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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 29 de março de 2023

𝗦𝗲𝗺𝗮𝗻𝗮 𝗦𝗮𝗻𝘁𝗮 - 2 a 9 Abril - Torre de Moncorvo

𝗖𝗨𝗟𝗧𝗨𝗥𝗔 𝗣𝗔𝗥𝗔 𝗧𝗢𝗗𝗢𝗦 𝗘𝗠 𝗩𝗜𝗡𝗛𝗔𝗜𝗦 𝗩𝗔𝗜 𝗘𝗦𝗧𝗔𝗥 𝗘𝗠 𝗦𝗔𝗡𝗧𝗔𝗟𝗛𝗔

🎶 𝐃𝐢𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬𝐚̃𝐨 𝐝𝐞 𝐏𝐚́𝐬𝐜𝐨𝐚 𝐝𝐨 𝐎𝐫𝐟𝐞𝐚̃𝐨 𝐔𝐧𝐢𝐯𝐞𝐫𝐬𝐢𝐭𝐚́𝐫𝐢𝐨 𝐝𝐨 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐨 𝐞𝐦 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐚 𝐝𝐨 𝐃𝐨𝐮𝐫𝐨

 Todos os anos por altura da paragem letiva da Páscoa, o Orfeão da Universidade do Porto realiza a sua Digressão de Páscoa, levando o seu espetáculo único aos mais variados cantos do país.
➡ Este ano, a Digressão de Páscoa do OUP passa por Miranda do Douro, com um concerto que se irá realizar no próximo domingo, dia 2 de abril, pelas 21h00, na Concatedral de Miranda do Douro.
Contamos consigo!
📲 Saiba mais AQUI.

Exposição "Desafia os Sentidos"

 No próximo dia 1 de abril, sábado, é inaugurada a exposição "Desafia os Sentidos", no Espaço da Estação, pelas 17h00, que estará patente até ao dia 30 de junho.
Esta exposição conta com obras de trinta e dois artistas desde o Chile, Colômbia, Portugal, Espanha e Ucrânia, e pretendemos com esta iniciativa artística e cultural contribuir para o desenvolvimento de comportamentos participativos e reflexivos acerca da comunidade e da sociedade onde estamos inseridos. Que estas diferentes pinturas possam contribuir para desenvolver uma consciência na (re)construção de identidades, à medida que despertam sensações referentes à sua existência e colaborem para a reformulação do conceito de cidadania.

Neste percurso que é imbuído de intencionalidades, desafia os sentidos ao observares as pinturas a óleo sobre tela, deixa fluir as emoções, as sensações que elas te despertam. Não se trata apenas de querer saber o que os artistas quiseram dizer com cada uma das obras, mas sim o que elas transmitem.

🌸 Timidamente, a primavera começa a "espreitar" no Nordeste Transmontano...

A Hipocrisia do Amor ao Povo

 Estes amam o povo, mas não desejariam, por interesse do próprio amor, que saísse do passo em que se encontra; deleitam-se com a ingenuidade da arte popular, com o imperfeito pensamento, as superstições e as lendas; vêem-se generosos e sensíveis quando se debruçam sobre a classe inferior e traduzem, na linguagem adamada, o que dela julgam perceber; é muito interessante o animal que examinam, mas que não tente o animal libertar-se da sua condição; estragaria todo o quadro, toda a equilibrada posição; em nome da estética e de tudo o resto convém que se mantenha.
Há também os que adoram o povo e combatem por ele mas pouco mais o julgam do que um meio; a meta a atingir é o domínio do mesmo povo por que parecem sacrificar-se; bate-lhes no peito um coração de altos senhores; se vieram parar a este lado da batalha foi porque os acidentes os repeliram das trincheiras opostas ou aqui viram maneira mais segura de satisfazer o vão desejo de mandar; nestes não encontraremos a frase preciosa, a afectada sensibilidade, o retoque literário; preferem o estilo de barricada; mas, como nos outros, é o som do oco tambor retórico o último que se ouve.
Só um grupo reduzido defende o povo e o deseja elevar sem ter por ele nenhuma espécie de paixão; em primeiro lugar, porque logo reprimiriam dentro em si todo o movimento que percebessem nascido de impulsos sentimentais; em segundo lugar, porque tal atitude os impediria de ver as soluções claras e justas que acima de tudo procuram alcançar; e, finalmente, porque lhes é impossível permanecer em êxtase diante do que é culturalmente pobre, artisticamente grosseiro, eivado dos muitos defeitos que trazem consigo a dependência e a miséria em que sempre o têm colocado os que mais o cantam, o admiram e o protegem.
Interessa-nos o povo porque nele se apresenta um feixe de problemas que solicitam a inteligência e a vontade; um problema de justiça económica, um problema de justiça política, um problema de equilíbrio social, um problema de ascensão à cultura, e de ascensão o mais rápida possível da massa enorme até hoje tão abandonada e desprezada; logo que eles se resolvam terminarão cuidados e interesses; como se apaga o cálculo que serviu para revelar um valor; temos por ideal construir e firmar o reino do bem; se houve benefício para o povo, só veio por acréscimo; não é essa, de modo algum, a nossa última tenção.

Agostinho da Silva, in 'Considerações'

terça-feira, 28 de março de 2023

Em Negreda, Braganca, Portugal

PROVA DO FOLAR EM VILARINHO DA CASTANHEIRA

 A Páscoa aproxima-se e que melhor para celebrar a data do que provar folar em forno de lenha? A aldeia de Vilarinho da Castanheira organiza no próximo fim de semana, domingo 2 de abril, a Prova do Folar, atividade inserida na Rede de Aldeias de Portugal.
Da programação fazem parte a observação de funcionamento dos Moinhos de Rodízio do Ribeiro do Couto, a atuação do Grupo Coral de Stª Maria Madalena e Jogos Tradicionais.

Capa d’Honras Mirandesa continua a identificar a Terra de Miranda

 Celebrou-se no passado Domingo, dia 26 de março, em Miranda do Douro, a cerimónia de Exaltação da Capa d’Honras Mirandesa, um evento que este ano contou com a participação de 150 pessoas, devidamente trajadas com as tradicionais capas da Terra de Miranda e das regiões espanholas de Aliste e da Sanabria.


A cerimónia de Exaltação da Capa d’Honras Mirandesa iniciou-se na manhã de Domingo, dia 26 de março, com o desfile pelas ruas do centro histórico da cidade de Miranda do Douro até à concatedral.

O desfile foi animado pelas atuações dos pauliteiros de Malhadas, do grupo de Danças Mistas de Prado Gatão, do Grupo de Gaiteiros da Póvoa e do Agrupamento Folclórico de Monteros e Monteras de Aliste (Espanha).

Às 11h00, celebrou-se a Missa domincal, durante a qual o pároco de Miranda do Douro, o padre Manuel Marques, deu as boas-vindas às autoridades locais e aos participantes portugueses e espanhóis. Na homília, o sacerdote, referindo-se à Capa d’Honras Mirandesa disse que é importante preservar e promover a cultura e a identidade local.

“Quem visita Miranda do Douro vem à procura do que nos identifica, do que é original e diferente, como é o caso da Capa d’Honras Mirandesa”, disse.

 

 O pároco de Miranda do Douro prosseguiu dizendo que “como cristãos também temos de dever de preservar a nossa identidade, os nossos valores, como são a fé, a esperança e a caridade.

“Ser cristão também deve ser motivo de proua! Se o formos teremos muito mais força, alegria e vida para dar aos outros!”, exortou.

Após a celebração religiosa, realizou-se a sessão solene da Exaltação da Capa d’Honras Mirandesa.

No seu discurso, a presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, falou em mirandês e sublinhou que esta cerimónia visa celebrar um dos traços mais identitários da Terra de Miranda.

“Com esta celebração em torno da Capa d’Honras Mirandesa recordamos a história do nosso território e das nossas gentes, com os invernos rigorosos, a pastorícia, a lã, os artesãos e a manufatura desta peça de vestuário. Hoje, é uma honra vestir esta capa!”, disse.

Por sua vez, o historiador António Rodrigues Mourinho, ensinou que com a lá dos rebanhos de ovelhas, pastoreados no planalto mirandês, fazia-se quase tudo: meias, saias, calças, mantas, capas e capotes.

“Em memória dos nossos pais e avós é uma obrigação preservar este legado cultural que é a Capa d’Honras Mirandesa”, disse.

No final da sessão, o etnógrafo, Mário Correia, recordou que desde 15 de novembro de 2022, a Capa d’Honras Mirandesa está inscrita como salvaguarda urgente no Inventário Nacional de Património Cultural Imaterial.

“Agora cabe-nos fazer a inventariação e registar novos dados, como o número de Capas d’Honra Mirandesas existentes, a sua antiguidade, o nome dos artesãos, etc., para validar a inscrição junto da Direção Geral do Património Cultural”, indicou.

A cerimónia de Exaltação da Capas d’Honras Mirandesa concluiu-se com a já tradicional fotografia dos participantes nas escadas do adro da concatedral de Miranda do Douro.

HA

Páscoa D´Outrora

 Nos próximos dias 8 e 9 de abril, em Vale Prados realizar-se-á a I Feira do Calço e Mostra de Produtos Regionais, inserida na iniciativa Páscoa D´Outrora.
O cartaz contempla diferentes atividades, desde a caminhada pelos "Trilhos do Cu de Judas", à Exposição Fotográfica "Calço, do Sabor e Saber", às conversas sobre o calço, ao showcooking com a Chef Justa Nobre, contando, ainda com a leitura e dramatização do Testamento de Judas.

Não perca a oportunidade de comprar o que de melhor se faz no nosso concelho!

Notícias da aldeia

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)


A aldeia dói-me… como se há mil anos aqui vivesse, nas ruinas dos casebres, no forno apagado, no moinho sombrio, no ribeiro que secou… nas lavadeiras que silenciaram o dizer…
… todos partiram, sem acomodar as vacas, sem apascentar o rebanho, sem fazer a segada, sem malhar o trigo… sem embebedar as mágoas, na taberna, domingo à tarde…
… até as mulheres se esqueceram de ralhar com as vizinhas por causa das pitas que lhe debicavam o renovo!... e foram-se embora… entardecia… 
… todos se foram deixando dependurado o eco longínquo… dos gritos que se calaram… 
… e fiquei eu … sombra de ninguém… silenciosamente à espera do vento de feição… e das asas da madrugada… para partir… 
… nesse dia começará a primavera!... e haverá ramos floridos em todas as macieiras… e goivos em todos os caminhos!

Fernando Calado nasceu
em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

Argozelo: Feira da Rosquilha promoveu os produtos e o convívio

 No passado fim-de-semana de 25 e 26 de março, a vila de Argozelo realizou a XVI Feira da Rosquilha, um certame de produtos locais que voltou a atrair milhares de visitantes à localidade, onde tiveram a oportunidade de conviver e disfrutar do variado programa musical e cultural.

Na edição deste ano da Feira da Rosquilha participaram 30 produtores, que expuseram uma grande variedade de produtos, com destaque para as tradicionais rosquilhas, mas também para o folar de Páscoa, o pão, o fumeiro, os queijos, os licores, o mel, os frutos secos, os cogumelos, as facas de Palaçoulo, o azeite e muitos outros produtos locais e regionais.

Sempre presente no certame, o presidente da freguesia de Argozelo, José Manuel Miranda, lembrou que no corrente ano, a localidade celebra o 22º aniversário de elevação a vila.

“A povoação de Argozelo, no concelho de Vimioso, foi elevada à categoria de vila, no dia 7 de junho de 2001. Assinalamos esta data com a realização da Feira da Rosquilha, um dos produtos típicos da nossa localidade. Este evento, proporciona também o encontro e a confraternização entre a população de Argozelo e as muitas pessoas que nos visitam”, destacou.

No programa da feira deste ano, um dos destaques foi o workshop dedicado à confecção do doce tradicional da vila. Assim, na tarde de sábado, dia 25 de março. a senhora Fátima Vaqueiro ministrou uma sessão culinária, que contou com a participação de várias crianças, as quais “meteram as mãos na massa”. No final, os miúdos tiveram direito a provar as saborosas rosquilhas, acabadinhas de cozer, no forno instalado no recinto da feira.

Segundo a vereadora da cultura, Carina Lopes, mãe de dois filhos, o workshop dedicado à confecção das rosquilhas foi uma oportunidade para transmitir aos mais novos esta tradição local.

“Hoje em dia, compramos tudo feito. E a tradição de fazer as rosquilhas, no forno a lenha, está em risco de esquecimento. Por isso, com este workshop, realizado aqui no recinto da feira, pretendemos dar a conhecer às crianças e aos adultos, como se fazem as rosquilhas de Argozelo”, justificou.

Outro momento muito aguardado foi a atuação do Rancho Folclórico de Vimioso, que no próximo dia 25 de abril vai celebrar 28 anos de atividade cultural. No final da atuação em Argozelo, a presidente da Associação para o Desenvolvimento Cultural do Concelho de Vimioso (ADCCV), Elisabete Fidalgo, expressou a sua alegria por atuar nas localidades do concelho vimiosense.

“Atuar na nossa terra é a maior das satisfações! O rancho folclórico de Vimioso esforça-se por preservar, cantar e dançar músicas que falam das nossas tradições, ofícios e dos produtos locais”, explicou.

Outro destaque da Feira da Rosquilha deste ano, foi a apresentação do livro “Argozelo – Apontamentos para uma Monografia”. Segundo o professor de história, Carlos Prada, membro da associação Ulgusello, Cultura e Património de Argozelo, o livro é uma coleção de artigos escritos por José Manuel Miranda Lopes, entre 1929 e 1940.

“José Manuel Miranda Lopes foi pároco de Argozelo, Carção e Sendim. O livro agora publicado contém duas partes: na primeira parte fala sobre a história da freguesia de Argozelo. E na segunda parte, aborda-se a etnografia desta localidade, com os seus costumes, tais como a encomendação das almas, o cantar dos reis, entre outras tradições”, explicou.

A Feira da Rosquilha continuou na manhã de Domingo, dia 26 de março, com o programa de rádio, em direto, “Domingão do Tio João”.

Ainda durante a manhã, celebrou-se a Eucaristia Dominical, no recinto da feira.

O presidente do município de Vimioso, Jorge Fidalgo, foi uma das personalidades que visitaram Argozelo e felicitou a freguesia local, pela 16ª edição do certame.

“A rosquilha e os outros produtos locais são um bom mote para organizar esta feira, em Argozelo. Dada a proximidade da Páscoa é um tempo favorável para a compra e venda de produtos, mas também para o encontro, o convívio e a confraternização entre as pessoas”, disse.

No decorrer da tarde de Domingo, registou-se, mais uma vez, uma grande afluência de público para assistir às lutas de touros mirandeses.

A XVI Feira da Rosquilha, em Argozelo, encerrou com a atuação dos Pauliteiros de Palaçoulo.

HA

Portugal é 35.º em consumo de água engarrafada, apesar de boa água nas torneiras

 Portugal é o 35.º país do mundo com mais consumo de água engarrafada, mais de 50 litros ‘per capita’ em 2021 segundo um estudo da ONU, apesar da boa qualidade da água de torneira no país.


De acordo com a Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR), “a percentagem de água segura em Portugal continental é de 98,96%, um valor considerado de excelência”.

No entanto, o país integra a lista dos 50 principais países em consumo de água engarrafada ‘per capita’ em 2021, liderada por Singapura (1.129 l).

O estudo do Instituto Universitário para a Água, Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas, que abrange 109 países, assinala que a água utilizada pela referida indústria “pode levar ou contribuir para o esgotamento dos recursos hídricos subterrâneos” em áreas de grande consumo em muitas partes do mundo, questão de relevância a nível global dado que “mais de dois mil milhões de pessoas em todo o mundo dependem de águas subterrâneas como a sua principal fonte” deste líquido indispensável para a vida.

Refere igualmente que os 270 mil milhões de dólares (250 mil milhões de euros) gastos em 2021 pelos consumidores em água engarrafada seriam suficientes para garantir a disponibilização de água de torneira segura em grande parte do mundo.

O relatório chama ainda a atenção para a relação entre o consumo de água engarrafada e a poluição por plástico, notando que “os recipientes de plástico representam de longe a embalagem mais comum utilizada na indústria” e lembrando que “os materiais plásticos podem levar até 1.000 anos para se degradarem”.

A propósito do Dia Mundial da Água, que ontem se assinalou, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, realçou a necessidade de aumentar a consciencialização sobre a crise global da água e o agravamento das situações estruturais de escassez.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, já tinha alertado ontem para o facto de a humanidade estar a esgotar os recursos hídricos do planeta, antes do início da Conferência da Água de 2023 das Nações Unidas, sobre as necessidades de milhares de milhões de pessoas, em risco perante uma iminente crise hídrica mundial.

Homem foi colhido por um touro em Macedo de Cavaleiros e acabou por morrer

 Um homem de 86 anos foi ontem colhido por um touro em Macedo de Cavaleiros e acabou por não resistir.

À chegada dos Bombeiros de Macedo de Cavaleiros, que foram acionados às 12h25, a vítima estava consciente e já se encontrava na via pública, com perfurações na perna esquerda e hemorragias. 

Depois de avaliado pela equipa médica da VMER do Heli 3, foi transportado para o Hospital de Bragança, onde acabou por morrer.

O homem era produtor de animais.

Escrito por ONDA LIVRE

O que me faz chorar

Por: Paula Freire
(colaboradora do Memórias...e outras coisas...)


Faz-me chorar o silêncio da noite a pousar, leve, como pena no meu corpo. O canto apagado dos pássaros. A força com que me dou, solta em voos rasos!
Faz-me chorar…
Faz-me chorar a vil mentira dos ódios, dos escárnios que me engasgam, esses punhais que a alma me rasgam! O silêncio da minha voz que grita num uníssono crescente. As dores que ninguém ouve, as mortes que ninguém me sente.
Faz-me chorar a água que corre em gotas vertidas que o meu rosto lavou e nunca deixou tocar em lágrimas de sol pela distância dos dias. Como memórias tontas, dispostas no tempo, embrutecidas.
Faz-me chorar, sim… Porque tudo parte. 
Porque tudo me parte nessa dor ardente e de mim se transforma em metade de outra metade sempre ausente.
E se visse poder merecer-me estas loucuras tão minhas, entre quatro paredes, quantas lágrimas por mim desceriam e de mim saudades teriam.
Cubro com os meus braços o que de infinito em mim existe e pergunto-me, com a pele amarga do passado: por que razão, um dia, não partiste, sem voltar, desse tanto que te faz chorar?

Paula Freire
- Natural de Lourenço Marques, Moçambique, reside atualmente em Vila Nova de Gaia, Portugal.
Com formação académica em Psicologia e especialização em Psicoterapia, dedicou vários anos do seu percurso profissional à formação de adultos, nas áreas do Desenvolvimento Pessoal e do Autoconhecimento, bem como à prática de clínica privada.
Filha de gentes e terras alentejanas por parte materna e com o coração em Trás-os-Montes pelo elo matrimonial, desde muito cedo desenvolveu o gosto pela leitura e pela escrita, onde se descobre nas vivências sugeridas pelos olhares daqueles com quem se cruza nos caminhos da vida, e onde se arrisca a descobrir mistérios escondidos e silenciosas confissões. Um manancial de emoções e sentimentos tão humanos, que lhe foram permitindo colaborar em meios de comunicação da imprensa local com publicações de textos, crónicas e poesias.
O desenho foi sempre outra das suas paixões, sendo autora das imagens de capa de duas obras lançadas pela Editora Imagem e Publicações em 2021: Cultura sem Fronteiras (coletânea de literatura e artes) e Nunca é Tarde (poesia).
Prefaciadora do romance Amor Pecador, de Tchiza (Mar Morto Editora, Angola, 2021) e da obra poética Pedaços de Mim, de Reis Silva (Editora Imagem e Publicações, 2021).
Autora do livro de poesia Lírio: Flor-de-Lis (Editora Imagem e Publicações, 2022).
Em setembro de 2022, a convite da Casa da Beira Alta, realizou, na cidade do Porto, uma exposição de fotografia sob o título: "Um Outono no Feminino: de Amor e de Ser Mulher".
Atualmente, é colaboradora regular do blogue "Memórias... e outras coisas..."-Bragança, da Revista HeliMagazine e da Revista Vicejar (Brasil).
Há alguns anos, descobriu-se no seu amor pela arte da fotografia onde, de forma autodidata, aprecia retratar, em particular, a beleza feminina e a dimensão artística dos elementos da natureza, sendo administradora da página de poesia e fotografia, Flor de Lyz.

Peripécia 2: Prender um colega a um pilar

 Por: Luís Abel Carvalho
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Peripécias de um Penalbilhas na Escola Industrial de Bragança

Estávamos quase no fim  do 2º período (meados de Março), a gozar o sol ameno que já fazia, no intervalo entre duas aulas. Íamos ter Ciências da Natureza, com a mulher do Director da Escola, o Dr. Hirondino da Paixão Fernandes, um Homem culto e justo. (Muitos estarão a lembrar-se que era Deputado da Assembleia Nacional e foi Delegado da Mocidade Portuguesa em Bragança. (Mais tarde prová-lo-ei que era, efectivamente, justo). Quando a campainha soou e nos preparávamos para nos dirigirmos para a sala de  aula, disse o penalbilhas: “Ei, rapaziada! Hoje ninguém vai à aula”. Olhámos uns para os outros sem entender, mas todos nos sentámos novamente. Ficámos a olhar uns para os outros com cara de paspalhos. Passados uns minutos, eis que um dos Meninos – o mais velho e o mais alto dos primos, oriundos de Carviçais – se levantou e fez questão em avançar. Logo a voz de comando do penalbilhas se fez ouvir: “Agarrai-o e prendei-o a este pilar com os cintos”. De imediato todos  tirámos os cintos e o prendemos ao pilar pelos braços e pelas pernas.
     Passavam já uns largos minutos quando entrámos na sala, um pouco excitados. “O que se passa convosco?! Sentem-se todos e estejam sossegados, se não, vou chamar o Chefe”. Lá nos controlámos e nos sentámos para assistir à aula. Quase vinte minutos depois alguém bateu à porta. “Entre” – disse a Professora da qual me não recordo o nome. Quando entrou o Menino, alto e esguio, de faces coradas e olhar acossado, fixo no chão, perguntou a Professora: “Tu, tão atrasado?! O que te aconteceu?” – Perguntou incrédula. “Foram eles que me prenderam a um poste com os cintos e teve que ir lá o Senhor Lopes a soltar-me”!. “O quê? Vou já fazer queixa ao Chefe“ – ameaçou tocar a campainha. Todos lhe pedimos fervorosamente para o não fazer e que aquilo foi só uma brincadeira da qual já estavam arrependidos e que não voltaria a acontecer. A bondosa Professora lá acedeu aos veementes pedidos de perdão. “Bom, bom. Isto que não se repita”.
    De realçar, além das qualidades humanas e pedagógicas desta Professora, duas limitações: via mal e ouvia pior. Num dia de teste, estava o Zé Fidalgo a copiar com o livro aberto como, aliás, o fazíamos quase todos. A Professora foi fazer o giro pela sala, o Fidalgo atrapalhou-se e deixou cair a livro aberto, fazendo algum barulho. “ Que barulho foi esse?- perguntou. “ Foi a borracha que caiu, So Tôra ”- respondeu atrapalhado. “ Bem, bem! Então apanha-a lá “.
     Não sei bem porquê, mas tínhamos um ritual em que, por grupos e à vez, para despistar, tapávamos o nariz e dizíamos, em grupos alternados: “ O Datsum 1200 é mais barato. O Datsum 1200 é mais barato”. Havia uma razão naquela época, mas não consigo lembrar-me de qual.
     Estes Meninos eram primos e muito reservados. (Vinham da quinta da Macieirinha, de Carviçais). Um era grande e magro, com óculos muito graduados, o outro, mais novo, era baixinho e forte, a quem chamávamos  o “ Bobby Charlton “, devido a pentear o cabelo para trás. Quando iam passear para a Avenida, cada um seguia pelo passeio oposto, sendo por isso, chamados de GNR.
     Será de bom tom confessar, humildemente, que todas as parvoíces que fazíamos, tinham um único propósito: o de dar nas vistas perante as raparigas. Fazíamos todo o tipo de figuras ridículas só para lhes cativar a atenção. (Às vezes conseguíamos!)   Era o caso de irmos jogar futebol sem bola para o recreio que ficava ao nível das janelas do primeiro andar, onde as meninas assistiam às aulas e nos viam. Apesar de não haver bola e nem balizas, havia árbitro, golos, faltas e reclamações com o árbitro e, inclusive, foras de jogo. Não raras vezes o árbitro tinha que mostrar o cartão amarelo e até vermelho, para castigar uma ou outra entrada mais dura. (Era um tempo vivido até ao limite, sem grandes preocupações, apenas a de viver intensamente)!

Fontes de Carvalho

Fontes de Carvalho
, pseudónimo de Luís Abel Carvalho, nasceu no Larinho, uma aldeia transmontana do Concelho de Torre de Moncorvo, Distrito de Bragança. É o filho do meio de três irmãos.
Estudou em Moncorvo, Bragança e no Porto, onde se formou em Engenharia Geotécnia. É casado e Pai de três filhos.
Viveu no Brasil, onde passou por momentos dolorosos e de terror, a nível económico e psicológico. Chegou a viver das vendas de artesanato nas ruas e a dormir debaixo de Viadutos.
No ano de 1980 e 1981 foi Professor de Matemática em Angola, na Província de Kwanza Sul, em Wuaku-Kungo. Aí aprendeu a desmistificar certos mitos e viveu uma realidade muito diferente da propagandeada.
Em Portugal deu aulas de Matemática em diversas cidades, nomeadamente em São Pedro da Cova, Ponte de Lima, Cascais (na Escola de Alcabideche, onde deu aulas aos presos da cadeia do Linhó), Alcácer do Sal, Escola Francisco Arruda e Luís de Gusmão, em Lisboa. Frequentou durante quatro anos, como trabalhador-estudante, o curso de Engenharia Rural, no Instituto Superior de Agronomia.
Em 1995 fundou a empresa Bioprimática – Reciclagem de Consumíveis de Informática, onde trabalha até hoje como sócio-gerente.

Nota de Imprensa | Saldonha retoma celebração da Festa do Sábado da Aleluia

 A localidade da Saldonha, no concelho de Alfândega da Fé, vai retomar a celebração da Festa do Sábado da Aleluia. Uma tradição desta aldeia, associada à época da Páscoa, que a Associação Abraçar Paisagens, aí sediada, vai retomar este ano com um programa de atividades para o dia 8 de abril, sábado da aleluia na tradição cristã.

Saldonha retoma celebração da Festa do Sábado da Aleluia

A localidade da Saldonha, no concelho de Alfândega da Fé, vai retomar a celebração da Festa do Sábado da Aleluia. Uma tradição desta aldeia, associada à época da Páscoa, que a Associação Abraçar Paisagens, aí sediada, vai retomar este ano com um programa de atividades para o dia 8 de abril, sábado da aleluia na tradição cristã.
O programa desta celebração inclui um Mercadinho dedicado aos produtos locais, com destaque para a primeira mostra do folar, com a participação exclusiva dos habitantes dessa localidade e com a presença de um júri, que irá atribuir os 1º, 2º e 3º lugares, com direito a prémio. A esta iniciativa junta-se o corte do presunto, a gastronomia típica, a animação de rua, um passeio motard, contos à volta da fogueira e o reavivar das tradições locais, nomeadamente o Grupo de Cantares, que “renasce“ também com este evento.
A iniciativa conta com a presença da deputada à Assembleia da República, Berta Nunes, na sessão inaugural da iniciativa, que acontecerá às 10h30, na localidade de Saldonha.

O Feiticeiro de Oz, o musical

 No próximo dia 08 de abril, sábado, pelas 16h00, o Centro Cultural será palco para o teatro infantil "Feiticeiro de Oz".
“O Feiticeiro de OZ” conta a história de Dorothy, uma menina órfã que vivia com os seus tios e que tinha como seu melhor amigo o seu cachorro Totó. Com uma mistura de cor, dança e muita diversão, o “Feiticeiro OZ” vai transformar o palco num mundo de florestas encantadas, de espantalhos que dançam e de leões que cantam e envolver-nos com a sua magia, numa produção repleta de todos os ingredientes de um grandioso musical e de uma história apaixonante cheia de aventuras que vai fascinar todos os espectadores.
➡️ O bilhete tem um custo de 3€ e pode ser adquirido presencialmente no Centro Cultural ou através do telefone 278 428 100. 
🕒 Horário da bilheteira:
Dia útil
10h00 - 12h30 | 13h30 - 17h00 
Dia do Espetáculo
10h00 - 12h30 | 13h30 – 18h00 | 20h30 – 21h30

“Rural On – Agricultura Conectada” – projeto da APPITAD com paragem em Mêda e Mogadouro

 O evento conta com as comunicações “Efeito das alterações climáticas nos padrões geográficos da viticultura: do Alto Douro a Trás-os-Montes”, com Lia-Tânia Rosa Dinis (UTAD); “Estratégias para a manutenção do solo no âmbito das alterações climáticas”, com Manuel Ângelo Rodrigues, (IPB); e “Desafios da organização e promoção nos setores do vinho e do azeite”, com António Monteiro (DRAP Norte).


Promovido pela APPITAD – Associação dos Produtores em Protecção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro em parceria com o laboratório colaborativo MORE CoLAB, o projeto Rural ON – Agricultura Conectada está no terreno para levar boas práticas aos agricultores e, nos próximos dias, chega aos concelhos de Mêda e Mogadouro.

Dia 29 de março, quarta-feira, a Casa da Cultura de Mêda recebe a sessão de esclarecimento sobre “Organização e Promoção da Produção”. O evento tem início marcado para as 9h15 e acontece em regime presencial e online, podendo ser acompanhado em direto, através deste LINK.

A sessão de esclarecimento sobre “Organização e Promoção da Produção” inclui as apresentações “Desafios do setor do azeite em Trás-os-Montes e Alto Douro”, de Francisco Ataíde Pavão (APPITAD); “Agrupamentos de produtores multiprodutos”, de Lurdes Eliseu e Paulo Machado (DGADR); “Apoios ao setor agrícola”, de Alexandre Ferraz (Raia Histórica); e “Desenvolvimento Integrado”, com Frederico Lobão (Projeto Gerações de Xisto).

Depois da sessão na cidade de Mêda, o projeto Rural ON segue para Mogadouro. Dia 3 de abril, o Centro de Interpretação do Mundo Rural recebe a sessão de esclarecimento sobre “Territórios Sustentáveis”.

O evento conta com as comunicações “Efeito das alterações climáticas nos padrões geográficos da viticultura: do Alto Douro a Trás-os-Montes”, com Lia-Tânia Rosa Dinis (UTAD); “Estratégias para a manutenção do solo no âmbito das alterações climáticas”, com Manuel Ângelo Rodrigues, (IPB); e “Desafios da organização e promoção nos setores do vinho e do azeite”, com António Monteiro (DRAP Norte).

Até dezembro de 2023, o projeto RURAL ON – Agricultura Conectada está na rua para percorrer 17 concelhos e trabalhar com 28 grupos focais as temáticas-chave do Plano de Ação da Rede Rural Nacional.

Pode acompanhar todas as atualizações do projeto Rural ON AQUI  e nas redes sociais.

EXPORTAÇÕES AGRÍCOLAS DO DISTRITO CRESCERAM 161% NOS ÚLTIMOS 10 ANOS

 Entre 2012 e 2022 os agricultores abriram-se ao mundo. Só no que toca à exportação de fruta há um aumento de 42%, a maior parte para França, Espanha e Itália


Na última década, as exportações agrícolas no distrito de Bragança cresceram 161%. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2012 o distrito exportou 295 836 995 de bens, mas em 2022 os produtos agrícolas vendidos ao estrangeiro já foram 768 185 584. Embora em determinados produtos as exportações até diminuírem, como foi o caso dos cereais, das sementes e até dos lacticínios, no geral, nos últimos dez anos, as empresas da região ligadas ao sector da agricultura deixaram apenas de vender para o mercado regional ou nacional e alargaram o negócio ao mercado internacional. No que toca às frutas, verificou-se um aumento de 42%. O ano passado foram exportados 40 503 684 produtos, enquanto em 2012 as empresas do distrito venderam para o estrangeiro 28 532 372.

A diferença de receber ou não subsídios “é pouca”

Um dos agricultores de fruticultura do distrito, mais concretamente do concelho de Mogadouro, é Nuno Martins. Entrou no mundo da agricultura porque lhe foi herdado. O pai faleceu e como não queria deixar morrer as explorações que lhe pertencia, preferiu mudar de vida, deixar o Porto, onde vivia, e regressou a Vilarinho dos Galegos, de onde é natural. Mas por considerar que o vinho e o azeite, produções que já eram do pai, não são muito rentáveis no seu concelho, decidiu apostar nos mirtilos em 2015. “É uma cultura muito mais rentável que a vinha e o olival na nossa região. Pagam 40 cêntimos por quilo de uva. O mirtilo tem um preço ao produtor para exportação de 4 ou 4,5 euros, ou seja, estamos a falar 10 vezes mais no valor por quilo. Podemos dizer que o mirtilo é 10 vezes mais rentável que a vinha na nossa zona”, frisou. Tem quase dois mil hectares de terreno, o que significa seis mil plantas de mirtilo. O ano passado foi o seu melhor ano de colheita, com a produção de seis toneladas, no entanto, como as suas plantas estão a crescer, considera que ainda pode vir a conseguir produzir entre 10 a 12 toneladas de mirtilo por ano. Vende o fruto no distrito, mais concretamente na cidade de Bragança e nas vilas de Mogadouro, Torre de Moncorvo e Sendim. A venda é feita directamente ao consumidor e representa 40% do negócio. Os outros 60% são exportados. Apesar de ter tido alguns contratempos, com os anos de seca, que têm sido “uma miséria” em termos de produção e com a substituição de uma das variedades que tinha plantado, considera que fez “um bom investimento” e que tem margem para “progredir e aumentar a produção”. Contou ter investido cerca de 150 mil euros para fazer a plantação e comprar alguma maquinaria, o que, na sua opinião, entende ser um investimento que não seja “uma dificuldade grande, mas também não é uma dificuldade pequena”. E quanto a manter a produção, afirma mesmo que não é graças aos subsídios, porque considera serem “uma miséria”. “A diferença de receber ou não subsídios é pouca, sinceramente. Imagine que eu produzo seis toneladas de mirtilo a uma média de cinco euros, são 30 mil euros. Isso foi o que eu produzi mais ou menos o ano passado. O subsídio que me foi atribuído ronda os mil euros”, disse, questionando “mil euros é suficiente para eu produza 30 mil de fruto, que vão valer cinco vezes mais no final?”. Nuno Martins critica ainda a falta de regulamentação do Governo, o que leva a que os agricultores fiquem apenas com um quinto do lucro da venda e a “grande fatia do bolo” fique nos intermediários. “O mirtilo chega a uma prateleira em Inglaterra de um supermercado qualquer a 25 euros o quilo, mas chegam-me quatro euros, os outros 21 euros alguém ficou com eles. Há países em que o produtor leva a maior parte da fatia do bolo final”, sublinhou.

Crescer com a agricultura

Luís Filipe Carcau também não se quis deixar levar pela tendência da região de produzir azeite e vinho e quis apostar na produção de figos. O jovem agricultor está desde pequeno ligado à agricultura, até porque cresceu numa aldeia do concelho de Mirandela e a família sempre esteve ligada ao sector. Licenciou-se em Engenharia Agronómica e foi há cerca de 10 anos que decidiu que queria apostar neste fruto, achando que conseguiria “contribuir para a modernização da cultura” e escoar a produção “de forma garantida”. E assim fez. Começou por umas figueiras que tinha já nos seus terrenos e, de forma, “gradual” foi “expandido” os pomares, chegando aos 30 hectares que tem hoje e que não quer que fiquem por aqui. Numa produção que começou por ser de três toneladas, já ronda as 50 toneladas, embora o ano passado a quebra tenha sido significa devido à seca. Vende apenas para o mercado nacional. Metade do que produz é vendido a grossistas, que depois revendem para as grandes superfícies, e a outra metade, tratando-se de figos de calibre mais pequeno, é vendida para a indústria, para produção de compotas, recheios de bolachas, iogurtes e cristalização. Admite que o que “compensa mais é vender aos grossistas”, ainda assim, considera que o fruto podia ser “mais valorizado”, se existisse uma organização de produtores na região. Para isso o fruto tinha que ser produzido em “maior escala”, o que não acontece no nordeste transmontano. Este ano pretende levar os figos para o resto da Europa. “Já pensámos em exportar, já temos alguns contactos, o objectivo era iniciar a exportação o ano passado, mas como foi um ano fraco em termos de produção, decidimos adiar para este ano”, explicou. Quer ainda aumentar a produção e a modernização nos mecanismos de colheita e rega. “O objectivo principal é aumentar a produção, aumentar ao máximo as tecnologias nos pomares, quer na fase de colheita, quer na parte do regadio, mas também na cobertura dos pomares, e modernizar toda a parte de embalamento e logística. Sem os apoios do Governo torna- -se difícil, atrasa essas metas e aumenta o custo do figo ao consumidor”, disse. No entanto, nem tudo é fácil. O jovem agricultor garante que há “muitos entraves”, nomeadamente no que toca à burocracia, com a submissão de todos os projectos de investimento, no que toca aos atrasos consecutivos no pagamento de subsídios e também no que toca ao atraso nas análises das candidaturas. A cultura do figo poderia ser mais rentável, mas, de acordo com Luís Filipe Carcau, como não há regadios colectivos na região, o investimento tem que ser feito a título individual, o que “acaba por ser um entrave e um custo acrescido na produção”. “As alterações climáticas acabam por afectar bastante a produção e não estamos a conseguir tirar aquilo que seria previsto numa fase inicial de projecto, mas acredito que no futuro através de novas técnicas culturais se consiga atingir o objectivo desejado e ter o retorno financeiro que está previsto”, frisou. Mas seria a cultura rentável sem os subsídios do Governo? “Não, iria traduzir-se num preço de venda muito superior e possivelmente o consumidor poderia não procurar o fruto, porque os subsídios acabam por ser uma ajuda para de certa forma conseguir que o consumidor compre o figo a um preço mais reduzido”, afirmou.

“Mais e melhor”

José Luís Castro herdou a empresa da família. São grandes produtores de azeite em oito aldeias dos concelhos de Macedo de Cavaleiros e Mirandela. No total tem 420 hectares de olival. O objectivo é produzir “mais e melhor”, para entregar “um produto de excelente qualidade em granel para entidades que os saibam trabalhar nos devidos mercados e com o devido posicionamento”. Para isso estão a apostar na conversão para regadio, que lhes permite produções que em sequeiro não era possível. A maioria dos terrenos está já com regadio implementado e se há 10 anos produziam cerca de 350 mil quilos de azeitona, hoje produzem mais um milhão de quilos. “A nossa aposta é continuar a produzir para chegarmos dentro de cinco ou seis anos aos dois milhões de azeitona”, frisou. Além de estar a investir no regadio, está também a modernizar as técnicas utilizadas na poda e na adubação. “Transformámos aquilo que era o paradigma da olivicultura da região, tem a ver com questões ligadas à poda, mudámos aquilo que as pessoas achavam que era a forma correcta de fazer as coisas. Mudámos a adubação, hoje nós adubamos através da água e depois todos os tratamentos fitossanitários são feitos recorrendo ao modo de produção integrada, há uma utilização muito cuidadosa de herbicidas”, explicou. Segundo o agricultor, os apoios do Governo à sua produção têm “um peso reduzido” e considera que se as pessoas têm que deixar de ver os subsídios como “fim”, mas antes como um “complemento”, caso contrário “deturpam completamente as decisões que os agricultores tomam e acabam por continuar numa lógica de agricultura de subsistência, que é o que existe em Trás-os-Montes e é o que tem que mudar radicalmente”. “Falta empresários, falta dimensão, falta vontade de fazer coisas de forma diferente pondo os subsídios numa lógica de complemento de apoio e nada mais que isso”, afirmou o empresário.

Laranja que vai para França

Cristiano Freixo, de Santa Comba da Vilariça, é um dos responsáveis por manter viva a cultura que se crê que tenham sido os árabes, que introduziram no país: a laranja. Neste momento, o agricultor, de 29 anos, tem plantados quase oito hectares de citrinos, três e meio de pessegueiro e cerca de quatro de amendoeiras. São 5500 laranjeiras, 4000 pessegueiros e 2300 amendoeiras. Estas plantações, a maioria, são novas, têm quatro anos. O grande foco deste jovem agricultor são as laranjas e, apesar de ainda não ter grande rendimento com esta cultura, porque as árvores ainda não estão a produzir na totalidade, garante que ainda o vai ter porque a aposta não vai parar tão cedo. Para já, como o hectare ainda não rende as cerca de 30 a 40 toneladas que deveria render, ainda só vende para pequenos mercados e supermercados da região, essencialmente de Bragança, mas já exporta, para França, através de duas ou três pessoas, cerca de “1500 quilos por semana”. Ao contrário dos depoimentos anteriores, este empresário, que considera que “a agricultura não seria sustentável sem subsídios”, já que “a mão-de-obra é cara e tem de ser paga ao preço que ela vale, os adubos e tratamentos também”, começou a aventura, com a qual se governa, em 2017 e teve bastante “sorte”. “Meti um projecto. Não era agricultor nem tinha nada, tirando algumas máquinas, uma retro e uma giratória. Tive que fazer um investimento, comprando terrenos, um tractor e algumas alfaias agrícolas mais pequenas e tudo isso é dinheiro. Logo no começo investi, só na parte da mecanização, cerca de 120 mil euros”, assumiu Cristiano Freixo, que diz que sem apoio, sendo que teve um financiamento de 60%, “isto não era para qualquer pessoa”. E quanto a apoio, diz que são cada vez mais divulgados, é um facto, que quem se quiser aventurar tem essa facilidade de facilmente conseguir saber ao que se pode candidatar, mas “há muita burocracia”. “Difícil não é concorrer é, depois de aprovado, todas aquelas burocracias. Estamos aqui num meio pequeno e, muitas vezes, temos que nos deslocar ao Porto e a Braga”, lamentou Cristiano Freixo, que tem duas variedades de laranja, uma delas de casca fina, doce e sumarenta, “a melhor laranja, que só podia ser da Vilariça”. A agricultura, que muitas vezes parece estar nas ruas da amargura, para este jovem não está. Já vive dela e para ela quer viver. “A minha ideia é continuar a plantar árvores. Sou novo, tenho objectivos e no espaço de 10 anos quero ter cerca de 20 hectares de laranjeiras”, sublinhou, assumindo que, “com força de vontade, tudo se consegue, tudo é possível”.

Jornalista: Carina Alves/Ângela Pais