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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Podence acolheu I Fórum Internacional de Geoparks

Podence, no concelho de Macedo de Cavaleiros foi palco este fim-de-semana do I Fórum Internacional de Geoparques. Margarete Patzak, representante da UNESCO, garante que ainda há muito trabalho pela frente, mas que objetivo é criar um programa em comum.
“No futuro temos ainda muito trabalho para fazer, embora o trabalho em rede esteja já a funcionar muito bem. Agora temos assuntos de cariz mais administrativos para fazer, como criar um programa real sob alçada da UNESCO. 
Essa decisão está dependente dos estados membros. Mas sim, vamos trabalhar num projeto conjunto”, salienta a responsável. Sílvia Marcos, coordenadora do Geopark Terras de Cavaleiros, adianta que um dos objectivos é criar um festival onde cada geoparque possa mostrar um pouco daquilo que tem para oferecer. “Temos um projeto que consiste em juntar todos os geoparques, a nível europeu e mundial, na sede da UNESCO, naquilo que será uma feira, ou um festival, por assim dizer. Mostrar o que cada um tem de melhor no seu território. Esta iniciativa tem que ser bem pensada, e não depende só de nós. 
A UNESCO tem uma agenda cheia, mas gostaríamos de estar em Paris em novembro, mês em que a instituição comemora 70 anos”, revela Sílvia Marcos. Alemanha, Irlanda, Eslovénia e Noruega, foram os países europeus presentes neste encontro em Podence. O Brasil marcou presença via Skype, e do Geopark de Stone Amber, Canadá, veio Gail Borden. 
Além do território, conheceu os Caretos de Podence, uma experiência que, garante ter sido única. “Estávamos em reunião quando eles apareceram a fazer a sua dança, e baterem-me na cabeça. Não, não me assustaram! Eu entrei na brincadeira, e foi divertido! E isto faz parte da aprendizagem sobre a cultura da região. Esta cultura é diferente, e não é ao mesmo tempo. Certamente não temos os caretos mas temos muitas lendas tradicionais”, refere Gail Borden. 
Em Novembro, Paris pode ser o palco do primeiro evento destinado a reunir a rede global de geoparques. Acontecimento este previsto pela data em que a UNESCO assinala 70 anos.

Escrito por Onda Livre (CIR)

Ti Chico Espanhol tosquia ovelha Churra Galega Mirandesa

A tosquia das ovelhas mirandesas é feita anualmente na primavera. A prática da tosquia com tesoura é hoje em dia residual, tendo sido substituída pela tosquia com máquina, muito menos demorada e trabalhosa do que aquela.
O trabalho de tosquiar os rebanhos é nesta zona frequentemente entregue a grupos de imigrantes especializados que se deslocam à região para esse efeito.
Duas Igrejas 5 de Maio de 2012

Below zero

Time-lapse of landscapes of fog and frost, in Tras-os-Montes, Portugal, in the winter (January) 2012


Terra Quente - O Fim Do Milénio

Terra Quente – O Fim do Milénio
Sinopse
‘Terra-Quente – O Fim do Milénio’ é a narrativa de um percurso pessoal e intimista com a Pintora Graça Morais por Trás-os-Montes. Uma terra de origens, uma paisagem de fragas e gestos, silêncios e montanhas, memórias e lendas. É um filme registado como um diário sazonal, uma recolha subjectiva de um território afectivo de espaços habitados, com hábitos ancestrais, sortilégios e alegrias, manifestações do sagrado e do profano, de ternura e de sofrimento e fundamentalmente de um profundo e inesgotável mistério que criou e cria esta deslumbrante região.



Ficha Técnica
Realização Joana Morais
Narração Graça Morais
Directora de Montagem Joana Morais
Montagem Pedro Cardoso Martins
Operadora de Som Joana Morais
Montagem Musical Joana Morais
Mistura de Som Pedro Cardoso Martins
Apoios
Associação dos Municípios da Terra Quente
POA – Programa Ambiente
FEDER- Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional
Informações Técnicas
Duração aproximada: 32 minutos
Cor, Preto e Branco
Língua original: Português
Ano 2001

Adélia Garcia fia e descreve o processo de fazer uma meia

Gravado em Caçarelhos a 4 de maio de 2012
Termos usados:
Pares: conjuntos de duas malhas
Canas: canelado (topo da meia)
Minguados: diminuições ou mates, feitos ao longo do cano da meia e na biqueira
Taloeira: traseira do calcanhar, em que se trabalha apenas metade do número total de malhas
Gorros: base do calcanhar
Chapa: zona da meia que fica sob o tornozelo
Ponta: biqueira


D. Isabel demonstra o funcionamento do torno

O torno é um engenho com duas funções: é usado para torcer os fios e também para fiar a lã de fibras mais curtas, proveniente das cardas.
Vilar Seco 7 de maio 2012

D. Ana a fiar e D. Laurinda a carbenar a lã

Carbenar (abrir): Processo de separar manualmente os filamentos de lã uns dos outros de forma a poderem ser fiados.
"Tirioni" (canção de cardadores)
Gravado em Duas Igrejas a 7 de Maio de 2012

Ti Paula prepara o estambre

O estambre ("estame") é o fio produzido com os filamentos mais longos da lã, geralmente usado para a urdidura (teia) do tear. É preparado com dois pentes (instrumentos constituídos por um cabo de madeira com dentes de ferro), um dos quais é fixo ao burro (cavalete de madeira). Depois de duas passagens da lã pelos pentes, estas fibras longas são cuidadosamente puxadas e depois colocadas sobre as "costas" do burro, de onde irão para a roca para serem fiadas. A lã de fibras mais curtas, que a Ti Paula (Paula de Jesus Monteiro) coloca à sua esquerda, é depois cardada e fiada no torno, dando origem ao fio da trama ou usada como enchimento.
Enquanto prepara o estambre, Ti Paula explica como aprendeu a tecer, bem como o processo de fabrico das mantas de lã apisoada que se fabricavam na região.
Combing wool to spin worsted yarn ("estambre"). The shorter fibers left on the combs will be used to produce woolen yarn or as stuffing for pillows. Trás-os-Montes, Portugal, 2012.
Gravado em Duas Igrejas a 6 de Maio de 2012


Se és alma do outro mundo, diz ao que vens!

Muitas tradições se vão perdendo em Trás-os-Montes! É o caso daquela que é conhecida como a festa do “pau das almas”. Os rapazes na manhã do feriado de 1 de novembro (dia de todos os santos), iam ao monte cortar e apanhar um carro de lenha, que à tarde era leiloada no adro da igreja, sendo a receita aplicada no dia seguinte (dia de fiéis e defuntos) na celebração de missas e ofícios em memória das almas do Purgatório. Mantém-se ainda o “pão das almas” e o “pão do defunto”. O primeiro é uma esmola distribuída, no dia dos fiéis e defuntos, aos pobres que se concentram à porta do cemitério a rezar pelas almas do Purgatório. O segundo é uma última refeição que o falecido “oferece” às pessoas que se incorporaram no seu funeral, em jeito de agradecimento pelas preces de cada um, que “o ajudarão a tornar mais leves as suas penas no Além”.
Em muitas aldeias persiste a crença nas “procissões das almas”, um desfile macabro, que sai à meia-noite do adro da igreja e percorre, de cruzeiro em cruzeiro, as ruas e caminhos da povoação. Esta procissão anuncia a morte próxima de um vizinho. Crê-se também que as almas surgem aos vivos, sob formas diversas (gritos, suspiros, gemidos, redemoinhos, animais…), em apelo pelo cumprimento de preces e promessas não cumpridas. E que os vivos, perante tal visão, devem fazer o sinal da cruz e dizer: “Se és alma do outro mundo, diz ao que vens; se és o demónio, vai bater a outra porta”, ou então: “Se és alma do outro mundo, diz ao que vens; se não és, vai para o raio que te parta!”

(Fonte: PARAFITA, A. – O Maravilhoso Popular, Lisboa, Plátano Editora, 2000)

O Alma-Grande

Conto de Miguel Torga (pseudónimo de Adolfo Correia Rocha)

Riba Dal é terra de judeus. Baldadamente, pelo ano fora, o Padre João benze, perdoa, baptiza e ensina o catecismo por perguntas e respostas.
- Quem é Deus?
- É um Ser todo poderoso, criador do Céu e da Terra.
Na destreza com que se desenvencilham do interrogatório, não há quem possa desconfiar que por detrás da sagrada cartilha está plantado em sangue o Pentateuco. Mas está. E à hora da morte, quando a um homem tanto lhe importa a Thora como os Evangelhos, antes que o abade venha dar os últimos retoques à pureza da ovelha, e receba da língua moribunda e cobarde a confissão daquele segredo – abafador.
Desses servos de Moisés, encarregados de abreviar as penas deste mundo e salvar a honra do convento, o maior de que há memória é o Alma-Grande.
Alto, mal encarado, de nariz adunco, vivia no Destelhado, uma rua onde mora ainda o vento galego, a assobiar sem descanso o ano inteiro. Quem vinha chamar aquele pai da morte já sabia que tinha de subir pela encosta acima a lutar como um barco num mar encapelado.
- Raios partam o vento!
Mas quê! Do mesmo modo que o Alma-Grande era certo na casa da esquina, sempre ao borralho, era certo o bafo da Sanábria a varrer a ladeira.
Diante da casa, bastava gritar-lhe o nome.
- Tio Alma-Grande! Ó Tio Alma-Grande!
- Lá vai…
Daí a nada a tenaz das suas mãos e o peso do seu joelho passavam guia ao moribundo.
Entrava, atravessava impávido e silencioso a multidão que há três dias, na sala, esperava impaciente o último alento do agonizante, metia-se pelo quarto dentro, fechava a porta, e pouco depois saía com uma paz no rosto pelo menos igual à que tinha deixado ao morto. Os de fora olhavam-no ao mesmo tempo com terror e gratidão. Às vezes, uma voz ou outra, depois do pesadelo, levantava-se do fundo da consciência e protestava; mas no dia seguinte acontecia ser essa mesma voz que no alto do Destelhado, sobrepondo-se à força do vento, o reclamava.
- Tio Alma-Grande! Ó Tio Alma-Grande!
- Lá vai…
E aparecia à porta logo a seguir.
Quando a hora do Isaac chegou, foi um filho, o Abel, que trepou a ladeira. O garoto vinha excitado, do movimento desusado de casa, da maneira estranha como a mãe o mandara chamar o Tio Alma-Grande, e da ventania.
- Que tem o teu pai, rapaz?
O pequeno olhou fixamente a cara seca do abafador.
- Febre…
- Bem, vamos então lá…
- E que é que o Tio Alma-Grande lhe vai fazer?
- Vê-lo…
Pela rua abaixo só o vento falava. Rouco de tanto bradar, monocórdico, persistente, era nele que tinha expressão a intimidade de ambos: um, o pequeno, nervoso, inquieto, a braços com pressentimentos confusos, que se recusavam a sair-lhe do pensamento; o outro, o velho, a aceitar aquele destino de abreviar a morte como um rio aceita o seu movimento.
Em casa havia lágrimas desde a soleira da porta. Mas a entrada do Alma-Grande secou tudo. Atrás dos seus passos lentos e pesados pelo corredor ficava uma angústia calada, com a respiração suspensa.
- O que é que ele lhe vai fazer? – perguntou de novo o Abel, agora à mãe, quando a porta do quarto se fechou.
A Lia respondeu ao filho com duas lágrimas silenciosas pela cara abaixo.
Lá dentro, colado à cama que a transpiração alagava, o Isaac parecia ter chegado ao fim. Branco, com dois olhos perdidos no fundo da cara, opresso, como que só esperava a ordem de largar a vela. Tinha adoecido havia quinze dias. Um febrão tal que o Dr. Samuel desanimou. Veio, tornou a vir, e acabou por aconselhar que tratassem do caixão. Mas o Isaac era cedro do Líbano, rijo, no cerne. Depois desse desengano ainda o mal o roeu seis dias sem o comer. E sempre de olhinho vivo. Gemia, gemia, finava-se, mas com aquelas duas contas de azeviche a reluzir. Acabou, contudo, por lhe pousar no rosto uma sombra estranha; e a mulher, a Lia, abriu mão da esperança. Dois dias mais, e como na sala a D. Rosa lembrasse a confissãozinha, um irmão do Isaac, o Daniel, chegou-se à cunhada e deixou cair, entre duas palavras de consolo, o nome do Alma-Grande. A Lia, a princípio, reagiu quanto pôde. Mas a perspectiva do padre João a entrar-lhe pela casa dentro venceu-a. Mal rompeu a manhã, com uma voz que fez medo ao filho, mandou-o chamar o abafador.
Quando o Alma-Grande entrou, o Isaac estava no auge de um combate que quase sempre se trava de corpo estendido. O inimigo era uma parte de si mesmo apostada em perdê-lo. E a outra metade, um pedaço de ser nobre e agradecido à seiva, corajosamente defendia o resto da muralha. As bagadas pelas têmporas abaixo e um ritmo apressado da respiração davam sinal desta guerra. Mas de nada mais precisava, quem olhasse com limpos olhos humanos, para sentir a grandeza e a solenidade de tal hora.
Por desgraça, o Alma-Grande não podia ver aquilo. Insensível à profundidade dos mistérios da vida, sem o estremecimento de uma fibra sequer, avançou para o leito num automatismo rotineiro. O seu papel não era olhar; era ir inteiro com as mãos ao pescoço, com o joelho à arca do peito, e retirar-se uns minutos depois, como um instrumento que tivesse cumprido correctamente a sua função.
No seu castelo o Isaac pelejava sempre. O fole pressuroso do arcaboiço metia ar na fornalha; espesso, cálido, activo, o suor ia brotando do vulcão.
A casa dir-se-ia um sepulcro habitado por vivos petrificados e mudos. Só no quarto havia movimento e palpitação.
Calado, o Alma-Grande avançou. Mas quando de mãos abertas e joelho dobrado ia a cair sobre o Isaac, fê-lo parar uma voz diferente de todas as que ouvira em momentos iguais, que parecia vir do outro mundo, e dizia:
- Não… Ainda não… Ainda não…
Quantas vezes o abafador tinha escutado aquilo, gritos de desespero, apelos sôfregos e angustiados, sem se deter na sua missão sagrada! Quantas vezes! Desta, porém, o apelo e os gemidos soavam-lhe nos ouvidos doutra maneira.
- Não… Não… Ainda não…
Um pano escuro que até ali vendara os olhos do Alma-Grande queria rasgar-se de cima a baixo. E o abafador, paralisado entre as trevas do hábito e a luz que rompia, lembrava uma torrente subitamente sem destino.
- Não… Ainda não… Ainda não…
Era terrível o que se passava. À luta que o Isaac sustentava contra forças que nunca ao certo se conheceram, juntava-se o embate dos dois homens, um a saber que ia matar, outro a saber que ia ser morto.
Estiveram assim algum tempo, de olhos cravados um no outro, a medir-se. Pesado, o suor escorria pela cara do Isaac; quente, o sangue martelava nas têmporas do Alma-Grande.
Foi o ruído súbito e em guincho de uma porta que fez explodir aquela concentração. O barulho a ouvir-se, e o Alma-Grande, como um peso suspenso e de repente liberto, a cair em cima do moribundo. Nem uma palavra só. Apenas um baque surdo, e as mãos sôfregas do agressor à procura do pescoço do lsaac.
Mas a porta que rangera dera entrada a alguém. A um vulto que o Alma-Grande adivinhava atrás das costas, parado, lívido, a tentar compreender.
Um esforço supremo do Isaac para se livrar das garras que o apertavam e a presença atónita do Abel, tiraram às mãos e ao joelho do Alma-Grande a força habitual. Bem que se extremara nele o assassino, o animal que bebia a grossos tragos o fio de vida que encontrava no caminho! Bem que se lhe avivava na consciência a certeza de que era matar a razão do seu destino! Em vão. O puro instinto não tinha coragem para empurrar aquelas mãos e aquele joelho diante de uma testemunha.
Ergueu-se. Com o rosto coberto por um pano de lividez igual à do agonizante, voltou-se. E sem coragem para encarar os arregalados e aflitos olhos do pequeno, que o varavam, silenciosamente, saiu. Atravessou a sala cabisbaixo, longe da majestade trágica das outras vezes. Deixava atrás de si a vida, e a vida não lhe dava grandeza.
Quando, um segundo depois, a Lia, como um bicho culpado, entrou no quarto, o filho estava sentado na cama, com a pequena mão na testa do pai. A criança debatia-se num agitado mar de brumas; mas o seu coração ditava-lhe a mãozita ali, na fronte escaldante do que lhe dera o ser, do mesmo modo que lhe ordenara já a entrada sorrateira e inquieta no quarto.
E foi talvez o gesto inocente e filial que fez correr novamente nas veias do Isaac o sangue da confiança. Sem confissão, vinte dias depois comia o caldo ao lume como se nada tivesse sido. E nada tinha sido realmente para toda a gente da terra, menos para ele, para o pequeno e para o Alma-Grande. Os outros passaram da agonia à morte e da morte à ressurreição, na inconsciência de quem passa do calor ao frio e do frio novamente ao calor. Só os três sabiam, de maneiras diversas, que o drama fora mais negro e profundo. O Isaac vira as garras da morte ao natural; o Alma-Grande olhara pela primeira vez a escuridão do seu poço; o garoto, esse, pressentira coisas que não podia clarificar ainda no pensamento.
Vagaroso, o tempo foi deslizando; e com ele apagara-se já de todo na lembrança da terra a doença do Isaac. Missa e Sabath.
Os três, porém, debruçavam-se sem descanso sobre o lago onde se reflectia a imagem negra do passado. O Isaac, cada vez mais dorido, olhava, olhava, e via a vingança; o Alma-Grande, cada vez mais culpado, olhava, olhava, e via o medo; o pequeno, inocente, via apenas a angústia de não entender. E os três formavam como que uma ilha de desespero no mar calmo da povoação. Não se falavam, fora do filho a pedir bênção ao pai, do pai a dar-lha, e de uma saudação ambígua e monossilábica do Alma-Grande ao passar pelo Isaac. Mas traziam-se guardados uns aos outros, como se nenhum deles quisesse perder a hora em que, para a eternidade, varressem do céu das consciências a nuvem pesada que o toldava.
E esse momento, finalmente, chegou.
Vinha o Alma-Grande de ver a filha e os netos, em Bobadela, quando o Isaac, que o seguia como um cão de fila, lhe saltou à estrada. Testemunhas, só Deus e o Abel, que, sem o pai suspeitar, o acompanhava também por toda a parte, e olhava a cena escondido atrás de um fragão.
- Não matarás…
Assim era no Evangelho. Fora dele, numa lei diferente, a moral tinha outros caminhos, como o próprio Alma-Grande sabia.
- Não matarás…
O Isaac, porém, olhava o Alma-Grande com os mesmos olhos implacáveis que lhe vira nas horas de agonia.
- Não… Não…
Mas o Isaac era o mais novo e o mais forte. E, quando o Alma-Grande foi a dar conta, estrebuchava no chão, de costas, com o pescoço apertado nas mãos do outro, e com a tábua do coração sob o peso infinito de um joelho.
- Não… Não…
O pequeno, do penedo, via a cara congestionada do Alma-Grande, e ouvia o esforço da respiração a forçar o garrote.
- Não…
Possantes, inexoráveis, as tenazes iam apertando sempre. E, com mais um estertor apenas, estavam em paz os três. O Isaac tinha a sua vingança, o Alma-Grande já não sentia medo, e a criança compreendera, afinal.

in:mardepedra.blogspot.pt

Geoparques podem unir-se numa mostra internacional

Poderá nascer, ainda este ano, um evento destinado a juntar os geoparques mundiais.

A ideia surgiu este fim de semana, em Macedo de Cavaleiros, durante o primeiro Fórum Internacional de Geoparques.

Margarete Patzak, representante da UNESCO, garante que ainda há muito trabalho pela frente, mas que objetivo é mesmo criar um programa em comum.

Sílvia Marcos, coordenadora do Geopark Terras de Cavaleiros, adianta alguns pormenores.

Alemanha, Irlanda, Eslovénia e Noruega, foram os países europeus presentes. O Brasil marcou presença via Skype, e do Geopark de Stone Amber, Canadá, veio Gail Borden. Além do território, conheceu os Caretos de Podence, e falou-nos sobre essa experiência.

Já na sexta feira, a reunião foi em português, num seminários onde os quatro geoparques nacionais marcaram presença.

Em novembro deste ano, Paris pode ser o palco do primeiro evento destinado a reunir a rede global de geoparques. Acontecimento este previsto pela data em que a UNESCO assinala 70 anos.

Escrito por ONDA LIVRE

Castanheira Pinto preocupado com diminuição do número de caçadores

A burocracia da lei das armas e da obtenção da carta de caçador tem levado a uma diminuição do número de caçadores. Uma situação que preocupa o presidente da Federação das Associações de Caçadores da 1ª Região Cinegética, Fernando Castanheira Pinto, sobretudo numa região cada vez mais envelhecida.
“O problema na nossa região passa-se com as pessoas de idade. O peso burocrático que advém da lei das armas e da renovação da carta de caçador tem tido algum prejuízo nesse sentido. A escassez da caça também tem sido um dos factores que faz com que haja menos caçadores a praticar”, salienta o responsável. Castanheira Pinto lamenta que cerca de metade dos caçadores não renove a sua licença para caçar e espera que haja cada vez mais jovens a interessarem-se pela actividade cinegética. “Neste momento ainda temos cerca de 250 mil pessoas com carta de caçador mas que só têm licença para caçar em 2014/15 cerca de metade. Queremos que haja menos caçadores passivos e mais caçadores jovens”, frisa Castanheira Pinto. 
A doença vírica hemorrágica do coelho bravo tem levado a uma diminuição de várias espécies de animais, o que consequentemente faz com que a caça também diminua. 
Na abertura da Feira da Caça e do Turismo de Macedo de Cavaleiros, que decorreu este fim-de-semana, o secretario de Estado da Alimentação e da Investigação Agro-Alimentar, Nuno Vieira e Brito, garantiu que está a ser desenvolvido um plano sanitário para combater a doença vírica hemorrágica. 
Castanheira Pinto espera que a investigação que está a ser feita nessa área possa passar da teoria à prática o mais rápido possível. “O problema do coelho é uma situação extremamente grave. A escassez do coelho é uma das razões também da diminuição do número de caçadores. O coelho é a base da pirâmide alimentar de muitas espécies. Se houver coelho, há um equilíbrio muito maior entre as várias práticas da caça. 
Estamos com um problema muito grave e, neste momento a solução está entre a tutela e as universidades. Os caçadores têm que ser parte muita activa nessa solução pois temos a prática e o conhecimento no terreno, temos que participar activamente todos nós nessa solução”, considera o presidente da federação. 
A burocracia e a diminuição do coelho bravo a contribuírem para a diminuição do número de caçadores. 

Escrito por Brigantia

Cemitério medieval encontrado em Mirandela

O que se presume ser um cemitério medieval foi posto a descoberto em sondagens arqueológicas
Ossadas humanas foram descobertas nas obras de um edifício na Rua da República, em Mirandela. De acordo com as primeiras avaliações, presume-se que se trate de um antigo cemitério, que pode ser da época medieval.
“Ao que tudo indica é uma necrópole medieval, dado o número de enterramentos e do seu posicionamento”, confirmou José Gomes, o arqueólogo responsável pelos trabalhos no local. Já foram descobertos vários esqueletos completos, mas o número total de corpos poderá ser maior. “Até agora, inteiros foram encontrados sete, mas tem muitos mais. Agora temos de escavar tudo até à rocha, não posso dizer o número exacto dos que ainda podem estar ali, mas tudo indica que podem ser bastantes”, revela o investigador, que não sabe quando poderão estar concluídos os estudos. “Se deste nível para baixo não aparecer nada, é só tirar a terra, é rápido. Mas o trabalho é minucioso porque estão a aparecer muitos enterramentos”, esclarece.
O arqueólogo afirmou que foi uma surpresa encontrar os corpos naquele local. “Não havia conhecimento nenhum do que aqui havia. Cemitérios sempre houve localizados, mas não há registo de um cemitério aqui, não há nada documentado”, sublinha.
A descoberta insólita e inesperada sucedeu no início de Dezembro, quando se iniciaram as sondagens arqueológicas obrigatórias, já que o edifício em obras está situado numa zona histórica, nomeadamente na zona de protecção da Ponte Velha. Os trabalhos alargaram-se para escavação em área, após terem sido encontrados os primeiros três enterramentos. No local está, desde há cerca de duas semanas, uma equipa constituída por um arqueólogo, uma antropóloga e dois técnicos.

in:jornalnordeste.com

ULS do Nordeste tem nova directora dos centros de saúde

Sílvia Costa foi nomeada directora clínica dos cuidados de saúde primários da Unidade Local de Saúde do Nordeste. A directora do Centro de Saúde de Santa Maria, em Bragança, ocupava desde Julho de 2012 o cargo de assessora deste serviço.
Na altura, a nomeação interna surgiu após Armandino Raposo ter renunciado à direcção clínica dos centros de saúde. Um cargo que passou a ser ocupado por Domingos Fernandes, acumulando o cargo de director clínico dos cuidados hospitalares. 
Agora a ULS Nordeste passa a ter novamente um responsável exclusivo dos centros de saúde, voltando a ter cinco membros no conselho de administração. 
A nomeação foi ontem publicada em Diário da República, informando que o mandato do Conselho de Administração da ULS Nordeste terminou a 31 de Dezembro de 2014, tendo sido agora necessário novas nomeações, mantendo-se os restantes membros do conselho de administração. 
O mandato que agora começa tem a duração de três anos.

in:jornalnordeste.com

Iniciativa Mogadouro tem "a mais bela" biblioteca municipal

Mogadouro, no distrito Bragança, venceu o concurso "BibliotecAtiva", que teve por objetivo escolher "a mais bela" biblioteca municipal portuguesa, disse hoje fonte ligada à iniciativa.
Felipe Leal, do movimento "BibliotecAtiva", que junta bibliotecários de todo o país, explicou à Lusa que a Biblioteca Municipal Trindade Coelho (BMTC), de Mogadouro, foi escolhida numa votação através das redes sociais. Na fase final, foram registados 592 votos, dos quis 382 foram para a BMTC de Mogadouro (65 % dos votos), cabendo à biblioteca de Sever do Vouga 134 votos, o que lhe conferiu o segundo lugar.

"Nesta iniciativa só poderiam participar as cerca de 200 bibliotecas municipais que estão espalhadas por todo o país e, deste número, foram escolhidas 25 para serem colocadas a votação", disse Felipe Leal.

Um dos objetivos da iniciativa era o de promover as bibliotecas municipais existentes no país e colocar as pessoas a falar destes espaços culturais.

"A aplicação [disponibilizada nas redes sociais para votação] não permitia que as pessoas pudessem votar duas vezes com o mesmo perfil, de forma a dar rigor ao processo ", destacou o representante do movimento "BibliotecAtiva".

Num comentário à escolha dos votantes, a responsável pela BMTC, Marta Madureira, declarou: "Esforçámo-nos e tentámos divulgar ao máximo este concurso. Queríamos apenas dar a conhecer e mostrar a nossa biblioteca a todo o país e, no final, inesperadamente, com a ajuda dos utilizadores e leitores, vencemos".

Lusa

AEPGA vai realizar Trabalho de Campo pelas Aldeias do Planalto Mirandês

Acontece todos os anos por esta altura, a Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA) promove pelas aldeias do Planalto Mirandês trabalho de campo com vista a verificar o estado sanitário dos animais.

Durante os meses de fevereiro e março, a AEPGA vai visitar todas as localidades dos concelhos de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro para realizar o seu já habitual trabalho de campo. A novidade deste ano consiste no esclarecimento dos criadores da Raça Asinina de Miranda – Burro de Miranda – sobre o actual sistema nacional de identificação dos equídeos (equinos, asininos e muares) nascidos ou introduzidos em Portugal, e proceder à respectiva emissão do “Livro Azul” - para animais de ascendência conhecida – ou do “Livro Verde” - para animais de ascendência desconhecida ou ainda não registados no livro genealógico da Raça Asinina de Miranda. 

Será ainda verificado o estado sanitário dos animais, com o apoio do veterinário da Associação e do nosso ferrador, bem como conceder a declaração anual do efectivo da raça aos criadores que queiram candidatar-se à acção agro-ambiental “Protecção da Biodiversidade Doméstica” – Proder. 

Estão programadas 55 visitas a realizar na região ao longo destes dois meses. Contudo, ficam ainda a faltar os muitos criadores de Burros de Miranda que se encontram dispersos pelo país mas que poderão contar, de igual forma, com o apoio da AEPGA. Para isso basta contactar a associação por um e-mail ou através do telefone 925790397(6) e requerer o agendamento de uma visita. 

Este trabalho de campo pretende recolher os dados necessários à gestão do livro genealógico da raça, promovendo desta forma a monitorização do bem-estar de todos os Burros de Miranda e do país.

in:noticiasdonordeste.pt

Portugal x Kuwait

10 de fevereiro de 2015
Portugal x Kuwait

Campeonato da Europa UEFA – Sérvia 2016

Jogo de Preparação

10 e 11 de fevereiro – 21 horas

Pavilhão Municipal de Bragança

Entrada Livre – obrigatório levantar bilhete na Associação de Futebol de Bragança (Bairro Fundo de Fomento de Habitação da Coxa, Bloco C - Entrada 1). Aberta das 9 às 12 horas e das 14 às 16 horas.

 Os treinos da seleção nacional são abertos ao público e realizar-se-ão de acordo com a informação seguinte:

Dia 09 de fevereiro de 2015 (segunda-feira)

Portugal

Ø  10:30 – 12:30 – Pavilhão Municipal de Bragança

Ø  17:30 – 19:30 – Pavilhão Municipal de Bragança

Kuwait

Ø  19:30 – 21:00 – Pavilhão Municipal de Bragança

Dia 10 de fevereiro de 2015 (terça-feira)

Portugal


Ø  10:30 – 12:30 – Pavilhão Municipal de Bragança

Aldeia pedagógica de Portela reconhecida pelo MIES

A aldeia pedagógica de Portela, no concelho de Bragança, foi reconhecida pelo Mapa de Inovação e Empreendedorismo Social (MIES). Um projecto de investigação, que tem como objetivo distinguir iniciativas de elevado potencial de empreendedorismo social.
João Cameira, o presidente da Azimute, Associação de desportos de aventura, juventude e ambiente, responsável pelo projecto da aldeia pedagógica da Portela, sublinha que este é um reconhecimento da importância do trabalho que tem vindo a ser feito. Considerando que foram referenciadas 4205 iniciativas em Portugal e que foram estudadas profundamente 444, em que houve deslocações ao terreno e a resposta a vários inquéritos, o facto de a aldeia pedagógica fazer parte dos 134 projectos selecionados, é mais um reconhecimento da validade e da pertinência da implementação deste projecto em espaços despovoados e em territórios com baixa densidade populacional”, salienta João Cameira. Um reconhecimento que poderá contribuir para a sustentabilidade do projecto e a angariação de mais apoios. “É mais um selo de qualidade deste projecto que, na fase de conseguir angariar alguns fundos comunitários ou eventualmente algum mecenato que nos permita continuar , será sempre uma mais valia”, sublinha. 
A aldeia pedagógica de Portela é um projecto que teve início em 2010. O objectivo da aldeia pedagógica é fazer com que os já poucos habitantes de Portela se transformem em “mestres do meio rural”. 
Recebem a visita de crianças e idosos institucionalizados ou famílias e mostram a horta, a capoeira, a forja, ensinam a fazer pão, compotas e licores, a recolher cogumelos silvestres e ervas aromáticas e partilham histórias e saberes ancestrais. “Acabam por transportar alguns conhecimentos a quem os visita, promovendo a intergeracionalidade e um envelhecimento activo”, considera João Cameira. 
Este é o terceiro prémio que distingue o trabalho desenvolvido na aldeia pedagógica de Portela. 

Escrito por Brigantia

Piaget aposta na certificação da pasta de azeitona transmontana

Certificar a qualidade de pasta de azeitona fabricada com o fruto e com azeite exclusivamente transmontanos é o objectivo do Instituto Piaget. Como parte do processo a instituição organizou, em conjunto com a Câmara Municipal e no âmbito do Festival do Azeite Novo, as provas técnicas deste preparado.
De acordo com, Maria Helena Chéu, presidente do Campus Académico do Nordeste do Instituto Piaget, o estudo e o processo de certificação da pasta de azeitona de Trás-os-Montes são projectos que podem ser desenvolvidos nas valências do Instituto Piaget.
De acordo com a responsável, o processo junto das instituições de certificação pode ser facilitado, já que “o Instituto Piaget tem laboratórios acreditados em Mirandela, nos quais é possível fazer análises do produto, bem como estudos de estabilidade e validade”. 
O objectivo final do projecto é a comercialização do produto. Maria Helena Chéu esclarece que para levar a cabo o estudo, o Instituto Piaget apresentou uma candidatura para a elaboração de uma cozinha experimental para pastas de azeitona como actividade principal, em Macedo de Cavaleiros. “Temos de estudar a composição do produto, o estudo de validade do produto e a própria embalagem”, explica. 
O finalista do programa de televisão Masterchef, Luís Portugal, que integrou o painel de provadores, considera que este produto porque está na moda pode ajudar à promoção do azeite transmontano. 
O preparado que pode ser servido como entrada ou acompanhamento deve ser aproveitado para nos identificar ao mais alto nível e pode-nos levar a cruzar fronteiras. Podemos levar o nosso azeite para qualquer parte do mundo. 
Para além de estudar a composição do produto, analisar a validade, o projecto do Instituto Piaget prevê também a criação da própria embalagem da pasta de azeitona de Trás-os-Montes. 

Escrito por Brigantia

Brigantia Ecopark pode começar a receber empresas brevemente

O Brigantia Ecopark poderá vir a ter empresas instaladas brevemente. Mesmo sem avançar uma nova data de inauguração da infraestrutura, o director executivo do Brigantia Ecopark, Paulo Piloto assegura que os interessados poderão começar a instalar-se mesmo antes de este ser inaugurado oficialmente.
Sublinhando o “atraso significativo” da abertura por várias vezes adiada, o director executivo do Parque Ciência e Tecnologia explicou que já há “candidaturas formalizadas e aceites e as pessoas que fizeram as candidaturas vão entrar ao serviço antes de ser inaugurado. Se tiver as condições todas reunidas as empresas e instituições poderão ocupar o espaço”. 
Paulo Piloto destacou que o objectivo do projecto Brigantia Ecopark é a promoção de cultura de inovação e aumento da competitividade da região, que é que a nível nacional tem o mais baixo índice nesta matéria. Declarações à margem do terceiro workshop da iniciativa Interior 2.0, que decorreu em Mogadouro. 
No âmbito do workshop, o presidente da Câmara Municipal, Francisco Guimarães avançou que, para tentar evitar a perda de população e de massa crítica, “os municípios estão a oferecer solo industrial a custo simbólico, criando um incentivo às empresas para as fixar cá. Há um sentimento forte de apoio por parte dos autarcas e um investimento em incentivos à população” e avança que a Câmara Municipal aprovou um regulamento de incentivo às empresas. 
Francisco Guimarães destacou a importância de infraestruturas que contribuíram para a melhoria das acessibilidades na região, como a A4 e o IC 5, mas no caso desta última via lamenta que tenha chegado tarde e incompleta, por não concluir a ligação a Espanha. 
O autarca aproveitou a oportunidade para recordar também os problemas de acesso à capital de distrito, que afectam os concelhos de Mogadouro, Vimioso ou Miranda do Douro. 

Escrito por Brigantia