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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Tchtchices de Tra los Montes - (O médico da minha aldeia)

Por: Luís Abel Carvalho
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Na minha aldeia havia um médico que tinha quatro paixões: a medicina, as mulheres, a agricultura e a caça. Exercia-as a todas com o mesmo fervor e paixão! Era o Doutor Acácio Alberto Gomes, filho de pobres lavradores, mas afilhado de um rico e abastado agricultor que não tinha filhos. Esse dito agricultor dedicou-se de corpo e alma àquele menino desde a pia baptismal. Segundo o código do Imperador Justiniano, “ O Pai é aquele que se diz Pai no assento do baptismo”. Desde cedo se aperceberam que estavam perante um menino de superiores capacidades intelectuais. Destacou-se logo na escola primária, fazendo os quatro anos em três! O seu tutor - do qual, por escrúpulos não mencionamos o nome, até por que se dizia à boca pequena que era o Pai do prodígio -, vislumbrou naquela criança, o objecto para nele projectar toda a sua vaidade. ( É sempre assim! Projectamos nos nossos filhos os sonhos que não alcançámos e as nossas frustações. E se eles não os alcançam consoante o nosso desejo egoísta, aqui Del´ Rei que é um fallhado!).  Prontificou-se desde logo a pagar todas as despesas com a educação da criança: vestir, calçar, alimentar, estudos, médicos, enfim...todas as despesas. Mesmo todas! Como era homem de bem – palavra dada, palavra honrada – cumpriu escrupulosamente e até com alguma fanforrice, a sua promessa. A Ti´Albertina – Mãe do petiz -  matreira como uma raposa, tirava o proveito sem, no entanto, tirar a fama. Lá queria ela saber da fama.  O prazer do proveito só ela o quantificava. Aqui acontecia o oposto do adágio: “ Ganha fama e deita-te na cama”. Ti´Albertina continuava a deitar-se na cama sem ganhar fama, mas tirava o proveito quanto baste.
        A população depressa esqueceu(?) esse pequeno pormenor quando foi anunciada a sua formatura em medicina. Houve festança farta, com comes e bebes, tudo à custa daquele abastado proprietário, que manifestava mais felicidade e orgulho do que os Pais verdadeiros. ( Há Pais que são mais Pais do que os verdadeiros Pais, sem serem Pais). De facto, quando morreu, deixou tudo em testamento ao Doutor. Por alguma variável que rege o nosso destino, os Pais morreram primeiro, com uma diferença de vinte e oito dias. E o Doutor fez de tudo para lhes prolongar a vida, assim como igualmente se empenhou em salvar os Pais adoptivos, que morreram cerca de dois meses e meio depois, com um intervalo de três semanas.
        O Doutor Alberto tinha a alcunha do “ Doutor Coelho”, por andar sempre, mas sempre, a roer uma cenoura! Ele lá saberia já  das propriedades do caroteno dessa raiz tuberosa, conhecida dos gregos e dos Romanos. O seu termómetro e o estetoscópio eram a cenoura! Era um médico extraordinário: bastava olhar para o paciente e,  com uma pequena apalpação, ditava o diagnóstico e a receita para aviarem na Farmácia do Dr. Leite ou na Farmácia da Dona Carmen, em Moncorvo. ( Ou, na maior parte das vezes, receitas caseiras, para fazerem em casa!). Era um homem corpulento, de corpo bem atestado, com um bigode à Barão, devidamente frisado e retrocido. Usava umas lunetas na ponta do nariz, o que lhe dava um ar austero e nobre. No entanto,  era de trato suave, afável e sedutor. Tinha o carisma e as incongruências dos verdadeiraos génios.  Não era de sorriso fácil, mas tinha um sorriso meigo e luminoso. Era um humanista de mão-cheia. Impôs-se pelas suas qualidades humanas e científicas. 
      O Dr. Alberto era respeitado tanto como homem, como médico. Todos os respeitavam de chapéu na mão. Cortesia, benevolência e amabilidade, tudo isso recebia sem uma ponta de orgulho. A vaidade não era o seu principal defeito. Sabia distinguir e respeitar as reverências, os sorrisos verosímeis ou cínicos, as benevolentes vénias ou as insinuantes subalternizações. Apesar de dócil, não se deixava empalidecer com qualquer contrariedade e não deixava a verdade enterrada  pelo medo. Se não vejamos:
      Um dia combinou  uma caçada com o Lérias, o Augusto Pinto, o Julho do Marmeleiro e com o Catrineta que, apesar da amizade desde garotos, que até se tratavam por tu,  não lhe perdoava o boato de ter enganado a sobrinha – coisa que não passou disso mesmo, boato – podemos jurar a  “ pé juntos “. 
       Encontraram-se de manhã  bem cedo em frente à capela de Nossa Senhora, junto do chafariz. Quando estavam todos, abalaram em direcção à Malhadinha, com as caçadeiras em bandoleira. Faziam-lhes companhia um lebreiro, dois perdigueiros e um galgo, que chegava a atingir os setenta quilómetros por hora, propriedade única do Augusto Pinto e um furão (de uso proibido pela Venatória), pertencente ao Catrineta. Alimentava-o com os ratos que apanhava na loja, de ovos das galinhas que roubava à mulher, de peixes do Sabor e de vísceras. Mas impunha-lhe uma dieta rigorosa um ou dois dias antes da caçada, para ter apetite.
       Quando chegaram ao alto da Malhadinha foi cada uma para seu lado. Avançavam lentamente, sem fazer barulho, com os cães em pulgas , de orelhas em radar, prontos para avançar.
       - Biste-sio? – perguntou o Julho do Marmeleiro.
       - Bi, mas foi imbora. Num quis arriscar o tiro – justificou o Julho.
No entanto, os cães encurralaram-no num silveiral denso, onde ninguém conseguia entrar. Nem os cães! Catrineta pegou no furão que, de orelhas em riste e focinho espetado, avançou com alguma dificuldade. 
       - Bai...bai e apanh´ó. Trai-o cá.
       Passados seis a sete minutos, eis que sai o coelho a toda a velocidade. Augusto Pinto apontou e disparou.
       - Acertáste-le?
       - Penso que sim, que le dei.
       De facto, daí a pouco já vinha o lebreiro com ele nos dentes.
       Durante a manhã só o Augusto Pinto, o Catrineta e o Julho do Marmeleiro tinham sido bafejados pela sorte, ficando em branco o Dr. e o Lérias.  Almoçaram todos sentados nas fragas, cada qual do que levou na marmita. O garrafão circulou a boa velocidade por entre todos. Quem carregava mais no acelerador era o Lérias e o Catrineta. As larachas eram mais do que a caça. Isto faz-me lembrar uma pintura de um restaurante onde eu  almoçava com muita frequência. Era o “ Flor de Santo António “, do senhor Manel e da D. Lurdes, precisamente na Rua de Santo António à Estrela, a uns trinta metros da Basílica da Estrela, ao cimo da Av. Infante Santo. Tinha um reservado, no qual almoçava, com uma grande e bonita pintura com motivos de caça e de pesca  que dizia: “ Neste lugar convivem pescadores, caçadores e outro aldrabões”. ( Infelizmente fechou devido à idade dos seus proprietários).  E as tchotchices que disseram durante a merenda, também me faz vir à memória uma outra frase que ouvia enquanto criança: “ No tempo das perdizes, tanto mintes, quanto dizes”.
         A seguir ao almoço retomaram a empreitada.  Dividiram-se conforme quiseram, apenas seguiram juntos o Dr. Alberto e o Catrineta. Quando estavam num descampado eis que lhes surge uma lebre.  O Dr. Já tinha uma bela e moderna Beretta de dois canos justapostos de calibre dezassete e alma lisa! A coronha era feita de pau de nogueira.
          - Deixa-o comigo, que o tenho na mira – disse o Dr. Alberto.
          - Atão, bá! Tchega-le  com força.– aquiesceu o Catrineta.
          Pum...e a lebre fugiu! Outro Pum... também em vão!
          - Pois...Prás pedrizes e prós coelhos num há cá dótores. Num nos conhecem e num s´agatcham c´mo algumas – resmungou.
          - O que é que estás praí a dizer?! – disfarçou, compreendendo a indirecta…
          - Pois, pois...Sim,sim...Fai-te de nobas. Sabes bem o qu´eu quero decer. Num és burro ninhum... – disse num tom ríspido.
          O Doutor Alberto chegou-se junto dele de dedo espetado e disse-lhe com calma, mas com a voz segura:
           - Ó rapzinho...Olha que eu também cago atrás das paredes e limpo o cu às pedras!! Pensas o quê?
Receita Santa. O Catrineta meteu os pés ao caminho e abalou para a aldeia. O Dr. Alberto morreu aos 74 anos com uma enxada nas mãos, a cavar uma oliveira!

Fontes de Carvalho

Fontes de Carvalho
, pseudónimo de Luís Abel Carvalho, nasceu no Larinho, uma aldeia transmontana do Concelho de Torre de Moncorvo, Distrito de Bragança. É o filho do meio de três irmãos.
Estudou em Moncorvo, Bragança e no Porto, onde se formou em Engenharia Geotécnia. É casado e Pai de três filhos.
Viveu no Brasil, onde passou por momentos dolorosos e de terror, a nível económico e psicológico. Chegou a viver das vendas de artesanato nas ruas e a dormir debaixo de Viadutos.
No ano de 1980 e 1981 foi Professor de Matemática em Angola, na Província de Kwanza Sul, em Wuaku-Kungo. Aí aprendeu a desmistificar certos mitos e viveu uma realidade muito diferente da propagandeada.
Em Portugal deu aulas de Matemática em diversas cidades, nomeadamente em São Pedro da Cova, Ponte de Lima, Cascais (na Escola de Alcabideche, onde deu aulas aos presos da cadeia do Linhó), Alcácer do Sal, Escola Francisco Arruda e Luís de Gusmão, em Lisboa. Frequentou durante quatro anos, como trabalhador-estudante, o curso de Engenharia Rural, no Instituto Superior de Agronomia.
Em 1995 fundou a empresa Bioprimática – Reciclagem de Consumíveis de Informática, onde trabalha até hoje como sócio-gerente.

Os fortes cheiros dos peixes do rio

 
Na terra mais forte e húmida debaixo da abebereira era cada sachada, sua minhoca. “Essa é grande demais!”, dizia o meu pai, olhando a que eu via mexer-se e esticar-se pela minha mão e pelos meus dedos, movimentos peristálticos que davam uma certa cócega, e devolvia ao solo, escolhendo uma mais fina e mais curta para meter dentro do cabaçote, em que já se enroscavam umas nas outras em novelo. Colocada a tampa de cortiça, estávamos munidos de isco para os anzóis, tínhamos só que manter a humidade lá dentro com umas gotas de água do poço, renovadas no dia seguinte. Havia um isco mais apurado e emocionante de se apanhar, implicava ter de se ir de automóvel até ao ribeiro de Castelãos ou, mesmo, parar, já à ida para a pesca, num dos lameiros que fazem margem ao Ribeiro de Limãos, na linha de água descobri-las e apanhá-las nos juncos e noutras plantas mergulhadas: as remisgas. Foi sempre para mim um mistério como é que uma larvazinha tão pequena construía um casulo tão bem feito, aglomerado de vegetais e minerais minúsculos a formar um tubinho que lhe servia de casa, de onde nós a desalojaríamos para ser acepipe às bogas e escalos, nos anzóis. E percebi perfeitamente, mais tarde, já espigadote, nas conversas dentro do carro, no grupo em que eu me sumia entre o Pai, o Senhor Obreia, o Zé Luís Polícia, o Dr. Simão e, às vezes, o António Pires Cabral, o Pescada, o Ramex e o Senhor Silva Electricista, a alusão certeira de que uma das várias mulheres de que falavam ocupando o tempo do trajecto, era uma remisga a sério, enfiada em casa, mas muito boa em atracção fatal! Era muito diferente, o cheiro a lodo que se soltava do cabaçote das minhocas, do da caixa de plástico das remisgas, em que boiavam nuns milímetros de água, parecendo um fugaz dia de chuva misturado num medeiro de palha.

Nos fundões do Rio Sabor em que a água corria, ainda que discretamente, mesmo no Verão, pescavam-se as bogas e escalos mais especiais. Iam-se enfiando pelo buraco da tampa do cesto de verga dos peixes e ficavam lá dentro em movimentos cada vez menos enérgicos, entremeados com mentrastos e hortelãs silvestres que íamos colhendo aqui e ali, produzindo um aroma característico e bom, mistura dos óleos das escamas e pele com as do mentol e outras essências das plantas de beira de água.

Depois dos dias de pescarias havia um outro cheiro modulado em várias intensidades. Se na nossa cozinha, janelas e portas abertas, se espairava, reduzindo-se à concentração certa para despertar o apetite, nas tabernas de Macedo ficava concentrado com a vozearia dos dias de feira e formava mesmo uma névoa londrina e enjoativa, muito forte. Não era preciso ler ou perguntar pela ementa: havia peixinhos do rio, fritos! A receita está toda no nome, praticamente. Mas a sabedoria de lhes deixar a pele no ponto, da gordura a escorrer para o pão ser já por si uma iguaria, de nem se notarem a maioria das espinhas ao trincar, isso era e é já outro nível de concepção e apuro.

Junto à Ponte do Sabor na velha estrada para Moncorvo havia, dum lado e doutro, tabernas, sobrevivências de velhos abrigos de portageiros medievais, cuja da margem esquerda eram quatro paredes grossas de pedras de xisto aprumadas a seco, telhado vão de que, pelas frinchas, se escapava o fumo dum grande lume a um canto, à volta do qual ferviam panelas, alinhavam grelhas e se estrugiam bogas em grandes e negras sertãs. As bogas da Ponte do Sabor. Não somos partidários da teoria de que “dantes é que era bom”, bem pelo contrário. Mas somos partidários das recordações do que de dantes nos poderia servir de paradigma para o hoje em matéria de conservação de usos e de recuperação de qualidade e autenticidade. Essa fumarada toda que nos envolvia e à taberna, nem sempre vinha no preço a pagar, dias havia em que apenas um borralho assinalava presença e em que o verdadeiro cheiro só se desprendia quando se levantava a tampa duma das terrinas de barro vidrado que estava no balcão – quase igual, mas em tamanho muito maior, à da nossa cozinha. Tenho quase a certeza de que ao provarmos, ao comermos aquelas bogas no pão rescendendo a escabeche, estávamos e estamos a executar o mesmíssimo gesto que os cidadãos romanos, com a suas matronas e família, faziam ao deambular nos seus itinerários.

Fazer um escabeche pode parecer, e é, fácil, mas exige uma atenção científica para que o resultado possa ser produzido com toda a qualidade mítica: as quantidades não podem ser nem mais nem menos e o que dita esse mais e esse menos é o apuro da tentativa e erro, não há outro. Bem limpas e bem temperadas com sal, as bogas têm de ser fritas no ponto, em azeite – mas, antes, há que ver se os seus olhos ainda estão brilhantes e o cheiro do opérculo aberto é agradável (duas condições que, se não se verificarem, levam à sua rejeição seja para o que for). Depois, escorrem-se do azeite a mais e dispõem-se na terrina, entremeando umas folhas de louro. Faz-se um estrugido com alho e cebola cortada fininha, até ficar transparente, acrescenta-se vinagre do melhor e vinho branco (não usar nenhum que seja doce, preferir um ácido e aromático). Despeja-se tudo sobre as bogas. Põe-se a tampa. Horas depois acerta-se o sal, pode acrescentar-se um fio de azeite, limão, o objectivo é manter o pH baixo, condição para maturação e conservação do preparado. Se se quiser arrefecer logo de início, colocar no frigorífico umas horas, mas, depois, pode e deve manter-se à temperatura ambiente.

Dura dias e dias, vai-se regulando a quantidade de vinagre, acrescentando salsa ou coentros, ou mais alho, criatividade! Sobretudo, pode-se ir comendo. O sabor vai evoluindo. Tal como o cheiro, o perfume do escabeche. Com uma grande característica: é um perfume que se come por si. No pão demolhado no prato ou, à sucapa, da própria terrina. Trincando. Com um copo de vinho. Um must. Um luxo fácil.

Manuel Cardoso
Consultor e Escritor

Depois de criar oito filhos, Maria Isabel Fonseca cumpre o sonho de editar livro

 Apresentação é no sábado, no auditório da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, em Bragança


“Flores Amor Esperança em poesia” é o primeiro livro de Maria Isabel Fonseca, natural de Macedo de Cavaleiros mas a residir em Bragança, e será apresentado ao público no próximo sábado, a partir das 16h00, na sede da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, no shopping, em Bragança.

“Este livro é um sonho realizado, que desejava já há muitos anos. Porém, ser mãe de uma família numerosa, com oito filhos, não é fácil e os nossos sonhos ficam para segundo plano. Não estou arrependida pois a minha prioridade sempre foram os filhos, a família em primeiro lugar. Tudo tem o seu tempo e esse tempo é agora. Sou muito grata por tudo que a vida me tem dado, mesmo com os grandes e pequenos espinhos”, revelou a autora ao Mensageiro. 

Maria Isabel Fonseca começou a escrever há mais de dez anos, na sequência de uma depressão.

“Comecei a escrever em 2012 após uma grande depressão e a publicar em 2013. Por isso, a ideia de editar um livro sempre me acompanhou durante estes anos, mas a nível financeiro não era fácil, há prioridades que não se podem deixar, por isso publicava nas redes sociais. Entretanto surgiu a oportunidade da editora Oficina da Escrita que procurava novos autores. E aqui estou eu, feliz por realizar um sonho contido há muitos anos”, diz.

“Flores Amor Esperança em poesia” é um livro de poemas “que transporta o leitor ao maravilhoso mundo dos sentimentos que marca e absorve de quem o lê, entre o amor e a esperança, pela delicadeza das suas palavras que povoam estas páginas”, resume a autora.

Para 2024 está já previsto um novo projeto literário.

António G. Rodrigues

Bragança é das capitais de distrito onde comprar casa é mais barato

 Adquirir um imóvel voltou a ficar mais caro, o aumento é de 2,2% no segundo trimestre deste ano, mas em Bragança o preço até desceu


O preço das casas em Portugal volta a estar mais caro. No trimestre que acaba de terminar, o preço aumentou 2,2% face aos primeiros três meses do ano.

Segundo um estudo do Idealista, entre Abril e Junho, o preço pago por metro quadrado aumentou em 12 capitais de distrito, com Viana do Castelo a liderar as subidas. Segue-se Vila Real, Faro, Évora, Coimbra, Funchal, Lisboa, Portalegre, Setúbal, Porto, Viseu e Aveiro.

Ainda assim, noutras oito capitais de distrito o cenário é diferente, o preço por metro quadro baixou. Nesta lista está Bragança, em que a descida é de 1,3%. Guarda, Ponta Delgada, Castelo Branco, Santarém, Beja, Leiria e Braga viram também os preços descer.

Segundo o índice de preços do Idealista, no final do mês de Junho, comprar casa tinha um custo médio de 2 536 euros por metro quadrado. Em Bragança o custo médio nem chega lá perto, vale, em média, 867 euros. Mais barato que na região, neste momento, só mesmo em Portalegre, Guarda e Castelo Branco.

Lisboa continua a ser a cidade onde é mais caro comprar casa. O metro quadrado custa 5 351 euros. Segue-se o Porto e, depois, o Funchal. No top 5 estão ainda Faro e Aveiro.

Em Bragança, o metro quadrado custa, em média, 867 euros. Em Maio custava 885 e em Abril 869. Contudo, em Dezembro do ano passado chegou, por exemplo, a custar 900 euros. Em Junho de 2017 o preço era de 645 euros.

Em Macedo de Cavaleiros o metro quadrado vale agora 760 euros. Face a Janeiro desceu 24 euros. Em Mirandela custa agora 881 euros e em Janeiro custava 919.

Além de Bragança, Macedo de Cavaleiros e Mirandela, sobre os restantes nove concelhos do distrito, o Idealista não apresenta dados.

Apesar de estarem mais caras, em Junho do ano passado as casas estavam 6,5% mais caras.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Comité do Interreg Sudoe reuniu em Bragança para analisar os 148 projectos candidatos à primeira fase do programa

 Decorre até 2027 e visa a preservação do Sudoeste da Europa e a sua adaptação às alterações climáticas, bem como o reforço da coesão social através da inovação e do desenvolvimento endógeno


Os projectos são de Portugal, Espanha e França e são de diversas áreas, explica Roan Anhes, da sociedade de gestão do programa. “Os projectos, trabalhando com sócios de diferentes países, Portugal, Espanha, França, põe em comum quais as problemáticas quem têm e trabalhar em ferramentas que serviam para o beneficio de todos, que sirvam em Portugal, Espanha e França, porque afinal há problemas comuns, como as alterações climáticas e a demografia”.

Depois de analisados, vão ser seleccionados os melhores projectos que serão depois financiados pelo programa, diz Héctor Sanchez, presidente da sociedade de gestão do programa. “São projectos que vão decidir ou não decidir o financiamento europeu”.

O programa tem a dotação de 125 milhões de euros e envolve Portugal, Espanha e França. Prevê-se que em Janeiro do próximo ano abra uma nova fase de candidaturas.

O comité esteve reunido no Brigantia Ecopark esta quinta-feira e visitou ainda o Instituto Politécnico, no dia anterior.

Escrito por Brigantia
Foto: Agência para o Desenvolvimento e Coesão
Jornalista: Ângela Pais

Lions Clube de Bragança levam Fados de Coimbra hoje ao castelo

 Os Lions Clube de Bragança vão ter mais um espectáculo de Fados de Coimbra, esta sexta-feira


A iniciativa decorre no castelo de Bragança e já acontece desde 2008. Tem como objectivo angariar dinheiro para apoiar instituições do concelho. Este ano, os donativos revertem a favor do Centro Social de São Lourenço e do Estabelecimento Prisional de Bragança, explica o presidente, António Fernandes. “O Centro Social de São Lourenço, em Quintela de Lampaças, e temos também um pedido, dos serviços prisionais, do director da cadeia de Bragança, de um apoio para aquisição de material que está a fazer falta. Os lucros que tivermos dos fados revertem para estas duas instituições”.

No próximo ano, Bragança recebe ainda a Convenção Nacional dos Lions. É a segunda vez que se realiza na cidade, a primeira aconteceu em 1997. O encontro decorre entre 17 e 19 de Maio e pode trazer a Bragança centenas de pessoas. “Calculamos que cerca de 400 pessoas venham a Bragança nesses três dias de convenção. em princípio, pode ser que até venham mais. Dá dinâmica, dá a conhecer Bragança a quem não a conhece e quem conhece já sabe da hospitalidade, simpatia e bom acolhimento. Os que ainda não conhecem vão conhecer e é uma porta que se abre para o futuro”.

Os Lions Clube de Bragança contam já com 37 anos de história. Eduardo Fernandes foi um dos fundadores e faz um balanço positivo do trabalho que têm vindo a desenvolver. “Faço um balanço extremamente positivo e pena é que a maior parte das pessoas não tenha conhecimento do que são os Lions e da sua existência. Nestes 37 anos temos favorecido instituições, como os bombeiros, lares e pessoas”.

Os Fados de Coimbra acontecem esta sexta-feira, no castelo de Bragança. Mais uma iniciativa dos Lions Clube de Bragança para responder aos pedidos de ajuda solicitados.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

EXPOVILA ARRANCOU COM MAIS DE 120 EXPOSITORES

quinta-feira, 6 de julho de 2023

SONHOS

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")

Nos sonhos que teimo em recordar, vens tocar-me suavemente nos ombros, como um sussurro etéreo que se desvanece com o despertar da aurora. 
"Ainda não são horas, ainda não é alba", dizes tu, com uma voz melodiosa que ecoa nos recônditos da minha mente. 
Fico quieta, incapaz de articular qualquer resposta, enquanto os meus lábios se contraem em silêncio.
As palavras fogem de mim, como pássaros assustados em busca de um céu mais acolhedor. 
Neste instante, percebo que não há discurso capaz de capturar a essência do que sinto. Cabe-me apenas calar-me, resignar-me à ausência de uma voz que consiga traduzir a complexidade dos meus sentimentos.
Envolta numa densa névoa de perplexidade, e neste mar que me fascina, sigo os conselhos silenciosos e calo-me.
Aguardo.

Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participou nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II e 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas.

Reformados de Bragança queixam-se de baixas pensões, mas salientam qualidade de vida

Festival D'ONOR 2023

 
A IDENTIDADE DE UM POVO TRANSFRONTEIRIÇO EM FORMA DE FESTIVAL

Rio de Onor (Bragança – Portugal) e Riohonor de Castilla (Zamora – Espanha) preparam-se para receber a 5.a edição de um evento extraordinário que promete encantar os corações de todos. De 21 a 23 de julho, o Festival D’ONOR ganha vida, trazendo consigo uma celebração vibrante de música, dança e (renovadas) tradições.
Este ano, além dos habituais concertos (onde “Virgem Suta” é cabeça de cartaz), o Festival D’ONOR traz nova vida a um cancioneiro com 70 anos (“Cantigas D’ONOR”), um open call para instrumentistas e amadores de todas as origens musicais (“Baile do Gaiteiro – Jam Session”) e dá palco à solidariedade (com a atuação conjunta, resultante de uma residência artística, entre o grupo “Gaiteiros D’ONOR” e os “Vira Bombos”, da APADI, uma IPSS local). Há, ainda, “Tasquinhas”, “Restaurante” e um “Mercado Tradicional”, para degustar a gastronomia local e conhecer o artesanato e os produtos típicos da região. No plano cultural, o Festival prevê, também, “Música no Rio – Sons para Sentir a Aldeia” (um showcase que leva a palco diferentes projetos de música com identidade), “Ronda Cultural e das Adegas”, “Teatro ao Ar Livre”, “Jogos de Taberna” e “Danças Tradicionais”. A entrada é grátis e o campismo gratuito.

SEXTA-FEIRA, 21 DE JULHO
A festa começa sexta-feira, a partir das 21h00, com o “Baile do Gaiteiro - Jam Session & Open Call”. Uma atividade que desafia instrumentistas e amadores, de todas as origens musicais, a participar numa sessão improvisada e descontraída, na qual tanto músicos profissionais como amadores poderão, com qualquer instrumento, juntar-se à festa e tocar de forma espontânea, descomprometida e sem ensaio prévio. A esta experiência de improvisação e a criatividade, juntam-se as Danças Tradicionais e do Mundo, com uma demonstração/workshop.
Uma iniciativa cujo nome evoca a memória dos antigos bailes que se realizavam no Largo da Portelica, em Rio de Onor, ao som da gaita-de-foles, nas quentes noites de verão de outrora. Agora, esse mesmo local passa a ser o sítio onde todos os festivaleiros (que levem o seu próprio instrumento) têm a oportunidade de participar e tocar livremente, ou, simplesmente, dar o “seu pé de dança” junto dos visitantes e da comunidade local.

SÁBADO, 22 DE JULHO
O segundo dia de festival arranca junto à sede da Associação de Rio de Onor, onde decorrerá uma mostra e oficina de Jogos Tradicionais (14h30), com ênfase no “jogo da raiola”, uma atividade que, antigamente, era desenvolvida como “jogo de taberna”, utilizada para passar os tempos livres e “ver quem paga a rodada seguinte” nos centros de convívio das aldeias transmontanas. A iniciativa é desenvolvida pela Associação de Jogos Populares do Distrito de Bragança.
A tarde será, depois, preenchida com a afamada e sempre muito participada “Ronda Cultural e das Adegas”, com concentração no Largo da Portelica (16h00). Uma oportunidade única para explorar a riqueza cultural das duas aldeias, uma portuguesa e outra espanhola, que, na verdade, o povo nunca quis distinguir. Nesta mostra, o desafio é descobrir os segredos escondidos em cada canto, percorrendo o património edificado comunitário da aldeia e explorando os encantos das adegas locais, partilhando do vinho e hospitalidade dos habitantes dois lados da fronteira. A Ronda segue como as de antigamente – guiada pelo som dos gaiteiros e tocadores da região, por entre muitas outras surpresas e atividades.
Esta experiência tão singular terminará ao pôr do sol, no Largo da Igreja, onde estarão instaladas cinco “Tasquinhas” com iguarias locais.
Ali, os inquietos “Manaita” prometem contagiar de energia todos os presentes. Um grupo espanhol com a particularidade de misturar repertório tradicional e contemporâneo, através de um instrumento muito próprio da identidade castelhana – a dulzaina.
À noite, o Festival D’ONOR é música.
Os “Trasga” abrem as hostes (21h30). Um grupo de raiz folk que se apresenta com um repertório exclusivamente preparado com “originais” em língua mirandesa.
Depois, os “cabeça de cartaz”: “Virgem Suta” (23h30). Um reconhecido grupo dos grandes palcos e cartazes portugueses que brindam o público com uma sonoridade luminosa e bem humorada, capaz de deixar qualquer alma cheia e sorriso rasgado. Não descartam a tradição, transpiram portugalidade e assumem-no. Dizem, em brincadeira, que “se fossem espanhóis, tocariam castanholas. Assim, tocam adufe e cavaquinho porque é isso que lhes é natural”. A tudo isto aliam uma ironia que aparece a espaços, insólita, não de riso fácil, mas daquele que só é esboçado depois de se ter desconstruído a mensagem.
A noite prossegue com os irreverentes “Zíngarus” (01h00). Uma banda cuja essência e sonoridade se baseia na fusão entre o rock e a música popular/tradicional portuguesa. Imersos em energia, boa disposição e alegria, este concerto promete não deixar ninguém parado. O poder do rock, aliado à animação do povo num baile popular, não deixam ninguém indiferente.
Os concertos encerram com o DJ Set de Jaime Pires (03h00), o brigantino que promete manter a festa viva até altas horas da madrugada, numa viagem musical eclética.

DOMINGO, 23 DE JULHO
O último dia de Festival promete outro encanto, dedicado, também às famílias.
Desde logo com uma sessão de “Teatro ao Ar Livre” (15h00) para toda a família. A Associação de Rio de Onor tornar-se-á, assim, o cenário perfeito para assistir a narrativas repletas de tradição e magia, dinamizadas e protagonizadas pelos membros da FISGA – Associação.
Depois, nas margens do rio, junto à Ponte Antiga de Rio de Onor, há sons para sentir a vida na aldeia - em “Música no Rio” (17h00).
Um conceito que combina o encanto daquele lugar com a música, proporcionando uma experiência única e memorável. Imagine-se às margens de um rio sereno, cercado pela exuberância da paisagem tipicamente rural, enquanto os sons cativantes da música do mundo enchem o ar. Nesta iniciativa, diferentes artistas apresentam o seu trabalho num cenário deslumbrante, onde a música encontra o fluxo por entre a suavidade das águas. Uma fusão harmoniosa entre a arte e a natureza, criando uma atmosfera mágica e emocionante. “Música no Rio” é mais do que apenas uma série de concertos: é uma jornada emocional que evoca sentimentos profundos e cria memórias duradouras. Cada melodia ressoa em perfeita sintonia com a envolvente (aldeia, pessoas e natureza), criando uma sinfonia natural que acalma a alma e estimula os sentidos. Assim surge uma volta ao mundo sem tirar os pés do chão, guiados por artistas como Sara Grenha (Música Popular Brasileira), Adiler da Graça (Músicas de África), Fernando Fernandes (Música Portuguesa) e Hardança (Música Original em Português e Mirandês).
A encerrar este segmento há “Cantigas D’ONOR” (19h30). Um desafio irresistível: dar vida e harmonizar canções e partituras de um cancioneiro com 70 anos. Foi em 1953 que Margot Dias viu o seu marido, Jorge Dias, publicar a afamada obra “Rio de Onor: Comunitarismo Agro-Pastoril” – um amplo estudo etnográfico de inestimável valor. Nesse livro está presente um cancioneiro anotado e elaborado por Margot Dias, com 40 canções recolhidas em Rio de Onor. Agora, em 2023, o talentoso musicólogo brigantino João Amaro e a encantadora cantora Helena Xavier têm a responsabilidade de dar uma nova vida a algumas dessas preciosas melodias. Uma reinterpretação e apresentação de temas que perduram na memória profunda das gentes da terra. Em “Cantigas D’ONOR” esse cancioneiro antigo regressa ao presente, permitindo que as gerações atuais apreciem a riqueza cultural, musical e imaterial de Rio de Onor, ao mesmo tempo que outros recordam temas de uma vida.
O Festival D’ONOR encerra com um momento inesquecível: os “Gaiteiros D’ONOR”, um grupo informal de música tradicional formado por membros da entidade organizadora, convidam, para uma atuação conjunta, o grupo “Vira Bombos”, composto por utentes da APADI – Associação dos Pais e Amigos do Diminuído Intelectual. Um breve concerto que resulta de uma “residência artística” conjunta, nas instalações da IPSS.

TODOS OS DIAS
Além desta programação, o Festival D’ONOR oferecerá outras experiências imperdíveis.
Um “Mercadinho Tradicional” ocupará a Rua da Igreja, trazendo produtos locais e artesanato para encantar os visitantes.
As “Tasquinhas” estarão abertas todos os dias do festival, no Largo da Igreja, oferecendo iguarias deliciosas, por entre doces e salgados, para saciar a fome ou fazer uma refeição ligeira. Sandes de Leitão e de Presunto/Queijo, Tábuas de Queijos e Enchidos, Pinchos Morunos e tortillas (tipicamente castelhanos), etc.
Haverá, também, para quem optar por uma refeição completa (e de prato cheio), um “Restaurante”, na Casa do Povo de Rio de Onor.
E para aqueles que desejam viver a verdadeira experiência do Festival, o campismo será gratuito no Parque de Campismo de Rio de Onor, com reserva obrigatória (através do link: https://bit.ly/DONOR_CampismoGratis_2023).
A organização abriu, também, uma “Bolsa de Voluntariado”. As inscrições estão abertas até ao dia 13 de julho (através do link: https://bit.ly/VOLUNTARIADO_DONOR2023).
O Festival D’ONOR promete unir culturas, estabelecer conexões e criar memórias que durarão para sempre. Uma celebração apaixonante que transcende fronteiras. Prepare-se para ser cativado e embarque nesta jornada única entre Portugal e Espanha, onde as tradições se encontram e os corações celebram juntos.

MAIS INFORMAÇÕES
Durante todo o evento, os visitantes poderão ficar instalados no Parque de Campismo Local (gratuitamente) ou nas várias unidades hoteleiras rurais de Bragança (20 km) ou Puebla de Sanabria (16 km).
A alimentação será garantida durante todo o festival, onde a gastronomia local promete conquistar todos os festivaleiros, a preços acessíveis, no “Restaurante” da Casa do Povo de Rio de Onor, ou no espaço “Tasquinhas”.
A entrada para o Festival D’ONOR será gratuita e livre.
O Festival D’ONOR é organizado e promovido pela Montes de Festa – Associação, em colaboração com a Associação Cultura e Recreativa de Rio de Onor, e conta com o apoio da União das Freguesias de Aveleda e Rio de Onor, do Município de Bragança, do Ayuntamiento de Pedralba de la Praderia, da Fundación Rei Afonso Henriques, do Ayuntamiento de Puebla de Sanábria, da Direção Regional de Cultura do Norte, do Instituto Politécnico de Bragança, da Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, da Associação de Dinamização dos Audiovisuais, da Associação de Jogos Populares do Distrito de Bragança, da Azimute, da Associação Coral Brigantino, da Fisga – Associação de Intervenção Social, Cultural e Artística e da APADI – Associação de Pais e Amigos do Diminuído Intelectual.
Mais informações em: https://linktr.ee/festivaldonor
Página do Facebook: https://www.facebook.com/festivaldonor/

Programação completa do Festival D’ONOR – 2023

Bragança aposta nas tecnologias de saúde em parceria com Fundação Champalimaud

 Bragança quer destacar-se nas tecnologias de saúde, numa parceria que envolve a Fundação Champalimaud e que ambiciona criar um centro de investigação na cidade transmontana, anunciaram ontem as entidades envolvidas.


A ideia envolve o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), a Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste e a Fundação Champalimaud, a instituição portuguesa, sem fins lucrativos, que se dedicada à investigação e prática clínica no campo da medicina.

Os três parceiros tiveram hoje uma reunião de trabalho em Bragança, em que decidiram avançar com o projeto ´TM.HealthConnect`, “que pretende juntar profissionais de saúde, investigadores e lideranças regionais na área da saúde para discutir e explorar uma agenda regional de investigação e qualificação em saúde”.

O propósito deste trabalho conjunto é “o desenvolvimento de tecnologias digitais para melhoria das condições de saúde e qualidade de vida em contextos de baixa densidade demográfica e população envelhecida”, como é o caso da região de Bragança.

“Estamos a preparar uma agenda de colaboração conjunta, que esperemos se materialize já na constituição de uma unidade de investigação que envolva as três instituições e, conjuntamente, possamos construir aqui uma unidade de investigação de referência na área das tecnologias de saúde, que seja útil à nossa região numa perspetiva internacional”, explicou o presidente do IPB, Orlando Rodrigues.

A partir desta unidade, os parceiros propõem-se “construir uma agenda de qualificação de profissionais de saúde e, eventualmente, no futuro desenvolver doutoramentos na área das tecnologias da saúde de forma conjunta”.

Este trabalho conjunto visa desenvolver tecnologias de saúde “adaptadas sempre à região e procurando gerar avanços científicos”.

“Nós temos tido desenvolvimentos muito significativos na área digital, a ciência dá-nos inteligência artificial e queremos aproveitar esse potencial para desenvolver um projeto de qualificação e investigação na área das tecnologias de saúde envolvendo estas três instituições”, referiu o presidente do politécnico.

A ambição de outro parceiro, a ULS do Nordeste, é criar um Centro Académico Clínico, em Bragança, como apontou a diretora clínica, Eugénia Madureira, porém trata-se de “uma figura que não tem financiamento associado”.

Por essa razão, o presidente do IPB explicou que o passo inicial passará pela criação de um centro de investigação que “eventualmente poderá evoluir para um Centro Académico Clínico e para projetos conjuntos de qualificação avançada e de investigação”.

A criação do centro de investigação implica um processo de preparação, de submissão de candidaturas, segue-se uma avaliação, que decorrerá durante o próximo ano, pelo que a expectativa é “no final de 2024” ter este processo concretizado.

Por parte da Fundação Champalimaud “há toda a disponibilidade” para este projeto, como disse António Coutinho, do conselho de curadores daquela instituição, que lançou o desafio de fazer deste projeto “uma faculdade de medicina alargada, que tenha tudo junto”.

Não se trata de formar médicos a partir da base, como clarificou o gestor de ciência e consultor da administração da fundação, José Mário Leite, mas “a partir de enfermeiros, biólogos” e outros agentes da saúde criar “o melhor dos cursos de medicina, o melhor dos doutoramentos”.

Um exemplo do que pode vir a ser desenvolvido por este novo projeto está já em curso na ULS do Nordeste com um programa de realidade virtual ainda em fase experimental, que simula ações do quotidiano, aplicado ao tratamento e acompanhamento de doentes da área de saúde mental.

HFI//LIL
Lusa/Fim

Berta Nunes confiante que museus e equipamentos culturais da região não passam para as mãos das autarquias

 Berta Nunes está confiante que os equipamentos culturais da região serão integrados nas duas entidades nacionais que vão substituir a actual Direcção-Geral da Cultura


A deputada socialista eleita por Bragança e presidente da Federação Distrital do PS acredita que a gestão do Museu Abade Baçal, da Domus Municipalis, do castelo de Bragança e do Museu Terra de Miranda não vai passar para as câmaras municipais, nomeadamente a de Bragança e de Miranda do Douro.

Berta Nunes assegura que, dos contactos já feitos com o Ministério da Cultura, há a garantia de que as reclamações dos directores dos equipamentos e dos autarcas, que não querem ver os espaços despromovidos, serão atendidas. “O Ministro da Cultura já disse que aceitava perfeitamente que passassem a integrar essas duas instituições. Vamos acompanhar o processo e, no fim, penso que vai correr tudo de acordo com aquilo que é o melhor para o território”.

A gestão destes equipamentos tem vindo a ser feita pela Direcção Regional de Cultura do Norte mas o Ministério da Cultura anunciou que iria ser feita uma reorganização dos museus e estes espaços podem passar a ser geridos pelos municípios. Para já, o projecto de diploma sobre esta reestruturação está em consulta pública e, por isso, Berta Nunes pede que quem de direito se pronuncie. “Se olharmos para a legislação actual está lá dito que estes museus regionais e o património, porque também estamos a falar da Domus Municipalis e do Castelo de Bragança, bem como da Catedral da Miranda, tanto num diploma como no outro está previsto que eles passariam para a Direcção Regional de Cultura do Norte, depois passariam para estas novas estruturas a criar e, só depois, poderia ser negociada a sua transferência para as autarquias. A própria lei, tal qual está, não prevê que passem assim automaticamente para as autarquias. Espero que todas as instituições, autarquias e a própria Comunidade Intermunicipal de Terras de Trás-os-Montes se pronunciem, durante este período de discussão pública, no sentido de os museus serem incluídos neste instituto público que vai gerir os museus”.

A deputada diz que não faz sentido que estes equipamentos sejam geridos pelas câmaras. “Esses museus não são municipais. São museus regionais e não faz qualquer sentido serem geridos a nível municipal e ao estarem numa rede de museus nacional têm os recursos que o Governo tem para a cultura e farão parte de uma estratégia para os museus, a nível nacional, que vai valorizar estes museus. Se estes museus passarem para as autarquias vão ser desvalorizados no sentido em que passam a ter um âmbito muito mais reduzido e as autarquias não têm recursos, não só financeiros como técnicos, embora isso pudesse ser negociado”.

A Federação Distrital de Bragança do PS considera que estes equipamentos culturais, não sendo municipais, não devem ser geridos pelas autarquias.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Pedidos de ajuda à Cáritas Portuguesa crescem 20% e Bragança destaca-se no apoio a migrantes

 Há cada vez mais pessoas a pedir ajuda à Cáritas Portuguesa. Entre estrangeiros e nacionais, há um aumento de cerca de 20% de novas situações


Rita Valadas, presidente nacional desta entidade, esteve em Bragança e confirmou que há novos pedidos de apoio a surgir constantemente. São consequências de dois anos de pandemia e da guerra na Ucrânia, que levou a um aumento generalizado dos preços dos alimentos e de vários serviços básicos. Os pedidos de ajuda em termos de habitação são os mais frequentes e afectam várias pessoas. “Sabemos que existem grandes dificuldades para todos. Para os jovens que, mesmo que não vivam em famílias vulneráveis, ao querer tornar-se independentes ficam nessa situação. Os idosos deixam de poder viver nas suas casas e não têm alternativas. As famílias deixam de conseguir suportar as rendas. E, agora, temos também aqueles que deixam de conseguir suportar os seus compromissos com a banca”.

Durante algum tempo, várias pessoas pediram ajuda à Cáritas para comprar medicamentos. Hoje em dia há menos gente a fazê-lo porque, com os tempos conturbados que se vivem, as pessoas deixaram de dar prioridade à saúde. “Daquilo que nós sabemos, o que acontece é que, infelizmente, depois de 2 anos de pandemia, as pessoas deixaram de priorizar as questões de saúde e de medicamentos, o que é terrível. Com tantos problemas que as pessoas têm, os medicamentos continuam a ser necessários, mas deixam de ser uma prioridade”.

Rita Valadas também esclareceu que há cada vez mais migrantes a pedir ajuda à Caritas Portuguesa. Diz que chegam em grupo e que pouco ou nada têm. “Temos grupos que vão chegando às várias dioceses e vêm sem nada. As pessoas que vieram da Ucrânia eram um grupo bastante diferente, com potencial de vir a resolver a sua situação. Neste momento, estão-nos a chegar grupos de migrantes na esperança de que possamos resolver-lhes a situação mas vêm sem nada. Os apoios financeiros que nos pedem são habitação, água e luz, para além de todos os apoios base que damos. Mas há quem se chegue a nós e não tem nada”.

Rita Valadas disse que a região foi uma das que conseguiu dar melhor resposta, a nível de ajuda social, aos migrantes. Explicou ainda que aqui os problemas são semelhantes aos do resto do país e que trabalhar, hoje em dia, está longe de significar ter dinheiro. “Temos zonas urbanas e zonas rurais. As zonas rurais têm menos dificuldades porque produzem a sua própria subsistência, mas as pessoas que dependem de um salário têm as mesmas dificuldades do resto do país. O salário, se for baixo, não consegue garantir a sustentabilidade das famílias”.

Rita Valadas esteve em Bragança a propósito da XVI Conferência de Santo Condestável – A proximidade e as pobrezas.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Novo livro de Jorge Nunes pode ser um bom contributo para ajudar a devolver comboio à região

 “Ferrovia em Trás-os-Montes, memória do passado, luta do presente”. É este o novo livro de Jorge Nunes, ex-presidente da câmara de Bragança. A obra foi apresentada ontem ao público


Numa altura em que o tema ferrovia está na ordem do dia e depois de Associação Vale d’Ouro ter apresentado um estudo, que demonstra a viabilidade da ligação Porto-Vila Real-Bragança-Madrid, Jorge Nunes acredita que este livro pode ser um contributo para que se devolva o comboio à região e de uma forma que traga desenvolvimento. “Todos os contributos são necessários e são úteis. Isto não é uma luta fácil. É uma corrida de fundo que tem que envolver muita gente, com muita boa vontade. Envolve tempo. É um contributo”.

A região perdeu o comboio há mais de 30 anos e, para Jorge Nunes, essa foi uma má decisão. Ainda assim, às más decisões começaram logo na construção da linha, que devia ter sido em via larga. “Se a linha do Tua tivesse sido construída em via larga hoje estaria, provavelmente, modernizada, electrificada e com ligação à Europa. Foi um erro de decisão, na altura, que foi aceite. Eu creio que não teria encerrado se a decisão política no momento tivesse sido correctamente tomada. E foi erradamente tomada em favor da ligação de Barca d’Alva a Salamanca, troço de via que foi construído com capitais portugueses, um desastre económico e financeiro, que o Governo teve que socorrer com capitais públicos, para evitar problemas de economia no Porto. Há erros que se cometem que têm repercussões passadas muitas décadas”.

Este é o quinto livro de Jorge Nunes. Os últimos dois também falavam da ferrovia, ainda que não fosse o tema central. “O penúltimo livro foi relacionado com o desenvolvimento do Interior e aí podemos encontrar algumas referências ao tema mas não é o tema central desse livro. Já o último livro, o dos congressos, encontramos algumas referências mas não é o tema central. Este é um livro temático que incide sobre a ferrovia, sobre a memória do passado e a luta do presente. A ferrovia é muito importante porque sem ela, sem modernos e competitivos meios de transporte, no futuro, ficaremos mais penalizados em termos económicos e demográficos”.

O ex-autarca, Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, defende que o que interessa ao território é uma via com ligação internacional, de alta velocidade, de transporte misto e de bitola europeia. O livro de Jorge Nunes foi apresentado, ontem, em Bragança, na sala de actos do teatro municipal.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Visita guiada à Estação da Biodiversidade de Serapicos

 No próximo dia 23 de julho 2023 (Domingo) o PINTA irá realizar uma visita guiada à Estação da Biodiversidade de Serapicos.
As Estações da Biodiversidade são pequenos percursos (o de Serapicos tem cerca de 1,5 Km), com painéis informativos sobre a biodiversidade local. 

Inscrições gratuitas, mas obrigatórias. 

Para mais informações: +351 273 511 254  | +351 968 941 042

Capela de S. Sebastião

 
Esta capela fica perto, mas fora da cidade, ao nascente e dá o nome a 
uma avenida, largo ou passeio arborizado em comunicação com ela. Já existia no século XV(572), segundo se vê dos desenhos das fortificações de Duarte de Armas. A sua origem deve filiar-se no voto feito por D. Manuel, por causa da grande peste que em 1505 assolou o reino, de erigir nos arrabaldes de todas as vilas e cidades uma ermida dedicada a S. Sebastião, conforme diz José Avelino de Almeida no seu Dicionário Abreviado.
Porém, a Descrição Topográfica, de Borges, diz que se fundou por voto da cidade por causa da peste de 1569 e que nas guerras da Aclamação (1640) um engenheiro a mandou demolir por conveniências de táctica militar, sendo depois erigida a fundamentis pela câmara municipal e povo.
Parece que o prior de Santa Maria e o abade de S. João tinham nela igual jurisdição. Ver o que dissemos sobre a igreja de S. João a propósito desta capela, que pertence à câmara de Bragança.
Desta capela sai e a ela recolhe S. Jorge, pois não a tem própria, quando vai na procissão de Corpus Christi montado em cavalo branco, de lança em riste, acompanhado de um piquete de cavalaria e militares à laia de estado-maior de um general, cuja figura o santo representa nas suas funções públicas.

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(572) LOPO, Albino – Bragança e Benquerença, p. 35 e 90.
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Também da mesma maneira a Câmara de Bragança é obrigada, dizem que por voto antiquíssimo, a fazê-lo conduzir todos os anos no dia 23 de Abril a uma capela chamada de S. Jorge, situada na ribeira e perto de Vila Nova, a três quilómetros ou menos de Bragança, onde assiste à missa, mas fora da capela, guardado pelos moradores desta povoação, pois se passar para a outra margem da ribeira, onde há umas ruínas, não volta, diz a lenda: fica lá.
Ainda hoje se observa invariavelmente esta romaria do santo todos os anos, dia 23 de Abril, por mais tempestuoso que o dia esteja.
Eis como Cardoso nos dá a razão deste facto:
«Conta a tradição, diz ele, que no tempo de Ramiro II era conde de Ariães (573) D. Pelaio, o qual fazia suas entradas e assaltos por aquelas partes com venturoso successso, em gravo damno dos mouros.
De sorte que, molestados os de Bragança, com tão poderoso visinho, vieram com elle a partido, dizendo que lhe entregariam a dita cidade, se entrasse em campal desafio com hum valorosissimo mouro, em força e membros mui desigual. O intrepido conde, alegre o acceitou, entendendo, que como pelejava contra inimigos da fé, alcançaria victoria delles.
E muito mais sabendo que era dia de S. Jorge, a quem fez logo voto, juntamente com os seus, promettendo, se levasse a melhor do inimigo, levantar-lhe templo a que todos annos irião neste dia em procissão.
Com isto sahiu ao campo... e ao primeiro talho, prostou a seus pés cadaver, aquella inimada torre de carne, pela qual razão se chama ainda hoje o logar do desafio – Prado do Talho – que fica no limite da veiga de Ariães. Assistiu o nosso D. Pelaio, com outros condes e prelados de Portugal, na sagração da egreja compostellana a 7 de maio anno de 879, segundo Sampiro, Bispo de Astorga, na sua historia, pag. 56, onde assigna Pelagius Bregantiae Comes.

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(573) A tradição deste conde é muito viva ainda, mas chama-lhe conde de Ariães e não D. Pelaio.
Na matriz do Castro de Avelãs há um túmulo que dizem conter os seus restos mortais e do qual a Bragança e Benquerença, p. 57, nos dá uma gravura. Pouco abaixo da povoação há uma ponte sobre o ribeiro que banha a mesma e é chamada ponto de Ariães. Segundo uma tradição que ouvimos, este conde, zangado contra a própria mãe, por lhe não ter o jantar feito quando voltava da caça, açulou-lhe os cães que a mataram. Em penitência foi-lhe imposto que tirasse um cabelo da sua própria cabeça e o metesse numa pia de cantaria com água, debaixo de uma pedra, até que se convertesse em cobra (ainda hoje o nosso povo dá a estes répteis idêntica origem) e depois a fosse criando até ser bastante grande e então se meteria numa tumba com ela até esta o devorar, para que assim, ele filho mau, que matou quem o gerou, de si mesmo criasse quem lhe fizesse outro tanto. A tumba em que o conde se meteu é o túmulo supra mencionado. Algo concorda esta lenda com o que dizem os Livros de Linhagens a propósito do braganção D. Fernão Mendes, o Bravo (Portugaliæ Monumenta Historica, tit. I, p. 165).
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Este voto cumprem hoje inviolavelmente os cidadãos de Bragança, em tanto que cahindo o dito santo no triduo da Paixão, ou em dia de Paschoa e por mais agua que chova e tempestade que faça, distando esta egreja (parochia agora de Villa Nova) meia legua da cidade, não falta o piedoso senado a sua votiva obrigação.
A mesma tem o logar de Samil, morada então do conde, no qual permanecem ainda ruinas de seus palacios» (574).
O nome de Pelágio dado ao conde da tradição acima referida por Cardoso talvez fosse arranjado com vista no conde de Bragança com nome idêntico, mencionado pelo Chronicon, de Sampiro, segundo Florez,
España Sagrada, tomo XIV, pág. 442; mas hoje, em Castro de Avelãs e imediações só vive a tradição do conde Ariães, a cujo nome ligam a lenda referida por Cardoso.
Borges (575) refere a lenda por outra forma. Segundo ele, Afonso IV de Leão, arrependido da abdicação ao trono, levantou divisões entre seus vassalos de onde proveio a guerra civil e a queda de Bragança em poder dos mouros em 931, voltando só a recuperá-la os cristãos a 23 de Abril de 1001, após monumental derrota infligida àqueles na ribeira de Vila Nova, cercanias de Bragança, depois chamada ribeira de S. Jorge, por razão da capela erigida a este santo como monumento, pois fora visto na batalha pelejando na vanguarda dos cristãos. O infante Alboazor Ramires, filho de Ramiro II, rei de Leão, e da celebrada Zara, era o capitão da hoste cristã. Para comemorar o feito, fez a Câmara de Bragança o voto que ainda hoje cumpre.
Em a Ilustração Transmontana, 1909, págs. 149 e seguintes, dedicou Daniel Rodrigues largo artigo a esta lenda, acompanhado de esplêndidas gravuras da parte ainda em pé desse monumento arquitectónico que foi o antigo mosteiro beneditino de Castro de Avelãs: monumento único no seu género em Portugal, que a estupidez dos nossos antepassados destruiu ou votou a abandono vandálico, em nada resgatado por nós que, impassíveis, como se as grandiosidades da arte não falassem ao nosso espírito, assistimos ao desmoronamento de uma das capelas laterais do seu templo à qual se seguirá a outra e depois a abside, tudo de tijolo formando arcaturas fenestradas sobrepostas em dois andares num espécimen soberbo de estilo românico.

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(574) CARDOSO, Jorge – Agiologio Lusitano, ao dia 25 de Abril. O Tombo dos Bens do Mosteiro de Castro de Avelãs, tratando de Gostei, ainda menciona o Prado do Talho. CASTRO, João Baptista de – Mapa de Portugal, 2.ª edição, tomo II, p. 257.
(575) BORGES – Descrição Topográfica…
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Ó vós que em Portugal tendes corregimento destas coisas: acudi a Castro de Avelãs! Por quem sois! Olhai que está exposto às injúrias, não dizemos do tempo porque as afrontou impávido durante oito séculos, mas do homem, do sonhador de tesouros, esse arco da capela lateral que é um primor! Nas suas arquivoltas e pés direitos soube o artista tirar tais efeitos de luz e sombra dos simples tijolos dispostos em saliências, reentrâncias e fiadas simétricas de grossura desigual, que nada cedem aos dos mármores e granitos quando o génio lhes dá expressão e vida.
A propósito do túmulo do conde Ariães, ver O Arqueólogo Português, tomo III, pág. 83, onde vem a fotogravura do mesmo, acompanhando um artigo que lhe é consagrado e no qual seu autor, Albino Lopo, refere a respectiva lenda por forma quase idêntica à nossa, e também José Leite de Vasconcelos, Religiões da Lusitânia, tomo III, pág. 17 em nota.
Devemos advertir que Daniel Rodrigues, fazendo sobre a lenda do Conde Ariães um trabalho literário, fantasiou bastante, ligando-lhe outras lendas referentes ao castelo de Rebordãos, pois na sua singeleza, como o povo a refere, é a que deixamos mencionada.
Coisa notável! Junto à igreja matriz de Malta, perto de Chacim, concelho de Macedo de Cavaleiros, há uma tumba de granito semelhante à de Castro de Avelãs, colocada sobre o dorso de dois leões da mesma matéria, e o povo adscreve-lhe lenda idêntica. Convém lembrar que uma vergôntea genealógica dos bragançãos, a que pertence o tal D. Fernão Mendes, o Bravo, teve o apelido de Chacim por aí fixar residência, como mostram os ditos Livros de Linhagens.
A Câmara de Bragança todos os anos metia em orçamento uma verba pouco mais ou menos de trinta mil réis para ocorrer a estas despesas da ida de S. Jorge a Vila Nova. Agora, as vereações republicanas não dão nada e fazem à lenda e interessante tradição o que o tempo edax e o homem edacissimus faz à veneranda relíquia arquitectónica de Castro de Avelãs.
Pinheiro (576) dá como provável, segundo o informaram, o começo desta procissão no tempo de D. Afonso III, época em que o santo seria transferido para Bragança, contra vontade dos de Vila Nova, mas com a condição de lho levarem lá todos os anos. Nós, porém, nos arquivos da câmara, cabido e Castro de Avelãs não encontramos base para tal asserção.

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(576) PINHEIRO, José Henriques – Estudo da Estrada Militar Romana de Braga a Astorga, p. 66.
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A capela de S. Jorge, no termo de Vila Nova, fica numa veiga sulcada por um pequeno ribeiro, e ao sul, defronte dela, a pequena distância, fica uma colina chamada devesa de Vila Nova onde têm aparecido fragmentos de telha, tijolo, argamassa e cerâmica romana e também algumas moedas dessa nação e lápides funerárias (577). Nestas ruínas localizou Pinheiro(578) a antiga Brigantia ou presumiu que ficasse perto, e para explicar a ida do santo à capela, de acordo com Martins Sarmento, a quem consultou sobre o caso, disse que neste local se adoraria o deus Brigo, e como «um dos meios a que a Egreja se soccorreu para destruir a religião pagã, enraizada nos aldeões (pagani), foi christianisar os seus loca sacra, os seus deuses», mudada a sede da antiga Brigantia para o local da actual Bragança e com ela o seu deus Brigo, este, cristianizado em S. Jorge, por haver entre eles identidade de atributos, ficou visitando anualmente as ruínas já consagradas ao culto cristão por uma capela, pois com isto se contentaria o povo acostumado aos actos externos do culto sem entrar muito no âmago das questões teológicas.
Quer dizer: encarnaram-se nos santos do cristianismo os atributos dos deuses pagãos, que neste caso mudavam apenas de nome, e foi continuando tudo na mesma.
Não estamos longe de crer que os templos nos despovoados e lugares altos representam a tradição cultual de uma mitologia extinta. As ruínas luso e pré-romanas, que quase sempre lhe ficam perto, assaz o demonstram; mas daí à explicação de Pinheiro e Sarmento vai muito.
As ruínas da devesa de Vila Nova não podiam ser uma posição militar, pois estão dominadas completamente por outras colinas mais elevadas; são demasiadamente pequenas em área para supormos que nelas existiu povoado de alguma importância, e nem mesmo apresentam vestígios de grandes obras defensivas que os guardassem, o que tudo nos inibe de localizar aqui a primitiva Brigantia.
Demais, a existência do deus Brigo não é indicada aqui por vestígio algum a não ser que queiramos vê-lo na raiz da palavra Brigantia, primevo da actual Bragança.

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(577) LOPO, Albino – Bragança e Benquerença, p. 55. O Arqueólogo Português, tomo III, p. 127 a 148, tomo XIII, p. 314, e tomo XIV, p. 151.
(578) PINHEIRO, José Henriques – Estudo da Estrada Militar Romana…, p. 59 e seguintes.
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A existência desse deus apenas consta de uma lápide do museu de Guimarães encontrada na freguesia de Delães, concelho de Famalicão(579), e por conseguinte a muito grande distância das nossas ruínas. Nada de averiguado sobre os predicados de tal divindade, e nem mesmo os filólogos estão de acordo para nos dizer se o nome é céltico, pré-céltico ou ligúrico.
De resto, o caso em si pouco tem de extraordinário porque no bispado de Bragança encontram-se templos e capelas em povoados ou fora deles, que são visitados procissionalmente por seis e mais povoações de cruz alçada e santos em andores, como diremos noutra parte.
Perto das ruínas da devesa de Vila Nova e a menos de trezentos metros delas, fica um local chamado Britelo, onde ainda em 1461 existia a povoação deste nome (580), já desabitada em 1691, segundo vemos pelo Tombo dos Bens do Cabido de Miranda, feito neste ano.

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(579) VASCONCELOS, José Leite de – Religiões da Lusitânia, vol. II, p. 325.
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MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Bragança do Abade de Baçal - Rubrica "Cidadania Impura", de Valter Hugo Mãe.


Tive, por bastantes anos, costume de desaparecer para as terras de Bragança para terminar meus livros. As montanhas, com vistas largas por sobre o “oceano megalítico”, trazem-me a impressão de reclusão, de regresso ao lado de dentro do Mundo, uma espécie de obrigatória descida ao chão que me convence de estar mais escutando a Natureza e, eventualmente, mais consciente. Desta vez, trabalhando para terminar um livro novo, não saio de casa e, certamente pela loucura crescente, imagino apenas como foi outrora fugir para aqueles lados. Como se lembrar já fosse voltar a fazê-lo.

Nas minhas deambulações, sobretudo quando ia ao centro para almoçar decentemente, ao invés de abrir latas de atum, espiolhava na biblioteca pequenas curiosidades sobre a região e ia pasmar para os lugares a ver se pressentia seus costumes, suas pessoas antigas, seus mistérios. Li algumas páginas do Abade de Baçal, que terá sido um homem admirável, capaz de entender a urgência de documentar, deixar testemunho e recolher tudo quanto pudesse favorecer o conhecimento dos povos que ali habitavam. Eu, que tive uma infância esquisita a brincar aos museus, guardando cacos velhos para imitar grandes achados arqueológicos, entrei no Museu do Abade de Baçal sempre convicto de que estava à distância de um século de um amigo.

Era o meu pai que, ainda nos anos de 1970, quando íamos em família a Bragança ver como era tudo lindo, me dizia que os animais esculpidos na pedra tinham sido castigados por comerem bagas venenosas. Ficavam assim. Serviam para dar exemplo aos outros. É-me impossível entrar no Museu do Abade de Baçal e não lembrar das nossas discussões ali, porque eu, com meus sete ou oito anos, já tinha a certeza de que castigo nenhum haveria de fazer dum bicho uma pedra de granito. Era como querer convencer-me que as Nossas Senhoras mais constritas, dobradas em sofrimento, eram feitas por escultores que queriam aproveitar troncos tortos.

A mim, no modo divertido que o meu pai tinha de levar as crianças a um museu, interessava encontrar o mistério para ser possível que um só homem pudesse ter a força de preservar tudo aquilo, legando aos seus e aos vindouros um acervo importantíssimo que justifica o orgulho de quem é daquelas terras.

Estou a escrever o meu novo livro sem sair de casa, mas invento que almoço as ementas do Óscar Geadas e estou de regresso à Bragança do Abade de Baçal, esse amigo desencontrado nos séculos. Tem sido meu modo de alinhar o que me resta de coisa cósmica, isso que me querem convencer de sermos partícula de um universo regido por sortes que respeitam translações, luas, lonjuras, alturas e funduras. Sem sair de casa, vou regressando ao Museu e escuto o riso que me ensinou a gostar do património dos povos, que é um modo de gostar dos povos. De lhes ter sempre saudade.

(O autor escreve de acordo com a anterior ortografia)

VALTER HUGO MÃE

Freixo de Espada à Cinta assinala centenário da morte do poeta Guerra Junqueiro

 O município de Freixo de Espada à Cinta homenageia na sexta-feira Guerra Junqueiro, no âmbito do centenário da morte do poeta e promove um encontro cultural entre países da lusofonia, disse hoje à Lusa o presidente da Câmara.


“Na data em que se assinala o centenário da sua morte [7 de julho de 1923], o município de Freixo de Espada à Cinta promove uma sessão solene de evocação do centenário da morte de Guerra Junqueiro, nome maior da sua época, que sempre ergueu a sua voz para defender os mais desafortunados, promoveu o interior através de políticas ativas e deu ao povo a sua maior arma: a educação”, explicou o presidente da câmara, Nuno Ferreira.

Durante as iniciativas programadas para a evocação do poeta será lançado um Postal Inteiro da República e apresentado o Prémio Literário Guerra Junqueiro Novos Talentos.

“Freixo de Espada à Cinta e Guerra Junqueiro estão unidos por laços que transcendem o tempo e que o concelho tem o dever cívico de honrar e preservar”, vincou o autarca socialista.

Durante a iniciativa haverá ainda a atribuição do Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia 2022 a três dos escritores laureados, Teolinda Gersão (Portugal), Luís Cardoso de Noronha (Timor-Leste) e Ana Paula Tavares (Angola).

“Inspirado no talento literário de Guerra Junqueiro foi criado o Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia, uma distinção que visa prestigiar o autor, e trabalhar cada vez mais em prol do desenvolvimento da literatura e da cultura, e cujo objetivo é divulgar a literatura lusófona, celebrando a lusofonia na sua pluralidade e autenticidade e promovendo, acima de tudo, a união lusófona”, vincou o autarca.

Vão ainda receber o prémio literário Guerra Junqueiro a escritora da Guiné Equatorial Ângela Nzumbi (2020) e Luís Carlos Patraquim, poeta moçambicano (2021), cuja entrega foi adiada devido à pandemia de covid-19.

Além dos escritores estarão também presentes várias entidades diplomáticas dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), nomeadamente de Moçambique, Guiné-Bissau, Angola, Timor Leste, e ainda da Guiné Equatorial. A Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Ferreira, também marcará presença.

“Guerra Junqueiro é um poeta do século XX que provoca, em pleno século XXI, encontros capazes de promover, através da literatura, uma instrução para a cidadania e para o desenvolvimento sustentável, e assim salienta a importância da liberdade de expressão e o poder da comunicação”, indicou a curadora do Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia, instituído em 2017, Avelina Ferraz.

Desde 2017, foram laureados os autores portugueses Manuel Alegre, Nuno Júdice, José Jorge Letria, Ana Luísa Amaral e Hélia Correia.

No âmbito da CPLP, receberam o prémio Olinda Beja, Jorge Carlos Fonseca, Dina Salústio, Vera Duarte, Abdulai Cila, Tony Tcheka, Ernesto Dabó, Calane da Silva, Lopito Feijó, entre outros.

A entrega do prémio tem sido feita nos diferentes países dos laureados, destacando-se, porém, a entrega a Xanana Gusmão em 2021, que decorreu nesta vila do Douro Superior.

Ungulani Ba Ka Khosa (Moçambique), Conceição Lima (São Tomé e Príncipe) e Ronaldo Correia de Brito (BR) são os laureados de 2022 que irão receber o Prémio no seu país natal, durante este ano.

Abílio Manuel Guerra Junqueiro foi alto funcionário administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta português. Foi o mais popular da sua época e o mais típico representante da chamada "Escola Nova".

Nasceu em 15 de setembro de 1850, em Freixo de Espada à Cinta, e morreu em Lisboa a 07 de julho de 1923, com 72 anos.

Do legado do poeta e escritor ficam obras literárias como a "Velhice do Padre Eterno", "Os Simples", "Contos para a Infância", "Oração ao Pão", "Morte de D. João", "A Lágrima", entre outros.

O programa de sexta-feira encerra com o depósito de uma coroa de flores na estátua que presta homenagem ao poeta, em frente ao edifício de Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, seguido de conjunto de atividades culturais e de um concerto operático.

FYP // MAG
Lusa/fim