o Município e toda a região atravessaram, denunciada pelo jornal Nordeste e pelos relatórios do governadores civis de Bragança, mas tem a ver, sobretudo com a chegada do caminho-de -ferro em Bragança, em 1906.
A partir de então, a integração de Bragança na rede ferroviária nacional não traduz apenas a inserção do Município no mercado nacional, definitivamente estruturado.
Traduz também, quanto à emigração, o acesso direto ao cais de partida – portos de Leixões e Lisboa, mas, também, o aumento do número de engajadores na Cidade e de toda uma publicidade que exaltava os benefícios da emigração.
Entre 1906-1910, saíram de Bragança mais de 1 000 pessoas, ou seja, quase 50% do número total de emigrantes registados entre 1844-1910 (Quadro n.º 26).
Note-se que, no conjunto destes anos, a proporção entre titulares de passaporte e respetivos acompanhantes é de cerca de 1,4 para 1, isto é, o número total de acompanhantes aproxima-se bastante do número total de titulares. Estes valores expressam, assim, uma migração de cariz familiar, ou seja, ao contrário do que acontecia noutras regiões do País, não é tão significativo o número daqueles que partem sozinhos, deixando para mais tarde (ou para nunca) a reunião familiar (Gráfico n.º 8).
A distribuição da emigração anual do Município por meses (Gráfico n.º 9) revela-nos que o máximo de saídas se verificava em setembro e outubro, ou seja, após a faina agrícola do verão, depois das vindimas, nomeadamente no Alto Douro, para as quais os trabalhadores rurais do Alto Trás-os-Montes eram convocados.
Se tivermos em consideração a distribuição dos emigrantes do Município por género (Gráfico n.º 10), verificamos que os requerentes ou titulares de passaporte são maioritariamente do género masculino, e que as mulheres e crianças integram por norma o passaporte do marido ou de um familiar.
Quanto ao estado civil dos titulares de passaportes, observa-se que a maioria dos homens que emigram é solteira. Contudo, sabemos que a partir de finais do século XIX, a saída de homens casados, acompanhados da família, aumenta gradualmente (Gráfico n.º 11).
A sua distribuição por grupos etários revela uma forte emigração familiar, uma vez que o número de crianças e jovens até aos 14 anos, ou seja, aqueles que integravam o passaporte familiar, enquanto filhos dos titulares, corresponde a 55% do total dos acompanhantes. E dos restantes 45%, trata-se, na sua esmagadora maioria, das cônjuges dos titulares (Quadro n.º 27).
Quanto aos titulares de passaportes, verificamos que estamos perante uma emigração jovem, uma vez que 58,6% do seu número total situa-se entre os 20 e os 34 anos (Gráfico n.º 12).

Sob o ponto de vista socioprofissional, naturalmente que, num concelho marcadamente rural como era o de Bragança, desprovido praticamente de indústria, se agruparmos os agricultores, lavradores, jornaleiros e os titulares de passaportes indiferenciados ou sem indicação de profissão – aqueles que se encontravam ligados à indústria ou aos serviços eram sempre bem identificados, profissionalmente, nos livros de registos de passaportes –, chegamos à conclusão de que 81,2% dos titulares de passaportes integravam o setor primário, nomeadamente a agricultura.
Uma análise mais fina das profissões revela-nos que, enquanto a emigração não teve significado, quem saía do Município era gente relativamente qualificada, ligado aos ofícios e ao comércio. Mas, a partir da década de 1880, os que emigram são trabalhadores rurais ou pequenos proprietários, arruinados pela extinção dos vinhedos ou pela usura (Quadro n.º 28).
Emigrantes numa estação transmontana de caminho-de-ferro com destino ao porto de Leixões
Além das profissões indicadas no Quadro anterior, encontrámos muitas outras, com apenas um, dois ou três titulares, como o agenciário, cozinheiro, ferrador, ferreiro, marceneiro, professor, aguadeiro, artista, caiador, canteiro, carteiro, cavouqueiro, dentista, engomadeira, fiscal aferidor, fogueiro, juiz da relação, marchante, mestre-de-obras, oficial do exército, padre, pintor, reservista, sacerdote, taberneiro, tendeiro. Individualmente pouco representativos, no seu conjunto acabam por traduzir a riqueza socioprofissional que existia na região.
Quanto ao destino dos emigrantes bragançanos, não surpreende que 92% deles se dirigisse para o Brasil, tendo como portos privilegiados de entrada Santos e Rio de Janeiro, e como destino final de trabalho os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. A título de curiosidade, refira-se um “brasileiro”, natural do Município de Bragança – Castrelos –, António do Carmo Pires, que fez fortuna no Brasil e exerceu relevante ação benemérita em Portugal, contribuindo com uma verba importante para a construção do novo hospital da Misericórdia em Bragança. António Pires requereu passaporte em 23 de abril de 1874, para o Império do Brasil. Tinha então 30 anos, era filho de “pais incógnitos e solteiro”.
As saídas para a Europa eram muito reduzidas e esmagadoramente para Espanha. E o mesmo podemos dizer daqueles que partiam para as colónias portuguesas africanas – portanto, mais colonizadores do que emigrantes –, num total de 26 titulares de passaportes, com destino, sobretudo, para Angola (Quadro n.º 29 e Gráfico n.º 13).
Após 1910, a emigração do Concelho de Bragança vai atingir valores muito elevados, em sintonia, aliás, com o crescimento avassalador da emigração portuguesa nos anos que precederam a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Entre 1911-1913, o Distrito de Bragança foi mesmo aquele que registou o maior número de emigrantes.
Não é agora o momento para analisarmos a evolução do fenómeno emigratório no Município ao longo do século XX, uma vez que a sua investigação se encontra totalmente por fazer. Sabemos que o número daqueles que saíram de Bragança acompanhou proporcionalmente a emigração do Distrito, isto é, que baixou durante a Primeira Guerra Mundial, como até 1920-1930, voltou a descer a partir de então devido à crise económica mundial que então surgiu, e manteve-se a níveis modestos até ao final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A partir de meados do século XX, a emigração dos habitantes do Concelho de Bragança recrudesce novamente, agora já não em direção ao Brasil, mas rumo à Europa, destacando-se neste particular Espanha, pela sua proximidade geográfica, mas também França e Alemanha. Incapaz de manter a sua população em condições de dignidade mínima, o Concelho de Bragança viu-a partir à procura da subsistência das respetivas famílias, tornando-se numa das regiões mais repulsivas do País, sobretudo a partir dos anos de 1950.

E assim partiram muitos bragançanos, novos e velhos, homens e mulheres, prontos a recomeçar a vida noutras paragens, cidadãos de um concelho em viagem… Foram à procura da sorte noutras terras, conviver com outras gentes, sofrer a saudade da família e dos amigos, recordar o luar de agosto na aldeia, as malhas, as sementeiras, os amores…!
O Concelho escoava-se no Porto, Lisboa, Paris, Nanterre, St. Denis, Aubervilliers, Champigny, Hamburgo, Berlim, Westfalen, Andorra, Leon… à procura de um pão com sabor a lágrimas. No horizonte permanecia a firme vontade do regresso à sua Bragança natal, como tão bem disse o poeta emigrante bragançano Raul Morais:

Sozinho
Pelas ruas de Paris
Assobio baixinho
Canções de saudade
Do meu País
Aqui trabalho
E por estas ruas
Passeio, quando a noite vem
Envolta em seu manto negro
Tecido ao natural.
Mas não te iludas, França;
Porque só as minhas mãos são tuas;
A esperança, a minha esperança
Essa mora em Portugal.

Em conclusão, podemos dizer que a evolução da população de Bragança foi marcada pelas formas de organização do território que, em Portugal, se caracterizou pelo redireccionamento da ocupação humana do espaço, que privilegiou o litoral em relação ao interior. A ruralidade e o fraco desenvolvimento económico, apesar de algumas épocas de relativa vitalidade industrial, vão abrir caminho aos fluxos migratórios de saída, tanto para o litoral como para o estrangeiro, tornando-os uma constante da história contemporânea de Bragança e condicionando a dinâmica de desenvolvimento do Município e do Nordeste Trasmontano.
Bragança assistiu à debandada contínua da sua população ativa mais jovem, conduzindo-a inexoravelmente a um processo de despovoamento. Motivado por estranhos e insondáveis desígnios, quer o Concelho de Bragança, quer os restantes municípios que compõem o Distrito, não conseguiram fixar as suas populações, transformando-se numa enorme zona de repulsão.
Analisando os diferentes concelhos do Distrito, verificamos que a repulsão populacional foi uma constante a partir de meados do século XX, uma vez que praticamente todos os concelhos do Distrito de Bragança apresentam nos anos de 1951-1960, 1961-1970, 1981 1991, 1991-2001 e 2001-2011, percentagens significativas de repulsão populacional; no único concelho em que se verificou atração populacional na década de 1950 – Miranda do Douro –, tal facto ficou a dever-se, em exclusivo, à construção de três barragens hidroelétricas no Rio Douro, o que fez deslocar para aquele concelho muitas centenas de trabalhadores (Quadro n.º 30).
A repulsão populacional aumentou em todos os concelhos entre 1961 e 1970; os exemplos mais significativos são dados pelos concelhos de Miranda do Douro, que viu, com o final da construção das barragens hidroelétricas, passar de uma atração de 18,8% na década anterior para uma repulsão de 54,8%; de Vinhais, onde aumentou a repulsão de 3,5% em 1951-1960 para 58,7% em 1961-1970; e de Moncorvo, no qual a repulsão populacional mais do que triplicou do primeiro para o segundo período. Estes três concelhos foram responsáveis, entre 1960 e 1981, por cerca de 50% da diminuição da população do Distrito de Bragança, o qual teve, na década de 1960, uma perda de 34 478 habitantes.
A partir de um decréscimo populacional acentuado na década de 1960-1970, a população do Concelho – tal como a do Distrito – aumentou na década de 1970-1980, o que levou a pensar que se estava a inverter o fenómeno deveras preocupante do despovoamento; para este aumento da população não contribuiu, apenas e sobretudo, o regresso dos emigrantes; a grande contribuição foi dada pelo regresso forçado de milhares de residentes nas ex-colónias portuguesas, muitos deles naturais do Concelho e da Região e que aqui retornaram numa primeira fase das suas novas vidas – posteriormente, a grande maioria deste fluxo populacional abandonou a região, fixando-se nas cidades do litoral português ou em países estrangeiros.
Na década de 1981-1991 voltou a acentuar-se a tendência para o despovoamento do Distrito. A nível do Concelho de Bragança, o aumento verificado na repulsão populacional só pode explicar-se por dois fatores, o menor dinamismo dos saldos fisiológicos e/ou dos movimentos migratórios – mesmo que os saldos fisiológicos tivessem diminuído durante aquele período de tempo, tão elevados quantitativos de repulsão populacional têm de assentar na existência de fortes movimentos da população, sejam migrações internas ou emigrações.

Nos dez anos decorridos entre 1991 e 2001, continuou o despovoamento da região de Bragança, incapaz de fixar a sua população por manifesta ausência de atividade económica nos diferentes setores de atividade; as exceções são os concelhos de Bragança e de Mirandela, facto a que não será estranho, por um lado, o crescimento do Instituto Politécnico de Bragança e do polo deste em Mirandela, e por outro, uma certa atratividade destes centros urbanos em relação à população dos restantes concelhos.
Finalmente, na década de 2001-2011, o único Concelho que continua a atrair população é o de Bragança, embora a níveis menores do que os verificados na década anterior. O Instituto Politécnico continua a ser o grande polarizador de população, conseguindo minorar as perdas resultantes da transferência e/ou encerramento de muitos serviços públicos que estavam sediados no Concelho de Bragança; pese embora o facto do polo de Mirandela do Instituto Politécnico ter aumentado o número de alunos neste período temporal, tal não foi suficiente para evitar a perda de população verificada no Concelho de Mirandela. De qualquer modo, a nível do Distrito de Bragança a sucessiva perda de população, com concelhos muito próximos do limiar da desertificação, é calamitosa.
Os resultados do último recenseamento publicado em Portugal mais não fazem do que mostrar o contínuo despovoamento do interior, principalmente das zonas rurais, ainda que o Concelho de Bragança, muito por força da dinâmica da urbe, tenha contrariado esta tendência, registando um saldo migratório positivo.

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa