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Sobre o Blogue
(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
quarta-feira, 29 de março de 2023
🎶 𝐃𝐢𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬𝐚̃𝐨 𝐝𝐞 𝐏𝐚́𝐬𝐜𝐨𝐚 𝐝𝐨 𝐎𝐫𝐟𝐞𝐚̃𝐨 𝐔𝐧𝐢𝐯𝐞𝐫𝐬𝐢𝐭𝐚́𝐫𝐢𝐨 𝐝𝐨 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐨 𝐞𝐦 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐚 𝐝𝐨 𝐃𝐨𝐮𝐫𝐨
➡ Este ano, a Digressão de Páscoa do OUP passa por Miranda do Douro, com um concerto que se irá realizar no próximo domingo, dia 2 de abril, pelas 21h00, na Concatedral de Miranda do Douro.
📲 Saiba mais AQUI.
Exposição "Desafia os Sentidos"
Esta exposição conta com obras de trinta e dois artistas desde o Chile, Colômbia, Portugal, Espanha e Ucrânia, e pretendemos com esta iniciativa artística e cultural contribuir para o desenvolvimento de comportamentos participativos e reflexivos acerca da comunidade e da sociedade onde estamos inseridos. Que estas diferentes pinturas possam contribuir para desenvolver uma consciência na (re)construção de identidades, à medida que despertam sensações referentes à sua existência e colaborem para a reformulação do conceito de cidadania.
Neste percurso que é imbuído de intencionalidades, desafia os sentidos ao observares as pinturas a óleo sobre tela, deixa fluir as emoções, as sensações que elas te despertam. Não se trata apenas de querer saber o que os artistas quiseram dizer com cada uma das obras, mas sim o que elas transmitem.
A Hipocrisia do Amor ao Povo
Há também os que adoram o povo e combatem por ele mas pouco mais o julgam do que um meio; a meta a atingir é o domínio do mesmo povo por que parecem sacrificar-se; bate-lhes no peito um coração de altos senhores; se vieram parar a este lado da batalha foi porque os acidentes os repeliram das trincheiras opostas ou aqui viram maneira mais segura de satisfazer o vão desejo de mandar; nestes não encontraremos a frase preciosa, a afectada sensibilidade, o retoque literário; preferem o estilo de barricada; mas, como nos outros, é o som do oco tambor retórico o último que se ouve.
Só um grupo reduzido defende o povo e o deseja elevar sem ter por ele nenhuma espécie de paixão; em primeiro lugar, porque logo reprimiriam dentro em si todo o movimento que percebessem nascido de impulsos sentimentais; em segundo lugar, porque tal atitude os impediria de ver as soluções claras e justas que acima de tudo procuram alcançar; e, finalmente, porque lhes é impossível permanecer em êxtase diante do que é culturalmente pobre, artisticamente grosseiro, eivado dos muitos defeitos que trazem consigo a dependência e a miséria em que sempre o têm colocado os que mais o cantam, o admiram e o protegem.
Interessa-nos o povo porque nele se apresenta um feixe de problemas que solicitam a inteligência e a vontade; um problema de justiça económica, um problema de justiça política, um problema de equilíbrio social, um problema de ascensão à cultura, e de ascensão o mais rápida possível da massa enorme até hoje tão abandonada e desprezada; logo que eles se resolvam terminarão cuidados e interesses; como se apaga o cálculo que serviu para revelar um valor; temos por ideal construir e firmar o reino do bem; se houve benefício para o povo, só veio por acréscimo; não é essa, de modo algum, a nossa última tenção.
Agostinho da Silva, in 'Considerações'
terça-feira, 28 de março de 2023
PROVA DO FOLAR EM VILARINHO DA CASTANHEIRA
Da programação fazem parte a observação de funcionamento dos Moinhos de Rodízio do Ribeiro do Couto, a atuação do Grupo Coral de Stª Maria Madalena e Jogos Tradicionais.
Capa d’Honras Mirandesa continua a identificar a Terra de Miranda
A cerimónia de Exaltação da Capa d’Honras Mirandesa iniciou-se na manhã de Domingo, dia 26 de março, com o desfile pelas ruas do centro histórico da cidade de Miranda do Douro até à concatedral.
O desfile foi animado pelas atuações dos pauliteiros de Malhadas, do grupo de Danças Mistas de Prado Gatão, do Grupo de Gaiteiros da Póvoa e do Agrupamento Folclórico de Monteros e Monteras de Aliste (Espanha).
Às 11h00, celebrou-se a Missa domincal, durante a qual o pároco de Miranda do Douro, o padre Manuel Marques, deu as boas-vindas às autoridades locais e aos participantes portugueses e espanhóis. Na homília, o sacerdote, referindo-se à Capa d’Honras Mirandesa disse que é importante preservar e promover a cultura e a identidade local.
“Quem visita Miranda do Douro vem à procura do que nos identifica, do que é original e diferente, como é o caso da Capa d’Honras Mirandesa”, disse.
O pároco de Miranda do Douro prosseguiu dizendo que “como cristãos também temos de dever de preservar a nossa identidade, os nossos valores, como são a fé, a esperança e a caridade.
“Ser cristão também deve ser motivo de proua! Se o formos teremos muito mais força, alegria e vida para dar aos outros!”, exortou.
Após a celebração religiosa, realizou-se a sessão solene da Exaltação da Capa d’Honras Mirandesa.
No seu discurso, a presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, falou em mirandês e sublinhou que esta cerimónia visa celebrar um dos traços mais identitários da Terra de Miranda.
“Com esta celebração em torno da Capa d’Honras Mirandesa recordamos a história do nosso território e das nossas gentes, com os invernos rigorosos, a pastorícia, a lã, os artesãos e a manufatura desta peça de vestuário. Hoje, é uma honra vestir esta capa!”, disse.
Por sua vez, o historiador António Rodrigues Mourinho, ensinou que com a lá dos rebanhos de ovelhas, pastoreados no planalto mirandês, fazia-se quase tudo: meias, saias, calças, mantas, capas e capotes.
“Em memória dos nossos pais e avós é uma obrigação preservar este legado cultural que é a Capa d’Honras Mirandesa”, disse.
No final da sessão, o etnógrafo, Mário Correia, recordou que desde 15 de novembro de 2022, a Capa d’Honras Mirandesa está inscrita como salvaguarda urgente no Inventário Nacional de Património Cultural Imaterial.
“Agora cabe-nos fazer a inventariação e registar novos dados, como o número de Capas d’Honra Mirandesas existentes, a sua antiguidade, o nome dos artesãos, etc., para validar a inscrição junto da Direção Geral do Património Cultural”, indicou.
A cerimónia de Exaltação da Capas d’Honras Mirandesa concluiu-se com a já tradicional fotografia dos participantes nas escadas do adro da concatedral de Miranda do Douro.
Páscoa D´Outrora
O cartaz contempla diferentes atividades, desde a caminhada pelos "Trilhos do Cu de Judas", à Exposição Fotográfica "Calço, do Sabor e Saber", às conversas sobre o calço, ao showcooking com a Chef Justa Nobre, contando, ainda com a leitura e dramatização do Testamento de Judas.
Não perca a oportunidade de comprar o que de melhor se faz no nosso concelho!
Notícias da aldeia
A aldeia dói-me… como se há mil anos aqui vivesse, nas ruinas dos casebres, no forno apagado, no moinho sombrio, no ribeiro que secou… nas lavadeiras que silenciaram o dizer…
… todos partiram, sem acomodar as vacas, sem apascentar o rebanho, sem fazer a segada, sem malhar o trigo… sem embebedar as mágoas, na taberna, domingo à tarde…
… até as mulheres se esqueceram de ralhar com as vizinhas por causa das pitas que lhe debicavam o renovo!... e foram-se embora… entardecia…
… todos se foram deixando dependurado o eco longínquo… dos gritos que se calaram…
… e fiquei eu … sombra de ninguém… silenciosamente à espera do vento de feição… e das asas da madrugada… para partir…
… nesse dia começará a primavera!... e haverá ramos floridos em todas as macieiras… e goivos em todos os caminhos!
Argozelo: Feira da Rosquilha promoveu os produtos e o convívio
No passado fim-de-semana de 25 e 26 de março, a vila de Argozelo realizou a XVI Feira da Rosquilha, um certame de produtos locais que voltou a atrair milhares de visitantes à localidade, onde tiveram a oportunidade de conviver e disfrutar do variado programa musical e cultural.
Portugal é 35.º em consumo de água engarrafada, apesar de boa água nas torneiras
De acordo com a Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR), “a percentagem de água segura em Portugal continental é de 98,96%, um valor considerado de excelência”.
No entanto, o país integra a lista dos 50 principais países em consumo de água engarrafada ‘per capita’ em 2021, liderada por Singapura (1.129 l).
O estudo do Instituto Universitário para a Água, Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas, que abrange 109 países, assinala que a água utilizada pela referida indústria “pode levar ou contribuir para o esgotamento dos recursos hídricos subterrâneos” em áreas de grande consumo em muitas partes do mundo, questão de relevância a nível global dado que “mais de dois mil milhões de pessoas em todo o mundo dependem de águas subterrâneas como a sua principal fonte” deste líquido indispensável para a vida.
Refere igualmente que os 270 mil milhões de dólares (250 mil milhões de euros) gastos em 2021 pelos consumidores em água engarrafada seriam suficientes para garantir a disponibilização de água de torneira segura em grande parte do mundo.
O relatório chama ainda a atenção para a relação entre o consumo de água engarrafada e a poluição por plástico, notando que “os recipientes de plástico representam de longe a embalagem mais comum utilizada na indústria” e lembrando que “os materiais plásticos podem levar até 1.000 anos para se degradarem”.
A propósito do Dia Mundial da Água, que ontem se assinalou, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, realçou a necessidade de aumentar a consciencialização sobre a crise global da água e o agravamento das situações estruturais de escassez.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, já tinha alertado ontem para o facto de a humanidade estar a esgotar os recursos hídricos do planeta, antes do início da Conferência da Água de 2023 das Nações Unidas, sobre as necessidades de milhares de milhões de pessoas, em risco perante uma iminente crise hídrica mundial.
Homem foi colhido por um touro em Macedo de Cavaleiros e acabou por morrer
À chegada dos Bombeiros de Macedo de Cavaleiros, que foram acionados às 12h25, a vítima estava consciente e já se encontrava na via pública, com perfurações na perna esquerda e hemorragias.
O homem era produtor de animais.
O que me faz chorar
Faz-me chorar o silêncio da noite a pousar, leve, como pena no meu corpo. O canto apagado dos pássaros. A força com que me dou, solta em voos rasos!
Faz-me chorar…
Faz-me chorar a vil mentira dos ódios, dos escárnios que me engasgam, esses punhais que a alma me rasgam! O silêncio da minha voz que grita num uníssono crescente. As dores que ninguém ouve, as mortes que ninguém me sente.
Faz-me chorar a água que corre em gotas vertidas que o meu rosto lavou e nunca deixou tocar em lágrimas de sol pela distância dos dias. Como memórias tontas, dispostas no tempo, embrutecidas.
Faz-me chorar, sim… Porque tudo parte.
Porque tudo me parte nessa dor ardente e de mim se transforma em metade de outra metade sempre ausente.
E se visse poder merecer-me estas loucuras tão minhas, entre quatro paredes, quantas lágrimas por mim desceriam e de mim saudades teriam.
Cubro com os meus braços o que de infinito em mim existe e pergunto-me, com a pele amarga do passado: por que razão, um dia, não partiste, sem voltar, desse tanto que te faz chorar?
Peripécia 2: Prender um colega a um pilar
Passavam já uns largos minutos quando entrámos na sala, um pouco excitados. “O que se passa convosco?! Sentem-se todos e estejam sossegados, se não, vou chamar o Chefe”. Lá nos controlámos e nos sentámos para assistir à aula. Quase vinte minutos depois alguém bateu à porta. “Entre” – disse a Professora da qual me não recordo o nome. Quando entrou o Menino, alto e esguio, de faces coradas e olhar acossado, fixo no chão, perguntou a Professora: “Tu, tão atrasado?! O que te aconteceu?” – Perguntou incrédula. “Foram eles que me prenderam a um poste com os cintos e teve que ir lá o Senhor Lopes a soltar-me”!. “O quê? Vou já fazer queixa ao Chefe“ – ameaçou tocar a campainha. Todos lhe pedimos fervorosamente para o não fazer e que aquilo foi só uma brincadeira da qual já estavam arrependidos e que não voltaria a acontecer. A bondosa Professora lá acedeu aos veementes pedidos de perdão. “Bom, bom. Isto que não se repita”.
De realçar, além das qualidades humanas e pedagógicas desta Professora, duas limitações: via mal e ouvia pior. Num dia de teste, estava o Zé Fidalgo a copiar com o livro aberto como, aliás, o fazíamos quase todos. A Professora foi fazer o giro pela sala, o Fidalgo atrapalhou-se e deixou cair a livro aberto, fazendo algum barulho. “ Que barulho foi esse?- perguntou. “ Foi a borracha que caiu, So Tôra ”- respondeu atrapalhado. “ Bem, bem! Então apanha-a lá “.
Não sei bem porquê, mas tínhamos um ritual em que, por grupos e à vez, para despistar, tapávamos o nariz e dizíamos, em grupos alternados: “ O Datsum 1200 é mais barato. O Datsum 1200 é mais barato”. Havia uma razão naquela época, mas não consigo lembrar-me de qual.
Estes Meninos eram primos e muito reservados. (Vinham da quinta da Macieirinha, de Carviçais). Um era grande e magro, com óculos muito graduados, o outro, mais novo, era baixinho e forte, a quem chamávamos o “ Bobby Charlton “, devido a pentear o cabelo para trás. Quando iam passear para a Avenida, cada um seguia pelo passeio oposto, sendo por isso, chamados de GNR.
Será de bom tom confessar, humildemente, que todas as parvoíces que fazíamos, tinham um único propósito: o de dar nas vistas perante as raparigas. Fazíamos todo o tipo de figuras ridículas só para lhes cativar a atenção. (Às vezes conseguíamos!) Era o caso de irmos jogar futebol sem bola para o recreio que ficava ao nível das janelas do primeiro andar, onde as meninas assistiam às aulas e nos viam. Apesar de não haver bola e nem balizas, havia árbitro, golos, faltas e reclamações com o árbitro e, inclusive, foras de jogo. Não raras vezes o árbitro tinha que mostrar o cartão amarelo e até vermelho, para castigar uma ou outra entrada mais dura. (Era um tempo vivido até ao limite, sem grandes preocupações, apenas a de viver intensamente)!
Nota de Imprensa | Saldonha retoma celebração da Festa do Sábado da Aleluia
A localidade da Saldonha, no concelho de Alfândega da Fé, vai retomar a celebração da Festa do Sábado da Aleluia. Uma tradição desta aldeia, associada à época da Páscoa, que a Associação Abraçar Paisagens, aí sediada, vai retomar este ano com um programa de atividades para o dia 8 de abril, sábado da aleluia na tradição cristã.
O Feiticeiro de Oz, o musical
“O Feiticeiro de OZ” conta a história de Dorothy, uma menina órfã que vivia com os seus tios e que tinha como seu melhor amigo o seu cachorro Totó. Com uma mistura de cor, dança e muita diversão, o “Feiticeiro OZ” vai transformar o palco num mundo de florestas encantadas, de espantalhos que dançam e de leões que cantam e envolver-nos com a sua magia, numa produção repleta de todos os ingredientes de um grandioso musical e de uma história apaixonante cheia de aventuras que vai fascinar todos os espectadores.
🕒 Horário da bilheteira:
Dia útil
10h00 - 12h30 | 13h30 - 17h00
Dia do Espetáculo
10h00 - 12h30 | 13h30 – 18h00 | 20h30 – 21h30
“Rural On – Agricultura Conectada” – projeto da APPITAD com paragem em Mêda e Mogadouro
Promovido pela APPITAD – Associação dos Produtores em Protecção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro em parceria com o laboratório colaborativo MORE CoLAB, o projeto Rural ON – Agricultura Conectada está no terreno para levar boas práticas aos agricultores e, nos próximos dias, chega aos concelhos de Mêda e Mogadouro.
Dia 29 de março, quarta-feira, a Casa da Cultura de Mêda recebe a sessão de esclarecimento sobre “Organização e Promoção da Produção”. O evento tem início marcado para as 9h15 e acontece em regime presencial e online, podendo ser acompanhado em direto, através deste LINK.
A sessão de esclarecimento sobre “Organização e Promoção da Produção” inclui as apresentações “Desafios do setor do azeite em Trás-os-Montes e Alto Douro”, de Francisco Ataíde Pavão (APPITAD); “Agrupamentos de produtores multiprodutos”, de Lurdes Eliseu e Paulo Machado (DGADR); “Apoios ao setor agrícola”, de Alexandre Ferraz (Raia Histórica); e “Desenvolvimento Integrado”, com Frederico Lobão (Projeto Gerações de Xisto).
Depois da sessão na cidade de Mêda, o projeto Rural ON segue para Mogadouro. Dia 3 de abril, o Centro de Interpretação do Mundo Rural recebe a sessão de esclarecimento sobre “Territórios Sustentáveis”.
O evento conta com as comunicações “Efeito das alterações climáticas nos padrões geográficos da viticultura: do Alto Douro a Trás-os-Montes”, com Lia-Tânia Rosa Dinis (UTAD); “Estratégias para a manutenção do solo no âmbito das alterações climáticas”, com Manuel Ângelo Rodrigues, (IPB); e “Desafios da organização e promoção nos setores do vinho e do azeite”, com António Monteiro (DRAP Norte).
Até dezembro de 2023, o projeto RURAL ON – Agricultura Conectada está na rua para percorrer 17 concelhos e trabalhar com 28 grupos focais as temáticas-chave do Plano de Ação da Rede Rural Nacional.
Pode acompanhar todas as atualizações do projeto Rural ON AQUI e nas redes sociais.
EXPORTAÇÕES AGRÍCOLAS DO DISTRITO CRESCERAM 161% NOS ÚLTIMOS 10 ANOS
Na última década, as exportações agrícolas no distrito de Bragança cresceram 161%. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2012 o distrito exportou 295 836 995 de bens, mas em 2022 os produtos agrícolas vendidos ao estrangeiro já foram 768 185 584. Embora em determinados produtos as exportações até diminuírem, como foi o caso dos cereais, das sementes e até dos lacticínios, no geral, nos últimos dez anos, as empresas da região ligadas ao sector da agricultura deixaram apenas de vender para o mercado regional ou nacional e alargaram o negócio ao mercado internacional. No que toca às frutas, verificou-se um aumento de 42%. O ano passado foram exportados 40 503 684 produtos, enquanto em 2012 as empresas do distrito venderam para o estrangeiro 28 532 372.
A diferença de receber ou não subsídios “é pouca”
Um dos agricultores de fruticultura do distrito, mais concretamente do concelho de Mogadouro, é Nuno Martins. Entrou no mundo da agricultura porque lhe foi herdado. O pai faleceu e como não queria deixar morrer as explorações que lhe pertencia, preferiu mudar de vida, deixar o Porto, onde vivia, e regressou a Vilarinho dos Galegos, de onde é natural. Mas por considerar que o vinho e o azeite, produções que já eram do pai, não são muito rentáveis no seu concelho, decidiu apostar nos mirtilos em 2015. “É uma cultura muito mais rentável que a vinha e o olival na nossa região. Pagam 40 cêntimos por quilo de uva. O mirtilo tem um preço ao produtor para exportação de 4 ou 4,5 euros, ou seja, estamos a falar 10 vezes mais no valor por quilo. Podemos dizer que o mirtilo é 10 vezes mais rentável que a vinha na nossa zona”, frisou. Tem quase dois mil hectares de terreno, o que significa seis mil plantas de mirtilo. O ano passado foi o seu melhor ano de colheita, com a produção de seis toneladas, no entanto, como as suas plantas estão a crescer, considera que ainda pode vir a conseguir produzir entre 10 a 12 toneladas de mirtilo por ano. Vende o fruto no distrito, mais concretamente na cidade de Bragança e nas vilas de Mogadouro, Torre de Moncorvo e Sendim. A venda é feita directamente ao consumidor e representa 40% do negócio. Os outros 60% são exportados. Apesar de ter tido alguns contratempos, com os anos de seca, que têm sido “uma miséria” em termos de produção e com a substituição de uma das variedades que tinha plantado, considera que fez “um bom investimento” e que tem margem para “progredir e aumentar a produção”. Contou ter investido cerca de 150 mil euros para fazer a plantação e comprar alguma maquinaria, o que, na sua opinião, entende ser um investimento que não seja “uma dificuldade grande, mas também não é uma dificuldade pequena”. E quanto a manter a produção, afirma mesmo que não é graças aos subsídios, porque considera serem “uma miséria”. “A diferença de receber ou não subsídios é pouca, sinceramente. Imagine que eu produzo seis toneladas de mirtilo a uma média de cinco euros, são 30 mil euros. Isso foi o que eu produzi mais ou menos o ano passado. O subsídio que me foi atribuído ronda os mil euros”, disse, questionando “mil euros é suficiente para eu produza 30 mil de fruto, que vão valer cinco vezes mais no final?”. Nuno Martins critica ainda a falta de regulamentação do Governo, o que leva a que os agricultores fiquem apenas com um quinto do lucro da venda e a “grande fatia do bolo” fique nos intermediários. “O mirtilo chega a uma prateleira em Inglaterra de um supermercado qualquer a 25 euros o quilo, mas chegam-me quatro euros, os outros 21 euros alguém ficou com eles. Há países em que o produtor leva a maior parte da fatia do bolo final”, sublinhou.
Crescer com a agricultura
Luís Filipe Carcau também não se quis deixar levar pela tendência da região de produzir azeite e vinho e quis apostar na produção de figos. O jovem agricultor está desde pequeno ligado à agricultura, até porque cresceu numa aldeia do concelho de Mirandela e a família sempre esteve ligada ao sector. Licenciou-se em Engenharia Agronómica e foi há cerca de 10 anos que decidiu que queria apostar neste fruto, achando que conseguiria “contribuir para a modernização da cultura” e escoar a produção “de forma garantida”. E assim fez. Começou por umas figueiras que tinha já nos seus terrenos e, de forma, “gradual” foi “expandido” os pomares, chegando aos 30 hectares que tem hoje e que não quer que fiquem por aqui. Numa produção que começou por ser de três toneladas, já ronda as 50 toneladas, embora o ano passado a quebra tenha sido significa devido à seca. Vende apenas para o mercado nacional. Metade do que produz é vendido a grossistas, que depois revendem para as grandes superfícies, e a outra metade, tratando-se de figos de calibre mais pequeno, é vendida para a indústria, para produção de compotas, recheios de bolachas, iogurtes e cristalização. Admite que o que “compensa mais é vender aos grossistas”, ainda assim, considera que o fruto podia ser “mais valorizado”, se existisse uma organização de produtores na região. Para isso o fruto tinha que ser produzido em “maior escala”, o que não acontece no nordeste transmontano. Este ano pretende levar os figos para o resto da Europa. “Já pensámos em exportar, já temos alguns contactos, o objectivo era iniciar a exportação o ano passado, mas como foi um ano fraco em termos de produção, decidimos adiar para este ano”, explicou. Quer ainda aumentar a produção e a modernização nos mecanismos de colheita e rega. “O objectivo principal é aumentar a produção, aumentar ao máximo as tecnologias nos pomares, quer na fase de colheita, quer na parte do regadio, mas também na cobertura dos pomares, e modernizar toda a parte de embalamento e logística. Sem os apoios do Governo torna- -se difícil, atrasa essas metas e aumenta o custo do figo ao consumidor”, disse. No entanto, nem tudo é fácil. O jovem agricultor garante que há “muitos entraves”, nomeadamente no que toca à burocracia, com a submissão de todos os projectos de investimento, no que toca aos atrasos consecutivos no pagamento de subsídios e também no que toca ao atraso nas análises das candidaturas. A cultura do figo poderia ser mais rentável, mas, de acordo com Luís Filipe Carcau, como não há regadios colectivos na região, o investimento tem que ser feito a título individual, o que “acaba por ser um entrave e um custo acrescido na produção”. “As alterações climáticas acabam por afectar bastante a produção e não estamos a conseguir tirar aquilo que seria previsto numa fase inicial de projecto, mas acredito que no futuro através de novas técnicas culturais se consiga atingir o objectivo desejado e ter o retorno financeiro que está previsto”, frisou. Mas seria a cultura rentável sem os subsídios do Governo? “Não, iria traduzir-se num preço de venda muito superior e possivelmente o consumidor poderia não procurar o fruto, porque os subsídios acabam por ser uma ajuda para de certa forma conseguir que o consumidor compre o figo a um preço mais reduzido”, afirmou.
“Mais e melhor”
José Luís Castro herdou a empresa da família. São grandes produtores de azeite em oito aldeias dos concelhos de Macedo de Cavaleiros e Mirandela. No total tem 420 hectares de olival. O objectivo é produzir “mais e melhor”, para entregar “um produto de excelente qualidade em granel para entidades que os saibam trabalhar nos devidos mercados e com o devido posicionamento”. Para isso estão a apostar na conversão para regadio, que lhes permite produções que em sequeiro não era possível. A maioria dos terrenos está já com regadio implementado e se há 10 anos produziam cerca de 350 mil quilos de azeitona, hoje produzem mais um milhão de quilos. “A nossa aposta é continuar a produzir para chegarmos dentro de cinco ou seis anos aos dois milhões de azeitona”, frisou. Além de estar a investir no regadio, está também a modernizar as técnicas utilizadas na poda e na adubação. “Transformámos aquilo que era o paradigma da olivicultura da região, tem a ver com questões ligadas à poda, mudámos aquilo que as pessoas achavam que era a forma correcta de fazer as coisas. Mudámos a adubação, hoje nós adubamos através da água e depois todos os tratamentos fitossanitários são feitos recorrendo ao modo de produção integrada, há uma utilização muito cuidadosa de herbicidas”, explicou. Segundo o agricultor, os apoios do Governo à sua produção têm “um peso reduzido” e considera que se as pessoas têm que deixar de ver os subsídios como “fim”, mas antes como um “complemento”, caso contrário “deturpam completamente as decisões que os agricultores tomam e acabam por continuar numa lógica de agricultura de subsistência, que é o que existe em Trás-os-Montes e é o que tem que mudar radicalmente”. “Falta empresários, falta dimensão, falta vontade de fazer coisas de forma diferente pondo os subsídios numa lógica de complemento de apoio e nada mais que isso”, afirmou o empresário.
Laranja que vai para França
Cristiano Freixo, de Santa Comba da Vilariça, é um dos responsáveis por manter viva a cultura que se crê que tenham sido os árabes, que introduziram no país: a laranja. Neste momento, o agricultor, de 29 anos, tem plantados quase oito hectares de citrinos, três e meio de pessegueiro e cerca de quatro de amendoeiras. São 5500 laranjeiras, 4000 pessegueiros e 2300 amendoeiras. Estas plantações, a maioria, são novas, têm quatro anos. O grande foco deste jovem agricultor são as laranjas e, apesar de ainda não ter grande rendimento com esta cultura, porque as árvores ainda não estão a produzir na totalidade, garante que ainda o vai ter porque a aposta não vai parar tão cedo. Para já, como o hectare ainda não rende as cerca de 30 a 40 toneladas que deveria render, ainda só vende para pequenos mercados e supermercados da região, essencialmente de Bragança, mas já exporta, para França, através de duas ou três pessoas, cerca de “1500 quilos por semana”. Ao contrário dos depoimentos anteriores, este empresário, que considera que “a agricultura não seria sustentável sem subsídios”, já que “a mão-de-obra é cara e tem de ser paga ao preço que ela vale, os adubos e tratamentos também”, começou a aventura, com a qual se governa, em 2017 e teve bastante “sorte”. “Meti um projecto. Não era agricultor nem tinha nada, tirando algumas máquinas, uma retro e uma giratória. Tive que fazer um investimento, comprando terrenos, um tractor e algumas alfaias agrícolas mais pequenas e tudo isso é dinheiro. Logo no começo investi, só na parte da mecanização, cerca de 120 mil euros”, assumiu Cristiano Freixo, que diz que sem apoio, sendo que teve um financiamento de 60%, “isto não era para qualquer pessoa”. E quanto a apoio, diz que são cada vez mais divulgados, é um facto, que quem se quiser aventurar tem essa facilidade de facilmente conseguir saber ao que se pode candidatar, mas “há muita burocracia”. “Difícil não é concorrer é, depois de aprovado, todas aquelas burocracias. Estamos aqui num meio pequeno e, muitas vezes, temos que nos deslocar ao Porto e a Braga”, lamentou Cristiano Freixo, que tem duas variedades de laranja, uma delas de casca fina, doce e sumarenta, “a melhor laranja, que só podia ser da Vilariça”. A agricultura, que muitas vezes parece estar nas ruas da amargura, para este jovem não está. Já vive dela e para ela quer viver. “A minha ideia é continuar a plantar árvores. Sou novo, tenho objectivos e no espaço de 10 anos quero ter cerca de 20 hectares de laranjeiras”, sublinhou, assumindo que, “com força de vontade, tudo se consegue, tudo é possível”.

















