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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Município de Vila Flor perdeu cerca de 670 habitantes em 8 anos

 O município de Vila Flor perdeu cerca de 670 pessoas entre 2010 e 2018, segundo dados da PORDATA.
O presidente do município referiu que ainda assim o concelho foi dos que menos pessoas perdeu no distrito. Para Fernando Barros a perda populacional é um mal de todo o país e no caso do interior deve-se a políticas nacionais.

“Uma política de há muitos anos faz com que interior esteja sempre a perder. São territórios com enormes potencialidades que continuam a perder gente e é preciso travar isso e isso só se consegue travar com políticas nacionais”.

O autarca avançou ainda que é necessário acabar com as fronteiras e aumentar a cooperação com Espanha, para que os territórios de interior se possam desenvolver.

Apesar de a diferença entre nascimentos e óbitos ter quase duplicado ao longo destes 8 anos, por outro lado, aumentou a população estrangeira no concelho.

Em 2010 o concelho de Vila Flor tinha 6772 habitantes e em 2018 6100. 3,6% da população é estrangeira e há 334 idosos para cada 100 jovens. Dados revelados pela PORDATA no feriado municipal de Vila Flor, 24 de Agosto.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

Concluída Estratégia de Desenvolvimento Transfronteiriço entre Portugal e Espanha

 A secretária de Estado da Valorização do Interior reuniu, ontem, em Zamora, com a secretária-geral do Desafio Demográfico, de Espanha, para concluir o plano que será apresentado na Cimeira Ibérica, em Outubro.

Para já, Isabel Ferreira adiantou que a estratégia tem como principais eixos a mobilidade, as infra-estruturas, os serviços de educação e saúde, o desenvolvimento económico e os recursos energéticos.

Segundo a secretária de estado esta estratégia vai trazer vantagens para o distrito de Bragança, nomeadamente para os trabalhadores transfronteiriços.

“Desde questões ligadas à mobilidade dos trabalhadores transfronteiriços e à facilitação dos procedimentos que possam eliminar os custos de contexto dessa região, mas também a questão das infra-estruturas, nomeadamente da rodoviária, entre todos os outros eixos que eu falei, vão ser muito importantes para Bragança”.

O objectivo é acabar com as fronteiras burocráticas que ainda existem entre Portugal e Espanha, aumentando a cooperação e a recuperação dos territórios em tempo de pandemia.

As medidas da Estratégia de Desenvolvimento Transfronteiriço vão ser apresentadas na Cimeira Ibérica, que se irá realizar em Outubro, no país.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

Casa do Professor de Bragança em risco de fechar

 A Casa do Professor de Bragança poderá fechar ou pelo menos perder a sede.

Tudo porque o edifício onde está instalada a instituição precisa de algumas obras e a associação não tem forma de suportar as intervenções. Carlos Silvestre, que assumiu a direcção o ano passado, explica que têm tido dificuldades para fazer face às despesas mensais, como a renda.

Carlos Silvestre explicou que já foram feitos, nos últimos meses, alguns arranjos, no entanto, é agora necessária uma intervenção mais profunda de substituição de janelas e para resolver infiltrações. O responsável afirma que já pediu ajuda, mas não conseguiu angariar apoios.

“Nós fizemos durante algum tempo todas as obras que foram possíveis, em termos estruturais é que as coisas são mais complicadas e é preciso mais dinheiro, que a associação não tem. Faltam-nos apoios”, referiu.

Um dos objectivos desta direcção seria rentabilizar o espaço com actividades lúdicas para angariar alguns fundos. A pandemia veio alterar esses planos.

A decisão sobre o futuro da Casa do Professor de Bragança está agora na mão dos sócios, que vão reunir em assembleia geral dia 12 de Setembro.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

Memórias da RTP - 2017-01-28 - Novo disco de Dulce Pontes

 Apresentação do novo disco da cantora Dulce Pontes intitulado "Peregrinação", quase todo gravado na cidade de Bragança.
Clica na imagem para aceder ao video



Memórias da RTP - 2001-08-10 - Bragança e Nordeste Transmontano

 Documentário dedicado à história, património arquitectónico, cultural e gastronómico do concelho de Bragança e do Nordeste Transmontano, num percurso que nos leva a Rio de Onor, ao Parque de Montesinho, a Bragança, a Vinhais, Macedo de Cavaleiros e Mirandela.
Clica na imagem para aceder ao video

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Exposição Santiago Belacqua - Arte sacra ... E o Seu reino não terá fim

 NO CONVENTO DE SÃO FILIPE NERY, ATÉ AO DIA 28 DE SETEMBRO EM FREIXO DE ESPADA À CINTA.

Inaugurada no Convento de São Filipe Nery a exposição de arte sacra ... E o Seu reino não terá fim, do Artista Plástico Santiago Belacqua, composta por 20 quadros (18 óleo sobre tela, 1 acrílico e 1 em aço.

Para Maria do Céu Quintas, Presidente da Autarquia, a exposição de Santiago Belacqua “ traduz, na perfeição, o que pretendemos para este Convento: trazer arte que case bem com este espaço cultural, dinamizá-lo e integrá-lo no roteiro de oferta cultural”.

Apresentada Pintura em Seda

Para além da exposição, o evento foi marcado pela apresentação do projecto de pintura em Seda de Freixo de Espada à Cinta, uma ilustração de São Miguel de Arcanjo, Orago da Vila de Freixo de Espada à Cinta.

A este propósito, a Autarca referiu que “desde sempre tivemos o propósito de aliar a tradição à modernidade, porque esse é o único caminho para que a nossa seda seja uma arte que se mostre para o mundo”.

Esta iniciativa, e outras que se seguirão, acompanham o propósito da “criação da uma marca, já registada, e da estratégia de divulgação que permite, por exemplo, a partir de um site exclusivo: yoursilk.pt, de fazer compras on-line e acompanhar todos os acessórios concebidos pelas nossas artesãs”.

Para o Artista Plástico, primeiro pintor a ser convidado a expor no Vaticano, na Chancelaria Papal, sente que foi “descoberto por Freixo de Espada à Cinta - Terras de seda e de descobridores, com quem tenho colaborado no âmbito do FFIL, que me convidou a expor uma colecção de Arte Sacra, na vila que Guerra Junqueiro considerou o melhor lugar do mundo para viver”. Nesta relacção, adianta, “o Município sentiu a minha curiosidade de sentir esta terra, a necessidade de sentir a seda, a matéria-prima que ainda hoje traz brilho a fadas e princesas.

Hoje, depois de 500 anos de culto e cultivo da seda, cá estou eu, a cruzá-la com as minhas cores, num desafio inesperado…mas apaixonante”, concluiu.

Santiago Belacqua, radicado em Braga, tem desenvolvido um extenso e reconhecido trabalho de pintura em Arte Sacra " para o Séc XXI", como já foi apelidada.

A exposição estará patente, no Convento de São Filipe Nery, até ao dia 28 de Setembro.


Jovem detido em flagrante delito por tráfico de estupefacientes em Torre de Moncorvo

 Um jovem de 19 anos foi detido, hoje, em flagrante delito, por tráfico de estupefacientes em Torre de Moncorvo.

No âmbito de uma fiscalização rodoviária, os militares da Guarda detetaram produto estupefaciente no veículo. Depois de tomadas as diligências policiais foram apreendidas 198 doses de haxixe, duas balanças digitais, 100 euros e um telemóvel.

O detido, com antecedentes criminais pelo crime de tráfico e consumo de estupefacientes, foi constituído arguido e os factos foram remetidos ao Tribunal Judicial de Torre de Moncorvo.

Esta ação contou com o reforço do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) de Torre de Moncorvo.

Escrito por ONDA LIVRE

BE denuncia poluição em rio em Carrazeda de Ansiães

  O Bloco de Esquerda de Bragança denunciou um foco de poluição no rio Douro, que afinal é no rio Tua, em Carrazeda de Ansiães, que as autoridades suspeitam tratar-se de um fenómeno natural.
Pedro Sarmento Costa - LUSA

A comissão coordenadora distrital do Bloco de Esquerda de Bragança denunciou um foco de poluição no rio Douro, que afinal é no rio Tua, em Carrazeda de Ansiães, que as autoridades suspeitam tratar-se de um fenómeno natural.

A distrital do Bloco divulgou um comunicado acompanhado de fotografias, na terça-feira, a informar que denunciou às entidades competentes, nomeadamente a Agência portuguesa do Ambiente (APA) e ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR de Carrazeda de Ansiães) “um foco de poluição no Rio Douro, no Lugar do Vale Coelho, em Vilarinho da Castanheira, concelho de Carrazeda de Ansiães”.

O gabinete de Relações Públicas do Comando Distrital de Bragança da GNR confirmou esta quarta-feira à Lusa que recebeu a denúncia e que os militares da Guarda se deslocaram ao local constatando que a situação não é no rio Douro, mas no rio Tua e que se suspeita tratar-se de um situação idêntica à ocorrida em 2017, em Mirandela no mesmo rio, provocada por um fenómeno natural.

O Bloco de Esquerda (BE) deu conta de que foi alertado “por um popular que tirou as fotos” no final da tarde de segunda-feira, e que elementos da comissão coordenadora distrital “dirigiram-se ao local, onde encontraram” o cenário relatado, “embora as manchas mais pequenas se tenham dissipado”.

“A água encontra-se com manchas azuis e brancas e alguma espuma, como se pode verificar nas fotografias, sendo mais notórias na margem direita do Rio Douro”, refere o partido, no comunicado.

A GNR indicou que no local, Vilarinho da Castanheira, constatou que existiam “manchas esverdeadas” no referido troço do rio Tua, que pensava-se ser poluição, mas aparentemente deverá ser matéria orgânica gerada naturalmente nas águas paradas.

De acordo com as Relações Públicas, os militares da GNR recolheram água para análise, percorreram as margens do rio, a montante, e não verificaram qualquer tipo de poluição ou descarga.

A GNR está a investigar em articulação com a APA e os técnicos da agência suspeitam que se trata do mesmo fenómeno ocorrido em 2017 no rio Tua, na cidade de Mirandela. A GNR teve também conhecimento de que, no último fim de semana, as manchas no rio foram detetadas na zona de Carrazeda de Ansiães e também a montante em Abreiro, no concelho de Mirandela.

No mesmo dia em que a comissão coordenadora distrital de Bragança fez a denúncia relativa a Carrazeda de Ansiães, a deputada do Bloco de Esquerda, Maria Manuel Rola, apresentou na Assembleia da República um pergunta ao Governo sobre o “possível fenómeno de eutrofização do rio Tua“, na zona de Abreiro. A eutrofização é um processo que pode ocorrer nos rios devido à acumulação de matéria orgânica natural, como algas, ou descargas poluidoras, nomeadamente de esgotos.

A deputada do BE lembra, na exposição ao Ministério do Ambiente, episódios de “vários atentados ambientais nos últimos anos” no rio Tua, como a mortandade de peixes, em 2017, junto a Frechas (Mirandela), ou as manchas de óleo no dia seguinte atribuídas a uma fábrica de extração de óleos na zona. A parlamentar refere depois “a água com uma cor verde em centenas de metros de extensão do rio, perto da localidade de Abreiro (Mirandela)”, registada por um popular a 22 de agosto.

Na iniciativa parlamentar, o BE alerta que “esta ocorrência poderá estar associada com esses episódios de poluição anteriores que poderão ter levado à eutrofização do rio, o que compromete a sua biodiversidade e o ecossistema fluvial”.

“Neste sentido, é necessário aferir da monitorização dos fenómenos biológicos e das suas causas que poderão indiciar problemas graves na capacidade regenerativa deste curso de água, ainda mais tendo em conta o histórico de agressões”, acrescenta.

O BE pergunta ao Ministério do Ambiente se tem conhecimento desta ocorrência, se a APA tem monitorizado o Tua e afluentes, quais os resultados dessas ações, se um relatório e plano de intervenção para recuperação do rio e quantos Títulos de Utilização Hídrica estão concedidos e em que modalidades.

É segredo, mas estas aldeias estão a pedir para serem exploradas

 Portugal está mesmo a pedi-las (perceberá isso no fim deste artigo). E estas aldeias secretas também. Eis um roteiro alternativo por dez aldeias pouco conhecidas mas que vale a pena serem descobertas.


Gostamos do que é diferente, do que não é percorrido, dos sítios onde ninguém ousa ir, ora porque fica longe, ora porque (bom… introduzir qualquer razão válida). São esses que pedem para ser explorados, são esses que pedem o nosso olhar curioso, vontade de desbravar localizações remotas. São esses que nos deixam entusiasmados no momento do regresso, sabendo que, para a próxima, não hesitamos em arriscar no que não é tão conhecido. Portugal está a pedi-las, está a pedir uma roadtrip pelas aldeias top secret do nosso país. Já estamos à sua espera, vai apanhar a boleia?

Comecemos pelo extremo Norte do país, ali pertinho da terra de “nuestros hermanos”. Perdida no coração do Parque Natural de Montesinho, uma área protegida no concelho de Bragança, é a mais de 1000 metros de altitude que encontramos a aldeia comunitária de Montesinho, a mais carismática da região. Uma viagem até Montesinho está a pedir que reparemos nas casas construídas em granito com os telhados em lousa e nas varandas em madeira, que olham o verde das pastagens e da serra. Assim é, Portugal está a pedi-las, assim como os trilhos do Parque Natural de Montesinho, um dos maiores do nosso país. É aí que partimos para desbravar e explorar o património natural da misteriosa Terra Fria Transmontana. Portugal está à espera que coloquemos as nossas melhores botas, enchamos o cantil de água, snacks na mochila e que façamos uma expedição pela Rota desta terra maravilhosa. Regresse às origens, inspire a tranquilidade, desfrute dos encantos de Montesinho. A serra está cheia de segredos e só quem lá vai, sabe deles.

Portugal está a pedi-las porque é no nosso país que está Estorãos, uma das aldeias mais bonitas do Minho, e não em qualquer outro sítio. Esto-quê? Sim, Estorãos. Localizada no concelho de Ponte de Lima, esta pitoresca aldeia, no sopé da Serra de Arga, pode não ser primeira opção do seu roteiro, mas garantimos que encanta qualquer visitante. A beleza desta aldeia minhota, onde corre uma ribeira desde o alto da serra, não deixa ninguém indiferente, não fosse a paisagem belíssima, como aquelas dos filmes que ganham todos os prémios importantes do cinema.

Ora, imagine: neste museu ao ar livre, as águas calmas da serra de Arga chegam cá a baixo, ao rio Estorãos, e envolvem a aldeia, formam pequenos lagos e represas, entre pontes, moinhos, casas rústicas, vinhas e vegetação muito verde. Percebe-nos agora? Portugal está a pedi-las e por isso queremos avisar agora e não depois: leve a máquina fotográfica, traga até baterias extra, demore-se neste lugar mágico e descubra o os tesouros desta terra, como a antiga azenha da aldeia ou a ponte romana, que conta histórias de outros tempos. Sem querer convencê-lo, já está convencido?

Escreva Vilarinho de Negrões em qualquer motor de busca. Está a pensar no mesmo que nós? Como é que o nosso país consegue surpreender-nos desta forma? Ainda vamos no início deste texto mas é por isto que Portugal está mesmo a pedi-las. Mais ainda: é por isso que Portugal está a pedir que exploremos os seus recantos mais escondidos, como esta aldeia no concelho de Montalegre. É rara a beleza de Vilarinho de Negrões, uma aldeia encaixada numa estreita península (repare como a serra e o céu ficam bonitos refletidos nas águas da albufeira do Alto Rabagão). Outro parêntesis: depois de perder-se pelas ruelas da aldeia, depois de observar as aves aquáticas que sobrevoam a península, depois de ver as casas tradicionais de granito e as construções antigas, afaste-se. Observe a aldeia de longe e repare como a água parece crescer pelas casas adentro. É importante vir aqui pelo menos uma vez na vida. Apresse-se, até agora a natureza tem poupado Vilarinho de Negrões à subida das águas do rio. Por via das dúvidas, ponha-se já a caminho…

Drave é para os aventureiros, é para os que não têm medo de caminhar perdidos pela montanha, é para os amantes da tranquilidade da natureza, é para os que entendem que Portugal está mesmo a pedi-las, e, por isso, arriscam pelos percursos que quase ninguém conhece. Drave, a aldeia mágica da Serra da Freira, que integra o Geoparque de Arouca, faz juz a tudo isso e mais ainda. Sem habitantes, isolada da civilização, sem eletricidade. Aqui não há água canalizada, correio, gás, saneamento, cobertura móvel, mas há tudo o resto: há serenidade e estrelas no céu, de tal forma que parece que estamos no Planetário. Há trilhos com vegetação majestosa, cascatas e piscinas naturais com água muito clara, e tanto silêncio que nos faz sentir pequenos. A aventura começa antes de chegar à aldeia: existem apenas dois acessos para fazê-lo e nenhum inclui o carro, pelo que terá, necessariamente, de fazer parte do percurso a pé, através do trilho pedestre PR 14. Portugal está mesmo a pedi-las. Agora até merecia um brinde: é que Drave é nosso e de mais ninguém.

Isto é um aviso à navegação: altere a rota que colocou no GPS, ponha mais combustível e comece a conduzir em direção à Serra do Açor. Envie mensagem aos amigos que estão nos carros de trás: “todos os caminhos vão dar a Foz d’Égua”. Portugal está a pedi-las e esta é uma paragem obrigatória. Com menos de 50 habitantes, que vivem em pequenas casas de xisto, diz-se que estaria esquecida não fosse a proximidade com Piódão, a quatro quilómetros, o que lhe dá ainda mais encanto. Comparada frequentemente com Hobbiton, a aldeia do filme “Senhor dos Anéis”, este tesouro rural, faz-nos sentir dentro de um conto de fadas (e está tudo bem apelar ao romantismo, quando equilibrado faz bem ao ânimo). Procure: a praia fluvial no centro da aldeia e mergulhe naquelas águas frescas, o açor esculpido e o altar que estão no alto da colina.

Talasnal, Talasnal. Continuamos a desbravar o centro de Portugal e a viagem prossegue por esta aldeia pitoresca, no coração da Serra da Lousã, concelho da Lousã. É uma das mais bonitas da área, pela alma que mantém e pela forma como as poucas dezenas de casas estão alinhadas na encosta, criando a ilusão de que sempre estiveram ali e que fazem parte da paisagem. Perder-mo-nos no Talasnal será difícil, visto que a aldeia tem apenas uma grande rua principal, que acompanha as casas todas costa acima, mas depois há os becos, e esses levam-nos a sítios encantadores como a Alminha ou os lagares de azeite. Depois de tanta viagem, já precisa de uma pausa para restabelecer energias? É esse o momento ideal para se sentar num dos cafés da aldeia e provar retalhinhos, talaniscos e outros petiscos locais.

Já ouviu falar da península encantada, à beira do rio Zêzere? Falamos de Dornes, a mítica aldeia dos Templários em Ferreira de Zêzere, em Santarém. Portugal está a pedi-las, está a pedir que continuemos a explorar os seus recantos mais secretos, como esta aldeia ribeirinha, que tem tanto de história como de beleza. Não precisamos de mais de uma hora para percorrer o centro de Dornes, mas espere mais um pouco, demore-se: Dornes está a pedi-las, está a pedir que descubramos a Torre Templária de Dornes, a praia fluvial, enquanto descansamos dos quilómetros ao volante.

Estamos na mítica Nacional 2, a terceira rodovia mais longa do mundo que é, em cada paragem, um convite aos sentidos. E já que estamos por aqui, que tal uma visita ao centro, literal, de Portugal? É perto de Vila de Rei que encontra o Centro Geodésico do nosso país, lá do cimo tem uma vista deslumbrante que vale a pena espreitar. Esta aldeia, no distrito de Castelo Branco, é o destino perfeito para os amantes de desportos de natureza como TT/BTT, desportos náuticos (é aqui, em Vila de Rei que existe uma das cinco primeiras estâncias de wakeboard do mundo), e trilhos pedestres. E porque todos os aventureiros, a dada altura, precisam de comer: fique a saber que os melhores petiscos estão aqui. Falamos do afamado bucho, dos maranhos. Não muito longe da aldeia, encontra ainda a Praia Fluvial do Penedo Furado. Aqui entre nós: a visita vale mesmo a pena.

É (possivelmente) a aldeia mais bonita do Alentejo. Santa Susana, em Alcácer do Sal, espanta pela tranquilidade, pela beleza das pequenas casas brancas, emolduradas por faixas muito azuis nas janelas e nas portas, se este não é o contraste mais bonito da nossa ruralidade, então o que será? É que Portugal está a pedi-las, está a pedir que nos percamos pelos montes alentejanos e que façamos uma paragem intencional por aqui: o momento pede que deixemos o relógio no carro e que descubramos as seis ruas que compõem esta pequena aldeia, e as pessoas que lá vivem, e as histórias que guardam. Não se visita Santa Susana para fazer “check” na lista, esta aldeia pede mais: pede que viajemos no tempo, sem pressa de regressar ao presente.

Ora, o carro já merecia descanso, as suas costas já estão tensas de tanta condução, não se assuste: a roadtrip está quase no fim, mas quando Portugal está a pedi-las, não podemos não ir, adiar o inevitável, que é conhecer as aldeias mais secretas do nosso país. São Cristóvão, em Montemor-o-Novo, uma aldeia na planície, com pequenas casas caiadas a branco e as famosas faixas azuis, onde a história da sua fundação merece uma visita. Muito serena, é um prazer observar a arquitetura desta aldeia, e reparar nos seus detalhes, especialmente na forma como o posicionamento das casas criam sombras mágicas no chão de pedra.

Temos tudo, sabe? Temos os montes e as serras, temos o mar, e temos as aldeias secretas mais bonitas do mundo. Portugal está a pedi-las, e nós, portugueses, sabemos disso. E sabemos também que temos sorte: porque estas aldeias são nossas e todos os anos nos esperam. Seguimos viagem?

Maioria dos centros de dia mantém a porta fechada. Instituições não reúnem condições exigidas

 No distrito de Bragança, por exemplo, reabriram apenas oito dos 78 centros de dia existentes na região.
A maioria dos centros de dia para idosos mantém as portas fechadas por ainda não reunir as condições exigidas para receber os utentes em contexto de pandemia.

Nesta situação estarão cerca de metade dos mais de 1.500 centros de dia que existem em todo o país. Durante o tempo em que não seja possível voltar a acolher os utentes será mantido o apoio domiciliário que tem vindo a ser prestado. Em Bragança apenas oito dos 78 centros de dia abriram portas.

O regresso dos utentes ao Centro de Dia da Cáritas de Bragança, um dos centros que reabriu, começou há uma semana. Tem 18 utentes, mas até agora apenas metade regressou à instituição. Foi dada prioridade aos idosos que vivem sozinhos, sem retaguarda familiar, depois de cinco meses retidos em casa.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Festas da Cidade

Por: António Orlando dos Santos (Bombadas)
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...") 


Cronologicamente estamos no fim do dia 23 de Agosto deste ano triste e tenebroso que nos impôs um "modus vivendi" que não é adaptável ao nosso caráter, que se ressente de tanta proibição, tanta incerteza e tanto autoritarismo não faltando para compor o ramo, alguma pieguice e abuso de autoridade, vindo de quem parece sentir que ralhando eles com as pessoas por não usarem a máscara, salvarão o mundo.
E depois vem a saudade dos tempos sem Pandemia que jamais pensámos relembrar como tempos de verdadeira Felicidade por vigorarem nessa altura os direitos liberdades e garantias que nos deixavam longe das cretinices dos mais papistas do que o papa.
Vem a propósito porque hoje sabemos que 800 anos de tradição e cultura de uma nação podem ser suprimidos por decreto de quem está no poder e o exerce com dois pesos e duas medidas.
Amanhã será dia de S. Bartolomeu e por artes de mágica não se fará nem sequer menção a tal efeméride. Como farão os de Argozelo que durante séculos sem que se perdesse um ano, festejaram este dia sob todas as condições impostas por Deus ou pelos homens, sem que fosse interrompida a tradição de se juntarem nesse dia para darem vivas ao Santo e louvarem ao Deus de Israel que afinal era pai do nosso e não podia ser esquecido? Mas este ano não imagino o que sucederá.
Eu da minha parte já fiquei sem Festas da Cidade. Resta-me lembrar das outras passadas que tanto me marcaram no tempo da minha infância. Relembro os sinais que se repetiam ano após ano e que começavam sempre com a preparação do jardim de baixo para as Verbenas. O Tio Américo jardineiro com a autoridade de que havia sido investido por quem de direito comandava o grupo de trabalhadores da Câmara na limpeza a fundo a fazer no Jardim. E fazia-o com zelo e competência. Nós avinagrávamos-lhe a paciência com a nossa insistência em não sairmos dali sem ver tudo bem visto para assim podermos passar palavra das novidades evidentes que a Comissão introduzia para o ano em curso. Depois vinha o Senhor José Sabino Ribeiro com a sua ciência oculta e mandava dependurar as caixas de som com que espalharia a música que alegraria e faria felizes as meninas e os rapazes em idade de namoro e que não perdiam tempo em se enfeitarem para serem notadas elas e apreciados eles. Era o tempo em que as raparigas namoravam com os rapazes e os rapazes com as raparigas, não havia outras espécies que não estas duas e ninguém sabia das coisas ocultas que a ciência desvendou e que têm que ver com hibridismo e quejandos. Nada disso, o Senhor Ribeiro punha música que fazia sonhar os descendentes de Adão e Eva e bastava.
Na Assembleia Nacional desse tempo não se faziam leis para não haver Festas, faziam-se para que elas decorressem com ordem e educação mesmo sabendo que havia gente com ideias iconoclastas que não queria que fossem avante. Mas esses não incomodavam pois eram tão poucos que não tinham força para mudar a história e proibirem os usos e costumes de um povo que até com fome adorava a sua festinha.
Depois chegavam os homens de "ópraíabaixo" que com as decorações de papel e madeira, mais umas centenas de lâmpadas coloridas enfeitavam a cidade que era um regalo vê-la. Caprichavam e tinham saber e arte os ascendentes dos atuais, que infelizmente, por não haver Festas este ano, não vão poder mostrar as maravilhas que produzem para encanto dos festeiros sem Festas deste "Annus Horribilís" onde faltará o ganha-pão a muita gente.
Depois chegava a caravana dos Carroceis, dos Carrinhos Elétricos e do Poço da Morte. Vinham também mil e uma barracas de fantasias as mais diversas e o povo adorava passear e ver tanta coisa nova e o ar recendia ao cheiro do caramelo e do açúcar, das farturas e dos mais variados odores das delícias que para a garotada era algo só comparável às histórias do Mosteiro de Alcobaça onde assavam um boi e faziam doce de ovos que só os frades e os nobres tinham direito a saborear. E no dia 22 saía a procissão com a Senhora das Graças, nossa Santa Mãe do Céu que espalhava luz que saía dos raios que a sua imagem mostra espalhados pelas suas santas mãos.
E ao fim do dia encerrava a festa com votos de que para o ano houvesse mais festa para alegrar o povo e assim aliviar a carga de trabalhos que é passar o dia da festa sem que haja festa.
Só mesmo a Pandemia e os políticos que a regulamentam ousariam impedir o povo de ter a sua Festa e deixar que outras festas que não cabem nos sonhos das crianças por demasiado ao gosto dos adultos ressabiados e obcecados, sejam levadas avante.




Bragança 23/08/2020
A. O. dos Santos
(Bombadas)

Teatro Municipal de Bragança reabre com reforço de programação e estreias

 O teatro Municipal de Bragança reabre em Setembro, para uma nova temporada, depois de quase seis meses encerrado.
Em entrevista ao Jornal Nordeste e Rádio Brigantia, o novo director do Teatro, João Cristiano Cunha, diz que não houve uma redução do número de espectáculos e na nova temporada até há um reforço da programação, com várias estreias.

“Vamos ter quatro estreias nacionais, uma delas é a comemoração do centenário de Amália Rodrigues, chama-se “Amália no Mundo”, temos também, para a primeira infância, um musical dos Três Porquinhos”.

Por causa da pandemia, os bilhetes vão ser vendidos de forma bi-mensal e a lotação diminuiu para metade, ou seja, 200 lugares.

O director do teatro considera importante que as pessoas voltem ao teatro e apela a que sintam segurança para ir aos espectáculos, depois de ter sido implementado um plano de contingência e sanitário.

João Cunha estabelece como prioridades criar e fidelizar públicos, além de fortalecer o serviço educativo do teatro. Admite ouvir a opinião do público para elaboração da programação, mantendo sempre a qualidade.

“A questão da qualidade nós temos que manter sempre e há espectáculos que não fazem sentido em teatros municipais. Temos é que ouvir as pessoas e perceber aquilo que querem e gostam mantendo sempre a qualidade”.

A nova temporada do teatro abre com segunda edição de Música na Paisagem, um concerto na aldeia de Montesinho, e destacam-se espectáculos dos The Gift, Carminho ou peça de teatro “Fake” do Teatro Nacional Dona Maria II.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

Directores dos agrupamentos de escolas preparam novo ano lectivo com preocupação

 O regresso às aulas está previsto acontecer entre 14 e 17 de Setembro.
Neste momento, os agrupamentos de escolas já estão a tomar medidas face à Covid-19. O uso de máscara é obrigatório, serão criados circuitos diferentes de entrada e saída, haverá gel desinfectante e as áreas vão ser higienizadas com frequência. No agrupamento de Macedo de Cavaleiros os alunos do pré-escolar e primeiro ciclo vão ser distribuídos por outros edifícios da cidade.

“Estamos a tentar encontrar espaços, condignos e com condições, que possam suportar uma desconcentração do número de alunos”, explicou o director, Paulo Dias.

No agrupamento de escolas de Miranda do Douro, o reduzido número de alunos por turma é uma vantagem para manter o distanciamento social. Porém, o director António Santos considera que a maior dificuldade será controlar o comportamento dos alunos nos intervalos.

“Preocupa-nos os momentos de intervalos, por jovens serem bastante agitados, irreverentes e movimentam-se muito e aí é que é o nosso grande problema”.

Por outro lado, no agrupamento de escolas Emídio Garcia, em Bragança, o número de alunos está perto dos dois mil. Aqui a preocupação passa pelo número reduzido de funcionários para higienizar e controlar a entrada e saída de alunos.

“Havendo mudança de professores e alunos, as salas têm que ser sempre higienizadas e desinfectadas, por isso, precisamos de mais funcionários e já solicitámos junto das entidades superiores para ver se minimizamos os problemas”, disse o director Eduardo Santos.

Para além das medidas preventivas que estão a ser aplicadas em todas as escolas, a sensibilização e o papel dos encarregados de educação é importante no regresso às aulas.

“É fundamental nestas situações, como em todas as outras na relação escola-família. De um modo geral todos os pais compreendem a situação e são colaborativos com a escola”, referiu Teresa Sá Pires, directora do agrupamento de escolas Abade Baçal, em Bragança.

Todas as escolas distribuirão material de protecção individual aos alunos, professores e funcionários. Um investimento do Ministério da Educação. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

Projeto de Apoio Domiciliário à Demência ganha prémio de 47 mil euros

 O Projeto de Apoio Domiciliário à Demência da Santa Casa da Misericórdia de Mogadouro, que tenta evitar a institucionalização dos doentes, foi contemplado com o prémio "Fidelidade Comunidade", no valor de cerca de 47 mil euros, foi hoje anunciado.

Para o provedor da Misericórdia de Mogadouro, João Henriques, este prémio é o reconhecimento do trabalho efetuado pela instituição em prol da comunidade.

Segundo o provedor, o valor deste prémio "vai permitir continuar com a gratuitidade do serviço prestados pela Misericórdia de Mogadouro a pessoas portadoras de demência e às suas família e cuidadores informais".
A Fidelidade distribuiu um total de 500 mil euros por 17 intuições de todo o país, como um valor máximo de 50 mil euros, destinados ao apoio a projetos de ação social dirigidos a Intuições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) sem fins lucrativos.


VALE DO TUA CERTIFICADO COMO “DESTINO TURÍSTICO STARLIGHT”

 O Parque Natural Regional do Vale do Tua é a primeira área protegida a receber certificação como “DESTINO TURÍSTICO STARLIGHT”.

O Parque Natural Regional do Vale do Tua (PNRVT), que já tinha aderido à marca e conceito “Dark Sky®”, conseguiu agora a certificação dos cinco concelhos que integram o designado Vale do Tua (Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor), como “Destino Turístico Starlight”.

Esta certificação foi atribuída pela Fundação Starlight, que nos últimos dois anos avaliou em diferentes períodos e auditou o processo de candidatura, para confirmar que, efetivamente este território reúne todas as condições para integrar a lista de sítios Starlight, na modalidade de Destino Turístico. 

“Os Destinos Turísticos Starlight definem-se como lugares visitáveis com excelentes condições para a contemplação de estrelas, protegidos da poluição luminosa, estando aptos para acolher iniciativas turísticas relacionadas com a observação do céu, como parte essencial da natureza”, assim define a entidade certificadora os “sítios Starlight” certificados.

“Somos o terceiro destino turístico certificado em Portugal, depois do Alqueva e das Aldeias de Xisto, mas somos a primeira área protegida a receber esta certificação, o que obviamente nos orgulha”, afirma o diretor do PNRVT explicando que o processo de certificação exigiu algum tempo, muitas visitas dos técnicos especialistas ao território, “critérios exigentes o que nos deixa ainda mais satisfeitos porque é uma certificação muito séria e confiável”, acrescenta.

No documento de certificação a Fundação Starlight acrescenta que “os Destinos Turísticos Starlight não devem apenas acreditar a qualidade dos seus céus e os meios para garantir a sua proteção, mas devem também desenvolver as adequadas infraestruturas e atividades relacionadas com a oferta turística”. 

Esta exigência implica que se crie um contexto de oferta turística que envolve as entidades gestoras do território, a comunidade e, essencialmente, o setor empresarial local. “Falamos de oferta de alojamento de qualidade, meios de observação das estrelas disponíveis ao visitante, formação de recursos humanos que possa fazer a interpretação astronómica e a sua integração na natureza noturna, etc.”, clarifica. 

Esta certificação, acima de tudo, constitui um compromisso do “Destino” com a qualidade do seu céu estrelado e o início de um caminho de desenvolvimento de novos produtos turísticos associados ao astroturismo, impulsionando a formação de guias para conduzir grupos na observação das estrelas. 

Com esta nova certificação o PNRVT pretende atrair novos mercados internacionais que permitem um elevado nível de complementaridade face ao mercado nacional e de proximidade desta região. Trata-se assim da diversificação de mercados seja da Europa ou de longo curso e que viajam para locais com forte preocupação ambiental, identidade e capazes de proporcionar experiências enriquecedoras, aquelas que acrescentam valor ao momento de lazer bem como enriquecimento intelectual. 

“O PNRVT pretende ainda fazer a ligação entre a temática deste Dark Sky® e a arqueoastronomia, criando aqui um forte laço entre o céu noturno e o património arqueológico. Esta temática tem um potencial elevado junto de mercados que valorizam o património arqueológico e que é cada vez mais expressivo”, explica o diretor. 

O Dark Sky® Vale do Tua passará a fazer parte da rede nacional de destinos  da Associação Dark Sky® que têm como missão a proteção deste importante recurso, o céu noturno, proporcionando oportunidades de cooperação inter-regiões, Alentejo, Centro e Norte, no âmbito da criação de uma oferta organizada e estruturada em torno do astroturismo, onde cada destino contribui com as suas especificidades. Sob um céu noturno protegido, os vários destinos Dark Sky® assumem a sua identidade, a sua força intrínseca e diferença como a grande mais-valia que trazem para o conjunto.

Foto: PNRVT

Exploração de estanho e volfrâmio em Espanha, junto ao Parque de Montesinho? Quercus dá chumbo direto

 Associação ambientalista denuncia "graves efeitos negativos no ambiente em zonas protegidas" e "ausência de adequada instrução do processo de consulta pública". Do Estado, espera "Declaração de Impacto Ambiental Negativo"
Parque Natural de Montesinho, no concelho de Bragança - LUCILIA MONTEIRO

Quercus lançou esta terça-feira um alerta para "os graves efeitos negativos" à exploração de recursos de estanho e volfrâmio em Espanha, próximo do Parque Natural de Montesinho, na Mina de Valtreixal de Sanabria. A associação ambientalista portuguesa dá um chumbo direto ao projeto, que esteve em consulta pública até ao passado dia 21 de agosto e e espera que o Estado "conclua com uma Declaração de Impacto Ambiental negativa" no decurso do procedimento de Avaliação Ambiental deste projeto.

A par do impacto negativo no ambiente natural protegido pelas diretivas europeias e na população local, a Quercus alega, também, "ausência de adequada instrução do processo de consulta pública" para fundamentar o seu chumbo a este projeto.

A fundamentar a sua contestação, a Quercus fala das espécies cujo estado de conservação está fortemente ameaçado e em risco de extinção na zona ameaçada pela exploração, da Verdemã do Norte (Cobitis calderoni), á Toupeira de água (Galemys pyrenaicus), Lobo Ibérico, com impacto directo na Alcateia de Montesinho, Águia-real (Aquila chrysaetos) e o Urso pardo.

Sublinha que a sua argumentação "inclui a análise de eventuais efeitos transfronteiriços". Sempre que "um plano ou projeto num determinado país seja suscetível de afetar de forma significativa um sítio Natura 2000 localizado noutro país, individualmente ou em conjugação com outros planos ou projetos, deve ser realizada uma avaliação adequada que inclua, entre outros, os possíveis efeitos sobre a integridade dos sítios Natura 2000 também nesse segundo país", sustenta.

E acrescenta: "o rio Calabor, quando entra em Portugal, recebe o nome de “Ribeira de Aveleda” que, por sua vez, desagua no rio Sabor, passando (entre outros locais) por Bragança. Eventuais consequências da possível mina de Valtreixal poderão afetar estes territórios, nomeadamente Parque Natural de Montesinho, área também classificada a nível europeu no âmbito da Rede Natura 2000 (...) assim como a área do Alto e Médio Sabor (...) como se sabe já fortemente perturbada pela construção do empreendimento do Aproveitamento Hidroeléctrico do Baixo Sabor.

Em comunicado, a Quercus afirma que não são referidos, "em sede de Avaliação de Impacte Ambiental, os impactos cumulativos com outros empreendimentos já existentes, nomeadamente estradas e autoestradas, parques eólicos e outras zonas de mineração em Espanha e é ignorada a barragem de Veiguinhas, recentemente construída no coração do Parque Natural de Montesinho, nem o impacto da abertura de nova linha de alta tensão com mais de nove quilómetros (com impacto direto nas aves rapinas e necrófagas)".

A associação defende, também, "a importância de se ter em conta que qualquer perturbação na bacia hidrográfica ao nível das cabeceiras condena o último refúgio disponível para espécies com uma forte dependência dos ecossistemas aquáticos e ribeirinhos que, como se tem verificado no Douro, têm vindo sucessivamente a migrar para montante".

Margarida Cardoso

Até ao dia 31 de outubro, visite a exposição "Careto, Rotura e Continuidade", de Miguel Moreira e Silva, no Museu Ibérico da Máscara e do Traje.

 

terça-feira, 25 de agosto de 2020

𝗔𝗩𝗜𝗦𝗢 | 𝗙𝗢𝗥𝗡𝗘𝗖𝗜𝗠𝗘𝗡𝗧𝗢 𝗗𝗘 𝗔́𝗚𝗨𝗔 | 𝟮𝟲 𝗗𝗘 𝗔𝗚𝗢𝗦𝗧𝗢 (𝗤𝗨𝗔𝗥𝗧𝗔-𝗙𝗘𝗜𝗥𝗔) AVENIDA SÁ CARNEIRO

 Informamos de que, amanhã (26 de agosto), na Avenida Sá Carneiro, desde a Rua Coronel Francisco Morgado até ao Teatro Municipal, poderão verificar-se eventuais constrangimentos no fornecimento de água, no âmbito da empreitada de requalificação daquela avenida.
Agradecemos compreensão de todos e pedimos, desde já, desculpas por qualquer eventual incómodo.

Mogadouro encerra parques infantis e desportivos após surgirem 4 casos positivos

 A Proteção Civil de Mogadouro deliberou hoje encerrar "de imediato" todos os parques infantis e desportivos do concelho, até ao final do mês, na sequência do aparecimento de quatro casos positivos de covid-19 durante o fim de semana.
Segundo a deliberação, a que a Lusa teve acesso e que foi tomada numa reunião da Comissão Municipal de Proteção Civil de Mogadouro (CMPCM), "foi decido encerrar todos os parques infantis e recintos desportivos ao ar livre ou em recinto fechado até às 23: 59 do dia 31 de agosto".


O mesmo documento indica "a proibição da realização de procissões e outras manifestações de qualquer natureza, por igual período, em todo o concelho de Mogadouro”, no distrito de Bragança.

A CMPCM decidiu ainda que "a qualquer momento se podem endurecer as medidas para prevenir contágios", e apelou à população "para que se cumpram escrupulosamente as recomendações das autoridades".

"Apela-se à consciência cívica e compressão de todos os munícipes para que mantenham comportamentos preventivos como o uso de máscara de acordo com as normas emanadas pela Direção Geral da Saúde", indica o documento assinando pelo presidente da câmara de Mogadouro, Francisco Guimarães.

Portugal contabiliza pelo menos 1.801 mortos associados à covid-19 em 55.720 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 805 mil mortos no mundo desde dezembro do ano passado, incluindo 1.801 em Portugal.


Foto: CMM

Nós Transmontanos, Sefarditas e Marranos - MANUEL LOPES, UM JUDEU DO TEMPO DA INQUISIÇÃO

 
Manuel Lopes esteve em Itália apenas uns 10 meses, entre Outubro de 1700 e Agosto de 1701. Obviamente que um dos primeiros objetivos que prosseguiu foi o de se fazer circuncidar. Ele não contou especificamente como as coisas aconteceram, mas fez uma descrição genérica da cerimónia, baseado na sua experiência de circunciso e em outras cerimónias de circuncisão a que assistiu. 
Veja-se: — Para se circuncidar, juntam- -se 10 homens e um deles serve de padrinho. E este se senta numa cadeira e tem o menino sentado nos joelhos. E logo o homem que faz de ministro, com uma faca, abre a parte do prepúcio e logo com as mãos afasta a pele e com uma tesoura corta um pouco daquela pele e lava a ferida e dois homens lhe aplicam uns unguentos dos vasos que têm nas mãos.(1) Acrescentou que a circuncisão dos meninos se faz normalmente em casa dos pais e não há ministros designados, antes são os pais que os chamam, entre aqueles que estão capacitados para isso. E disse mais: — A parte do prepúcio cortada se guarda num vaso de vidro, que está na sinagoga, e havendo muitos, se entregam aos judeus que vão de Jerusalém a Livorno, para os levarem a Jerusalém e para os lá enterrarem e disseram a ele confitente que os enterravam na ocasião em que enterravam algum judeu.(2) 
Falou depois da Yeshiva, a escola onde as crianças, a partir dos 4 anos e até aos 8, aprendiam a ler e escrever. E aprendiam também os preceitos da Lei Mosaica, lendo por “um livro pequeno do tamanho de umas horas” em língua castelhana. À escola vão as crianças de manhã, de tarde e à noite. Três vezes por dia vão também os adultos à sinagoga onde “todos os homens se punham pelos ombros um pano à maneira de toalha, a que chamam Tallit e dizem significar capa de Deus, que é de tafetá branco”, o qual tem nas pontas 4 cordões de fios de seda e pelo de cabra, unidos por 3 ou 4 nós e a que chamam “Tzitzit”. E enquanto isso, na sinagoga, rezam em hebraico uma oração que Manuel traduziu assim: — Bendito Adonay nosso Deus, rei do mundo, que nos santificou em suas santas benditas encomendanças e que nos ensinou a pôr os Tzitzit.(3) Manuel Lopes descreveu depois o uso e a forma de cada judeu colocar os Tefillin, em volta do braço, antes da oração na sinagoga e a respetiva oração que ele recitou em hebraico e em castelhano: — Bendito Adonay nosso Deus, rei do mundo, que (…) nos ensinou a pôr os Tefillin.(4) Manuel não soube explicar o significado da usança dos Tallit, dos Tzitzit e dos Tefillin como elementos de preparação para a oração na sinagoga. 
Continuou, porém, explicando que, depois de estar assim equipados, cobriam a cabeça com o chapéu e se sentavam nos bancos, dizendo 3 orações, sendo que a primeira, chamada Tefillah, era cantada. As outras duas são o Shemá e o Amidá. Também não soube explicar o significado de cada uma destas orações, nem porque as duas primeiras as rezavam sentados e a última “estando em pé e tendo os pés juntos”. As mulheres assistiam, separadas dos homens, sentadas nos bancos que havia nos corredores, à volta do espaço central da sinagoga, mas liam por livros iguais aos dos homens e a que chamavam Minchah, nome que ele não sabia explicar. 
As ditas cerimónias prolongavam-se por cerca de hora e meia e havia uma sessão de manhã e outra de tarde. Havia um judeu encarregado da sinagoga e que percorria as ruas da cidade chamando os crentes para as orações – o chamador. À noite também havia “juntas” na sinagoga, se bem que com menos gente a frequentá-las. E nesta “junta”, para além do Shemá e do Amidá, havia uma oração que era cantada e se chamava Arbit. Estas cerimónias e ajuntamentos faziam todos os dias da semana, exceto à sexta-feira, dia em que, “logo que saíam da junta, voltavam para as suas casas e os homens despiam os vestidos que ordinariamente traziam e vestiam camisas limpas; e as mulheres, de vestidos compostos, voltavam para a sinagoga, até ao pôr-do-sol”. 
A essa hora iluminavam a sinagoga, com “grande número de lâmpadas e aranhas e alquimia ao redor da sinagoga”, seguindo-se especial celebração a que apenas acorriam os homens, como o Manuel Lopes explicou para os inquisidores: — As mulheres não vão a estas juntas, porque vão para suas casas, limpando-as e compondo-as e fazendo o que se há-de comer no sábado, porque nele não se acende o fogo nem se faz coisa de trabalho, nem se toca em dinheiro.(5) As lâmpadas na sinagoga ficavam acesas até se gastar o azeite e se apagarem por si. Tal como em casa onde, ao entardecer de sexta- -feira, se acendia a “Menorah, que tem 7 luzes” – acrescentou Manuel, que continuou dizendo a seguinte oração: — Bendito Adonay, meíssima criatura e maravilha para fazer o sábado que guardam em observância da lei dos judeus.(6) No ajuntamento do sábado na sinagoga não punham os filactérios, mas apenas o Tallit. E, além das 3 orações referidas, Manuel disse que cantavam “certos Salmos de David”, acrescentando mais informações: — E logo se põe o Tebah, que é a modo de tribuna, no que chama para o ofício de Hazan um porteiro que apregoa a ordem de Hazan para correr a cortina da Arca aonde está a Lei e para abrir as portas e tirar dali a Lei e levá-la até à Tebah (…) e voltam a colocar na Arca a Lei, e correm as cortinas e o dinheiro que isto importa se distribui e reparte entre os pobres, em diferentes dias da semana, que não seja sábado, porque no sábado não se pode mexer em dinheiro. 
E o judeu que leva a Lei desde a Arca à Tebah, a entrega ao Hazan e este, sem dizer palavra, a mostra ao povo donde para que todos a vejam. E na junta de sábado à tarde, o dito Hazan sobe à tribuna e diz Daras (?), que é o sermão em que explica segundo a Lei de Moisés…(7) Chamado a falar sobre as celebrações festivas judaicas, ao longo do ano, Manuel Lopes começou pelo Pessah, semelhante à Páscoa dos cristãos. Prolonga-se a celebração por espaço de 8 dias “em que não comem pão levedado, nem o amassam as mulheres, nem tão pouco trazê-lo para a celebração na sinagoga”, que enfeitam com tafetás e terciopelos, acendendo muitas luzes pelos corredores e também “no solo, no meio da sinagoga”. E durante aqueles 8 dias que dura o Pessah, cantavam e rezavam orações distintas e também alguns salmos. 
Sobre a Páscoa das Cabanas, o Sucot, disse que cada um a celebrava em sua casa, em parte não coberta, fazendo uma cabana de canas, coberta com murta. Na cabana ceavam e acendiam a Menorah de 7 luzes. Acrescentou que não sabia por quanto tempo a celebravam. O mesmo sobre a Festa das Rosas, Roshaná: que não recordava do tempo nem das cerimónias que especificamente faziam. Disse também que não sabia a data em que caía o Kipur, festividade maior, celebrada em memória da destruição de Jerusalém. Porém, acrescentou as seguintes informações: — Comem em sua casa às 3 da tarde, assentados no chão e com sapatos e sombreros, vão à sinagoga, adornada em conformidade. E nas ditas páscoas, estão assentados no chão, toda a noite, até ao outro dia de tarde, cantando e rezando orações pertencentes à dita destruição de Jerusalém. 
E pela dita tarde, o Hazan sobe ao Tebah e dizem o Doras em idioma castelhano; e acabado, se levantam do solo e se sentam nos bancos e começam com a oração da noite, que se chama Arbit e o Shemah e Amidah e acabada, voltam para suas casas. E em todo o tempo que dura a festividade, não comem até ter saído a estrela; e alguns, saindo da sinagoga, vão para sua casa, mas não dormem na cama, mas no chão, em memória dos judeus de Jerusalém que naquelas noites dormiram no campo, na terra. E estas cerimónias e o jejum observam todos os judeus.(8) Falámos já de muitas pessoas, familiares e amigos, conhecidos de Portugal que Manuel Lopes encontrou em Livorno fazendo vida de judeus e usando nomes hebraicos. 
Resta apresentar o líder da nação sefardita de Livorno, o Trasmontano Gabriel de Medina, de que Manuel Lopes disse: — Conheceu em Livorno a Gabriel de Medina, não sabe de onde era natural, nem se era batizado, mercador de ofício, que tinha 4 ou 5 navios por sua conta para o comércio, mas sabe que era judeu e o viu assistir na sinagoga. E ouviu dizer que era casado e tinha um filho de 13 anos, e no dia em que os completou, ofereceu à sinagoga o fabricar de novo a escola da dita sinagoga; e não se recorda ter ouvido o nome de sua mulher e filho.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães