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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 3 de setembro de 2024

FÓRUNS REGIONAIS AMPV 2024: Desafios e potencialidades dos territórios - Mirandela

 Para abordar projetos e dinâmicas de desenvolvimento turístico dos territórios, a AMPV propõe realizar reuniões em todas as regiões do país. Irá apresentar os seus próprios projetos e ouvir os municípios e outras entidades regionais sobre as dinâmicas que estão a implementar para promover os seus territórios e os desafios que se colocam à sua região.

Saiba mais em ampv.pt

Local: Museu da Oliveira e do Azeite
Data: 4 de Setembro
Horário: 15:00h


Cuidar de Quem Cuida - Setembro 2024

 "Cuidar de Quem Cuida" mantêm-se abertas as inscrições para o grupo Psicoeducativo "Cuidar de Quem Cuida" para Cuidadores Informais, uma vez por semana, durante sensivelmente dois meses, Cuidadores Informais tem a oportunidade de fazer parte de um grupo Psicoeducativo, onde uma equipa multidisciplinar dá "formação" e apoio a estes cuidadores, com o intuito de capacitá-los para as necessidades do seu dia a dia, bem como estratégias de comunicação, e auto cuidado.


Inscrições

Horário: Segunda a Sexta das 09:00 às 12:30 e 14:00 às 17:30

Mostra Bibliográfica na Biblioteca: A Estação Ferroviária de Mirandela 1887-2024

 No mês em que se inaugura o edifício reabilitado da estação ferroviária, a Biblioteca Municipal Sarmento Pimentel disponibiliza uma mostra bibliográfica em torno da linha do Tua.


Composta por postais ilustrados editados entre a primeira e segunda décadas do séc. 20, reproduções de fotografias alusivas à temática da linha férrea e um conjunto de publicações dedicadas ao mesmo assunto, com destaque para a obra “Companhia Nacional de Caminhos de Ferro: Linha de Foz-Tua a Mirandella" de Emilio Biel, publicada no final do século 19.

Local: Biblioteca Municipal Sarmento Pimentel Mirandela
Data: 1 a 30 de Setembro
Horário: Segunda a Sexta das 09:00 às 19:00 e Sábado das 09:30 às 12h30 e 14:00 às 18:00

'Transição' de Maramgoní I Descubra as novas obras dedicadas a Mirandela

 “Transição" é uma celebração da arte como um processo vivo e em constante transformação, concebida pelo artista Maramgoní. Esta exposição oferece aos visitantes uma experiência dinâmica que se desenrola ao longo de vários meses, durante os quais as obras de arte são gradualmente rearranjadas.


Este movimento contínuo possibilita, através das diversas fases da carreira de Maramgoní, uma jornada artística e emocional única. A exposição traz alguns dos primeiros trabalhos de Maramgoní, revelando as suas inspirações iniciais e as técnicas que ele explorou no início da sua trajetória. À medida que os visitantes avançam, a narrativa visual desenrola-se, mostrando a evolução do estilo do artista e as suas experimentações com diferentes meios e temas.

Trinta e sete anos de carreira, trinta e sete anos de inspiração, e muitas histórias contadas.

Nascido em São Paulo, em 1972, Maramgoní demonstrou desde cedo um interesse pelo desenho, evidenciando uma habilidade inata com formas e proporções.

É um dos embaixadores do projeto Non-Violence no Brasil, idealizado por Yoko Ono e o artista plástico sueco, Klaus Friedrich, após a morte de John Lennon. Marangoni contribuiu, através da sua arte, para a paz mundial.

Em 2019, ele mudou-se para Portugal em busca de novos desafios, onde a sua carreira artística floresceu com a participação em diversas exposições coletivas e mostras individuais.

De 21 de junho a 6 de janeiro de 2024 Maramgoní exibe o seu trabalho no Museu Municipal Armindo Teixeira Lopes.

Inauguração da Estação Ferroviária de Mirandela

 A inauguração da reabilitação do Edifício de Passageiros e envolvente da estação de Mirandela acontece a 4 dias antes de concluídos 137 anos da chegada do primeiro comboio a vapor ao interior de Trás-os-Montes, transportando, desde o Porto, a família real, as mais importantes figuras do governo e dezenas de jornalistas para cobrirem o acontecimento.


Depois de vários anos de abandono, que obrigaram a profundas obras de reabilitação, este edifício emblemático do concelho Mirandela volta a ter a dignidade que merece, abrindo portas com um conjunto divesificado de iniciativas culturais e de lazer.

Desta forma, a Estação Ferroviária de Mirandela, devolvida agora à população e visitantes, torna-se novamente num ponto de partida e de chegada de valores, memórias e emoções.

A abertura oficial decorrerá a 25 de setembro, pelas 18 horas. Embarque nesta viagem!

Nota de Imprensa | Biblioteca Municipal de Alfândega da Fé recebe Exposição Bibliográfica Multilingue Dom Quixote de La Mancha

 Damos nota de que durante o mês de setembro, a Biblioteca Municipal de Alfândega da Fé recebe a exposição bibliográfica multilingue itinerante dedicada à epopeia espanhola Dom Quixote de La Mancha de Miguel de Cervantes.

Trata-se de uma exposição composta por 36 livros em 30 línguas europeias diferentes em que o lema é “As línguas tornam-nos mais fortes”, disponibilizada pelo Centro Europe Direct de Bragança.
Biblioteca Municipal de Alfândega da Fé recebe Exposição Bibliográfica Multilingue Dom Quixote de La Mancha 

Durante o mês de setembro, a Biblioteca Municipal de Alfândega da Fé recebe a exposição bibliográfica multilingue itinerante dedicada à epopeia espanhola Dom Quixote de La Mancha de Miguel de Cervantes. 
Trata-se de uma exposição composta por 36 livros em 30 línguas europeias diferentes em que o lema é “As línguas tornam-nos mais fortes”, disponibilizada pelo Centro Europe Direct de Bragança. 
Esta exposição está a circular pelas Bibliotecas da Rede Intermunicipal das Terras de Trás-os-montes e estará na Biblioteca Municipal de Alfândega da Fé no mês de Setembro. 
As exposições itinerantes multilingues são um projeto comum das Antenas da Direção-Geral da Tradução em todos os Estados-Membros da União Europeia. Anualmente, desde 2014, é escolhida uma obra infanto juvenil com relevância a nível de toda a Europa. Cada Antena contribui com a respetiva versão linguística. A exposição multilingue assim constituída fica pronta a circular por toda a Europa, a pedido, nas 
Representações da Comissão Europeia, nos centros EUROPE DIRECT, assim como em organismos e instituições oficiais. 
Esta iniciativa decorre no âmbito dos objetivos do Dia Europeu das Línguas - sensibilizar todos os europeus e, em especial, os mais jovens para a importância da diversidade linguística e promoção da aprendizagem de línguas.

Feira das Cebolas em CHACIM - 2024

Feira das Colheitas, 21 e 22 de setembro, em Vilar Seco.

Concerto do IV Estágio de Verão

 Realiza-se, esta semana, o IV Estágio de Verão da Associação Filarmónica Cultural e Recreativa do Brinço.
No dia 07 de setembro terá lugar, no Centro Cultural pelas 21h30, um concerto que será o culminar de uma semana inteira de partilha, amizade e muita música.

Entrada Livre.

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

"CHACIM EM FESTA" Feira das Cebolas de 08 a10 Setembro 2024...

Helicóptero do INEM estacionado em Macedo de Cavaleiros sofreu aparatoso acidente ao aterrar em Mondim de Basto.

 O helicóptero do INEM, afeto à base de Macedo de Cavaleiros, sofreu um acidente esta segunda-feira durante uma aterragem em Mondim de Basto, no distrito de Vila Real. Uma fonte adiantou ao Mensageiro que “se registaram feridos ligeiros” na sequência da ocorrência. O meio aéreo tinha sido acionado para um acidente numa pedreira e durante a aterragem terá embatido em árvores.


No helicóptero viajavam dois piloto, um médico e um enfermeiro.

Segundo o portal da Proteção Civil, o alerta foi dado pelas 12h21 horas. O acidente ocorreu na pedreira em Atei, no concelho de Mondim de Basto, tendo sido mobilizados para a operação de socorro 31 operacionais e nove veículos.

Glória Lopes

1910 – É publicado o Banco de Bragança e o suposto crédito de 13 contos da herança de Joaquim de Sá.

Vaca mirandesa, porco bísaro ou cordeiro de raça churra galega? Vem aí um festival para provar a melhor carne de Miranda do Douro

 A carne mirandesa é a grande protagonista do Meating, festival gastronómico que se estreia em setembro, em Miranda do Douro. Sabores autênticos, propostas inovadoras preparadas por vários chefs de cozinha a partir de produtos típicos e muita música são razões de peso para rumar ao nordeste transmontano.

Lombinho de porco bísaro com arroz de grelos e de enchidos preparado por Oscar Geadas
G Pousada - Bragança

Localizada no extremo nordeste de Portugal, Miranda do Douro é uma cidade raiana de forte personalidade, orgulhosa da cultura peculiar, tradições e costumes que preserva sem mácula. Casa da segunda língua oficial portuguesa, o mirandês, da dança singular dos pauliteiros e local de preservação dos burros de Miranda, é também guardiã de receitas seculares elaboradas a partir dos ingredientes produzidos localmente, com destaque para a grande qualidade da carne.

Além da vaca mirandesa, também o Cordeiro de Raça Churra Galega Mirandesa DOP, o porco bísaro e o cabrito são típicos da região e por isso, serão protagonistas do novo festival gastronómico. O Meating estreia-se a 14 e 15 de setembro, com entrada livre, e promete dar a conhecer a qualidade das raças autóctones preparadas por vários chefs de cozinha de renome a trabalhar em Portugal, unindo tradição e inovação. Adiciona a esta receita um ingrediente essencial: a música portuguesa que anima o evento.

Óscar Geadas, do G Pousada, em Bragança; Diogo Rocha, do Mesa de Lemos, em Viseu, Michele Marques do restaurante Casa do Gadanha, em Estremoz e Marcelo Dias, do restaurante O Mirandês são os quatro chefs que apontam abordagens inovadoras zos produtos endógenos que será possível provar durante o Meating.

Doce castanha

Óscar Geadas proprietário do restaurante G Pousada, em Bragança, premiado com Garfo de Ouro no Guia Boa Cama Boa Mesa 2024 e galardoado com uma Estrela Michelin, escolheu a carne da raça suína bísara. Diogo Rocha, chef do Mesa de Lemos, em Viseu, que é o único restaurante com estrela Michelin na região Centro, optou por trabalhar a carne de vaca mirandesa. Michele Marques brasileira a viver em Portugal desde 2005 e à frente do restaurante Casa do Gadanha, em Estremoz, prepara cabrito serrano. Marcelo Dias, natural de Miranda do Douro onde trabalha no restaurante O Mirandês, promete surpreender com uma proposta baseada na raça churra galega mirandesa – o chamado cordeiro mirandês.

O momento mais doce está nas mãos de Eurico Castro, chef pasteleiro e proprietário da Sweet Gourmet e d’A Confeitaria, em Mirandela, e embaixador da castanha transmontana, produto a partir da qual preparará uma sobremesa.

O transmontano Óscar Geadas, do G Pousada, apresenta um prato de porco bísaro

Encontro de gerações

Rica em tradições e saberes ancestrais, Miranda do Douro será, durantes estes dias, também local de fusão cultural em torno da música. Da agenda do festival constam concertos colaborativos com quatro artistas nacionais de diferentes estilos estão previamente em residência artística com quatro grupos de música tradicional para, juntos, criarem momentos musicais únicos que apresentarão em concerto durante o Meating: Cabrita com Galandum Galundaina; Surma com Trasga; Bandua com Músicas da Raya e Lavoisier com Çarandas. Já Quadra, Bardino, Meta e Grand Sun fazem parte do grupo dos concertos emergentes. E, para acabar a noite em festa o DJ Abel (do mítico Batô, em Matosinhos) terá a missão de pôr todos a dançar.

Durante a iniciativa há atividades e animação de rua destinadas a toda a família: Jogos do Hélder, Animadixie, L Mardomo Que Sirbe Bersos e Musko marcam presença a par de um mercado criativo que promete testar a imaginação dos 8 aos 80.

O Meating acontece a 14 e 15 de setembro nas Ruínas do Paço Episcopal de Miranda do Douro, das 12h00 às 2h00, com entrada livre.

Galandum Galundaina

Em Miranda seja mirandês.Terra de cultura ímpar, conheça os rituais populares e cumpra as tradições locais.

Terra hospitaleira

Vale a pena explorar a pé os muitos recantos do centro histórico de Miranda. Da Praça D. João III onde duas estátuas representam um casal mirandês, ao Museu da Terra de Miranda, passando pela Sé Catedral, admire as ruas e ruelas caraterísticas desta secular região.

Castelo de Miranda

Edificado em 1286, sofre, em 1762, uma violenta explosão quando se tentava resistir à entrada das tropas espanholas. Nunca mais foi reconstruído e, por isso, permanece com uma imagem inacabada.

Rio Fresno

Ainda no perímetro urbano encontra um circuito circular de 4 quilómetros em torno do castelo. Percorra as margens ribeirinhas no Parque Urbano do Rio Fresno, com passagem pela Ponte e a Fonte dos Canos e por antigas azenhas. Prossiga caminho se quiser espreitar ainda o Aqueduto do Vilarinho.

Dançar com os pauliteiros

Os grupos são compostos por oito elementos que batem com paus uns nos outros numa espécie de “dança de guerra”, ao som de bombos e gaitas-de-foles. Os trajes incluem chapéu, saia lenços, meias altas em lã e botas.

Aprender Mirandês

Buonos dies (Bom dia)!. Língua oficial portuguesa desde 1999, ouve-se em Miranda e por diversas aldeias da região, estendendo-se até ao concelho vizinho de Vimioso. Falado no nordeste transmontano, o Mirandês tem origem no latim, tal como o português. A melhor forma de aprender é conversando com os locais. Oubrigado!

Andar de burro

Na aldeia de Atenor vive o Centro de Valorização do Burro de Miranda que contribui para a preservação desta raça asinina, diversas atividades e promove passeios. Marque com antecedência (tel. 273 739307).

Embarcar num cruzeiro ambiental

Respeitar o Douro e a natureza envolvente através de uma viagem ecológica, não poluente, é a proposta da Europarques. Os guias a bordo são biólogos que explicam os detalhes da visita, os barcos não poluem o ambiente, e o percurso estimula os visitantes a sentirem os cheiros, os sons e as cores da região. O embarque faz-se na Estação Biológica Internacional, a cerca de 2 km de Miranda do Douro Reserve a viagem de uma ou duas horas – esta última permite avistar a Passagem dos Contrabandistas - no site da Europarques.

Onde dormir

Diversos turismos rurais revelam de que se faz a hospitalidade das gentes de Miranda.

Entregue-se aos sons compassados da natureza nestes alojamentos de aldeia. Em Aldeia Nova, a Casa dos Edras tem seis quartos inseridos num típico casario raiano. Na Casa de Belharino, em Miranda, há oito quartos decorados com objetos que refletem as tradições locais.

Miradouro da Fraga Amarela

Cartazes das casas comerciais de Bragança

 O documento do mês desvela uma série de cartazes alusivos às casas comerciais existentes em Bragança, onde estavam estrategicamente colocados na cidade para a sua divulgação, tendo como objetivo a promoção dos seus produtos e serviços, em suporte de papel fixado de maneira que a sua visibilidade fosse eficaz e visível em lugares públicos, com a finalidade de divulgar um determinado produto, serviço ou até mesmo conceito ideológico.
Podemos afirmar, que os cartazes promocionais transmitem informações de um modo visual, o que está diretamente ligado ao facto de que eles também servem como uma forma de valorizar o plano estético, ou seja, ajudam a manter a identidade visual do negócio na consciência do consumidor numa motivação plena pela novidade na linguagem e na imagem.

Os cartazes tem um peso cultural e histórico, daí a sua importância como marca espaço-temporal e “modus operndi” da comunidade transmontana.

Estes cartazes aqui apresentados possuem em si uma linguagem clara e objetiva prescindindo da imagem, onde está patente uma elegância irrepreensível nas palavras, sendo o proprietário a surgir em primeiro plano, enumerando os produtos e serviços que a sua casa vendia. Veja-se a expressão “O colossal sortido” num dos cartazes da Loja Nova de Marcolino Videira .

Alguns destes cartazes estão assinados e datados por Francisco Manuel Alves, mais conhecido como Abade de Baçal, e neles reconhecemos a nossa história e identidade.


Fonte: Arquivo Distrital de Bragança

Na próxima sexta-feira (6/set), Bragança vai "𝗟𝗲𝗺𝗯𝗿𝗮𝗿 𝓐𝓭𝓻𝓲𝓪𝓷𝓸 𝓜𝓸𝓻𝓮𝓲𝓻𝓪"!

domingo, 1 de setembro de 2024

Depois de ouvir os nossos emigrantes... expositores e caçadores... alteramos a data da nossa feira

Travessia do Rio Tua bateu recorde de inscritos em Mirandela

1ª Feira Lagoa d’os Sabor’es em Lagoa, Macedo de Cavaleiros.

ao canto da memória...

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)


A Sara envelheceu ajudando a mãe a cuidar da sua ninhada… a lavar a roupa e a contar contas que tinham sempre um final feliz.
Os filhos nasciam e a casa era tão pequena… os serões longos… e os invernos assustavam…
… a Candidinha costureira morreu tuberculosa… e agora anda pelo povoado assombrando as noites.
… contava-se!
- Meu rei, vamos para nossa casa… não tenhas medo, meu rei…
… Sara, ouves a máquina da costura da Candidinha?!
- Não tenhas medo, meu anjo é só um ramo da parreira a bater na janela!
… adormecia e a noite serenava.
Às vezes ficavas muito triste… sentavas-te no banco de pedra da tua casa… memórias antigas… traziam lágrimas de orvalho.
- Sara, não quero que morras... nunca!
- Não morro, meu rei! E o abraço durava uma eternidade.
… um dia, ao entardecer, morreste… sem um queixume… sem uma lágrima…
Chorei… durante longos meses… lágrimas tantas… ribeiro manso…
… hoje regressei ao nosso banco, Sara e trouxe comigo a minha filha e as minhas netas para lhe dizeres que não morreste… que a felicidade existe… e estás tão viva como a nossa parreira… como a porta da nossa casa onde guardávamos os sonhos… ou como as contas mais bonitas que habitam, dolorosamente, ao canto da memória.
… é o eterno retorno, Sara… e tu sabias…
… porque te ris?!

Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

… doí-me este silêncio!

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...) 


Calaram-se os malhos que batiam o trigo na eira dos arcebispos… quando o verão era longo… e as sedes muitas. Calaram-se os jesuítas no seu colégio… e o canto gregoriano… o latim e as humanidades não resistiram à morte da sabedoria… e só os  amores clandestinos se purificaram na ausência do pecado.

… doem-me os pregões das peixeiras sempre em festa… a fartura do talhante judeu orgulhoso da sua careca… na alvura dos anos e do longo avental  de linho puro… 

… dói-me o vermelho das cerejas… o verde das melancias, das couves pencas e dos feijões…  o cheiro a pêssegos maduros… o fulgor das cântaras e bonecos de barro… no esplendor da cacharreira … 

 … dói-me o cheiro doce a alheiras assadas… no prenúncio do Natal…  doem-me as memórias  que ficaram guardadas na seira da mãe que ia à praça para dar de comer aos filhos…

… ficam as pedras de granito… para contar uma história que desvalesse nos braços das ausências.

... calaram-se os pregões… fica este silêncio que grita…

Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.